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13 de janeiro de 2013

Inhambane, A Terra da Boa Gente (Ano de 1965)


Em 10 de Janeiro de 1498 Vasco da Gama aportou à Baía de Inhambane, que ficou para sempre assinalada como a TERRA DA BOA GENTE.

Em 1552 também aportaram a estas águas os sobreviventes do trágico naufrágio de Sepúlveda que iam a caminho de Sofala.

A povoação existente foi elevada a vila por carta régia de 9 de Maio de 1761 e a cidade por Portaria de 12 de Agosto de 1956.

A sua configuração é única no Sul da Província, porque a par de vetustos edifícios solarengos e de estreitas artérias, encontram-se construções modernas e largas avenidas arborizadas. Entre as construções mais importantes contam-se a residência do Governador do Distrito, a Direcção de Administração Civil, as Obras Públicas e os Paços do Concelho.

A cidade, sede de uma diocese, ocupa uma área de 200 hectares; as ruas têm uma extensão total que se aproxima dos 20 000 metros, mais de metade dos quais totalmente asfaltados. A população do Concelho de Inhambane era, pelo censo oficial de 1960, de 68 000 almas.

Na campanha contra o Gungunhana, Inhambane serviu de base à coluna do coronel Galhardo – campanha que resultou na pacificação do interior do Distrito. Também da cidade saiu Mouzinho com a sua cavalaria, a caminho da vitória e da glória em Coolela.

O porto cujas características e movimento, regista um movimento anual interessante de tonelagem de mercadorias movimentadas e de passageiros.

Inhambane possui longas tradições de assinalado portuguesismo; a sua história está estreitamente ligada à história da Província; os seus habitantes são trabalhadores e hospitaleiros. Porém, factores vários têm retardado o seu progresso em relação a outras cidades da Província. Fazemos votos para que nestes tempos mais próximos esse atraso seja recuperado e a simpática cidade ocupe o lugar que merece na comunidade moçambicana.

Fonte: Arquivo Pessoal

Distrito de Inhambane (Ano de 1965)

Este distrito compreende os Concelhos de Inhambane e Maxixe e as Circunscrições de Govuro, Homoíne, Inharrime, Massinga, Morrumbene, Panda, Vilanculos e Zavala, abrangendo uma área total aproximada de 68 470 quilómetros.

A população do distrito era, pelo censo de 1960, de 584 538 indivíduos.O grupo étnico dominante é o Tonga, mas com características próprias encontram-se também os Batchanganas, Batchopes, Bitongas e Bachengues.

Os números mais representativos da agricultura do distrito são:

Algodão – 3 000 toneladas

Castanha de caju – 3 000 toneladas

Copra – 500 toneladas

Milho – 600 toneladas

Estes números referem-se a produtos comprados aos agricultores (ano de 1962).O total das espécies pecuárias existentes no distrito era, pelo arrolamento de 1961, o seguinte:

Bovino – 80 000

Ovino – 9 600

Caprino – 50 000

Suíno – 9 150

Inhambane é ligada a Inharrime por um caminho de ferro com a extensão de 90 quilómetros. Em apoio dos caminhos de ferro, a Camionagem Automóvel dos Caminhos de Ferro de Inhambane e Gaza dispõe de uma frota de 60 camiões para passageiros e carga.

O distrito está ligado à capital da Província pela E.N. 1, magnífica via asfaltada com intenso trânsito comercial.

Esteve recentemente na cidade de Inhambane um grupo de técnicos chefado pelo Prof. Edgar Cardoso para efectuar o estudo da construção da ponte destinada a ligar a capital do distrito a Maxixe, no outro lado da baía. Esta povoação, dispões nas suas proximidades de belas praias, com excelentes possibilidades para a pesca desportiva, já muito conhecidas e visitadas por grande número de turistas estrangeiros.

Na região de Vilanculos fica situado um triângulo turístico actualmente muito procurado por visitantes das Rodésias e da África do Sul. Inhassouro, Vilanculos e Ilha de Santa Carolina atraem largo número de visitantes. A pesca desportiva de alto mar está consagrada por um concurso internacional efectuado todos os anos em Vilanculos.

Quatro portos estão abertos à navegação:Inhambane (visitado regularmente pela cabotagem), Vilanculos, Mambone e Bartolomeu Dias.A capital do Distrito é a cidade de Inhambane.

Fonte: Arquivo Pessoal

29 de janeiro de 2012

Moçambique: Mercado do Tofo em Inhambane


Mercado do Tofo em Inhambane

Se vai viajar para Inhambane, não se esqueça de passar pelo mercado do tofo e trazer algumas peças artesanais bem originais daquela terra de 'boa gente'.

13 de agosto de 2009

Inhambane "Terra da Boa Gente", completou ontem, 63 anos de elevação à categoria de cidade

Aniversário da cidade de Inhambane 53 anos de avanços e recuos A tranquilidade pública é um dos aspectos que orgulham os munícipes da “terra de boa gente”, enquanto a habitação está num caos total Inhambane (Canalmoz) – A cidade de Inhambane, “terra de boa gente”, completou ontem, 53 anos de elevação à categoria de cidade. A efeméride foi pretexto para grandes festejos: animais sacrificados, coroa de flores depositada em memória de heróis moçambicanos, manifestações culturais, desportivas, e até corridas de «txovas». Para nós, o aniversário da cidade foi pretexto para questionar os munícipes, “como vai Inhambane-Céu?”. As respostas foram diversas. Uns apontaram avanços e outros retrocessos. Crescimento desordenado da cidade À semelhança do que acontece um pouco por todas capitais provinciais do País, em Inhambane, as migrações do campo para cidade, têm tendência crescente. Nos últimos anos, muitos novos habitantes chegam a esta cidade à procura de emprego, essencialmente. E encontraram um Conselho Municipal não preparado para acolher tanta gente, visto não existirem planos de urbanização desenhados, pelo menos a avaliar pela forma como as novas habitações estão a ser erguidas, nesta cidade. É a desordem total que caracteriza os bairros da cidade. A construção ilegal e desordenada de residências na zona do aeródromo local, a degradação das vias de acesso, a necessidade de abertura de estradas que permitam a circulação normal de pessoas e bens em toda a periferia da urbe, e o emaranhado de casas que se verifica nos bairros Chalambe I e II, Liberdade I e II e Muelé, são os aspectos negativos, mais visíveis, na área de infra-estruturas, na cidade de Inhambane. No bairro de Muelé, concretamente, tornou-se muito difícil circular. Não há ruas parceladas, as casas foram construídas umas atrás das outras, sem ordenamento e são na sua maioria de construção precária, cobertas de folhas de coqueiros, material aqui conhecido por “macuti”. Um eventual incêndio numa das casas, pode causar uma catástrofe, visto que facilmente, as casas vizinhas podem pegar fogo e registar-se um incêndio em série. Para mais não há bombeiros na cidade. O governo promete há anos resolver a questão, mas não há meio de cumprir. Esta cidade, que até tem um aeroporto já com algum tráfego internacional, como o governo promete e não faz, continua sem os chamados “soldados da Paz” – nome que também é dado aos bombeiros. João Nhamposse, natural e residente na cidade de Inhambane, disse à nossa reportagem, que uma das razões que concorre para a habitação precária que se está a construir é o Município cobrar altas taxas para se poder construir em alvenaria. “É que o município exige licença de construção, para qualquer tipo de obra que seja de alvenaria”. “Uma casa de tipo 3, tipo 2, ou mesmo de tipo 1, desde que seja de alvenaria, tem que se comunicar ao município que se pretende construir, e a edilidade fixa uma taxa de construção, que muitas vezes não está ao alcance dos cidadãos”, conta o nosso entrevistado. A opção de quem precisa de habitação é construir com material precário e em qualquer lugar, porque também é difícil legalizar-se um talhão. Sendo assim, e porque as pessoas não têm melhores alternativas, constrói-se desordenadamente e com materiais de fraca qualidade e curta duração. Aparece-nos uma cidade de Inhambane a expandir-se desordenadamente e com habitação pobre e sem condições. A falta de planeamento impede que os bairros de expansão obedeçam às mais elementares normas. É outra situação que inquieta os munícipes. “O município devia conceber bairros para habitação, abrir ruas, colocar fontenários de água e construir escolas, nos bairro de expansão. As pessoas que vivem aglomeradas nos bairros suburbanos, podiam transferir-se com facilidade para os novos bairros”, sugeriu Inácio Nhassengo, morador de Chalambe I, um dos bairros que delimitam a chamada “zona de cimento”.
Transporte
Sendo Inhambane uma cidade pequena, a falta de transporte não se faz sentir. É fácil as pessoas deslocarem-se aos principais pontos da cidade, a pé, em pouco tempo. Sair da ponte cais, onde se apanha o barco para Maxixe, passando pela Catedral, depois pelo edifício-sede do Município, pelo Mercado Central, Hospital Rural, Cemitério da cidade, Cadeia Provincial, e voltar para a Escola Superior de Hotelaria e Turismo, é possível, em menos de 45 minutos. Esta zona é aprazível e está com aspecto agradável. Para as zonas mais distantes da cidade, existe transporte suficiente, entre semi-colectivos e Transporte Público de Inhambane (TPI). Pode-se dizer que em Inhambane-céu não há problemas de transporte.
Criminalidade praticamente Zero
A tranquilidade pública é outro factor que alegra os munícipes desta urbe. “Aqui em Inhambane não há tanta ocorrência de crimes”, disse Amâncio Massingue, agente da Polícia de República de Moçambique (PRM), afecto à 2ª Esquadra da cidade. Aliás, os moradores da cidade orgulham-se por este facto. Costuma-se dizer que “se alguém for roubado em Inhambane, o ladrão não é morador da cidade, mas, sim, visitante”. Vêm de longe roubar aqui, é frequente ouvir-se comentar quando surge uma onda repentina de crime. Vêm de Maputo quando há períodos de procura turística. Inhambane vive essencialmente do Turismo. Tem praias maravilhosas.
Lixo reaparece na cidade
Mas nesta cidade, que em tempos foi considerada a mais limpa do País, de há uns meses para cá começa a ter lixo que não era habitual. O lixo tomou conta da urbe, e em cada esquina da cidade, vêem-se montes de lixo espalhado, sem que o mesmo seja recolhido pelo município. Face a esta matéria, o edil da cidade, Lourenço Macul, disse à margem da cerimónia de deposição de coroa de flores na praça dos heróis, que “se deveu a avarias em veículos usados pelo município na recolha de resíduos sólidos”. “A situação já está a melhorar e vai melhorar ainda mais nos próximos dias”, prometeu o presidente do Conselho Municipal.
Travessia
Com os novos barcos a travessia Inhambane-Maxixe, melhorou. Os munícipes dizem-se satisfeitos. Entretanto, a travessia para a Ilha de Xidwane, continua a ser garantida através de barcos à vela. O percurso no mar leva mais de duas horas. Os mesmos não oferecem segurança aos passageiros.
Falando à imprensa, o edil da cidade, Lourenço Macul, considerou que apesar dos problemas aqui enumerados, a cidade está a conhecer um desenvolvimento significativo, e os problemas prevalecentes são desafios para se ultrapassar. Dados do último recenseamento geral da população e habitação realizado no País (2007), indicam que a cidade de Inhambane possui 65.149 habitantes, dos quais 30.640 são homens e 34.509, mulheres. (Sara Pacul, em Inhambane) 2009-08-13