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15 de dezembro de 2011

Portugueses e Portuguesas (D. Rosário XXII duque de Bragança)


Portugueses e Portuguesas

Vimos mais uma vez assinalar esta importante data da restauração da independência de Portugal, num momento em que vergonhosamente o governo quer eliminar este feriado como que a querer perder o orgulho da independência pátria. Dirijo-vos as minhas palavras e os meus alertas no sentido de vos despertar e mobilizar contra os que tomaram o poder de assalto e estão a permitir e a compactuar o roubo que está a levar os portugueses à miséria.

A primeira analise que temos de fazer é entender as causas reais porque estes políticos colocaram o país de rastos e para isso temos de entender as necessidades básicas de um povo de um indivíduo para perceber a raiz dos problemas.

Todos nós precisamos diariamente de um tecto para nos abrigar, água potável, 3 refeições diárias e roupas. Logo de seguida vem as necessidades secundárias como a energia (electricidade, combustível para deslocações, etc.) os produtos de higiene, a educação, a saúde etc.

Como qualquer dona de casa sabe um orçamento familiar é prioritariamente dividido em renda de casa, alimentação, energia e são precisamente estes 3 itens os causadores da desgraça que se abate sobre as famílias porque os políticos querendo vampirizar o povo criaram legislação de forma a que os cidadãos e o país perdesse a sua autonomia e controlo destas áreas para as entregar a grandes multinacionais e privados gananciosos e sem escrúpulos.

No passado Portugal era um país com uma grande base rural e auto suficiência alimentar, o povo nas suas aldeias viveu ao longo de milhares de anos praticando a sua agricultura e pastorícia, cada jovem em idade de casar podia construir a sua habitação a partir dos materiais que encontrava no meio ambiente circundante e faziam-no com a ajuda de familiares e vizinhos num espírito de comunidade. Ninguém ia pedir dinheiro a bancos para comprar casa, quando muito recorriam a um familiar ou vizinho se precisassem de ajuda e saldavam a divida normalmente sem juros ou com juros baixos.

Só um novo 1640 salvará Portugal!


SÓ UM NOVO 1640 SALVARÁ PORTUGAL!

Em 1 de Dezembro ocorre mais um aniversário do dia em que os nossos antepassados levantaram-se em 1640 para sacudir a humilhação do domínio espanhol que se vinha exercendo há longos 60 anos, pouco depois que a Coroa de Portugal ficou à mercê do monarca de Espanha, por virtude da morte que El-Rei D. Sebastião encontrou nos campos de Alcácer Quibir quando, à testa do exército invadiu o reino de Marrocos e se propunha desbaratar as forças árabes que se lhe opunham.

Os males causados pela dominação estrangeira haviam-se multiplicado e agravado extraordinariamente, acelerando uma decadência que abalava os fundamentos da Nação e ameaçava comprometer o futuro de Portugal.

Por isso, a situação ruinosa que o País tinha atingido inquietava os patriotas. Cientes de que cabe aos cidadãos o dever de velar pelo bem-estar da Nação e pelo futuro da Pátria, os patriotas entregaram-se à tarefa de despertar as consciências adormecidas, reanimar os tímidos e mobilizar as vontades para que no momento escolhido para a insurreição, esta pudesse contar com a imediata participação de todos os bons portugueses.

E não foi em vão tal esforço nem perdidos os sacrifícios então feitos. A despeito da perfídia dos delatores, da vigilância dos esbirros e da suspeita dos colaboracionistas, os principais e mais resolutos dos conjurados dirigiram-se ao Paço Real na manhã do 1º de Dezembro de 1640, enquanto a população de Lisboa, já alertada, acorria a apoiar a acção libertadora.

Depois de presos ou mortos alguns dos agentes e servidores de Filipe IV de Espanha, o principal lacaio do inimigo, o traidor Miguel de Vasconcelos foi espadeirado no canto dum armário onde se escondera e, logo depois, lançado da janela para a praça, enquanto os lisboetas ali reunidos e sublevados foram informados do fim da tirania e também convidados a aclamar D. João de Bragança como Rei de Portugal.

E seguiram-se 30 anos de esgotantes guerras, durante as quais os nossos Avós não conheceram lazeres nem puderam apartar-se das armas, porque volta e meia tiveram de acorrer às fronteiras ou às cidades sitiadas, para combater e expulsar do solo nacional os exércitos dos invasores espanhóis; ao mesmo tempo, no Ultramar, as reduzidas e abandonadas guarnições tiveram de sustentar uma guerra de igual duração para bater e escorraçar as forças holandesas que se haviam apoderado de extensas regiões em Angola e no Brasil, além de várias possessões no Oriente.

Não faltarão verdadeiros portugueses para, no 1º de Dezembro, cobrir de flores o pedestal do monumento erigido na Praça dos Restauradores, em Lisboa, em comemoração das brilhantes vitórias alcançadas pelos exércitos nacionais durante as campanhas da Restauração e, também em memória dos conjurados da revolução libertadora e de todos quantos então sofreram e lutaram para nos legar uma Pátria digna, honrada e livre.

Para retirar o País da situação em que se encontra hoje é urgente acudir-lhe de novo, tal como em 1640, isto é, imitar o exemplo dos bravos conjurados, despejando pela janela todos quantos humilham o nosso Portugal.

01DEZ2011
http://www.alternativaportugal.org/1_dezembro.html

30 de setembro de 2011

Samora recusou ser presidente segundo Joaquim Chissano


Samora recusou ser presidente

Segundo Joaquim Chissano.

O antigo chefe do Estado moçambicano, Joaquim chissano, diz que Samora Machel recusou-se a ser presidente quando indicado para o cargo depois da assinatura dos acordos de Luzaka, que davam direito de Moçambique criar o seu próprio Governo pela conquista da independência.

Segundo Chissano, o primeiro presidente de Moçambique independente nunca pensou em ser presidente da República, depois da independência.

“Samora queria apenas continuar como homem de combate. Quando indicado a presidente, não aceitou”, revelou Chissano, que falava ontem numa palestra a propósito das comemorações do Ano Samora Machel, pela passagem dos 25 anos da morte deste líder. Contudo, o primeiro presidente de Moçambique independente foi convencido pelos “camaradas” a tomar o cargo, uma vez que só pensava em servir o povo.

O ex-presidente da República defendeu ainda que Samora era um homem que contagiava a todos pela rapidez do seu pensamento e de tomada de decisões.

“Ele pensava rápido em tudo o que fazia. Essa rapidez no pensamento, nos actos, foi transmitida a todos durante as conversas e em todos os momentos em que estivemos juntos”, disse.

André Manhice
SAPO MZ, 28 Setembro 2011

19 de março de 2010

Moçambique: Comemora-se hoje centenário dos CFM


Estação Central: Comemora-se hoje centenário dos CFM

Uma exposição de fotografia reportando as diversas etapas do edifício da estação Central dos Caminhos de Ferro de Moçambique assinala hoje o centésimo ano de existência daquele importante património histórico, cultural e arquitectónico, classificado como sendo o sétimo mais belo do mundo.

Além da inauguração da exposição de fotografia, acto a ter lugar às 18 horas, no átrio da estação, está também prevista a inauguração de novas carruagens para o serviço de passageiros e lançamento de uma iniciativa designada “O Património é Nosso”, que visa sensibilizar e obter da sociedade civil e do público em geral total colaboração para a conservação e preservação do vasto património nacional.

A manutenção e valorização da Estação Central constitui prioridade da administração da empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), compromisso que se traduz na promoção de eventos de carácter cultural e artístico naquile recinto.

No mesmo âmbito está igualmente em curso a implantação de um museu ferroviário no recinto da estação.

A estação central dos CFM foi inaugurada a 19 de Março de 1910, sendo que os planos para a sua construção datam de 1904 e as obras começaram poucos anos depois.

A ideia das autoridades de então era ter uma estação moderna para os padrões da época, tendo sido inspirada na imponente estação dos caminhos-de-ferro de Joanesburgo, na África do Sul, com a diferença de que a estação moçambicana tinha um “frontispício mais vistoso e no interior uma passagem comunicando com a gare da estação”, segundo dados que constam do arquivo dos CFM.

Para complemento da sua elegância e bom-gosto, a estação ficou e ainda está adornada com três cúpulas, sendo uma delas de grandes dimensões. A cúpula central, que encima a estação, tem sido atribuída ao engenheiro francês especializado em estruturas em metal Gustave Eiffel (também autor da Casa de Ferro, onde funciona a Direcção Nacional do Património Cultural na baixa de Maputo, e a famosa Torre Eifel em Paris). Na verdade, Eiffel construiu muito, e há a tendência de lhe atribuir de tudo um pouco e não importa o que quer que seja.

Mas no nosso caso há a prova documental de que a estação central dos CFM foi projectada na África do Sul, devido às dificuldades de a mesma ser feita na Inglaterra, devido à I Guerra Mundial.

As obras da nova estação, em tijolo cozido e cimento, com uma frente de 51 metros, iniciaram-se em 1908, vindo a nova estação substituir a primitiva, de madeira e zinco, localizada um pouco mais para baixo, inaugurada em 1895, por Paul Kruger, líder do Transvaal.

A sua conclusão viria a ocorrer em 19 de Março de 1910, sendo inaugurada em cerimónia informal com a presença do governador-geral da altura, Freire de Andrade. Nessa ocasião, as mais altas autoridades da colónia e outras individualidades deslocar-se-iam até à missão de S. José de Lhanguene onde decorriam festividades destinadas à obtenção de fundos para as suas actividades.

Maputo, Sexta-Feira, 19 de Março de 2010:: Notícias

18 de março de 2010

Gala RM celebra 77 anos de radiodifusão em Moçambique


Gala RM celebra 77 anos de radiodifusão em Moçambique

Passam hoje 77 anos que a primeira emissão de Rádio em Moçambique foi transmitida, ango que aconteceu no dia 18 de Março de 1933, por iniciativa dum grupo de amantes de rádio residentes na antiga colónia portuguesa. Para assinalar a data, a rádio pública moçambicana promove esta noite a Gala RM que decorrerá em simultâneo com a Gala Ngoma 2009 e que terá lugar no Centro Cultural Universitário na qual serão conhecidos o melhores programas da estação e agraciadas figuras que se destacaram ao longo do ano trasacto no desporto, economia, cultura entre outras áreas.

Esta data, considerada a da radiodifusão em Moçambique, passa-se em revista a história da rádio no país, cuja primeira designação foi Grémio dos Radiófilos de Moçambique e a primeira sede foi instalada num prédio denominado JA ASSAM (onde hoje funciona o Centro de Estudos Brasileiros), tendo o aumento dos horários e da programação obrigado a mudança das instalações, passando da Av. da República (hoje Av. 25 de Setembro) para a Rua Araújo (hoje Rua de Bagamoyo).

Pouco tempo depois fruto da contribuição dos ouvintes foi construído o actual Edifício Sede da Rádio, passando a chamar-se Rádio Clube de Moçambique, uma designação que se mantém até 02 de Outubro de 1975.

Fruto das nacionalizações ocorridas na altura criou-se a Rádio Moçambique, uma fusão das rádios existentes na altura, nomeadamente Rádio Clube de Moçambique, Voz de Moçambique, Emissora do Aero Clube da Beira e Rádio PAX. Durante muitos anos a RM funcionou como Empresa do Estado, tendo passado a Empresa Pública a 16 de Junho de 1994.

Com um efectivo de cerca 902 trabalhadores em todo país, a RM transmite em português, em inglês e em 20 Línguas Moçambicanas. Para além do Canal Nacional, da Rádio Cidade, do RM Desporto e do Maputo Corridor Radio (que difunde em língua inglesa), a Rádio Moçambique tem instalado um Emissor em cada uma das capitais provinciais.

Alfredo Lituri
Sapo MZ, 18 de Março de 2010

8 de fevereiro de 2010

Hotéis de Maputo com História



Hotéis de Maputo com História

Quem chega a Moçambique ouve sempre falar no famoso Hotel Polana, principalmente gravado na memória dos portugueses que ali conviveram no tempo colonial.

Neste momento está em recuperação mas esta foi uma obra polémica para a época, pois construir um hotel de cinco estrelas para receber a mais alta sociedade gerou discussões contra e a favor.

Alfredo Pereira de Lima, no seu livro Edifícios Históricos de Maputo relata a história do homem que mais se debateu para que esta obra visse a luz do dia. Foi o coronel Alexandre Lopes Galvão que na altura fazia parte do Conselho de Turismo.

Quando este abriu as portas a 1 de Julho de 1922, após terem sido gastas 300 mil libras, o seu maior defensor escrevia numa carta a um amigo: “Se não fosse eu o Polana não existiria!” Quem assistiu à festa relata que foi definido como algo que não existia na Europa, pois todos os quartos tinham água aquecida, frigorifico, lavandaria electrónica, sistema de comunicações e outras mordomias.

2 de setembro de 2009

Maputo: Fundação Salazar, na Malhangalene, edifícios clamam por reabilitação

Fundação Salazar, na Malhangalene: Edifícios clamam por reabilitação Os moçambicanos obtiveram grandes alegrias com as nacionalizações, mas com elas também vieram grandes preocupações e desafios. Uma das lutas é a necessidade de mudança de hábitos, adaptar-se a novos meios, e ao tipo de vida das cidades. No entanto, em certos momentos essas apostas revelam-se estéreis. Há ainda gente que se muda do campo para as urbes carregando consigo todos os hábitos das zonas rurais. Plantio de hortaliças e milho nas varandas dos prédios, para além de criar galinhas, patos, coelhos, cobaias entre outros animais de pequeno porte. Outros moradores continuam cozinhando com lenha e pilando no interior de suas moradias. Já agora, vamos ao concreto: aos prédios da Fundação Salazar, no bairro da Malhangalene “B”, em Maputo, que visivelmente carecem de obras de reabilitação devido a diversos problemas de saneamento que perduram há longos anos. A degradação é de tal forma aguda, dado que as fachadas dos edifícios estão seriamente desconfiguradas, necessitando de pintura. Grande parte dos prédios tem problemas de filtração de água. Isso sem contar com as fossas que frequentemente se entopem. Isto piora dado o facto daquelas cavidades estarem interligadas. Nalguns casos a água chega sem pressão, não alcançando daí todas as casas devido à obstrução das condutas. Como resultado, a partir das quatro horas os moradores começam a disputa pelas insignificantes reservas. Os residentes com dificuldades de obter a água, mas com recurso financeiro, recorrem a reservatórios que permitem acumular aquele líquido. Algumas das casas situadas nos andares superiores não utilizam os lavatórios de loiça e de roupa existentes nas cozinhas e varandas por estarem entupidos, daí a opção de acumular a água resultante da limpeza em recipientes e lançarem-na do alto para baixo, o que concorre para a deterioração das paredes. David Daniel, um dos residentes da Fundação Salazar, disse à nossa Reportagem que o bairro já enfrentou problemas sérios e graves de poluição sonora que actualmente não se fazem sentir tanto. Acrescentou que já houve várias e constantes reuniões na zona no sentido de se reverter toda a situação ali vivida, mas que pouco resultaram. Pelo facto de muitos residentes não serem os devidos proprietários das casas, isto é, por estarem a arrendar, pelo “senso de pertença” à suas casas ao invés do bairro, a indisponibilidade financeira e a falta de civismo de muitos moradores, são factores apontados por muitos e que têm causado a impossibilidade de resolução dos inconveniente indicados. Segundo Fenias Carmona Manjate, chefe de segurança do bairro da Malhangalene, os imóveis da Fundação Salazar foram uma iniciativa do governo colonial com o objectivo de inclusão e promoção de negros e isso era feito por via de doações de casas e comida, principalmente aos mutilados de guerra. De facto, aqueles imóveis não podem ser visto como um caso particular, basta que se saia de casa e que se circule com um pouco mais de atenção, com os “olhos de observador” para que se identifique muitos outros bairros e prédios na mesma situação. Maputo, Quarta-Feira, 2 de Setembro de 2009:: Notícias

25 de junho de 2009

História de Moçambique: De Norte a Sul… (Teresa Cotrim)

Independência de Moçambique História de Moçambique: De Norte a Sul… Em meados do Séc.XX, a influência portuguesa em terras de África Oriental era limitada. Os seus movimentos no interior eram quase sempre ameaçados por reinos africanos que se tinham fortalecido durante o comércio de escravos, explica Aurélio Rocha no seu livro Moçambique História e Cultura. No Sul do território, a autoridade portuguesa só tomou forma após ter vencido o maior foco resistente centrado do Estado de Gaza culminando com a prisão e deportação do Rei Gungunhana e dos seus principais colaboradores entre os quais o seu filho Godido. Segundo a mesma fonte no Centro de Moçambique, só após uma série de longas guerras as forças portuguesas conseguiram instituir uma administraçãp. O Norte seria ocupado e conquistado no final do Séc. XIX e algumas partes apenas no inicio do Séc. XX. Teresa Cotrim Sapo MZ, 25 de Junho de 2009

15 de abril de 2009

Maputo: Vida e obra de Mondlane em simpósio internacional

Vida e obra de Mondlane em simpósio internacional A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) anunciou ontem, em Maputo, a realização de um simpósio internacional sobre a vida e obra do seu patrono, a ter lugar nos dias 18 e 19 de Junho próximo na capital do país. O evento, que reunirá cerca de 250 convidados nacionais e estrangeiros, acontece no quadro do Ano Eduardo Mondlane, decretado pelo Presidente da República, Armando Guebuza, por ocasião dos 40 anos do desaparecimento físico do primeiro presidente da FRELIMO e Arquitecto da Unidade Nacional, assinalados a 3 de Fevereiro último. Joel das Neves Tembe, porta-voz da UEM, disse ontem a jornalistas que o referido simpósio marcará um dos principais momentos das comemorações do Ano Eduardo Mondlane e nele estarão reunidos académicos, políticos e estudiosos da vida e obra daquela figura emblemática do nosso país, da África e do mundo. No encontro, para além de se apresentarem estudos académicos e pesquisas feitas em torno da vida de Eduardo Mondlane, serão apresentados testemunhos e relatos de pessoas que ao longo da sua vida tiveram o privilégio de conviver com Eduardo Mondlane, quer na sua infância, a nível da escola primária; quer na juventude, quando se transferiu para Lourenço Marques (hoje Maputo) para prosseguir com os seus estudos; ou em idade adulta, na universidade ou nos locais onde trabalhou. “Para este simpósio foram convidadas pelo menos seis individualidades de renome internacional que estudaram a vida e obra de Eduardo Mondlane, quer através de pesquisa, quer por via de teses de mestrado ou doutoramento”, afirmou Joel das Neves Tembe. Para além do simpósio, o mês de Junho será ainda altura de realização de uma maratona. A prova de atletismo terá lugar no dia 20 em Nwadjahane e contará com a participação de residentes locais, estudantes e atletas profissionais que se deslocarão de Maputo para aquele local. No âmbito das actividades da UEM para assinalar o ano do seu patrono, o maior estabelecimento do Ensino Superior nacional projecta ainda fornecer obras e escritos ao Museu Eduardo Mondlane, erguido em Nwadjahane, para além de fotografias para o enriquecimento da exposição que ali se encontra patente. A UEM também vai instalar uma sala de vídeo-conferência no referido museu. O porta-voz da UEM referiu ainda que as actividades promovidas pela UEM não ficam por aqui. Explicou que as faculdades e outros núcleos daquele estabelecimento de ensino estão, de forma individual, a promover palestras, exposições e/ou actividades culturais e desportivas para assinalarem a efeméride. “Também temos a nível central acções programadas para os próximos meses, uma vez que o Ano Eduardo Mondlane vai até Dezembro”, enfatizou sem entrar em pormenores em torno do que está previsto para depois de Junho. Maputo, Quarta-Feira, 15 de Abril de 2009:: Notícias

7 de abril de 2009

Pela passagem do 7 de Abril: Moçambicanas em festa

Pela passagem do 7 de Abril: Moçambicanas em festa A mulher moçambicana está hoje em festa, comemorando mais um 7 de Abril, seu dia e de homenagem à heroína Josina Machel. Por ocasião da data, várias actividades estão desde a semana passada em curso em todo o país, devendo atingir o ponto máximo hoje, com uma cerimónia de deposição de flores no Monumento aos Heróis Moçambicanos, em Maputo, com a participação do Presidente da República, Armando Guebuza. Serão ainda inauguradas as novas instalações do Ministério da Mulher e Acção Social e lançado um livro sobre Josina Machel. Ontem realizou-se no Cine-África um espectáculo de dança intitulado “Mulher, Nossa Heroína”, um bailado produzido por Virgílio Sithole, da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD), em tributo à mulher moçambicana pelos seus brilhantes feitos em prol do desenvolvimento da sociedade nos demais aspectos da vida sócio-cultural e político-económica do país. O Chefe do Estado presenciou este espectáculo de gala.
No período da manhã o general na reserva António Hama Thai proferiu uma palestra subordinada ao tema “O Papel de Mondlane na Emancipação da Mulher, na qual enalteceu das moçambicanas durante a luta armada, acrescentando que “a luta continua”. Ainda enquadrado nas cerimónias alusivas ao 7 de Abril, foi ontem inaugurado na capital do país o primeiro dos novos gabinetes de atendimento às vítimas da violência doméstica. Na ocasião foi revelado que os tumultos nos lares moçambicanos, acompanhados de violência doméstica, estão a registar um assinalável crescimento, sendo que 1571 casos foram registados no país apenas nos primeiros dois meses deste ano, numa média diária de 27 ocorrências. De acordo com os registos da PRM, 869 casos recaíram sobre mulheres, 390 contra crianças e os restantes 312 tiveram como vítimas homens. Os números divulgados por Lurdes Mabunda, chefe do Departamento de Atendimento à Mulher e Criança Vítima de Violência Doméstica no Comando Geral da PRM, indicam que durante o ano passado a corporação acolheu, aconselhou e encaminhou 14.281 casos do género em todo o território nacional, ou seja, uma média de 1190 casos por mês. Lurdes Mabunda disse ainda que do universo dos casos registados em 2008, 4414, cerca de 30 por cento, deram-se na cidade de Maputo, tendo acrescentando que os números clarificam que o fenómeno é, de facto, uma realidade no país. Denominado Gabinete Modelo de Atendimento à Mulher e Criança Vítimas de Violência Doméstica, a infra-estrutura ontem inaugurada na capital do país é a primeira de uma nova gama daquelas unidades de aconselhamento e tratamento dos casos de maus tratos daqueles dois grupos sociais nos respectivos lares. O gabinete ontem inaugurado pela Ministra da Mulher e Acção Social, Virgília Matabele, possui compartimentos equipados onde as vítimas podem repousar e obter aconselhamento mais personalizado. Para além da ministra, a cerimónia contou com a presença de outras figuras relevantes, com destaque para o vice-ministro do Interior, José Mandra, Jorge Khalau, Comando-Geral da Polícia, Leila Pakkala, representante do UNICEF no país, e do Encarregado de Negócios da Embaixada de Portugal, João Côrte-Real, que nas suas intervenções condenaram a prática, destacando que impede o desenvolvimento do país. A unidade ontem inaugurada resultou do apoio técnico e financeiro destas duas últimas instituições estrangeiras, segundo dados avançados no local. Ao nível da cidade de Maputo, está programado para hoje que a esposa do presidente do Município, Celestina Simango, ofereça um enxoval ao primeiro bebé a nascer no Hospital de Mavalane. Por seu turno, o núcleo da OMM no Ministério da Agricultura irá oferecer produtos diversos, fruto da contribuição dos seus membros, ao Infantário 1º de Maio. Maputo, Terça-Feira, 7 de Abril de 2009:: Notícias

23 de janeiro de 2009

O Edifício Sede dos CFM: Um Pouco de História (Paulino Sicavele)

O EDIFÍCIO SEDE DOS CFM: UM POUCO DE HISTÓRIA A construção da estação central dos Caminhos de Ferro de Lourenço Marques (Maputo), hoje totalmente encoberta pela imponente fachada que depois se lhe acrescentou encimada pela magnífica cúpula em cobre com a esfera armilar, havia sido começada no ano de 1908. Veio substituir a antiga - de madeira e zinco, construida pela companhia concessionária, que existia do outro lado da avenida 18 de Maio, defronte do actual Posto médico dos CFM. Fachada principal da Estação Central dos CFM - Maputo Tendo sido dada por concluida, ela foi solenemente inaugurada no dia 19 de Março de 1910. Tratava-se de um melhoramento importante que se ficava a dever ao engenheiro Lisboa de Lima, autor do projecto. Freire de Andrade, então Governador geral, solicitara ao Ministro e Secretário do Estado da Marinha e do Ultramar que fossem enviados «dois escudos de Armas Reais portuguesas, lavrados em mármore, para serem afixados nos pórticos». Mas elas só chegariam em 1911, depois de proclamada a República, e as armas tiveram que ser alteradas. Mesmo assim, jamais lá seriam colocadas por incúria dos que sucederam a Freire de Andrade: Para o pórtico da estação, por iniciativa, do Governador geral, Freire de Andrade fora requisitada de Lisboa um Escudo Nacional em mármore lavrado, o qual tendo chegado a Lourenço Marques (Maputo) em 1911 a bordo do paquete «Beira», depois se perdeu. Por fim recuperado nos nossos dias, foi solenemente colocado no seu lugar em Julho de 1970 por iniciativa do Gabinete de História dos Caminhos de Ferro de Moçambique - CFM. O Escudo Nacional, trabalhado em pedra de liós, é uma obra de arte de muita valia, tendo sido executado em Lisboa nas oficinas de Germano José de Salles & Filhos. Ao acto solene da inauguração da nova estação, mesmo sem o escudo das Armas Reais, fez-se nesse dia aos 19 de Março de 1911, com a saida dos dois primeiros comboios para S. José de Lhanguene, onde se celebrava a festa de S. José, padroeiro daquela missão, presidiu o Governador geral Freire de Andrade. sete meses depois deste acontecimento proclamava-se a República. Uma vez implantado o novo regime, passado o período de entusiasmo pela vitória da revolução, inicia-se o da fúria demagógica na perseguição movida pelos «carbonários» de Lourenço Marques, que se intitulavam de «vigilantes da República», contra Freire de Andrade e certos directores e chefes de serviços públicos tidos por desafectos à República e por «reaccionários e traidores ao novo regime». Exige-se a demissão imediata de tais entidades e a sua expulsão de Moçambique, o que por fim veio a verificar-se em 8 de Abril de 1911. Era então nomeado Governador geral da Província (Moçambique), o capitão-tenente Freitas Ribeiro. O engenheiro Lisboa de Lima, vítima também dessa desconcertante incompreensão popular fomentado pelos «carbonários», demite-se do cargo de director de porto e do Caminho de Ferro de Lourenço Marques. É substituido pelo engenheiro Lopes Galvão. Este, por sua vez, é substituido em 1912 pelo engenheiro João Henrique Von Haffe. Porém, a confusão política, com reflexos na administração pública da Província, continua. Em 14 de Março de 1912 regressam a Lourenço Marques os cidadãos que em 2 e 5 de Julho de 1911 haviam sido, pelo Alto Comissário Azevedo e Silva, mandados desterrar para diferentes pontos da Província, como «carbonários». As grandes figuras republicanas da época julgam então ter chegado a altura de submeter ao Ministro das Colónias uma representação-protesto reclamando melhoramentos imediatos para Moçambique. Em sessão magna reuniram-se os dirigentes da Associação dos Proprietários, dos Empregados de Comércio e da Indústria, dos Lojistas e da Cámara de Comércio. Os Seviços dos Caminhos de Ferro de Moçambique, estiveram sempre em mãos de engenheiros distintos, com sobejas provas da sua capacidade e a eles coube solucionar diversos e intricados problemas do pôs-guerra, num ambiente de ligeira trégua política. Assim, deu-se por concluido o majestoso edifício sede dos CFM, um dos mais belos de Lourenço Marques (Maputo - Moçambique) e não só; construiram-se em Ressano Garcia 4 casas de alvenaria para a moradia de 10 famílias de empregados dos CFM; construção de uma nova ponte metálica de 80 metros de vão sobre o Rio Matola; construção de 3 novos hangares para o serviço dos armazéns gerais; nova gare de triagem ao quilómetro 3; assentamento de novas feixes de linhas para o serviço da carvoeira; ampliação das linhas da estação de Ressano Garcia para se adequarem ao novo serviço de carvão; construção de 2 reservatórios de cimento armado de 200 metros quadrados de capacidade; instalação de um aparelho central de manobra e encravamento de agulhas e sinais na estação de Lourenço marques; instalação de agulhas automáticas nas estações de Moamba e Incomáti; construção de triângulos de inversão em Lourenço marques, Moamba e Ressano Garcia [...]. A entrada de Portugal na guerra resultara, a despeito de todos os sacrfícios impostos à nação, de certo modo benéfica, pois deste modo se salvou a integridade do Ultramar, de modo especial de Moçambique e de Angola. Paulino Sicavele (editor) 22 de Janeiro de 2009