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28 de abril de 2019

Capulana, meu amor (Ana Soromenho)


Da tradição para o design. Nos motivos impressos nos panos africanos conta-se a história de um continente

Pegamos numa revista de moda e vemos Anna Wintour, a célebre diretora da “Vogue” norte-americana, com o seu eterno corte de cabelo carré (com franja e corte direito a meio do pescoço) e os óculos escuros da praxe, enfiada numa gabardina com desenhos africanos... Anna Wintour vestida com um corte de capulana? A imagem causa impacto suficiente para seguirmos as pistas ditadas pelas inúmeras tendências de moda e constatarmos que nos últimos anos as inspirações captadas no movimento Black Power continuam. Ciclicamente, o african style ganha fôlego e rompe. E, de repente, os padrões dos panos africanos, inconfundíveis e exuberantes, são apropriados pelos estilistas e surgem impressos nos vestidos dos desfiles internacionais, brilhando sumptuosos nos corpos das manequins.

9 de abril de 2014

Moçambique: Elevar a capulana a outro nível


Ontem, com o Mozambique Fashion Award, a capulana foi elevada a outro nível. Num evento completamente dedicado ao uso do traje tradicional, Maria da Luz Guebuza foi também homenageada tanto pela utilização que faz da capulana como pelo seu papel de destaque na sociedade.


Fonte: Sapo MZ

29 de janeiro de 2013

A mulher moçambicana e a capulana


As cores que pintam as ruas de Moçambique são coloridas pelas vestes das mulheres, que usam a tradicional capulana. Um pano de algodão, fibra sintética ou seda que serve para cobrir o corpo. “Normalmente de cores vivas, com motivos africanos, formas antropomórficas, zoomórficas ou abstractas e padrões geométricos variáveis”, explica Suzette Honwana, empreendedora que montou um negócio de bonecas reproduzindo fielmente a forma de vestir da mulher moçambicana por Província.

Mas esta não serve apenas como indumentária, ela é usada em todas as fases da vida: nos rituais de iniciação, para carregar os bébes – uma capulana especial chamada ntehe, para cobrir o defunto, para decorar a casa, para carregar doentes, para cobrir o corpo, É usada por ambos os sexos, sendo, porém, a mulher que lhe dá mais destaque. Não há registos sobre a proveniência da palavra mas segundo o catálogo de Suzette da sua exposição Festa na Ilha há referências escritas. Em 1890 numa narrativa sobre a Baía de Delagoa é referido o seu uso.

2 de setembro de 2009

Moçambique: A Portuguesa que se apaixonou pela capulana


A Portuguesa que se apaixonou pela capulana Dulce Melo nasceu na cidade portuguesa de Aveiro e “conheceu” a capulana em 1984, através do marido que nas deslocações profissionais a Moçambique levara-lhe “por graça” algumas, revela no seu ateliê que possui no interior da sua própria casa. Há 11 anos veio viver para Moçambique e quando cá chegou enraizou ainda mais a sua paixão por este tecido tradicional. “Não tenho qualquer curso de confecção ou costura. Mais do que tudo o que interessa é o gosto que se põe naquilo que se faz.” Começou por fazer para si própria e para as amigas. Depois, um convite da associação “O cantinho dos Amigos” para participar numa exposição profissionalizou-a. Desde então nunca mais parou e hoje produz uma série de acessórios que têm por base este tecido como vestidos, blusas, coletes, calças, sandálias, chinelos, carteiras, pulseiras, colares, porta-chaves e até… gravatas. Com outros materiais misturados como palha ou madeira produz até cadeiras e almofadas. Os seus grandes clientes são cidadãos estrangeiros nomeadamente portugueses, espanhóis, italianos, brasileiros, etc. Quanto aos preços, variam de acordo com o trabalho e a dimensão das peças. Um vestido pode custar mil meticais, os coletes rondam os 600 meticais, as carteiras os 400 meticais, etc. Dulce confessa que veste capulanas quase exclusivamente em cerimónias religiosas mas “trabalhar como este tipo de tecidos serve-me de terapia”, revela. Refira-se que as suas peças podem encontrar-se na Associação Portuguesa de Fotografia e no “Cantinho dos Artesãos”. Cristóvão Araújo SAPO MZ, 31 de Agosto de 2009

17 de junho de 2009

Maputo: Capulanas contam histórias no Centro Cultural Franco-Moçambicano


Capulanas contam histórias no Franco-Moçambicano As paredes do Centro Cultural Franco Moçambicano, em Maputo, revestiram-se ontem, terça-feira, dia 16, de capulanas dando corpo à exposição intitulada “Histórias de Capulana” da autoria da artista plástica e estilista camaronesa Henriette Njami. A capulana não tem só a função de vestir e decorar. Ela é também um suporte de mensagens religiosas, políticas, publicitárias, definindo também um código social. Cada um para poder manter boas relações com a família, vizinhos ou amigos tem de possuir várias capulanas, que lhe permitem intervir nos intercâmbios comunitários, económicos e sociais. Para cada evento é criada uma capulana que jamais será reeditada. É portanto muito difícil reunir uma grande quantidade de peças, como fica patente nesta mostra. Os direitos da mulher, um dos mais violados em África, estão particularmente presentes na exposição. Njami justifica-os: “Eu sou mulher por isso não estou alheia aos seus problemas.” Recorde-se que os trabalhos aqui apresentados estarão patentes até ao dia 7 de Julho e são provenientes de Moçambique, Camarões, República Democrática do Congo, Tanzânia, África do Sul, Gabão, Suazilândia e Burquina Faso. Cristóvão Araújo Sapo MZ, 17 de Junho de 2009

27 de março de 2009

Moçambique: As capulanas







Mocambique: Mamanas e a forma como se colocam os bebés




Mamanas e a forma como se colocam os bebés

23 de março de 2009

A mulher moçambicana e a capulana (Teresa Cotrim)


A mulher moçambicana e a capulana Os locais cobriam as partes íntimas com fatos feitos de cascas de árvores. Mas com o desenvolvimento do comércio na África oriental o pano passou a desnudar o corpo. As cores que pintam as ruas de Moçambique são coloridas pelas vestes das mulheres, que usam a tradicional capulana. Um pano de algodão, fibra sintética ou seda que serve para cobrir o corpo. “Normalmente de cores vivas, com motivos africanos, formas antropomórficas, zoomórficas ou abstractas e padrões geométricos variáveis”, explica Suzette Honwana, empreendedora que montou um negócio de bonecas reproduzindo fielmente a forma de vestir da mulher moçambicana por Província. Mas esta não serve apenas como indumentária, ela é usada em todas as fases da vida: nos rituais de iniciação, para carregar os bébes – uma capulana especial chamada ntehe, para cobrir o defunto, para decorar a casa, para carregar doentes, para cobrir o corpo, É usada por ambos os sexos, sendo, porém, a mulher que lhe dá mais destaque. Não há registos sobre a proveniência da palavra mas segundo o catálogo de Suzette da sua exposição Festa na Ilha há referências escritas . Em 1890 numa narrativa sobre a Baía de Delagoa é referido o seu uso. Sabe-se ainda que várias regiões de Moçambique produziram têxteis. Durante os Séc. XVIII e XIX, os Estados Marave do Norte de Moçambique produziam panos de algodão de cor branca, as machiras que faziam parte do comércio internacional na costa oriental de África. Do Séc. XVIII em diante começa o período de importação de tecido. “No princípio do Séc. XX, no litoral de Cabo Delgado as mulheres com possibilidades financeiras, vestiam as capulanas intituladas tuukwe ou succa. A primeira tem cor preta e a segunda, branca. Os comerciantes vendiam-nas, cortando-as em duas peças de tecido com um comprimento de quatro metros”, refere a mesma fonte. Já no Sul de Moçambique, na região de Delagoa as mulheres com posses vestiam-se com pano azul-escuro sem qualquer padrão. O uso das cores indicava ainda a posição social, rituais e convicções culturais e religiosas. Só a partir de 1920 é que a capulana começa a ser vestida à escala nacional. Como a capulana entrou na indumentária moçambicana ? O comércio de longa distância com os asiáticos trouxe para a África Oriental uma variedade de tecidos, incluindo a capulana. Estes eram trocados por produtos de grande valor, caso de ouro, marfim e escravos. “A presença indiana é um factor decisivo no de envolvimento do traje da mulher moçambicana”, refere o documento da exposição de Suzette à Festa na Ilha. O mesmo documento diz ainda que mais tarde, em meados do Séc. XIX, no Sul do Save, as transacções comerciais envolviam capulanas ou um jogo completo de dois panos e lenços. Ou seja, os comerciantes estrangeiros tinham por obrigação oferecer panos às mulheres dos líderes moçambicanos. Esta oferta era conhecida por saguate. Dos anos de 1930 em diante, em todo o território moçambicano generalizou-se o uso da capulana. A mulher agrícola passou a ter acesso a estes panos mediante a troca de castanha de caju, amendoim, gergelim e outros produtos. Por Teresa Cotrim, em Maputo, 23 de Março de 2009