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5 de junho de 2009

Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo: Polémica chega a Maputo

Sete Maravilhas: Polémica chega a Maputo A polémica sobre “As Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo” chegou também a Moçambique, com acusações de “distorção da história colonial”, embora haja quem considere “empolada” a contestação.
“As Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo”, um concurso promovido por instituições portuguesas, nomeadamente pela televisão pública RTP, pretende a selecção, através de votação por internet, de sete dos lugares mais emblemáticos construídos durante o império colonial português. Esta semana, um grupo de académicos de vários países do mundo criticou numa carta aberta os promotores do evento por considerarem que “distorcerem o passado sangrento da sua expansão colonial em África”. Em Moçambique, “representado” no concurso pela Ilha de Moçambique, o diário de maior circulação do país, o Notícias, dedicou esta semana toda a página dois do seu suplemento cultural ao concurso, mas é na segunda coluna desse espaço que escreve: “Escravatura – Vergonha que Portugal prefere contornar”. Citando a referida carta aberta, o jornalista Paul Fauvet, autor do texto inserido no Notícias, diz que “o Governo português e os organizadores do concurso ignoraram a dor daqueles que tiveram seus antepassados deportados desses entrepostos comerciais e muitas vezes ali mortos”. “Será possível desvincular a arquitectura dessas construções do papel que elas tiveram no passado e que ainda têm, no presente, enquanto lugares de memória de imensa tragédia que representou o tráfico transatlântico e a escravidão africana nas colónias europeias?”, questiona o Notícias, com base na carta. Em declarações à Lusa, o director do Arquivo Histórico de Moçambique e docente de História na Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Joel das Neves, considerou “empoladas as críticas a essa iniciativa”, salientando que o concurso “assenta num contexto de valorização do património arquitectónico ligado a Portugal”. “Se o argumento de que exaltar o aspecto arquitectónico dos monumentos é faltar ao respeito da memória dos que foram escravizados na edificação desse património, ainda se irá criticar a UNESCO por considerar a Ilha de Moçambique um património da humanidade”, observou Joel das Neves. O director do Arquivo Histórico de Moçambique referiu ainda que “alguns dos monumentos que são o orgulho do Moçambique - pós independência foram edificados no contexto da dominação colonial portuguesa”. “Compreendo a animosidade, mas a minha opinião é a de que se está a distorcer o espírito da iniciativa”, enfatizou Joel das Neves. LUSA, 05 Junho 2009

23 de abril de 2009

Geoparque de Arouca reconhecido pela UNESCO como património geológico da Humanidade

Geoparque de Arouca reconhecido pela UNESCO como património geológico da Humanidade O Geoparque de Arouca integra desde hoje a Rede Europeia de Geoparques que, sob a tutela da UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, reúne todos os territórios considerados património geológico da Humanidade. Inaugurado a 5 de Dezembro de 2007, o Geoparque de Arouca envolve uma área de 327 quilómetros quadrados e abrange um total de 41 geo-sítios - termo técnico para os "sítios com interesse geológico" que, segundo a UNESCO, têm "particular importância pelo seu carácter científico, raridade, encanto estético ou valor educacional". No património de Arouca destacam-se as pistas fósseis dos quartzitos do vale do Paiva, e, sobretudo, duas ocorrências geológicas apontadas pelos especialistas como únicas no mundo: as trilobites e as pedras parideiras. Em causa está "um território de excepção", como observa o paleontólogo Artur Sá, coordenador científico do Geoparque de Arouca e docente do Departamento de Geologia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. "Com a integração na Rede Europeia de Geoparques", refere o paleontólogo, "Arouca passa a ter um selo de garantia da UNESCO, uma prova de que reconhecem internacionalmente as qualidades do nosso território e das nossas valências". O funcionamento em rede deverá agora "permitir o desenvolvimento de conhecimentos científicos e educativos que promovam, para além das fronteiras de cada país, os territórios de excepção que há na Europa e no mundo". Artur Sá acredita, aliás, que a adesão do Geoparque de Arouca à Rede Global de Geoparques depende agora "de um mero pro forma". O principal já foi feito. "Tivemos muito trabalho a nível da inventariação do território e do levantamento das suas ocorrências geológicas, mas o projecto contou desde a primeira hora com o apoio das pessoas que estão no terreno e das forças políticas do concelho de Arouca". Esse envolvimento deve-se ao facto de que "em causa não está um parque nacional nem um parque natural, mas um território que coincide com todo o município de Arouca e que é feito por pessoas, para as pessoas". Os geoparques da rede da UNESCO têm, afinal, que obedecer a uma estratégia de desenvolvimento sustentável que justifica que o seu património geológico funcione "como uma base agregadora das sinergias da região". "Geologia, gastronomia, cultura, indústria - tudo cabe no geoparque", afirma Artur Sá. "Queremos um despertar pleno desta região para as pessoas que nos visitam". A integração do Geoparque de Arouca na rede da UNESCO já foi aprovada há algumas semanas, mas a escolha do dia 22 de Abril para divulgação do facto "não foi ao acaso". Segundo o coordenador científico do projecto, "esta fica a ser a data oficial da integração, para coincidir com o Dia Mundial da Terra e o Dia Nacional do Património Geológico". O Geoparque de Arouca torna-se assim, acrescenta o paleontólogo, "a 34.ª estrela no mapa da Rede Europeia de Geoparques". O processo foi iniciado em Agosto de 2008 e a avaliação do território pelos peritos da UNESCO foi feita em Fevereiro de 2009. O Geoparque de Arouca é o segundo projecto do género em Portugal, a seguir ao Geopark Naturtejo da Meseta Meridional, que também integra a rede da UNESCO, desde Julho de 2006. Lusa, 22 de Abril de 2009

20 de abril de 2009

Moçambique: Dia Mundial dos Monumentos e Sítios celebrado em Vilankulo

Dia dos Monumentos celebrado em Vilankulo O Distrito de Vilankulo, na província de Inhambane, acolhe as celebrações do Dia Mundial dos Monumentos e Sítios, assinalado no dia 18 deste mês sob o lema “Património e Ciência”. Naquele ponto do país, quadros do Ministério da Educação e Cultura e académicos e investigadores afins na matéria farão uma reflexão em torno da matéria, avaliando o desenvolvimento e os constrangimentos observados neste exercício. No evento de celebração da data participaram ainda a Universidade Eduardo Mondlane, através da Escola de Hotelaria e Turismo de Inhambane, o Instituto de Formação de Professores de Vilankulo e a Representação da UNESCO em Moçambique. Para além desta realização, o programa comemorativo irá decorrer em todo o país ao longo do mês de Abril, com acções que envolveram o Estado moçambicano e outras que partirão da sociedade civil. Por outro lado, será realizado um seminário sobre “Património e Ciência” a ter lugar na Universidade Politécnica, em Maputo, a 28 deste mês, bem como a apresentação de diversos temas sobre a matéria nas Jornadas Científicas em diferentes instituições de Ensino Superior no país. O lema “Património e Ciência” surgiu de uma escolha feita pelo Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS), em Complemento à Declaração, pelas Nações Unidas, de que 2009 é Ano Internacional da Astronomia. O tópico “Património e Ciência” tem como objectivo proporcionar uma oportunidade para reflexão e reconhecimento do papel da ciência e tecnologia no património cultural, e pretende, ainda, incentivar a discussão sobre os potenciais benefícios e ameaças da ciência no futuro, mas isto tocante à salvaguarda e à conservação do Património. A ICOMOS, através da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) refere que, a relação da ciência com o património pode ser encarada sob dois pontos de vista: por um lado, o papel da ciência (e do progresso científico) na criação do património, considerando que a formação do Património tangível é o resultado histórico da aplicação de conhecimentos técnico-científicos, e, por outro lado, o contributo da ciência e da tecnologia na conservação, estudo e na compreensão do património, revelando, deste modo, a pluridisciplinaridade e a diversidade de áreas científicas actualmente envolvidas nos trabalhos de preservação do património e os rápidos avanços científicos e tecnológicos das últimas décadas. O Dia Internacional de Monumentos e Sítios foi criado a 18 de Abril de 1982, pela ICOMOS e em 1983 foi aprovado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), na sua 22ª conferência geral. Este dia oferece uma oportunidade especial para elevar a consciência pública relativa à diversidade do património mundial e os esforços que são exigidos para proteger e conservá-la, como também chamar atenção à sua vulnerabilidade. Entre 25 e 31 de Maio de 1964, na cidade histórica-cultural de Veneza, Itália, realizou-se um encontro sobre o tema. Desse encontro saíram várias resoluções das quais duas viriam a ter um impacto particular ao marcar uma nova era no domínio da conservação e restauro dos monumentos sítios: o documento é conhecido por Carta de Veneza e a sua consequente criação do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios (ICOMOS). Maputo, Segunda-Feira, 20 de Abril de 2009:: Notícias