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6 de novembro de 2009

Cabo Verde: Vila da Ribeira Brava


Cabo Verde: Vila da Ribeira Brava Detentora de gente simples e simpática, onde a cada passo e a cada instante esbarramos com “estórias”. “Estórias” essas do tempo colonial e do tempo de Chiquinho, onde crianças, em noites enluaradas, brincavam “tchitchela tchitche”, enquanto os adultos, na soleira da porta, prezavam a noite fresca, pondo a prosa em dia. Pelos becos e pelas ruas estreitas nas manhãs mágicas, de belo raiar do sol, deparamo-nos com gente da terra que saí em busca do pão quente para acompanhar aquele cafezinho feito à lenha e uma boa cachupa guisada com ovos. No mercado municipal ouve-se o zunzum dos vendedores e os passos aflitos de quem vai à procura de produtos frescos. Pela tardinha, não é de estranhar a concentração de pessoas no Terreiro, Vila da Ribeira Brava, a contemplar a paisagem primorosa, preenchida pela belíssima Igreja Matriz, que aos domingos reúne devotos de todas as áreas circundantes, e pelo Seminário Liceu que, em tempos longínquos, brotou grandes intelectuais da literatura Cabo-Verdiana. Com o cair do sol, deslumbramo-nos com um majestoso monte castigado pela seca, mas que ampara uma vila inteira. Desfrutamos ainda de um belo passeio pela praça, o ponto de encontro de muita gente. O ponto onde todos conhecem todos e onde se é guarnecido por um viçoso jardim. Assim sendo, para quem anseia visitar Ribeira Brava, em São Nicolau, irá descobrir uma história e uma herança cultural fortes, deslumbrante e memorável, um ambiente cultural rico e uma excelente gastronomia terra-a-terra, complementada pela simpatia e humildade do sãonicolauense. por Sandra Lima

29 de agosto de 2009

Cabo Verde: Ilha de São Nicolau acolhe fórum sobre os 278 anos da "Vila da Ribeira Brava"


S. Nicolau acolhe fórum sobre os 278 anos da Vila da Ribeira Brava A capital histórica de S. Nicolau acolhe neste Sábado, 30, um fórum de dimensão nacional. O evento enquadra-se nas comemorações dos 278 anos da Vila da Ribeira Brava, declarada recentemente património nacional. Esta iniciativa parte da Câmara de Américo Nascimento e acontece durante todo o dia, entre às 9H30 e 14H30, na Biblioteca municipal. O fórum está estruturado numa série de quatro conferências e tem como desígnio «Vila da Ribeira Brava, 278 anos». Em debate estarão vários aspectos relacionados com a história, a paisagem, a cultura e o património construído da Ribeira Brava. O encontro abre com o tema «Vila da Ribeira Brava – Passado, Presente e Futuro», a ser desenvolvido por António Correia e Silva, historiador e reitor da Universidade de Cabo Verde. Já o docente da Uni-CV Lourenço Gomes dissertará sobre «A Preservação do Património Arquitectónico versus Desenvolvimento Urbanístico da Ribeira Brava». Um outro tema a ser debatido tem a ver com «A Vila da Ribeira Brava – Património Nacional – Sua importância no desenvolvimento turístico e económico do Município da Ribeira Brava e da ilha de São Nicolau». Carlos Ferreira, director-geral do Desenvolvimento Turístico é o palestrante nesse painel que quer ir buscar ao passado as potencialidades para um presente e futuro sustentados. O fórum fecha com uma conferência sobre o «Ordenamento Viário na Vila da Ribeira Brava: Que soluções?». Este item vai ser desenvolvido por Pedro Delgado, arquitecto e director-geral do Ordenamento do Território. Esta jornada de reflexão promovida pela CMRB acontece pouco tempo depois de o governo, através de uma resolução do Conselho de Ministros, ter declarado a Vila da Ribeira Brava de S.Nicolau património nacional. ADP A Semana, 29 de Agosto de 2009

29 de julho de 2009

14 de abril de 2009

26 de março de 2009

Cabo Verde: Ilha do Sal

Ilha do Sal Com belas praias de areia branca, a ilha do Sal oferece condições ímpares para a prática de actividades relacionadas com o mar; praia, natação, surf, windsurf, mergulho, pesca e passeios de barco. Vale a pena visitar Pedra de Lume, uma imponente cratera de vulcão extinto. No interior do anel de montanhas circulares que a delimitam, desvela-se um cenário arrebatador de salinas em tons de azul, rosa e verde - conforme o estado de formação do sal. A ilha do Sal é a mais árida de todo o arquipélago cabo-verdiano. A sua paisagem lunar é constituída por planícies rochosas acastanhadas e desertos de areia depositada pelos ventos que a açoitam constantemente. Rocha, sal e areia batidos pelo vento, eis os elementos que sobressaem nesta ilha. Apesar da forte erosão, o aspecto ressequido do Sal vai-se atenuando à medida que caminhamos para Sul. É também a ilha mais plana de Cabo Verde, tendo no Monte Grande (a Nordeste), com 406 metros, a sua maior altitude. A sua superfície ocupa 216 km2, distribuídos por 30 km de comprimento máximo, no sentido Norte/Sul, por 12 km de largura, no sentido Leste/Oeste. Pertence ao grupo de ilhas do Barlavento cabo-verdiano, situando-se no extremo oriental do arquipélago. A costa oriental é regularmente visitada por tartarugas e as salinas por pernalongas, aves da família dos pelicanos. Um pouco de história Consta que antes de Diogo Gomes e António Noli terem avistado o Sal, em 1460, a ilha já era conhecida pelos mouros devido às suas ricas salinas – de onde, aliás, provém o seu nome. No entanto, a aridez que a caracteriza fez com que o povoamento inicial de Cabo Verde tenha passado ao lado do Sal que, durante séculos, serviu apenas de pastagem para rebanhos de cabras, habitat de flamingos e tartarugas e, esporadicamente, habitação para os escravos que exploravam as salinas ao sabor das flutuações da procura internacional desta matéria-prima. Só em meados do séc. XIX é que a exploração intensiva do sal para exportação (Brasil e África) determinou o povoamento consistente do Sal. Mas, a prosperidade efectiva da ilha começou, realmente, em 1939, com a construção de um aeroporto vocacionado, de início, para o reabastecimento de aviões de longo curso e, depois, usado como infra-estrutura para o desenvolvimento turístico da ilha. Hoje, o Sal é a ilha do arquipélago de Cabo Verde onde o turismo está mais desenvolvido. Os seus 10 mil habitantes distribuem-se entre Santa Maria, situada no extremo Sul da ilha, e Espargos, a capital, situada no centro, a 2 km do aeroporto.

Cabo Verde: Ilha do Fogo

Ilha do Fogo A subida ao Pico do vulcão, com 2.829 metros de altura, partindo de Chã das Caldeiras, é uma experiência inesquecível. Como alternativa, existem itinerários na cratera do vulcão – que tem 8 km de diâmetro – onde sobressaem inúmeros picos que testemunham outras tantas erupções. Para os adeptos de espeleologia, a ilha do Fogo proporciona itinerários de grutas, cavernas e fontes de água subterrânea, situados entre o Pico do Fogo e São Lourenço. Contrate um guia em São Filipe ou nos Mosteiros. Com uma superfície de 476 km2, a ilha do Fogo é, literalmente, um vulcão que ainda está em actividade. No interior da sua extensa cratera, chamada Chã das Caldeiras, ainda se sente o odor sulfuroso da última erupção, ocorrida em Abril de 1995 a Sudoeste do vulcão – este último, com 2.829 metros de altura, é o ponto mais alto da ilha e do arquipélago. O Fogo pertence ao grupo do Sotavento cabo-verdiano e dista 50 km para Ocidente da ilha de Santiago. O relevo muito acidentado da ilha, com falésias íngremes irrompendo do oceano e elevando-se até à altura das nuvens, confere-lhe o aspecto ameaçador de uma fortaleza inexpugnável; fluxos de lava negra, resultantes de milénios de erupções, deslizaram lentamente para Leste, até ao oceano, cobrindo também de flocos vulcânicos o solo fértil da cratera onde, a Norte, na concavidade interior, se cultivam vinhedos. Na encosta exterior Norte da cratera, a caminho de Mosteiros, existem florestas de eucaliptos, jacarandá e acácias – no parque florestal de Monte Velha – e, nos vales, cultiva-se o café. A ilha do Fogo possui um potencial energético geotermal importante devido à permeabilidade dos solos através dos quais a água das chuvas se infiltra em reservatórios subterrâneos com temperaturas que oscilam entre os 200 e os 300º C. Um pouco de história Descoberta em 1460, a ilha do Fogo foi chamada de São Filipe até 1680, data em que uma erupção de proporções devastadoras impôs a actual designação. A história do Fogo é indissociável do ritmo caprichoso do vulcão que vai moldando a geografia da ilha ao sabor de cada nova erupção, acrescentando-lhe novos picos e subtraindo-lhe pedaços de terra, lançados sem apelo no fundo do oceano. A proximidade com Santiago, por um lado, e o seu potencial agrícola, por outro, fez com que fosse a segunda ilha do arquipélago a ser povoada. Na centúria seguinte à sua descoberta povoavam o Fogo cerca de 2.000 escravos que cultivavam algodão e se dedicavam à tecelagem – muito apreciada. A seguir ao colapso de 1680, uma parte da população emigrou para a vizinha ilha Brava. Em 1785 uma nova erupção eclodiu, erguendo o Pico do Fogo. Desta vez a lava derramou-se pela encosta Nordeste da cratera, originando a saliência sobre a qual está construída a actual vila de Mosteiros. Repetiram-se erupções em 1799, 1847, 1852 e 1857, a que se seguiu um século de acalmia, interrompido pelas erupções de 1951 e 1995. A imprevisibilidade das catástrofes fez com que durante o séc. XIX muitos habitantes do Fogo se tivessem alistado nos baleeiros norte-americanos como tripulantes, fixando-se depois nos EUA, onde criaram uma comunidade cabo-verdiana significativa. Actualmente a ilha do Fogo tem 40 mil habitantes e São Filipe, a capital, situada na costa ocidental da ilha, é a terceira maior cidade de Cabo Verde.

Cabo Verde: Ilha de Santiago

Ilha de Santiago As melhores situam-se nas costas Sudeste e Noroeste da ilha; a praia de S. Francisco e Ribeira da Barca, por exemplo. Para mergulho, surf e outros desportos náuticos, o melhor lugar é o Tarrafal. Visite a Cidade Velha, antiga capital do arquipélago, deambulando pelo Forte de S. Filipe e pelas ruínas daquela que foi a primeira cidade europeia nos trópicos. Santiago é a maior ilha do arquipélago de Cabo Verde. Orientada no sentido Noroeste/Sudeste, esta ilha ocupa uma área de 990 km2, com um comprimento máximo de 55 km por 29 km de largura. Juntamente com as ilhas Brava, Fogo e Maio, forma o grupo do Sotavento cabo-verdiano. A sua origem vulcânica está bem patente nas duas cordilheiras de montanhas que se estendem no seu interior a todo o comprimento formando como que a espinha dorsal da ilha: a Serra do Pico d’Antónia, que culmina no ponto mais alto de Santiago, com 1.392 m, e a Serra da Malagueta, situada mais a Norte. Se as ilhas do arquipélago de Cabo Verde apresentam características geológicas extremas – umas desérticas e outras tão montanhosas que quase não têm um palmo de terra ao nível do chão – então, Santiago, é a mais equilibrada, variada e saudável de todas elas. O seu interior é atravessado por montanhas altas e escarpadas, arborizadas no sopé. A meia altura estendem-se vales verdejantes, onde se desenvolve a agricultura. A Sul, campos irrigados; a Sudoeste paisagens estéreis; a Norte e Sudeste, uma linha de praias. Um pouco de história Na ilha de Santiago, o contraste entre os ingredientes culturais negros e brancos do passado do arquipélago revela-se com nitidez. Na costa Sul, a 10 km da cidade da Praia, a primeira capital de Cabo Verde – Ribeira Grande – revela ainda hoje a sua ascendência europeia, enquanto que as populações que habitam nas montanhas – cujos antepassados foram escravos que fugiram à repressão – denotam comportamentos culturais tipicamente africanos. Os navegadores António Noli e Diogo Gomes chegaram a Santiago em 1460 e estabelecer am a primeira colónia portuguesa na Ribeira Grande (actual Cidade Velha). A cidade prosperou como entreposto comercial, reabastecendo navios e no tráfico negreiro. A vulnerabilidade da sua orla costeira, exposta a constantes ataques de piratas e corsários, determinou o seu declínio e transferência, em 1770, da capital e sede do governo do arquipélago para a cidade da Praia. Entre os corsários famosos que atacaram a Cidade Velha, destacam-se Francis Drake que, em 1585, a saqueou e, em 1712, o pirata francês Jacques Cassard repetiu a façanha. Santiago tem actualmente 260 mil habitantes, dos quais cerca de 120 mil residem na cidade da Praia.

Cabo Verde - Ilha do Maio

Ilha do Maio Visite Maio pelo silêncio das suas belas praias desertas. Porque o turismo ainda é incipiente aqui, respira-se uma tranquilidade sem mácula. Na Vila do Maio e em Porto Cais pesca-se nos pequenos portos junto às praias, usufruindo da grande variedade de peixes. Tartarugas visitam a Baía de Santana no Verão. A ilha de Maio é uma planície com o aspecto de um deserto ressequido, interrompido, ocasionalmente, por florestas de acácias e, no Sul, por campos agrícolas e plantações de palmeiras. A topografia e o clima árido da ilha são idênticos aos das ilhas do Sal e da Boavista – faltando-lhe o desenvolvimento turístico da primeira e o exotismo das dunas com oásis da segunda. Tal como elas também, tem belíssimas praias de areia branca e água azul, mas impregnadas de uma paz incomparável que só os lugares isolados possuem. Está situada no extremo oriental do grupo de ilhas do Sotavento cabo-verdiano, a 25 km de distância da ilha de Santiago. A sua superfície é 269 km2, repartidos entre um comprimento máximo de 24 km, no sentido Norte/Sul, por uma largura de 16 km, no sentido Este/Oeste. A ilha de Maio é um velho vulcão que adormeceu há muitos milhares de anos e vem sendo lentamente erodido pelo vento. A sua particularidade reside no facto de o impulso titânico que empurrou a rocha vulcânica para a superfície ter arrastado consigo sedimentos marinhos com 190 milhões de anos, que ainda são perceptíveis – os cientistas suspeitam que a ilha de Maio seja a mais velha de Cabo Verde. O seu ponto mais elevado é o Monte Penoso que tem 436 metros de altura. Existem duas enormes salinas, com alguns quilómetros de extensão, a Sudoeste e Noroeste da ilha, respectivamente. Maio tem sido alvo de campanhas intensivas de reflorestação de acácias, tendo actualmente o maior perímetro florestal do arquipélago – 3.500 hectares de floresta plantada. Um pouco de história Há quem afirme que Maio é a ilha esquecida de Cabo Verde, a única que ainda não se encaixou no xadrez identitário e produtivo do arquipélago. Foi descoberta em 1460, mas o seu povoamento só começou no séc. XVI. Antes disso, foi usada para a criação de gado caprino. Entre os séc. XVI e XIX a principal – e quase exclusiva – ocupação produtiva da ilha foi a extracção de sal, levada a cabo por ingleses. A presença inglesa nesta ilha foi de tal modo avassaladora que até o forte da Vila do Maio – indispensável para suster as investidas constantes de piratas – foi mandado construir em 1588 pelo corsário inglês nobilitado, Sir Francis Drake. O sal extraído das salinas da ilha era enviado para Santiago que depois o exportava para a Europa, África e Brasil. Durante todo o séc. XVII, uma média de 80 navios anuais ingleses ancoravam na ilha de Maio, carregavam cerca de 200 toneladas de sal e partiam para a pesca do bacalhau noutras paragens. O séc. XX foi fustigado por períodos recorrentes de seca que motivaram fluxos de emigração massiva. Actualmente a ilha tem 4.000 habitantes, distribuídos entre a capital, Vila do Maio, e Calheta.

Cabo Verde: Ilha de Santo Antão

Ilha de Santo Antão A principal atracção desta ilha, a mais verde de Cabo Verde, são as caminhadas a pé ou em carroça na zona das Ribeiras, percorrendo os vales acidentados da parte oriental da ilha, perto de Ribeira Grande, ou na estrada que liga Porto Novo a Ribeira Grande. O grogue (aguardente nacional à base de cana-de-açúcar) de Santo Antão, fabricado ainda hoje artesanalmente – sobretudo no Paúl - é o mais afamado de todo o arquipélago. Estão ainda em funcionamento alguns trapiches, engenhos tradicionais de moagem da cana-de-açúcar. Com uma superfície de 779 Km2, Santo Antão é a segunda maior ilha do arquipélago de Cabo Verde, logo a seguir a Santiago. Está situada no extremo ocidental do grupo de ilhas que formam o Barlavento cabo-verdiano e dista apenas uma hora de viagem de barco de São Vicente. Com 43 km de comprimento por 24 km de largura, Santo Antão é rasgada por uma cordilheira montanhosa orientada de nordeste para sudoeste, culminando num pico vulcânico chamado Topo da Coroa, com 1.979 metros de altitude, a segunda montanha mais alta do arquipélago, precedida apenas pelo Fogo. A ilha apresenta contrastes paisagísticos muito marcantes oferecendo, a norte, belíssimas paisagens verdejantes de pinheiros e cedros, em contraste com a desértica aridez do sul da ilha. A beleza imponente dos vales, descendo as ravinas montanhosas em direcção ao mar – pontuados aqui e além por pequenas povoações alcantiladas nos desfiladeiros –, proporcionam panorâmicas de grande impacto e beleza. A parte ocidental da ilha oferece um espectáculo apocalíptico de penhascos abruptos. Um pouco de história Apesar de ter sido descoberta em Janeiro de 1462, a ilha de Santo Antão só começou a ser colonizada pela Coroa portuguesa noventa anos mais tarde, devido à sua topografia inacessível. Durante os sécs. XV e XVI só era referida devido ao facto de o Tratado de Tordesilhas instituir que a linha imaginária norte-sul que dividia o mundo a descobrir entre portugueses e espanhóis passava 370 léguas a Oeste de Santo Antão. No início do séc. XVII, Santo Antão foi doada ao Conde de Santa Cruz. Contudo, o filho do quarto Conde, raptou Mariana Penha de França, esposa de um nobre lisboeta, e teve de fugir para Londres onde, em 1732, hipotecou a ilha a credores locais. No entanto, este episódio foi prontamente saneado pela Coroa portuguesa. Hoje, a sua população ronda os 50 mil habitantes, distribuídos maioritariamente na parte oriental da ilha, entre Porto Novo, Ponta do Sol e Ribeira Grande. A sua maior cidade é Porto Novo, cujo porto oferece boas condições de navegabilidade. Ribeira Grande é o centro administrativo da ilha. As suas principais actividades económicas são a pesca, a agricultura e a extracção de uma lama vulcânica usada no fabrico de cimento. O turismo começa a ser encarado como uma actividade produtiva lucrativa.

Cabo Verde: Ilha de Santa Luzia

Santa Luzia Santa Luzia, a única ilha de Cabo Verde que não é habitada pelo homem, está declarada, desde 1990, património público e é considerada uma importante reserva natural do arquipélago. Em Calhau, na costa oriental da Ilha de São Vicente, consegue contratar um pescador que o/a transporta num bote de pesca até Santa Luzia por 5,000$, ida e volta no mesmo dia (máximo 6 pessoas mais carga). A travessia demora duas horas. Para voltar no dia seguinte, o preço passa a 8,000$ e 10 litros de gasolina. Devido ao seu clima muito seco e à falta de água constante, a ilha de Santa Luzia nunca foi persistentemente colonizada. Apesar dos períodos de seca recorrentes terem gorado as inúmeras tentativas de povoamento da ilha, ela foi durante muito tempo utilizada para a criação de gado, sendo a carne, os produtos lácteos derivados e o couro oriundos de Santa Luzia considerados de excelente qualidade. Durante o séc. XIX, Santa Luzia chegou a ser habitada por uma pequena comunidade de cerca de 20 pessoas que se dedicava à pastorícia, à pesca e à extracção de urzela (líquen de que se obtém uma tinta violeta) em grande quantidade. Santa Luzia tem apenas 35 km2 de superfície e uma altitude máxima de 395 metros, espraiando-se nos seus 13 km de comprimento por 5 de largura. A vegetação é muito escassa mas, apesar disso, a ilha possui contrastes topográficos assinaláveis entre a costa Sul, com praias de dunas, e a costa Norte, mais escarpada. A Sudeste de Santa Luzia – entre esta ilha e São Nicolau – situam-se os ilhéus Raso (7 km2) e Branco (3 km2). Ambos têm falésias escarpadas que sobem, no primeiro, até um plateau com 170 metros de altura e no segundo, até um planalto coberto de guano branco com 327 metros de altura. Os dois servem de refúgio para uma série de aves marinhas raríssimas, entre as quais a Calhandra do Ilhéu Raso.

Cabo Verde: Ilha da Boa Vista

Ilha da Boa Vista Uma linha de praias com dunas de areia branca com 55 km de extensão e mar cristalino – cor de turquesa – são motivos mais do que suficientes para visitar a ilha da Boa Vista. Entre os desportos náuticos mais concorridos, destacam-se o windsurf (na Baía de Sal Rei) e o mergulho nos recifes de corais, abundantes de vida e cor – onde repousam também os destroços de 40 navios abalroados. Integrada no grupo de ilhas do Barlavento cabo-verdiano, 50 km a Sul do Sal, Boa Vista é a ilha do arquipélago de Cabo Verde que está situada mais perto do Continente africano. Embora os primeiros navegadores a tenham baptizado de São Cristóvão, o seu nome actual resulta de ser o primeiro pedaço de terra firme que os navegantes do Renascimento avistavam na sua perigosa aventura atlântica. Com uma superfície de 620 km2, é a terceira maior ilha do arquipélago e, tal como o Sal e Maio, é plana, à excepção de um maciço rochoso situado a oriente, que atinge o píncaro no Pico d’Estância, com 390 metros de altura. A sua paisagem costeira é de dunas altas flutuantes de areia branca, embelezadas ocasionalmente por oásis de tamareiras e lagoas. O interior da ilha alterna desertos de areia – semelhantes ao Sahara – com planícies rochosas (a Norte). A orla marítima é envolvida por um anel de recifes de corais e rochas com forte campo magnético – o que contribuiu para o desnorte de muitas embarcações. Um pouco de história Devido às suas características geológicas e climáticas, a ilha da Boa Vista – tal como sucedeu com o Sal – após ter sido descoberta, a 14 de Maio de 1460, caiu no esquecimento durante os 150 anos seguintes – sendo utilizada apenas como pastagem para cabras. Cristóvão Colombo aportou na ilha em 1498 e fez uma descrição terrífica das dificuldades com que deparou. De resto, o curso do tempo na ilha da Boa Vista foi sendo pontuado por sucessivos naufrágios, resultantes da conjugação de circunstâncias peculiares: Ventos tempestuosos associados a correntes muito fortes; recifes rochosos pouco profundos prolongando a costa plana, envolta, muitas vezes, em neblina – com fraca visibilidade. Por volta de 1620, alguns marinheiros ingleses, constatando a boa qualidade do sal desta ilha, estabeleceram-se em Povoação Velha para explorar economicamente este recurso natural. No entanto, os ataques constantes de piratas impediram o desenvolvimento económico regular da ilha, até que, em 1820, na sequência de um saque devastador, a população mudou-se para Porto Inglês (actual Sal Rei) e construiu um forte no ilhéu defronte. A partir de então, a ilha da Boa Vista conheceu uma prosperidade relativa, alcançando até um significativo relevo cultural – ao ponto de o estilo musical emblemático de Cabo Verde (a morna) ter nascido nesta ilha. Actualmente, a indústria do turismo está em expansão, mas as infra-estruturas turísticas e rodoviárias disponíveis ainda não lhe permitem explorar as suas imensas riquezas naturais. A densidade populacional da Ilha da Boa Vista é das mais baixas do arquipélago, com apenas 5 mil habitantes.

Cabo Verde: Ilha de São Nicolau

Ilha de São Nicolau No interior montanhoso da ilha de São Nicolau estão sinalizados diversos itinerários pedestres que proporcionam caminhadas esplêndidas, com desfiladeiros ou o Atlântico como pano de fundo. Nos portos de Tarrafal e Preguiça organizam-se grupos de pesca desportiva vocacionados para peixes de grande porte. Explore também as angras e grutas espalhadas pela Baía de São Jorge, alugando um barco de pesca na praia do Carriçal, situada no extremo oriental Sul de São Nicolau. Com sete picos acima dos 500 metros de altura, formando entre vales estreitos e escarpados, a ilha de São Nicolau – tal como a de Santo Antão – é uma das mais imponentes do arquipélago cabo--verdiano. O pico mais elevado é o do Monte Gordo, com 1.304 metros, situado na confluência de duas cordilheiras vulcânicas orientadas, respectivamente, nos sentidos Norte/Sul e Noroeste. Este pico dista de Ribeira Brava, capital administrativa da ilha, apenas 8 km, para Ocidente. A Norte de Monte Gordo, no coração de São Nicolau, espraia-se o Vale da Fajã e, a Noroeste, o Vale de Ribeira da Prata, as duas zonas mais férteis, bonitas e verdejantes da ilha, onde serpenteiam ribeiros de água tépida durante o ano inteiro e se cultivam, no sopé dos vales, a cana-de-açúcar e a banana e, nos socalcos superiores, o milho e o feijão. Para Ocidente do maciço central situam-se planícies pedregosas e para Leste um espinhaço rochoso estéril, em forma de dedo apontado em riste, percorre a ilha, a toda a largura, até Castilhano formando, a Sul, a Baía de São Jorge – a maior de Cabo Verde. São Nicolau está integrada no grupo de ilhas do Barlavento cabo-verdiano, entre Santa Luzia, a Oeste, e a ilha do Sal, a oriente. A sua superfície de 343 km2, reparte-se entre um comprimento máximo de 25 km, no sentido Norte/Sul e uma largura máxima de 50 km, no sentido Este/Oeste. Um pouco de história A ilha de São Nicolau foi descoberta em 1461, provavelmente no dia consagrado ao santo – 6 de Dezembro. No entanto, o relevo muito acidentado da ilha, salvaguardando dos olhares furtivos o interior fértil e a existência de cursos de água permanentes favoráveis à agricultura e à pecuária, adiaram o seu povoamento por mais de um século. Em 1683, um marinheiro inglês relatou que em São Nicolau habitavam apenas 100 famílias e descreveu com surpresa os vinhedos verdejantes e a abundância de madeiras existentes no interior da ilha. Por outro lado, a sua exposição fácil à rapina dos corsários fez com que só depois da construção do Forte de São Jorge (em 1818), na pequena povoação de Preguiça, São Nicolau oferecesse condições de segurança para novos colonos. Em 1866, o médico e filantropo Júlio José Dias – filho de um fazendeiro abastado – doou a sua mansão de Ribeira Brava para a instalação do primeiro Seminário de Cabo Verde. A escola anexa ao Seminário ministrava um ensino de qualidade equivalente às universidades portuguesas, proporcionando aos seus alunos ingressarem nas carreiras da administração civil e eclesiástica do império colonial. As mentes mais brilhantes do arquipélago dirigiram-se, a partir de então, para São Nicolau, transformando Cabo Verde no pólo de irradiação da evangelização portuguesa na África ocidental e a ilha de São Nicolau no centro da produção intelectual do país durante os 60 anos seguintes – até ao encerramento definitivo do Seminário, em 1917. Foi aí que nasceu, em 1936, o importante movimento literário ‘Claridade’, protagonizado por Baltazar Lopes, Manuel Lopes, João Lopes e Jorge Barbosa. São Nicolau tem actualmente 20 mil habitantes, a maior parte dos quais residem na vila piscatória do Tarrafal.

Cabo Verde: Ilha Brava

Ilha Brava De relevo acidentado, orla marítima escarpada e mar bravio, a Brava proporciona caminhadas com belas vistas panorâmicas. Visite esta ilha apenas pela intrigante beleza do local que fica longe de tudo. Não vá em busca de desportos náuticos. A melhor praia situa-se perto do porto de Fajã d’Água, onde também existem lagoas seguras para a natação. Situada no extremo ocidental do grupo do Sotavento cabo-verdiano, a uns escassos 20 km do Fogo, a Brava faz jus ao seu nome: Mar encapelado, flagelado pelo vento, costa escarpada, com muitas baías, e, no interior, montanhas abruptas mergulhando em vales fundos. À medida que nos aproximamos da ilha por mar a massa escura e indistinta perceptível à distância assume a configuração de falésias de lava caindo a pique no mar, salpicadas de casas brancas empoleiradas nas montanhas. Apenas algumas vilas piscatórias estão instaladas ao mesmo nível do mar. Todavia, este espectáculo desassombrado esconde um segredo; o interior fértil e muito húmido da ilha, abundante em espécies vegetais como o dragoeiro, o hibisco, a buganvília e o jasmim. Não é por acaso que a Brava era também conhecida por "ilha das Flores". É a mais pequena das ilhas habitadas do arquipélago. Tem apenas 64 km2 de superfície e uma extensão máxima que não excede os 9 km. É também uma das ilhas mais montanhosas, atingindo no Pico das Fontainhas, com 976 metros, a sua altitude máxima. Infelizmente, a persistência de períodos prolongados de seca durante o último século tem vindo a modificar, no pior dos sentidos, as características paisagísticas da ilha. Geologicamente, a Brava é uma extensão do Fogo. No canal que separa as duas ilhas a profundidade do mar é de apenas algumas centenas de metros enquanto que o fundo do oceano em torno do resto da ilha atinge os 4 km de profundidade. Embora não exista actividade vulcânica na ilha há 10 mil anos, são ainda frequentes os abalos de terra de baixa intensidade. Um pouco de história Tudo nesta ilha apela ao segredo. A topografia couraçada, a sua condição extremo-atlântica e a inacessibilidade natural afastaram-na dos ventos de mudança que ao longo dos séculos moldaram o quotidiano das restantes ilhas do arquipélago e abandonaram-na sozinha, isolada, no torpor de uma deriva contemplativa e nostálgica do mar imenso... Foi com este sentimento que Eugénio Tavares recriou a morna moderna exprimindo, simultaneamente, o sentido da alma bravense. Apesar de ter sido descoberta em 1462, o povoamento da Brava só começou realmente em 1620 com a chegada de marinheiros da Madeira e dos Açores. Por isso, mas também porque a ilha se manteve à margem do comércio esclavagista, uma parcela significativa da sua população é hoje de pele mais clara do que nas outras ilhas do arquipélago. Em 1680, na sequência da erupção apocalíptica que devastou a ilha do Fogo, uma parte dos habitantes desta ilha refugiou-se na ilha vizinha e por lá ficou. A Brava acordou pela primeira vez para o bulício mercantilista do mundo moderno em 1730 quando o militar britânico George Roberts adquiriu os direitos de exploração da urzela que cobria as suas encostas. A sua população duplicou em menos de 50 anos. No final do séc. XVIII, quando os baleeiros de Rhode Island e New Bedford se aventuraram nos mares do Sul encontraram na Brava as condições ideais para reabastecer navios e reforçar a tripulação com marinheiros experimentados. Este intercâmbio originou um surto inusitado de emigração de cabo-verdianos da Brava e do Fogo para a costa de Nova Inglaterra. Em 1843 instalou-se um consulado americano na Brava e em 1850 foi inaugurada uma escola secundária que atraiu estudantes de todo o arquipélago e, até, da Guiné-Bissau. A Brava era então uma das ilhas do arquipélago mais agradáveis para se viver. As remessas dos americanos – assim eram conhecidos os emigrantes cabo-verdianos nos EUA – eram a "árvore de patacas" que faltava. Mas a depressão americana de 1930 e as secas prolongadas que se seguiram cortaram cerce os sonhos de bem-estar deste recanto atlântico. A ilha tem hoje 8 mil habitantes, a maior parte dos quais reside em Vila Nova de Sintra, a capital da ilha.

25 de março de 2009

Cabo Verde: Ilha de São Vicente





São Vicente Descoberta em 1442 a ilha de São Vicente só conhece a primeira iniciativa de povoamento em 1734 devido as condições climáticas da ilha. A baía do Porto Grande assumiu desde logo o papel económico da ilha e, actualmente, é uma paragem obrigatória para o visitante. O passeio pela marginal, contornando a baía até a praia da Laginha, permite observar o recorte da cratera vulcânica submarina que com os seus 4 Km de diâmetro estende-se até a Laginha de onde se observa o ilhéu dos pássaros que marca o limite norte da cratera. Ao fundo está sempre presente o Monte Cara eterno “guardador” da baía do Porto Grande e a porta de entrada dos barcos para o cais. As águas calmas permitem o mergulho no Atlântico e a possibilidade de observar o poente do sol entre o monte cara e a vizinha ilha de Santo Antão que se avista da praia. Caminhando da Laginha para o centro da cidade encontra-se o centro histórico onde a construção moderna funde-se com a arquitectura deixada pelos colonos. Já em Mindelo, na rua de Lisboa, encontra-se o mercado municipal onde, além, das verduras, carne e peixe, é possível encontrar uma diversidade de comércio desde artesanato, música, artigos de beleza e roupa. O café Lisboa, na mesma rua, convida a uma pausa e é possivel observar a vida da cidade e encontrar algumas pessoas do mundo cultural mindelense. Ao fundo da rua fica o Palácio do Povo. A Praça Nova é o ponto de encontro dos mindelenses. No final do dia e aos fins-de-semana ela enche-se com vida e cores das pessoas da ilha. É onde se pode sentir o espirito das pessoas da ilha: descontraído, de sorriso aberto e cheio de “morabeza”. Nas tardes de domingo tem música ao vivo com concertos da banda municipal. Em Mindelo é nas noites que a alegria se espalha, conhecida antigamente pelas suas serenatas e agora pelas suas festas e noites de música ao vivo nos principais bares e restaurantes da cidade. Mais a norte da ilha, entre Mindelo e Baía das Gatas, encontramos o Monte Verde, o ponto mais alto da ilha que com os seus 700 metros de altitude é um miradouro natural sobre a ilha. Nos tempos da “azágua” cobre-se de verde e é possível observar espécies endémicas e algumas introduzidas desde o povoamento. O topo está, algumas vezes, encoberto pelas nuvens, dificultando a vista panorâmica mas permitindo um verdadeiro “passeio pelas núvens”. A subida para o monte pode ser feita de carro junto da estrada na encosta e, para os mais aventureiros, a pé. As condições da estrada são boas. Continuando o trajecto rumo ao norte encontra-se a praia de pescadores de Salamansa à direita e, mais a frente e à esquerda, a praia do norte da Baía das Gatas. Em frente está a Baía das Gatas, palco do festival com o mesmo nome que se realiza anualmente na primeira lua cheia de Agosto. O nome gatas vem dos tubarões-gata que habitavam a baía. São considerados os tubarões mais pacíficos do atlântico. É a praia de eleição para as famílias porque está resguardada por pedras formando uma piscina natural. A nordeste de São Vicente encontramos a famosa praia do Calhau onde estão dois vulçães extintos a beira-mar numa pequena enseada chamada “Salto”, formando uma piscina natural cavada na rocha vulcânica. A praia é constituida, maioritariamente, por calhaus. Entre o Calhau e a Baía das Gatas encontra-se Praia Grande, com areia branca e água cristalina. Aqui são as ondas que imperam e a natureza mais bravia do atlântico. É uma da praias de eleição para a desova das tartarugas. Texto e foto: Hilda Teófilo