10 de junho de 2026

República de Moçambique: Publicado o Programa das Exéquias de D. Osório Citora Afonso, Assassinado no Sábado (6 de Junho de 2026)


(RIBAUÉ, 6 MAIO DE 1971 - QUELIMANE 6 DE JUNHO DE 2026)

D. OSÓRIO CITORA AFONSO, BISPO DA DIOCESE DE QUELIMANE

D. OSÓRIO CITORA AFONSO, SECRETÁRIO-GERAL DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE

D. OSÓRIO CITORA AFONSO, ADMINISTRADOR APOSTÓLICO DA ARQUIDIOCESE DA BEIRA



As exéquias de D. Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane, barbaramente assassinado no sábado, 6 de Junho, terão lugar em Quelimane e Nampula, a 12 e 13 de junho respectivamente, informa a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) num Comunicado, assinado pelo Presidente, o arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre.


“Os Bispos da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), em comunhão com os Missionários da Consolata e a família AFONSO, cumprem o piedoso dever de anunciar que as exéquias de D. Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane, Secretário-Geral da Conferência Episcopal de Moçambique e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, barbaramente assassinado no dia 6 de Junho em curso, na residência episcopal da Diocese de Quelimane, serão realizadas com a observação de todas as prescrições canónico-litúrgicas para o bispo diocesano”, lê-se na nota episcopal.

Segundo o programa, na sexta-feira, 12 de junho, às 9h00, será celebraba, na Paróquia de Nossa Senhora do Livramento – Sé Catedral de Quelimane, a Missa de corpo presente, presidida pelo Núncio Apostólico em Moçambique, Dom Luís-Miguel Muñoz Cárdaba.

Em seguida, a urna contendo os restos mortais de Dom Osório será levada para a Arquidiocese de Nampula, onde decorrerá o funeral familiar e a sepultura do seu corpo, no Cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula.

“No sábado, às 10.00 horas, terá lugar, na Catedral de Nampula, a Missa de corpo presente, presidida por Dom Inácio Saúre, Arcebispo Metropolitano de Nampula, depois de que o corpo será sepultado no Cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula, junto ao Seminário Propedêutico Mater Apostolorum”, informa ainda o documento.

Neste momento de dor, unimo-nos à Igreja universal, e à moçambicana em particular, em oração e ação de graças a Deus pela vida e missão de D. Osório, e pela consolação das suas famílias de sangue e religiosa, conclui a nota da CEM convidando todos os fiéis e pessoas de boa vontade a viver este tempo com espírito de fé, esperança e comunhão, e confiando a alma de D. Osório ao Senhor da Vida, que nunca abandona os Seus servos fiéis.

Entretanto, numa mensagem aos Missionários da Consolata por ocasião da morte de Dom Osório Afonso, o Superior Geral, Padre James Bhola Lengarin, IMC, os convida a rezar e a permanecer unidos, esperando que “a verdade sobre o sucedido venha ao de cima plenamente”.

“Osório era um de nós. Um irmão simples e sorridente, capaz de caminhar entre o povo sem defesas, apenas com a força da Palavra de Deus, um missionário que nunca deixou de acreditar na bondade das pessoas, na paz, na reconciliação, um pastor consumido pelo serviço, até ao último dia”, enfatiza o Superior Geral.

Neste momento difícil, exorta o Padre Lengarin, rezai por D. Osório, pela sua diocese, pela Igreja de Moçambique, por aqueles que carregam medo e confusão nos seus corações, e que a verdade sobre o que aconteceu venha ao de cima por completo, pois a morte de um pastor não pode permanecer envolta em silêncio ou incerteza.

“Confio o nosso querido Osório à misericórdia do Senhor, certo de que o seu sorriso continua agora na luz do Ressuscitado. Reza por nós, querido irmão Bispo!", conclui o Superior Geral.

Padre Bernardo Suate – Vatican News
Fonte: https://www.vaticannews.va

8 de junho de 2026

República de Moçambique: Há 13 Milhões de Crianças a Viver em Situação de Pobreza em Moçambique (26 de Maio de 2025)


Das cerca de 16,4 milhões de crianças que vivem no país, 70,3% vivem em pobreza de consumo e 41,3% têm privações em várias dimensões “essenciais do seu bem-estar”

Cerca de 13 milhões de crianças moçambicanas, das mais de 16 milhões, vivem em situação de pobreza, indica um relatório do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) lançado esta segunda-feira, que aponta também para “desigualdades profundas”.

“Apesar dos progressos em algumas áreas, a pobreza infantil em Moçambique continua a afetar um número inaceitavelmente elevado de meninas e meninos. Cerca de 77% das crianças vivem em situação de pobreza, seja monetária, multidimensional ou ambas”, disse Yannick Brand, representante adjunto da agência das Nações Unidas em Moçambique, durante o lançamento, em Maputo, do relatório sobre pobreza infantil em Moçambique.

O responsável apontou para a existência de “desigualdades profundas” em Moçambique, entre territoriais e estruturais, o que leva a que algumas crianças continuem a viver em condições “significativamente mais desfavoráveis”, com a pobreza rural aproximadamente “três vezes maior que a pobreza urbana”.

“A pobreza infantil é mais do que a falta de recursos. Ela compromete o acesso à educação, à saúde, à nutrição adequada, à proteção e ao direito a uma infância plena e compromete, inevitavelmente, o desenvolvimento sustentável do país”, referiu Yannick Brand.

Segundo o representante da agência das Nações Unidas, das cerca de 16,4 milhões de crianças em Moçambique, 70,3% vivem em pobreza de consumo e 41,3% têm privações em várias dimensões “essenciais do seu bem-estar”, sendo que “uma em cada três crianças vive em pobreza simultânea”.

No relatório aponta-se que a crise provocada pelas dívidas ocultas, pandemia da covid-19, choques climáticos e os relacionados com conflitos como alguns dos fatores que contribuíram para o aumento da pobreza monetária infantil moçambicana.

Face às disparidades, Yannick Brand defende a promoção de respostas integradas que acompanhem a criança desde a primeira infância e até à adolescência, o fortalecimento dos mecanismos de proteção social e de resiliência aos choques e a consolidação da produção e uso de evidências como base para o planeamento, monitorização e avaliação de políticas públicas centradas na criança.

“Este relatório é, acima de tudo, uma chamada à responsabilidade coletiva. Que possa inspirar a elaboração de políticas mais inclusivas, reforçar o nosso compromisso com as crianças e servir como catalisador para ações concretas”, concluiu o responsável, reafirmando o compromisso da Unicef com o Governo moçambicano e com “cada criança”, visando “reduzir a pobreza infantil em todas as suas formas”.

Agência Lusa , MCC
26 de Maio de 2025

Portugal: Carta Aberta ao Primeiro-Ministro e Ministros da Economia e das Finanças (Manuela Cortes, 24 de Outubro de 2011)


CARTA ABERTA AO PRIMEIRO-MINISTRO E MINISTROS DA ECONOMIA E DAS FINANÇAS






Portugal: Agrava Distância Entre Ricos e Pobres (22 de Outubro de 2008)

 


Relatório da OCDE. Os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres.
 
A desigualdade continua a aumentar em Portugal, afirma a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, que atribuiu a 28.ª posição a Portugal. Pelo contrário, México, Grécia e Reino Unido diminuíram o fosso
 
Portugal apresenta um dos maiores índices de desigualdade na distribuição dos rendimentos da sua população, em valores reportados a 2005. O estudo é da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), que agrupa os 30 países mais industrializados do mundo.

No seu relatório "Crescimento e Desigualdade", ontem divulgado, a OCDE afirma que o fosso entre ricos e pobres aumentou em 23 dos seus 30 países membros (Espanha, França e Irlanda destacam-se entre as excepções), bem como a pobreza infantil. Em contrapartida, a faixa etária entre os 55 e os 75 anos "viu os seus rendimentos aumentar mais nos últimos 20 anos", sendo a pobreza entre os pensionistas inferior à média da população da OCDE. Neste lapso de tempo, as famílias ricas melhoraram muito a sua situação em relação aos pobres. Porém, alguns países registaram melhores resultados do que outros: desde 2000, por exemplo, o fosso entre ricos e pobres aumentou no Canadá, Alemanha, Noruega, EUA, Itália e Finlândia, mas diminuiu no México, Grécia, Austrália e Reino Unido. Nos países onde as diferenças sociais são mais importantes, o risco de pobreza é maior e a mobilidade social mais baixa, segundo a organização.

O nível de desigualdade é dado pelo coeficiente de Gini, tanto maior, quanto maior for essa desigualdade. A média dos 30 países da OCDE em 2005, situa-se em 0,311; os países mais igualitários são a Dinamarca (0,232) e a Suécia (0,234); os mais desiguais são o México (0,474) e a Turquia (0,430). Em 28.º lugar surge Portugal, com 0,385, logo a seguir aos EUA, com um coeficiente de Gini de 0,381. O valor de Portugal em meados da década actual representa um agravamento desde o ano 2000, que poderá estar ligado à crise da economia nacional e à recessão em 2003. Já quanto ao limiar da pobreza, Portugal ocupa a 20.ª posição entre os 30 países avançados. Ele corresponde a 60% do rendimento mediano no países, depois de impostos e transferências, isto é, depois da intervenção da política de redistribuição de rendimentos de cada Estado. O valor encontrado para Portugal é de 20,7% da população abaixo da linha de pobreza, que corresponde ao valor equivalente a 20 anos atrás, mas traduz uma tendência de melhoria desde 1995, altura na qual a população em risco de pobreza ascendia a 22,1%.

A taxa média de pobreza nos 30 países da OCDE situa-se nos 17,4%. Os países com menor número relativo de pobres são a República Checa (11,5%) e a Dinamarca (12,3%), enquanto as mais altas taxas se encontram no México (25,3%) e na Turquia (24,3%). A OCDE pediu aos países para "fazerem muito mais" na promoção de um emprego remunerado, capaz de fazer desse trabalho um meio para lutar contra a pobreza.
 
António Perez Metelo
Diário de Notícias 2008-10-22