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22 de abril de 2013

O ovo colombiano (André Macedo)



Em Maputo, na Avenida Vladimir Lenine, vendem-se sapatos em segunda mão. Chegam de Portugal em contentores cheios até ao teto, cabe sempre mais um par. Antes de serem espalhados pelo chão, os sapatos passam por alguidares de água onde levam um banho de juventude arrancado a escova e à unha. No fim parecem quase novos - novos usados. O esforço compensa: os vendedores fazem negócio, os clientes saem contentes, ninguém se lembra de que aqueles sapatos já não serviam para nada de onde vieram. As relações entre portugueses e moçambicanos são um pouco assim. Fizeram milhares de quilómetros juntos, acomodaram-se, foram-se desgastando. Hoje procuram ganhar nova vida. No entanto, as promessas políticas raramente são cumpridas e a força das relações entre os dois países é apenas levemente aproveitada. Levaram meias solas, mas continuam mal amanhadas.

Lembrei-me de Moçambique porque estou por estes dias em Bogotá, na Colômbia, e anteontem ouvi Cavaco Silva falar da nossa relação com os países africanos lusófonos como forma de atrair o investimento latino-americano para Portugal. Foi conversa de Presidente para Presidente, de Cavaco para Juan (Manuel Santos), mas os jornalistas de Bogotá pegaram logo na frase porque não tinham olhado para o assunto desta maneira. Portugal e África na mesma frase é notícia, dá um bom título, torna-nos maiores, mais relevantes, mais interessantes. Portugal é, para os colombianos, uma ponte frágil para chegar à União Europeia (os espanhóis contam mais), mas vocês (nós), dizia-me um empresário daqui, podem ser bons sócios para chegarmos a esse continente. Há duas semanas, na visita que Paulo Portas fez à Índia, aconteceu o mesmo. Sempre que um português dizia que tinha negócios em África, os indianos esticavam os ouvidos. Portugal? Sim, sim, interessante. Portugal & África? Interessantíssimo!

Apesar de ser assim, apesar de ser evidente que Portugal tem muito a ganhar em aproximar-se convictamente de Moçambique e de Angola, mas também de Cabo Verde e São Tomé, o impulso político português nesta área é quase inexistente. Cavaco já incorporou a ideia africana nos discursos oficiais, mas ainda é uma tentativa envergonhada. Nas apresentações aos empresários estrangeiros gasta-se mais tempo a falar das maravilhas dos investimentos europeus em Portugal - como se precisássemos acima de tudo de provar que fazemos parte desse clube - do que a mostrar o que as empresas portuguesas estão a fazer em Angola e em Moçambique ou até o caminho inverso: o que estes países estão a conseguir em Portugal. Nos dois lados, nem tudo é bom, mas também nem tudo é mau. Há uma relação, há economia, é, portanto, o ovo de Colombo: difícil de lá chegar, mas depois maravilhosamente simples e óbvio.

Diário de Notícias, 18 abril 2013

16 de dezembro de 2012

Maputo: Jardim Tunduru em obras a partir de Janeiro de 2013



O Jardim Tunduru, localizado no coração da cidade de Maputo, poderá mudar de rosto a partir de Janeiro do próximo ano como resultado de obras de reabilitação a arrancar por aquelas alturas.

Maputo, Sábado, 15 de Dezembro de 2012:: Notícias

Para o efeito, o Conselho Municipal lançou já o concurso para a selecção do empreiteiro a ser encarregue pelas obras e a ideia é que os trabalhos arranquem durante o primeiro mês do ano.


A necessidade de se avançar rapidamente na restauração do Tunduru, o maior jardim botânico do país e actualmente degradado, é visível no tempo estipulado para a submissão de propostas por parte dos empreiteiros, menos de 25 dias, ou seja desde 12 de Novembro a 4 de Dezembro.

15 de dezembro de 2012

Turismo na Região de João Belo (Ano 1965)



Para quem viaja por estrada, a cerca de 188 quilómetros de Lourenço Marques fica o primeiro centro de veraneio, S. Martinho do Bilene que hoje, graças a ousadas iniciativas, já constitui uma estância de turismo com projecção internacional. O seu grande atractivo é uma longa praia formada pela Lagoa Uembje, de água salgada, com cerca de 25 quilómetros, que está ligada ao Índico por um canal.

A praia é baixa, sem o mínimo perigo para as crianças. O peixe que abunda nas suas águas leva os pescadores desportivos a atraentes jornadas de barco pela calma lagoa. Nos últimos anos foram construídas no Bilene muitas moradias para férias de residentes na capital de Moçambique. Os CTT, considerando as características da praia, ergueram uma “colónia de férias” que serve os filhos dos seus funcionários de todos os pontos da Província, em turnos que funcionam a partir do encerramento das aulas. Os Caminhos de Ferro de Moçambique, através do Clube Ferroviário, também dispõem de um conjunto de moradias, hangar de barcos de recreio e um restaurante.

10 de novembro de 2012

João Belo, a Princesa do Limpopo (Ano 1965)


A cidade, capital do distrito de Gaza, está situada nas margens do Rio Limpopo, sendo atravessada pela Estrada Nacional 1.

A primeira designação da localidade foi Xai-Xai ou Chai-Chai. Em 2 de Dezembro de 1922 passou a chamar-se Vila Nova de Gaza. Em 10 de Março de 1928 a designação foi alterada para Vila de João Belo, em homenagem ao ministro e oficial da Armada com o mesmo nome.

A cidade possui alguns bons edifícios e artérias traçadas com larga visão. Entre outros edifícios, destacam-se os Paços do Concelho, a sede do Governo Distrital, a Direcção Distrital de Fazenda, o Hospital de Tavene (moderno e bem equipado), o Banco Nacional Ultramarino e o Colégio-Liceu Nossa Senhora do Rosário.

Próximo do antigo cais, estendendo-se até à margem do Limpopo, existe um amplo e bem cuidado jardim, com um coreto onde a Banda Municipal de Gaza executa concertos públicos. Uma das faces deste jardim confronta com o edifício dos Paços do Concelho. Todos os Serviços Públicos se encontram instalados na cidade com Repartições Distritais. A cidade possui um aeródromo servido por carreiras regulares e daqui parte um caminho de ferro com a extensão de 90 quilómetros até Chicome, limite com o distrito de Inhambane.

Existe ainda o ramal de Manjacaze, na extensão de 90 quilómetros que liga esta povoação a Vila Álvaro de Castro e Mauéle.

Existem na cidade de João Belo as seguintes associações: Associação Comercial de Gaza, Associação Agrícola de Gaza, Associação dos Desportos do Distrito de Gaza, Clube de Gaza, Clube Ferroviário e Aéro-Clube de Gaza.

João Belo possui a 7 quilómetros a magnífica Praia Sepúlveda, importante ponto de atracção turística, servida por uma boa estrada e um bom hotel. Cerca de 20 quilómetros ao Norte, situa-se outra estância de turismo – o Chongoane.

Tem sido notável a acção da actual vereação, na presidência da qual se encontra – e muito bem – o Engº Manuel Dias da Silva. Entre outras realizações destaca-se o melhoramento da captação das águas para fornecimento à população, bem como a modernização da iluminação da cidade, dois sectores deveras importantes na vida de qualquer comunidade.

Fonte: Arquivo Pessoal

9 de novembro de 2012

Namaacha, a Sintra de Moçambique (Ano 1965)



A vila da Namaacha, alcandorada na vertente portuguesa da cordilheira dos Libombos cuja crista marca a linha divisória da fronteira entre Moçambique, o Transvaal e a Suazilândia, hoje uma excelente estância de repouso e de turismo, foi outrora – até ao final do século passado – um valhacouto de bandidos célebres, aventureiros atraídos pelo ouro descoberto no Rand. O seu nome provém do de um régulo da região, de nome Mahasha, que ali estabeleceu o seu “Kraal”.

De início, os aventureiros que frequentavam a povoação eram foragidos da lei. Um dos mais célebres foi um tal Mac Nab, bandido da pior espécie, de nacionalidade escocesa. Quando era perseguido de um lado da fronteira refugiava-se no outro. Contra ele e outros bandidos que frequentavam a região o governador do distrito de Lourenço Marques, Azeredo e Vasconcelos chegou a enviar uma expedição para metê-los na ordem, o que conseguiu finalmente.

O general José Tristão de Bettencourt, sendo governador-geral de Moçambique, foi quem deu em 1941 o maior impulso para o desenvolvimento da vila. Hoje, ela ocupa uma área quadrada de 1.370 kms, sendo uma estância de turismo muito procurada, pela grande beleza dos seus arredores. Dignos de ser visitadas e admiradas, uma frondosa mata e uma cascata com o seu lago.

A Namaacha, onde se encontra o Seminário-Maior de Cristo Rei, é já tradicionalmente local de uma peregrinação anual, em 13 de Maio, ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima ali existente.

Também dignos de visita são as espectaculares instalações do sistema de telecomunicações por dispersão troposférica, pela primeira vez usado em território nacional e o mais aperfeiçoado em todo o Mundo.

Fonte: Arquivo Pessoal

23 de julho de 2012

Porto: Painel de Malangatana no Hospital de São João


O pintor moçambicano fez em 2006 uma pintura para decorar o Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental da instituição

O Hospital de São João, no Porto, vai passar a ter uma nova obra de arte nas suas instalações, a acrescentar às muitas que já aí se encontram. Trata-se de um painel do pintor moçambicano já desaparecido Malangatana (1936-2011), que doi desenhado expressamente para decorar uma parede do Serviço de Psiquiatria do hospital, num gesto de agradecimento pela formação dos jovens médicos e psiquiatras daquele país africano.

Não ao Desacordo Ortográfico, «néscio e grosseiro»!



DESACORDO ORTOGRÁFICO

Já não é só o Centro Cultural de Belém - instituição de direito privado, sem tutela pública. Ou Serralves. Ou a Casa da Música. Já não são só a generalidade dos jornais que o ignoram - Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, i, Diário Económicoe Jornal de Negócios, além da revista Sábado.

Já não só os angolanos que se demarcam, ou os moçambicanos. Ou até os macaenses. Sem excluir os próprios brasileiros.

Por cá também já se perdeu de vez o respeitinho pelo Acordo Ortográfico. Todos os dias surge a confirmação de que não existe o consenso social mínimo em torno deste assunto.

8 de junho de 2012

Moçambique ractifica Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa


O Conselho de Ministros de Moçambique ractificou na quinta-feira o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, disse hoje o ministro moçambicano dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Baloi.

A posição do governo de Moçambique relativa à adopção do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa tem em conta a presidência da CPLP, que assumirá a partir de julho, durante a cimeira da comunidade lusófona, que se realizará em Maputo.

Falando aos jornalistas, o chefe da diplomacia moçambicana justificou a demora de adesão de Moçambique ao Acordo Ortográfico com a tentativa de o país "clarificar e ganhar a dimensão total das implicações de natureza não só financeira como também organizativa".

"Nós falamos a língua portuguesa mas com algumas características muitas próprias. Temos um grande peso das línguas nacionais. Como é que isso interage com este acordo ortográfico? E depois, é a questão da sua ampla divulgação. Está aqui imenso trabalho a fazer entre a ractificação e a plena entrada em vigor", disse Oldemiro Baloi.

O titular da pasta dos Negócios Estrangeiros de Moçambique lembrou que o país tem agora "um período da chamada derrogação", que recusou dizer qual, "ou seja, o tempo que Moçambique necessita para ajustar todos os instrumentos necessários para que o acordo seja efectivo".

No último ano, o ministro moçambicano da Educação, Zeferino Martins, estimou que a implementação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em Moçambique terá um "custo mínimo" de 80 milhões de euros.

(RM/Lusa) 8 de Junho de 2012

17 de abril de 2012

Basta de atitude anti-democrática


Uma concentração que estava a ser organizada por dois movimentos da sociedade civil da Guiné-Bissau acabou por não se realizar porque foi dispersada pelos militares, constatou a agência Lusa, ontem, dia 16 de Abril.

Sapo MZ

16 de julho de 2011

Portugal: Prémio de Literatura Africana IMVF 2011


Prémio de Literatura Africana IMVF 2011

O Instituto Marquês Valle Flôr encontra-se neste momento a promover o Prémio de Literatura Africana IMVF 2011, tendo como principal objectivo incentivar a produção de obras literárias nos domínios de romance, novela ou conto, junto dos escritores provenientes de países africanos de língua oficial portuguesa.

Os interessados devem entregar ou enviar as suas obras com um mínimo de 150 páginas, devidamente identificadas pelo autor, para a morada do IMVF:

Rua de São Nicolau, 105
1100-548 Lisboa

Ao vencedor do Prémio de Literatura Africana 2011 será entregue um prémio no valor 10.000€ (dez mil euros), sendo que o IMVF promoverá a primeira edição de 500 exemplares da obra premiada.

Para mais informações ou questões: premioliteratura@imvf.org

Phone: +351 213 538 280
Mobile: +351 964 034 698