5 de setembro de 2026

República de Moçambique: Acidente de Mbuzini - Paul Fauvet Contraria Hans Louw (Ano 2008)


Paul Fauvet contraria Hans Louw...
…e diz que Tupolev em que viajava Samora Machel era para ser abatido na Swazilândia

Hans Louw volta a ser contrariado, a respeito do acidente de aviação de Mbuzini em que perdeu a vida o Presidente Samora Machel. Mas desta vez Louw não tem pela frente os factos, mas antes uma afirmação a todos os títulos sensacionalista de que o Tupolev presidencial era para ser desviado para a Swazilândia onde seria abatido. Quem assim especula é Paul Fauvet, editor dos serviços de língua inglesa da AIM, agência de notícias de carácter oficioso, directamente dependente do Gabinete de Informação (GABINFO), que por seu turno depende directamente do Gabinete da Primeira-Ministra.

A edição de ontem do jornal swazi, «Times of Swaziland», refere que “Paul Fauvet, jornalista há muito a trabalhar para a Agência de Informação de Moçambique (AIM), recentemente defendeu a teoria de que o plano original dos assassinos de Machel era o de desviar o avião para a Suazilândia onde seria abatido por um míssil, e depois a responsabilidade atribuída à Renamo.”

Tanto Fauvet, há muito envolvido com a Frelimo, como Hans Louw assentam a sua teoria na existência de um VOR falso, algo que ficou demonstrado pelos peritos que investigaram o acidente de aviação como não tendo qualquer fundamento. O Tupolev transportando o Presidente Samora Machel colidiu contras os Montes Libombos em Mbuzini pelo facto dos pilotos terem desrespeitado instruções precisas dadas pela Torre de Controlo do Aeroporto Internacional de Maputo, descendo abaixo da altitude mínima de segurança que lhes havia sido atribuída, com o intuito de efectuarem uma aterragem visual à noite e com alguma nebulosidade mas sem terem contacto com o terreno, para além de haverem ignorado o aviso sonoro fornecido pelo Sistema de Aviso de Proximidade do Solo (GPWS) e que foi escutado no interior da cabine de comandos do Tupolev durante 32 segundos.

Por norma, ao ser accionado o GPWS, os pilotos devem de imediato abortar uma descida e, com os motores a trabalhar a uma potência idêntica à da descolagem, fazer o avião subir a uma altitude de segurança.

A nova teoria de Paul Fauvet vem juntar-se a uma outra desde sempre por ele defendida, segundo a qual os radares da Força Aérea Sul-Africana, instalados em Mariepskop, não alertaram a tripulação do Tupolev de que o avião estava a desviar-se da rota. De acordo com Fauvet, a estação de radar de Mariepskop poderia ter evitado o acidente, pois havia seguido o trajecto do Tupolev presidencial desde o Zimbabwe, mas não avisou a tripulação russa de que, ao entrar no espaço aéreo moçambicano, viria a alterar a rota em direcção a Mbuzini, em território sul-africano.

A teoria do editor do serviço de língua inglesa da AIM é igualmente infundada se se considerar que a estação de radar de Mariepskop tem a função de detectar violações do espaço aéreo. Martizkop não é uma estação de controlo de tráfego aéreo. De salientar que o voo em causa decorria dentro do espaço aéreo moçambicano em relação ao qual a referida estação não tinha qualquer jurisdição. Em princípio, caberia às estações de radar de controlo de tráfego aéreo moçambicanas alertar a tripulação do Tupolev, tanto mais que se tratava de uma aeronave que transportava o Chefe de Estado do país.

O procedimento a seguir pela estação de Mariepskop, uma vez detectada uma violação do espaço aéreo, é informar o comando da Força Aérea Sul-africana, a quem cabe a responsabilidade de ordenar a intercepção da aeronave ou aeronaves transgressoras.

Saliente-se o Tupolev presidencial apenas “violou” o espaço aéreo sul-africano numa distância de 150 metros e quando já voava a uma altitude que não era detectável pela estação de radar de Mariepskop.


(Redacção / Times of Swaziland / AIM)

2008-10-21 07:06:00

www.canalmoz.com

República de Moçambique: Samora Terá Sido Assassinado - Crença de Graça Machel (Ano 2008)


A viúva do primeiro Presidente moçambicano, Graça Machel, diz que tem mais evidencias agora de que o seu marido terá sido assassinado, dado que, segundo ela, conseguiu falar já telefonicamente com alguém que diz ter estado em Mbuzini com a missão de “abater” o avião em que viajava Samora Moisés Machel, “caso falhasse o Plano A do assassinato”.
 
Samora Machel morreu num trágico acidente de aviação, ocorrido a 19 de Outubro de 1986, na localidade sul-africana de Mbuzini, junto à fronteira entre Moçambique e a África do Sul, quando regressava da Zâmbia numa missão de paz para a região. Na ocasião, outros 33 cidadãos, entre nacionais e estrangeiros, também perderam a vida.

Em declarações que fez à Televisão de Moçambique (TVM), por ocasião da passagem domingo do 22º aniversário da morte trágica de Samora Machel, Graça Machel disse que já há pessoas que sabem (das circunstâncias da morte de Machel), mas o que falta é elas aceitarem que sejam testemunhas em tribunal.

“Este é que é o problema, (porque) sem evidências não pode haver julgamento”, afirmou, acrescentando que “não é difícil ir ao fundo da verdade, (mas) o problema é encontrar alguém disposto a testemunhar em tribunal”.

Graça Machel voltou a reiterar que não vai descansar enquanto não forem esclarecidas as circunstâncias da morte de Samora Machel.

Como sempre quando fala da morte trágica do seu marido, Graça Machel vincou, uma vez mais com muita emoção, que “22 anos depois do assassinato, não se sabe o que aconteceu com ele”, acrescentando que “Samora tinha muito boa saúde”.

“Ele era rijo, com 53 anos”, vincou visivelmente amargurada, para depois acrescentar que “ainda hoje, quando nos sentamos à volta da mesa, falta aquela gargalhada”. “As pessoas não pensam nisso", referiu, insistindo que ao menos se a família soubesse o que aconteceu com o seu ente querido.

Em comunicado de Imprensa emitido por ocasião de 19 de Outubro, a Presidência da República reafirma a determinação do Estado Moçambicano em utilizar todos os meios necessários para o esclarecimento definitivo das circunstâncias em que ocorreu aquele sinistro.

“A descoberta da verdade sobre a morte do Presidente Samora Moisés Machel foi e continua a ser uma prioridade da Nação Moçambicana”, lê-se no comunicado.


SEGUIR SEUS IDEAIS É PROMOVER DESENVOLVIMENTO
 
 
O legado deixado por Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique independente, permite que o seu povo avance na promoção do desenvolvimento económico e social. Machel incutiu em cada moçambicano o espírito de unidade nacional e os nobres ideais de paz, segundo disse ontem, na Beira, António Máquina, Secretário Permanente da província de Sofala.

Falando na praça dos heróis moçambicanos, tal como outros dirigentes que desfilaram para falar da vida e obra de Samora Machel, o secretário permanente de Sofala destacou a educação que foi amplamente defendida pelo Marechal.

Para Máquina, um dos grandes desafios de Samora Machel foi libertar o povo e a pátria e, em seguida, defender a soberania. “Ele decidiu que se deve fazer da educação a base para o povo tomar o poder, e sabia que não se deve fazer o desenvolvimento sem a educação”, sublinhou Máquina.

O Secretário Permanente de Sofala, que anunciou um vasto leque de ensinamentos de Samora, disse ainda que o falecido estadista promoveu a alfabetização para permitir que as pessoas que não tiveram oportunidade de estudar devido à acção dos colonialistas o fizessem permitindo a sua participação no desenvolvimento do país.

Por seu turno, Cremilda Sabino, representante do Estado na cidade da Beira, também dissertou sobre os vários feitos de Samora Machel, os quais classificou de imensuráveis, para além de defender o seguimento do seu legado. Apelou à população no sentido de lutar para vencer os desafios do futuro, entre os quais a luta contra a pobreza, que inclui o combate às doenças endémicas.

Alexandre Vasco, representante do presidente do município da Beira, aproveitou a oportunidade para exigir ao Governo para acelerar a investigação com vista a apurarem-se as causas da morte do Presidente Samora Machel e indicar os mandantes do seu  assassinato. Disse que depois de se conhecerem os resultados desta investigação, os responsáveis devem ser levados ao Tribunal para serem severamente castigados de acordo com as leis existentes no país.


ERA INCORRUPTÍVEL
 
 
Samora Machel foi um líder bastante impermeável  para actos ilícitos. Segundo Eneas Comiche, membro da Comissão Política da Frelimo que dirigiu a homenagem ao primeiro Presidente da República moçambicano, Samora era incorruptível e todos erros ou irregularidades cometidos por agentes do Governo eram repreendidos publica e imediatamente, pois para ele não havia nada a esconder.

De acordo com aquele responsável do partido no poder, o primeiro presidente do Estado Moçambicano foi um  visionário cuja vitalidade e determinação eram atingir uma independência total e completa do país, não só das sequelas do colonialismo português, mas sobretudo  erguer-se do subdesenvolvimento.

“O combate à pobreza absoluta, tarefa que a Frelimo persegue, foi identificado pelos primeiros líderes do país. O Plano Prospectivo  Indicativo (PPI) foi desenhado para liquidar a pobreza”, esclareceu Comiche para quem todas acções em curso na implementação da estratégia da “revolução verde” bem como na política de atribuição de sete milhões de meticais para gestão a nível do distrito inserem-se no sonho da Frelimo cujos líderes sempre se preocuparam com o bem-estar de todos moçambicanos, havendo por isso necessidade de todos, principalmente jovens, se inspirarem nos ideais de Samora para a concretização dos seus objectivos.

Comiche elogiou a Imprensa  no papel que desempenha para o resgate da história do país, ao passar mensagens  dos acontecimentos que marcaram a construção do Estado Moçambicano situação que, segundo disse, contribui para a educação intelectual das novas gerações, bem como na  imortalização da história de um povo. Eneas Comiche, que é também presidente do Conselho Município da capital do país, trabalhou na província de Inhambane na qualidade de membro da Comissão Política da Frelimo e visitou  alguns locais na cidade de Inhambane. Aqui participou no concorrido comício popular orientado pelo Governador da província, Itae Meque, realizado junto à Praça dos Heróis.

Maputo, Terça-Feira, 21 de Outubro de 2008:: Notícias

República de Moçambique: Afonso Dhlakama Acusado de Falsear História da Renamo (Ano 2008)


O líder da Renamo, Afonso Dhalakama, foi sexta-feira acusado de falsear a história do ex-movimento rebelde, particularmente no que respeita à sua fundação e direcção. 

Ivete Fernandes, viúva do antigo secretário-geral do Movimento Nacional de Resistência (MNR), Evo Fernandes, que mais tarde viria a dar lugar à Renamo, afirmou que André Matsangaíssa nunca foi presidente desta organização, mas sim um comandante militar.

“Senhor presidente, vamos tratar de assuntos sérios que o partido tem obrigação de tratar. O senhor sabe que André Matsangaíssa nunca foi presidente da Renamo. O primeiro presidente da Renamo foi Afonso Dhlakama, eleito no primeiro congresso, realizado em 1983, cuja organização esteve a cargo de Evo Fernandes”, disse, numa atitude que “gelou” por completo o ambiente festivo que assinalou o 29 aniversário da morte de André Matsangaíssa.

A viúva do antigo SG da “perdiz” apelou ainda para que Afonso Dhlakama deixe de “entreter os moçambicanos com pequenas histórias da luta pela democracia” para se debruçar sobre as grandes questões do país. Sem mencionar a que tipo de questões se referia, Ivete Fernandes acabaria por sugerir a necessidade de uma maior organização interna da Renamo, elaboração de políticas sérias para servir de alternativa de governação da Frelimo, a preparação condigna das eleições autárquicas de 19 de Novembro, assim como do sufrágio geral do próximo ano, entre outras.

Num outro desenvolvimento, Ivete Fernandes lamentou o facto da Renamo nunca ter se referido à obra e contribuição do seu marido ao movimento. “Nenhum renamista já homenageou Evo Fernandes, apesar de saberem a contribuição que ele deu para que o partido atingisse este estágio”, lamentou.

Reagindo a estas acusações, Afonso Dhlakama afirmou que o seu partido reconhece a dedicação e entrega de Evo Fernandes e que “um dia iremos prestar-lhe a devida homenagem”.

Sobre as acusações de falsear a verdade em torno da história da fundação e direcção do partido ele reconheceu que André Matsangaíssa nunca foi presidente do movimento rebelde, mas referiu que devido ao papel que ele desempenhava, o de comandante-geral, ele era tratado por presidente.

“Não ficaria bem que eu dissesse que Afonso Dhlakama é que foi o primeiro presidente da Renamo”.

Dhlakama prometeu que iria escrever a “verdadeira história da Renamo”, uma história que disse conhecer muito bem por ter tido  o privilégio de vivê-la, ao contrário de muitos que escreveram ou falam da Renamo.

“Aparecem pessoas a dizer e a escrever sobre a Renamo. Pessoas que não viveram, nem testemunharam as diferentes fases da Renamo. Eu tive esse privilégio e vou escrever. Eu queria escrever a história da Renamo depois de ser Presidente da República mas decidi começar agora”, frisou.

Maputo, Segunda-Feira, 20 de Outubro de 2008 - Notícias