28 de agosto de 2026

África do Sul : Dissidentes do ANC Lançam Novo Partido (Ano 2008)

A facção dissidente do Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder na África do Sul, vai lançar oficialmente um novo partido a 16 de Dezembro próximo, anunciou domingo o antigo ministro de Defesa sul-africano Mosiuoa Lekota.

Segundo Lekota, um dos mentores desta iniciativa e que também já desempenhou as funções de secretário-geral do ANC, o lançamento do novo partido terá lugar em Bloemfontein, província do Estado Livre.

Segundo o jornal sul-africano “The Star”, foi nesta cidade Bloemfontein que surgiram outros partidos, incluindo o próprio ANC, o Partido Nacional (arquitecto do antigo regime do apartheid), e o Partido Progressivo.

A data de 16 de Dezembro coincide com o Dia da Reconciliação, que também é feriado nacional na África do Sul. Esta data também marca o início da campanha militar do ANC contra o regime do “apartheid”, que teve lugar em 1961.

“Ninguém nos vai ameaçar. Não se trata de um indivíduo, trata-se de um ideal”, disse Lekota, que falava perante uma multidão calculada em cerca de duas mil pessoas em Bloemfontein.

Na ocasião, ele apelou aos presentes a regressarem às suas comunidades e escolherem “pessoas da sua confiança” para servirem de seus representantes durante a convenção nacional, que será realizada a 2 de Novembro próximo, durante a qual deverão ser debatidas estratégias para a nova formação política.

A cisão no ANC surge como consequência da demissão do antigo presidente sul-africano Thabo Mbeki.

A demissão de Mbeki foi o culminar de uma disputa com Jacob Zuma pela liderança do ANC. Zuma saiu vencedor na conferência anual do partido, realizada em Dezembro do ano passado em Polokwane.

Contudo, a eleição de Zuma acabou por precipitar o ANC para a pior crise desde a  fundação do partido, em 1912.

Na semana passada, o antigo governador da província de Gauteng, Mbhazima Shilowa, juntou-se a Lekota e a outros dissidentes do ANC que tencionam formar o novo partido político.

Maputo, Terça-Feira, 21 de Outubro de 2008:: Notícias

República do Botswana: Ex-Presidente do Botswana Recebe Prémio Mo Ibrahim - Cidadão Criou Galardão Para Reconhecer a Boa Governação (Ano 2008)


O ex-presidente do Botswana Festus Gontebanye Mogae, de 69 anos, foi ontem distinguido com o prémio Mo Ibrahim de boa governação. 

O prémio, no valor de 3,7 milhões de euros, foi ganho no ano passado pelo ex-presidente de Moçambique Joaquim Chissano.

O seu trabalho no combate à sida e no progresso económico do país foi elogiado pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que preside ao comité responsável pela escolha do vencedor do prémio. "O Botswana é um exemplo de como um país com recursos naturais pode promover desenvolvimento sustentável com boa governação, num continente onde muitas vezes a riqueza mineral se tornou numa praga", disse, numa conferência de imprensa em Londres.

Lançado pela Fundação Mo Ibrahim, que foi criada pelo empresário africano com o mesmo nome, o Prémio Mo Ibrahim para o Sucesso na Liderança Africana pretende reconhecer líderes africanos que tenham dado provas de excelência na liderança política.

O prémio, que teve a sua primeira edição em 2007, é entregue anualmente a um ex-chefe de Estado ou de Governo de países da África Austral que tenha sido democraticamente eleito e que tenha deixado de exercer funções nos últimos três anos. A escolha deste ano foi feita por um júri dirigido por Kofi Annan, e que incluiu Aïcha Diallo, ex-ministra da Educação da Guiné, Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda, Salim Ahmed Salim, ex-primeiro-ministro da Tanzânia, Martti Ahtisaari, ex-presidente da Finlândia - Prémio Nobel da Paz 2008 - e Mohamed ElBaradei, director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

O dinheiro do prémio, no valor total de cinco milhões de dólares, será distribuído durante dez anos em tranches de 500 mil dólares e é também visto como uma forma de oferecer segurança monetária a dirigentes africanos que abandonem o poder. Após os dez anos necessários para completar o pagamento do prémio, cada vencedor receberá depois uma renda anual de 200 mil dólares durante o resto da sua vida.

O prémio será oficialmente entregue a Festus Mogae, que foi eleito presidente em 1998 e deixou o poder em Abril último, numa cerimónia na cidade de Alexandria, a 15 de Novembro.

Fundador da empresa de telecomunicações africana Celtel International, Mo Ibrahim, nascido no Sudão em 1946, é considerado como um modelo do cidadão africano bem sucedido, que privilegiou uma gestão ética do negócio. Ibrahim vendeu a sua empresa em 2005, sete anos depois de a ter criado, a um operador do Kuwait por 3,4 mil milhões de dólares, fortuna que está a financiar a Fundação e o respectivo prémio.
 
Diário de Notícias 2008-10-21

República de Moçambique: Durante a V Conferência da Via Campesina, Guebuza Reconhece Valor da Agricultura (Ano 2008)


"A agricultura de pequena escala, apesar da crescente urbanização do meio rural, apresenta-se como o sector que emprega parte considerável da mão de obra e dá um contributo substancial no produto interno bruto” - reconheceu o chefe de Estado, Armando Guebuza.

A agricultura dos países pobres não se desenvolve rapidamente porque ainda prevalecem problemas estruturais como falta de crédito e acesso as tecnologias de produção, processamento e conservação da produção agrária, insuficiência de extensionistas e de insumos, deficiente rede de escoamento e comercialização da produção de entre outros pontos marcantes, reconheceu o chefe de Estado, Armando Guebuza.

Repisou ainda que devido à condição de pobreza que países pobres atravessam não conseguem explorar devidamente o seu potencial agrícola entrando assim num ciclo vicioso de colocar de parte a agricultura. “Ficam pobres por não conseguir explorar o seu potencial agrícola”.

Guebuza foi mais forte e disse perante uma plateia de mais de 600 representantes internacionais dos camponeses pelo mundo que “algumas das políticas práticas nos países desenvolvidos impedem que a agricultura de pequena escala não dê o salto para se colocar numa posição que lhe permita contribuir de forma mais substancial na luta pelo desenvolvimento”.

“Destas políticas e práticas temos os subsídios a agricultura, as barreiras não tarifárias e as barreiras técnicas ao comércio que incluem considerações sanitárias e fitossanitárias”, vincou.

Apelou ainda que devemos concluir a Ronda de Doha devido as implicações dos produtos nos mercados dos países desenvolvidos como subida galopante dos preços dos insumos agrícolas. "É nosso interesse que seja criado o ambiente internacional para colocar os nossos camponeses em melhores condições para explorar o nosso potencial agrário e para mais rapidamente transitar para agricultura comercial".

O estadista moçambicano não se fez de rogado durante a abertura da V Conferência da Via Campesina ao recordar que o país sofre os efeitos de mudanças climáticas, crise energética e de alimentos e muito recentemente a financeira que abala os principais mercados internacionais.

Ainda segundo ele "os membros do movimento de camponeses do mundo estão a participar para a formulação de soluções de possíveis crises".

Por outro lado Armando Guebuza aproveitou a ocasião para falar do vigésimo segundo aniversário do assassinato bárbaro de Samora Machel em Mbuzine.

"Reafirmamos a determinação de utilizar todos os meios para o definitivo esclarecimento das circunstâncias em que ele e os seus acompanhantes perderam a vida", disse Armando Guebuza.

Entretanto Ismael Ossemane, presidente da mesa da assembleia-geral da «UNC – União Nacional de Camponeses» diz que "mesmo com a política neoliberal, ou seja, uma nova forma de colonialismo a invadir a vida dos camponeses vamos lutar como forma de produzir alimentos. A agricultura deve servir o povo".

Segundo ele a produção de alimentos não tem e nem pode ter como enfoque o negócio e lucro por isso devemos trabalhar unidos para entrar para o mercado e distribuir produtos ao nível nacional.

"Transformar a agricultura e os alimentos em negócio enriquece as grandes cooperações, multinacionais que procuram mercados para os seus agrotóxicos e afirmam que estão a dar emprego. As famílias camponesas têm o seu emprego apenas precisam de políticas que contribuam para um desenvolvimento e produção agro-pecuária", concluiu Ismael Ossemane.

Conceição Vitorino

2008-10-22 06:27:00

www.canalmoz.com

República de Moçambique: Nova Operadora Ameaça "Monopolizar" Mercado de Internet (Ano 2008)


A IburstAfrica é uma nova empresa fornecedora de serviço de Internet banda larga que está a operar em Moçambique desde a semana passada, usado uma tecnologia internacional já reconhecida pela maior sociedade de especialistas internacionais desta área, o Instituto de Engenharia de Electricidade e Electrónica (IEEE).

Sedeada na África do Sul, a Iburst, que fornece Internet sem fio, está a expandir o seu negócio por todo o continente africano, sendo que no Ghana já conquistou mais de 40 mil clientes em menos de seis meses, dos quais 23 mil apenas na cidade de Acra, ocupando o segundo lugar. Em Moçambique espera liderar o mercando de Internet até finais do próximo ano, como diz que pretende fazer no resto do continente Africano.

Trata-se de uma empresa propriedade da Galela Telecommunications PTY Limitada, o maior operador Iburst a nível global. É, de resto, uma operadora cujos produtos apresentam características próprias: não usa o sistema de contractos e é pré-pago, facilitando a gestão do crédito por parte do utilizador, e entra para o mercado moçambicano com preços promocionais, atribuindo aos clientes créditos no valor de mil meticais até 6 de Novembro próximo. No entanto, os custos médios do pacote inicial rondam os 8 mil meticais, com a isenção total de taxas mensais, sendo por isso que acredita poder beneficiar todas as camadas sociais.

A Internet da Iburst é portátil e pode ser usada ao longo de uma larga área com uma simples base station. Os seus serviços baseiam-se numa tecnologia Intellicell da ArrayComm dos Estados Unidos da América, que através de avançados algoritmos ajusta os padrões de sinal de e para cada utilizador, criando uma espécie de celular pessoal com uma eficiente resposta no serviço de voz e dados e seguindo os movimentos do utilizador, o que reduz a interferência da rádio.

Tal como disse o respectivo presidente do Conselho de Administração, Mtshali, aquando do lançamento oficial dos serviços Iburst, em Maputo, a grande inovação que a IburstAfrica traz para Moçambique é o facto de esta operadora fornecer Internet a uma velocidade de 2.5MB/s.

A sua performance é comparável, como diz, ao DSL e Internet banda larga por cabo e é superior à das operadoras de telefonia móvel e outras tecnologias de banda larga actualmente existentes. Apresenta produtos específicos para as pequenas, médias e grandes empresas, mas também para os indivíduos.

Operando, nesta primeira fase, apenas na cidade de Maputo, a Iburst diz que vai cobrir toda a província da Maputo ainda este ano e nos tempos subsequentes pretende, “gradualmente” estender a sua actividade a outras províncias do país, porque alega “o objectivo é cobrir todo o território nacional no mais curto tempo possível”.

(Almeida Oliveira)
2008-10-22 06:35:00
www.canalmoz.com

15 de agosto de 2026

Portugal: O 25 de Abril de 1974 e as Independências Exemplares do Império Colonial Português


Quanto «às independências ditas exemplares pelos vendilhões da Pátria Portuguesa, pelos traidores e cobardes do 25 de Abril de 1974», o povo português que vivia na ex-colónia de Moçambique (de todas as raças e crenças), logo a seguir ao 25 de Abril, foi obrigado a entregar as armas que tinham em casa (os que as tinham), mediante a ameaça que Joaquim Chissano fez através da rádio, que se não as entregassem, imediatamente mandaria chacinar os portugueses pelos marginais.

Mesmo assim, depois de as armas serem entregues, os portugueses foram todos enganados e sem aviso prévio, sem nada o prever, ordenaram a sua perseguição, a sua crucificação, a sua chacina, a sua matança.

O povo português ficou desarmado, indefeso e à disposição das hordas de assassinos, de grupos de maltrapilhos e analfabetos que assolaram a capital, as vilas, as aldeias e as cidades dos arredores, aliás todo o território moçambicano foi invadido por estes criminosos, dizendo que estavam a cumprir ORDENS recebidas dos seus "SUPERIORES" (os de Moçambique e os de Lisboa).

Armados de catanas, metralhadoras, baionetas e outros materiais contundentes, perseguiram o povo português nas casas, nos empregos, nas escolas, nos templos religiosos, nos hospitais, nas machambas, nas ruas, em todo o lado onde estivesse para o chacinar.

Estupraram milhares de mulheres, crianças e idosas, perante a impotência dos homens da família, porque eram manietados, acorrentados, ameaçados com catanas e baionetas, eram obrigados a assistir a estas crueldades horrendas, para depois no fim serem todos chacinados e esquartejados, morrendo assim milhares num conflito hediondo de que o povo português foi a principal vítima.

Nos cemitérios vandalizaram jazigos, campas, caixões e os mortos foram profanados.

Os “superiores de Moçambique e os traidores, os cobardes de Abril, os vendilhões da Pátria – os de Lisboa”, ordenaram estas chacinas, para que o povo ficasse aterrorizado e fugisse imediatamente de Moçambique, para lhes serem confiscados todos os seus bens - os portugueses ficaram sem nada, ficaram despojados de todos os seus haveres.

“Os superiores de Moçambique” não queriam que os portugueses ficassem em Moçambique depois da Independência (obtendo a nacionalidade moçambicana e continuando a viver a sua vida no Moçambique Independente), e também “os traidores, os cobardes de Abril, os vendilhões da Pátria” – os de Lisboa, não queriam os portugueses, os retornados de Moçambique em Portugal.

Não foi o cobarde, o traidor de Portugal, o vendilhão da Pátria – Mário Soares - que disse para que atirassem os portugueses, os retornados de Moçambique, dos aviões para o mar para que fossem comidos pelos tubarões?!

Quando os Soldados Portugueses que ainda se encontravam em Lourenço Marques, a seguir ao 25 de Abril, mesmo que presenciassem violações, roubos e mortes e os portugueses lhes imploravam socorro, eles faziam chacota, palitavam os dentes, mascavam chuingas, fumavam e cuspiam para o chão, cruzavam e descruzavam os braços ou as pernas, viravam costas, ficavam indiferentes, em posição de descanso, quer vissem desmembrar crianças (como aconteceu na Ponte Pinto Teixeira), violar mulheres à frente de todos ou rebentar as portas das cantinas, das casas ou das flats, para matar os donos e roubar-lhes tudo, diziam: “São Ordens de Lisboa”.

E a procissão de veículos, carros, camiões, motorizadas e jeeps (Lourenço Marques/Matola) regados com gasolina a que deitavam fogo depois de trancar as portas com os seus ocupantes lá dentro, filas intermináveis de veículos a arder, tudo em labaredas gigantescas, fumos imensos negros e densos, cheirando a carne queimada por toda o lado, parecia que Lourenço Marques, as suas vilas, as aldeias e as cidades nos seus arredores, iam desaparecer do mapa, num inferno dantesco, um autêntico apocalipse.

As pessoas que eram apanhadas vivas, enfiavam-lhes pneus dos carros pelas cabeças abaixo, que lhes imobilizavam os braços, ficavam logo em asfixia, penduravam-nas nas árvores, regavam-nas com gasolina e deitavam-lhes fogo, uns autênticos archotes humanos. 

Foi um espetáculo horroroso e diabólico que preencheu os 250 quilómetros que medeiam entre Lourenço Marques e a cidade de João Belo.

Em Lourenço Marques e nos seus bairros limítrofes (Mahotas, Infulene, Aeroporto, Malhangalene, Mafalala, Benfica, Xipamanine, etc.), muitas casas foram incendiadas com as pessoas lá dentro, outras conseguiram fugir e andaram refugiadas no centro da cidade de Lourenço Marques, onde foram acolhidas em casa de familiares, ou em casa de pessoas conhecidas e outras foram acolhidas até por pessoas desconhecidas.

Porque estas hordas de assassinos, já estavam a fazer um cerco à cidade de Lourenço Marques para obrigar o povo, que estava cada vez mais encurralado, a fugir para a Baixa da cidade, em direção à sua Baía – não havia outra escapatória, morreriam chacinados, ou morreriam todos afogados - seria uma carnificina absoluta e inexorável.

Claro que perante estas chacinas levadas a cabo com uma selvajaria diabólica e não havendo sinais para que terminassem, deu-se a debandada geral dum povo que foi abandonado desde o início e de propósito pelos traidores e cobardes de Lisboa, crucificado, fragilizado, aterrorizado, horrorizado, traumatizado, que conseguiu sobreviver a tamanha matança, deixando para trás todos os seus familiares chacinados, os seus bens imóveis, móveis, veículos e pertences pessoais - tudo o que ainda não tinha sido saqueado, tudo o que ainda não tinha sido pilhado - saindo às pressas de Moçambique com uma mão à frente e outra atrás, com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.

O dinheiro que muitos portugueses tinham guardado nos bancos, as economias que muitos andaram a poupar ao longo dos anos com muito trabalho e sacrifício, com a intenção de terem uma velhice digna já que não havia reformas, sem aviso prévio ficaram sem as suas economias, ficaram sem nada, ficaram sem um tostão, porque as contas bancárias pessoais e das Empresas foram todas congeladas após o 25 de Abril, a mando dos “superiores de Moçambique e dos traidores, dos cobardes de Abril, dos vendilhões da Pátria – os de Lisboa”.

Os portugueses só conseguiam sair de Moçambique no Aeroporto de Lourenço Marques ou nas Fronteiras terrestres, saindo em direcção à África do Sul e outros países africanos, mediante a apresentação de um documento emitido pela Frelimo, onde era comprovado que tinham sido entregues as chaves de todas as habitações alugadas ou próprias (na mesma semana antes de saírem de Moçambique, a minha família que eram proprietários de automóveis deitaram as chaves para dentro da Baía do Espírito Santo / Baía de Lourenço Marques) e o Papel Azul emitido pelas Finanças em como os Impostos estavam todos pagos, caso contrário não podiam sair de lá.

Os massacres mais hediondos perpetrados contra o povo português (de todas as raças e de todas as crenças) e que estão na memória de quem “sobreviveu a eles” são o 7 de Setembro, o 21 de Outubro e o 17 de Dezembro de 1974.

Na altura destes massacres tinha surgido na cidade de Lourenço Marques “um grupo refratário, insignificante e asqueroso de portugueses de todas as raças e de todas as crenças”, que não aceitavam jamais que Moçambique fosse Independente, contribuindo eles também com este ignóbil, intolerável e inaceitável protesto, ao massacre dos seus compatriotas.

Passados tantos anos, “este grupo refratário”, cujos nomes constam de uma lista (eu sei o nome de algumas pessoas que ainda estão vivas), que está na posse do Governo de Moçambique desde essa data - continuam a estar proibidos de pisar “Terra Moçambicana”.

Ainda estão vivos alguns dos "Responsáveis" (moçambicanos e portugueses) pelos hediondos massacres perpetrados ao povo português, que lançaram milhares de corpos de portugueses nas águas da Baía, dos rios Limpopo, Incomáti, Umbeluzi, Matola, ou os transformaram em cinzas fumegantes na terra que se acreditava que pudesse ser de todos os que lá estavam e que queriam continuar a viver nela – portugueses de todas as raças e de todas as crenças.

Esta chacina foi compactuada com os de “Moçambique e com os traidores e os cobardes do 25 de Abril (os vendilhões da Pátria)” – que deram as independências às pressas.

Depois do 25 de Abril de 1974, todos os antigos combatentes da guerra colonial, quando chegaram a Lisboa, alguns com a vergonha que sentiram por terem abandonado os portugueses de Moçambique, emigraram para a Europa, América do Norte, América do Sul, Austrália. Todos os Soldados da Guerra Colonial foram  abandonados por Portugal, ao longo destes anos de "democracia".

Durante a guerra colonial e também no pós-25 de Abril, alguns dos ex-combatentes perpetraram por conta própria "Crimes de Alta Traição à Pátria Portuguesa e ao seu Povo" e que estão “gravados” nas páginas negras da História de Moçambique e da História de Portugal.

Um dos meus irmãos que cumpriu o serviço militar em Tete, numa das muitas emboscadas de que foi alvo, a sua companhia sofreu uma emboscada terrível em 1972, onde camaradas seus perderam a vida, outros ficaram gravemente feridos, foram evacuados para o Hospital Militar em Lourenço Marques e outros foram evacuados para a Metrópole/Alcoitão, muitos deles ficaram com braços e pernas amputados e muitos até sem os olhos, ficaram inválidos, mutilados, cegos e com traumas de guerra para toda a vida.

Ao fim de uns meses depois de ter recuperado e de estar novamente apto, esteve três meses em serviço no Quartel Geral sito no Bairro do Alto-Maé na cidade de Lourenço Marques.

A Baía de Lourenço Marques com uma largura de 36 quilómetros e 52 quilómetros de comprimento, forma o Estuário do Espírito Santo com 30 quilómetros quadrados.

Na Baía embocam, além de outros, os rios Maputo, Incomáti, Umbeluzi, Matola e Tembe.

A Xefina (constituída por 3 ilhas, Xefina Grande, Xefina Média e Xefina Pequena), fica dentro do Estuário do Espírito Santo, a uma distância de 5 quilómetros de Lourenço Marques, quase frente à Praia da Costa do Sol.

Na Xefina Grande existia na altura um Forte e uma Prisão Militar.

O seu serviço durante esses três meses consistiu no seguinte:

Ia todos os dias com os seus camaradas à Xefina num barco da Marinha para levarem géneros alimentícios, medicamentos, correspondência e outros, aos militares que ali se encontravam presos a cumprirem pena sentenciada pelo “Tribunal de Guerra” por terem cometido crimes contra o “Estado Português”.

Em seguida o meu irmão retornou a Tete para cumprir o tempo de serviço militar que ainda lhe faltava para passar à disponibilidade.

Falando em militares condenados pelo “Tribunal de Guerra” e presos na Xefina Grande, quem não se lembra de nos meados dos anos sessenta, um militar ter morto a tiro, três camaradas seus à porta da entrada do Quartel Geral (Alto-Maé) na cidade de Lourenço Marques?

Pois eu lembro-me desta tragédia, nunca o vou esquecer enquanto viver, porque um deles abatido. pertencia à nossa família e era filho único, sem irmãos, a casa onde morava ele e os pais ficava perto do Quartel onde foi morto, na Avenida 24 de Julho – Alto-Maé.

Os pais com o desgosto de ficarem sem o único filho, poucos meses duraram, ficaram todos sepultados no Jazigo de Família no Cemitério de S. José de Lhanguene.

Esta imensa vergonha que, com a Inquisição, constituem as mais negras páginas de uma História gloriosa – como foi a de Portugal – talvez para mostrar que mesmo um povo de heróis pode gerar traidores e fratricidas.

- Porque é que Portugal não pôs uma ponte aérea para os portugueses saírem de Moçambique como fez em Angola?

- Porque é que Portugal deu um prazo gigantesco, estranho e excessivo de 10 anos para entregarem Macau à China, e não fez o mesmo com as Províncias Ultramarinas, com todo o seu Império Colonial Português?!

Que o povo moçambicano tenha muita paz, muita saúde, que seja muito feliz e que viva com muita prosperidade.