O ex-presidente do Botswana Festus Gontebanye Mogae, de 69 anos, foi ontem distinguido com o prémio Mo Ibrahim de boa governação.
O prémio, no valor de 3,7 milhões de euros, foi ganho no ano passado pelo ex-presidente de Moçambique Joaquim Chissano.
O seu trabalho no combate à sida e no progresso económico do país foi elogiado pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que preside ao comité responsável pela escolha do vencedor do prémio. "O Botswana é um exemplo de como um país com recursos naturais pode promover desenvolvimento sustentável com boa governação, num continente onde muitas vezes a riqueza mineral se tornou numa praga", disse, numa conferência de imprensa em Londres.
Lançado pela Fundação Mo Ibrahim, que foi criada pelo empresário africano com o mesmo nome, o Prémio Mo Ibrahim para o Sucesso na Liderança Africana pretende reconhecer líderes africanos que tenham dado provas de excelência na liderança política.
O prémio, que teve a sua primeira edição em 2007, é entregue anualmente a um ex-chefe de Estado ou de Governo de países da África Austral que tenha sido democraticamente eleito e que tenha deixado de exercer funções nos últimos três anos. A escolha deste ano foi feita por um júri dirigido por Kofi Annan, e que incluiu Aïcha Diallo, ex-ministra da Educação da Guiné, Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda, Salim Ahmed Salim, ex-primeiro-ministro da Tanzânia, Martti Ahtisaari, ex-presidente da Finlândia - Prémio Nobel da Paz 2008 - e Mohamed ElBaradei, director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
O dinheiro do prémio, no valor total de cinco milhões de dólares, será distribuído durante dez anos em tranches de 500 mil dólares e é também visto como uma forma de oferecer segurança monetária a dirigentes africanos que abandonem o poder. Após os dez anos necessários para completar o pagamento do prémio, cada vencedor receberá depois uma renda anual de 200 mil dólares durante o resto da sua vida.
O prémio será oficialmente entregue a Festus Mogae, que foi eleito presidente em 1998 e deixou o poder em Abril último, numa cerimónia na cidade de Alexandria, a 15 de Novembro.
Fundador da empresa de telecomunicações africana Celtel International, Mo Ibrahim, nascido no Sudão em 1946, é considerado como um modelo do cidadão africano bem sucedido, que privilegiou uma gestão ética do negócio. Ibrahim vendeu a sua empresa em 2005, sete anos depois de a ter criado, a um operador do Kuwait por 3,4 mil milhões de dólares, fortuna que está a financiar a Fundação e o respectivo prémio.
Diário de Notícias 2008-10-21
