28 de agosto de 2026

República de Moçambique: Durante a V Conferência da Via Campesina, Guebuza Reconhece Valor da Agricultura (Ano 2008)


"A agricultura de pequena escala, apesar da crescente urbanização do meio rural, apresenta-se como o sector que emprega parte considerável da mão de obra e dá um contributo substancial no produto interno bruto” - reconheceu o chefe de Estado, Armando Guebuza.

A agricultura dos países pobres não se desenvolve rapidamente porque ainda prevalecem problemas estruturais como falta de crédito e acesso as tecnologias de produção, processamento e conservação da produção agrária, insuficiência de extensionistas e de insumos, deficiente rede de escoamento e comercialização da produção de entre outros pontos marcantes, reconheceu o chefe de Estado, Armando Guebuza.

Repisou ainda que devido à condição de pobreza que países pobres atravessam não conseguem explorar devidamente o seu potencial agrícola entrando assim num ciclo vicioso de colocar de parte a agricultura. “Ficam pobres por não conseguir explorar o seu potencial agrícola”.

Guebuza foi mais forte e disse perante uma plateia de mais de 600 representantes internacionais dos camponeses pelo mundo que “algumas das políticas práticas nos países desenvolvidos impedem que a agricultura de pequena escala não dê o salto para se colocar numa posição que lhe permita contribuir de forma mais substancial na luta pelo desenvolvimento”.

“Destas políticas e práticas temos os subsídios a agricultura, as barreiras não tarifárias e as barreiras técnicas ao comércio que incluem considerações sanitárias e fitossanitárias”, vincou.

Apelou ainda que devemos concluir a Ronda de Doha devido as implicações dos produtos nos mercados dos países desenvolvidos como subida galopante dos preços dos insumos agrícolas. "É nosso interesse que seja criado o ambiente internacional para colocar os nossos camponeses em melhores condições para explorar o nosso potencial agrário e para mais rapidamente transitar para agricultura comercial".

O estadista moçambicano não se fez de rogado durante a abertura da V Conferência da Via Campesina ao recordar que o país sofre os efeitos de mudanças climáticas, crise energética e de alimentos e muito recentemente a financeira que abala os principais mercados internacionais.

Ainda segundo ele "os membros do movimento de camponeses do mundo estão a participar para a formulação de soluções de possíveis crises".

Por outro lado Armando Guebuza aproveitou a ocasião para falar do vigésimo segundo aniversário do assassinato bárbaro de Samora Machel em Mbuzine.

"Reafirmamos a determinação de utilizar todos os meios para o definitivo esclarecimento das circunstâncias em que ele e os seus acompanhantes perderam a vida", disse Armando Guebuza.

Entretanto Ismael Ossemane, presidente da mesa da assembleia-geral da «UNC – União Nacional de Camponeses» diz que "mesmo com a política neoliberal, ou seja, uma nova forma de colonialismo a invadir a vida dos camponeses vamos lutar como forma de produzir alimentos. A agricultura deve servir o povo".

Segundo ele a produção de alimentos não tem e nem pode ter como enfoque o negócio e lucro por isso devemos trabalhar unidos para entrar para o mercado e distribuir produtos ao nível nacional.

"Transformar a agricultura e os alimentos em negócio enriquece as grandes cooperações, multinacionais que procuram mercados para os seus agrotóxicos e afirmam que estão a dar emprego. As famílias camponesas têm o seu emprego apenas precisam de políticas que contribuam para um desenvolvimento e produção agro-pecuária", concluiu Ismael Ossemane.

Conceição Vitorino

2008-10-22 06:27:00

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