5 de outubro de 2026

Lourenço Marques: Postais Comprados na Livraria e Papelaria Pelicano (Ano 1973)





Livraria e Papelaria Pelicano
Rua Consiglieri Pedroso, Nº 214
Lourenço Marques


Fonte: Arquivo Pessoal

Portugal: Postal da Cidade de Lisboa


Fonte: Arquivo Pessoal

Brasil: Postal da Cidade de Santos


Fonte Arquivo Pessoal

Brasil: Postal da Cidade de São Paulo


Fonte: Arquivo Pessoal

Inglaterra: Postais da Cidade de Londres



Fonte: Arquivo Pessoal

Romênia: Postal da cidade de Bucareste


Fonte: Arquivo Pessoal

Suíça: Postal da Cidade de Genebra


Fonte: Arquivo Pessoal

30 de setembro de 2026

República de Moçambique: Coragem de Continuar a Mentir (Ano 2008)




CORAGEM DE COMTINUAR A MENTIR...

... E COM OS DENTES TODOS... OU TERÁ CHEGADO O TEMPO DE COLOCAR OS CARGOS Á DISPOSIÇÃO?...



O espectáculo gratuito e de pouco interesse que é dado a assistir aos moçambicanos mais uma vez, com o Parlamento reunido, dá para colocar dúvidas e questionar o que de facto querem demonstrar às pessoas que são pagas pelo erário público para servir os cidadãos deste país.

A postura abertamente adoptada pelos governantes na sua ida ao Parlamento constitui motivo de legítima preocupação. Com a defesa oferecida pela bancada maioritária a informes desenquadrados com a realidade fica a descoberto e claro, que temos um parlamento pobre e fraco. Até dá para dizer que temos um Parlamento de pacotilha destinado a carimbar como legítimos actos e acções que a olho nu se mostram contrários às aspirações dos moçambicanos.

Os que aparecem defendendo pessoas como o senhor representante da tese dos imperativos, deputado Edson Macuácua, é claramente uma demonstração de posicionamento político contrário ao que os moçambicanos necessitam. Não se pode de maneira nenhuma acreditar que gente séria e imbuída no espírito de servir a nação e seu povo possa vir a público e defender que nada de mal se passa em instituições em que se verificam desvios equivalentes a milhões de dólares. Quando não há sensatez nem vergonha de dizer a verdade e quando representantes do povo ou gente eleita com esse objectivo para um órgão tão importante como o Parlamento, fica demonstrado que a situação é de facto muito precária e que as coisas estão entregues ao diabo.

Foi esta teimosia cúmplice que levou a que milhões de dólares fossem desviados do Ministério do Interior. Enquanto o descaminho acontecia, os governante visitavam o Parlamento e cantavam que tudo estava decorrendo conforme o preceituado e os deputados do partido no poder carimbavam tudo como perfeito. Jamais se questionou que fundos públicos estivessem sofrendo saques e que acções ilícitas estivessem sendo desenvolvidas. Os Ministério das Finanças, a Inspecção do Estado, o Ministério Público, o SISE, a própria Presidência do país jamais se questionaram sobre o que estava acontecendo. Os relatos de desvios que algumas vezes vinham a público através dos órgãos de comunicação social eram tratados como obra de opositores interessados em subverter as acções de um governo responsável e executando suas responsabilidades.

Agora, em virtude de alguma confrontação política no partido no poder, algumas coisas estão vindo a público e provocando a actuação dos órgãos de administração da justiça. A era dos intocáveis parece estar chegando ao fim.

É difícil compreender como é que gente como o porta-voz oficial da Frelimo consegue vir a público e apresentar versões dos factos que estão muito longe da verdade. Deve ser também intragável para ele dizer que tudo está sendo muito bem feito e que o governo do seu partido está cumprindo com o seu manifesto eleitoral. Mas a defesa de estratégias que ultrapassam a dignidade e a verticalidade de titulares de cargos públicos, não deixa que os moçambicanos se enganem mesmo que isso seja o que pretendam os defensores da tese do “tudo bom”.

Afinal o que se dizia sobre as fraudes e actuações à margem das leis nacionais, está ficando comprovado.

Os desfalques financeiros nas diversas instituições estatais são de tal dimensão que tornam impossível que os olhos se fechem. A tentativa de defesa ensaiada por certos círculos pertencentes ao partido no poder não engana ao observador minimamente atento. O que alguns possuidores de dotes de oratória pretendem dizer é por demais evidente. Mentir sobre factos tão claros é uma tarefa complicada. Os rombos e desfalques têm caracterizado a gestão pública nos últimos anos neste país. Durante a II república as transformações sócio-económicas aconteceram sob o signo da ilegalidade ou melhor dizendo, todo o processo de privatização do parque estatal económico, a gestão dos assuntos públicos foi feita de tal maneira que permitiu que gente associada ao poder do dia e que determinados governantes enriquecessem de modo ilícito. A arbitrariedade e a protecção pura e simples de actos ilícitos tornou-se cultura de um governo que não conseguiu aplicar os princípios da Boa Governação na sua acção quotidiana. Não havia interesse nem vontade politica de realizar as obrigações inerentes a governantes. O Parlamento eleito, a coberto de uma ditadura do voto colocou-se abertamente contra a responsabilização e a execução de seu papel fiscalizador da acção governamental.

Os procedimentos ilícitos, as actuações à margem das leis foram se acumulando e tanto do executivo como do legislativo não surgiam sinais de cometimento suficiente para fazer cumprir a lei.

As proclamações dos diversos porta-vozes foram se esvaziando de conteúdo pois quase sempre não correspondiam com a verdade dos factos.

Sem querer prognosticar com pessimismo o que acontecerá daqui para a frente, só podemos dizer que será extremamente difícil ao poder judicial repor a legalidade em todas as esferas da vida nacional.

Em condições normais, com a detenção de Manjenhe e outros funcionários do MINT, com a situação financeira dos Aeroportos de Moçambique e do INSS em causa, com as diversas acusações ou denúncias de gestão danosa por parte de secretários permanentes como o de Sofala que alegadamente utilizou fundos públicos para adquirir uma residência, o Ministro de Finanças de Moçambique deveria ter a coragem de colocar o seu lugar à disposição do Chefe do Estado. A Primeira-Ministra também deveria seguir o mesmo caminho. Todo o conjunto de irregularidades de domínio público e aquela que se supõe que terão acontecido em outros ministérios como o da Agricultura, tiveram lugar sob sua responsabilidade financeira. Se há suspeitas de uso indevido de fundos do Estado, os responsáveis por estes pelouros não reúnem condições de continuar a fazer parte de um Executivo que se quer livre de qualquer suspeita.

Mas sinceramente duvido que alguma digna de admiração pela verticalidade e honra que representam irá acontecer nas hostes do governo.

Não é cultura entre nus. E também poucos são os casos de verticalidade, honestidade e coerência que ultrapassem os limites da disciplina partidária e das estratégias desenhadas para manter o poder.

Pela tónica exibida na actual sessão do parlamento não veremos ninguém demitindo-se e muito menos sendo demitido do cargo por falta de desempenho quando os casos gritantes de assalto ao erário público aconteceram.

Os moçambicanos foram lesados e impedidos de verem projectos e programas executados por falta de fundos que foram desviados por governantes bem identificados.

Agora por exemplo ensaia-se a rescisão de um contrato importante de construção de estradas com uma empresa originária de um dos países doadores. Na verdade verifica-se uma resistência de aplicar o que está previsto em contrato e como sabemos de experiências do passado, a montanha é capaz de parir um rato mais uma vez. O telhado da escola secundaria da Manga, na Beira, desabou apenas por causa de um vento um pouco mais forte que o normal. O construtor não foi responsabilizado. Mais fundos vão ser drenados para repor aquela infraestrutura. O antigo ministro de Educação segundo os doadores atribui bolsas de estudo a filhos ou familiares seus. Que aconteceu ao ministro? Nada! Teve que repor os valores que ilicitamente usou? O desfecho do caso simplesmente não é de domínio público.

Assim vai uma república que se proclama que é normal. Assim vai o país que o porta-voz do partido dos “imperativos nacionais” não se cansa de elogiar. Afinal é do elogio e defesa, mesmo que inconsistente e sem qualquer valor, que depende a manutenção de cargos exercidos à custa da mediocridade conceptual e da ausência de uma moral e espírito patriótico por demais exibidos e conhecidos. É este o país que nos dizem que está a ser bem governado!
 
(Noé Nhantumbo)
2008-10-14 06:03:00
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Portugal: Acidente de Camarate, Freitas do Amaral Acusado de não ter reagido "à Inércia da Polícia" (Ano 2008)


FREITAS DO AMARAL REJEITA RESPONSABILIDADE NO FALHANÇO DO INQUÉRITO AO CASO CAMARATE
  
O ex-procurador geral da República Cunha Rodrigues escreveu em 1995 uma carta a Freitas do Amaral acusando-o de não ter reagido "à inércia da polícia" na investigação do caso Camarate, revela o professor de Direito nas suas memórias políticas.

No segundo volume das memórias políticas, "A Transição para a Democracia", que será posto à venda na segunda-feira, o ex-líder do CDS revela que Cunha Rodrigues o acusou, em carta particular datada de Novembro de 1995, de não ter exercido os poderes de tutela e fiscalização de que dispunha como primeiro-ministro interino para esclarecer as mortes de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa.

"(...) Como é possível não ter Vossa Excelência reagido à inércia da Polícia, pelo menos quando, como membro do Governo e vice-primeiro-ministro, dispunha de poderes de tutela e fiscalização para o fazer", questionou Cunha Rodrigues.

"Começa por ser curioso... e muito significativo", escreve Freitas, "que o então procurador-geral se preocupasse tanto com o que chamava «a inércia da Polícia» (referia-se, sem o dizer, à Polícia Judiciária), quando toda a correspondência trocada entre mim e ele, em 1995, visava tanto a Polícia Judiciária como a inércia e a má condução do processo por parte do Ministério Público".

Freitas, que descreve Cunha Rodrigues como o "grande acusador", nega que tivesse os poderes que o ex-Procurador lhe atribuía, e lembra que não teve conhecimento nem é da sua responsabilidade o desaparecimento de um telegrama enviado de Londres pela Scotland Yard em que o Governo português era alertado para a possibilidade de ter havido um atentado em Camarate.

"De tudo isso só vim a saber quando, em 1995 (quase 15 anos após o acidente de Camarate), pude consultar o processo, no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, onde fui ouvido (pela primeira e única vez) em 6 e 11 de Julho de 1995. Como podia eu «reagir contra a inércia da Polícia», como vice-primeiro-ministro, se só dela tive conhecimento 12 anos após ter deixado o Governo?", questiona Freitas.

O ex-líder do CDS detalha no livro o seu relacionamento muito próximo com Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa (a quem tentou convencer a suceder-lhe na liderança do CDS) e confirma uma história já conhecida: a de que Manuela Eanes, mulher do então presidente da República, "boicotou" a presença de Snu Abecassis, companheira do primeiro-ministro, em diversos actos oficiais por estar em desacordo com a situação conjugal do casal.

Lusa, 18 de Outubro de 2008

20 de setembro de 2026

República de Moçambique: Em Maputo, Lula da Silva Rende Homenagem aos Heróis que Libertaram Moçambique da Colonização Portuguesa (Ano 2008)


O presidente brasileiro, Luís Inacio Lula da Silva, homenageou na tarde da quinta-feira, em Maputo, os heróis que libertaram Moçambique da colonização portuguesa, um acto que também serviu para ele manter contacto com a população.
 
Com efeito, Lula da Silva, depois de ter escalado a cripta da Praça dos Heróis moçambicanos, não resistiu ao calor da população que o aguardava, exibindo alguns números da cultura moçambicana.

É o caso do cântico executado ao mesmo tempo com a timbila, património mundial da humanidade, e batuques do grupo cultural do Conselho Municipal da Cidade de Maputo.

Lula da Silva, que chegou às primeiras horas da manhã de quinta-feira, a Maputo, não teve a recepção que geralmente é concedida aos mais altos dignitários mundiais no ponto da chegada.

Na Praça dos Heróis, o estadista brasileiro abraçou e conversou com a população que acorreu ao local.

“Que classe estudas?”, perguntava o Presidente brasileiro, cumprimentando os alunos que se deslocaram à praça para o receber.

“Todos vocês estão na sétima classe?”, interrogou Lula da Silva, pelo facto de a maioria dos estudantes terem assim respondido. Aparentemente, a maioria destes alunos vinha de uma escola próxima que lecciona o Ensino Primário do Primeiro e Segundo Graus.

Estes alunos demonstraram que acompanham um pouco das maravilhas que o Brasil proporciona ao mundo.

“Eu conheço Ronaldinho. Ele é um jogador cabeludo”, respondeu ao Presidente Lula da Silva um dos alunos que aparentava ter entre dez e doze anos.

Na Praça dos Heróis Lula fazia-se acompanhar pelo Ministro moçambicano da Saúde, Ivo Garrido, Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Eneas Comiche, e pela governadora da cidade de Maputo, Rosa da Silva.


Maputo, Sábado, 18 de Outubro de 2008:: Notícias 

Portugal: Soares Tentou Levar os Comunistas Para a Coligação Entre PS e CDS (Ano 2008)


No segundo volume das suas memórias políticas - Transição para a Democracia é o título - que será colocado à venda amanhã, Freitas do Amaral revela que Mário Soares quis incluir o PCP no acordo que em 1978 levou ao CDS ao poder em coligação com os socialistas.

A ideia do fundador do PS só não foi para a frente devido à feroz oposição do CDS. "Nós não podemos aceitar qualquer compromisso vosso [dos socialistas] com o PCP. Já é difícil, para muitas bases do CDS, engolir um acordo com o PS; agora com o PS e com o PCP, é impossível", argumentou Freitas.

O Governo PS/CDS acabaria por cair no Verão de 1978, vítima das suas próprias contradições ideológicas, com Freitas do Amaral a queixar-se de que os socialistas "só concediam uma parcela mínima de partilha do Poder".

Nas suas memórias, o ex-líder do CDS afirma que a agitação comunista, que incluiu "uma lavagem ao cérebro dos portugueses" através dos órgãos de Comunicação Social, acabou por se virar contra o PCP, possibilitando a vitória daquilo que classifica como "o Bloco democrático", que incluía o PS, PSD, CDS, a Igreja Católica, a Confederação dos Agricultores Portugueses e os militares "adeptos de um regime democrático autêntico", nomeadamente o chamado "Grupo dos Nove", em que pontificava Melo Antunes.

"O sentimento anticomunista, em regra privativo da direita, penetrou até ao âmago do Partido Socialista, cuja ala mais à esquerda (Lopes Cardoso, Manuel Alegre e tantos outros) não poupou, então, críticas ao PCP, denunciando a sua tentativa de tomada do poder por via insurrecional", conta Freitas.

Foi a convicção de que o Bloco Democrático acabaria por sair vitorioso da batalha com os comunistas que levou Freitas a conduzir o CDS à aliança com o PS de Mário Soares em finais de 1978, na sequência da queda do I Governo Constitucional.
 
 
Diário de Notícias 2008-10-19 

Portugal: Álvaro Cunhal Fez Mais Anticomunistas em 1975 que Salazar em 40 Anos (Ano 2008)


Pela forma como actuou em 1975, o líder histórico do PCP Álvaro Cunhal «fez mais anticomunistas em Portugal num ano do que Salazar» em quatro décadas, afirma Freitas do Amaral, no segundo volume das suas memórias políticas.

«Os comunistas são de facto perigosíssimos. Quem os conhecia bem era o Salazar. Mas Álvaro Cunhal, pela forma como actuou em 1975, fez mais anticomunistas em Portugal num ano do que Salazar com a sua propaganda anticomunista em 40 anos», escreve o Professor de Direito e ex-ministro de Estado do Governo de José Sócrates, citando o antigo presidente do PS António Macedo.

No volume «Transição para a Democracia», que será colocado à venda na próxima segunda-feira, Freitas acusa o PCP de ter querido impor em Portugal um regime de «inspiração e modelo comunista», mas com muito folclore e anarquia pelo meio« e revela que Mário Soares quis incluir o PCP no acordo que em 1978 levou ao CDS ao poder em coligação com os socialistas.

O ex-líder do CDS considera que a agitação comunista, que incluiu »uma lavagem ao cérebro dos portugueses« através dos órgãos de Comunicação Social, acabou por se virar contra o PCP, possibilitando a vitória daquilo que classifica como »o Bloco democrático«, que incluía o PS, PSD, CDS, a Igreja Católica, a Confederação dos Agricultores Portugueses e os militares »adeptos de um regime democrático autêntico«, nomeadamente o chamado »Grupo dos Nove«, onde pontificava Melo Antunes.

«O sentimento anticomunista, em regra privativo da direita, penetrou até ao âmago do Partido Socialista, cuja ala mais à esquerda (Lopes Cardoso, Manuel Alegre e tantos outros) não poupou, então, críticas ao PCP, denunciando a sua tentativa de tomada do poder por via insurreccional», conta Freitas.

Foi a convicção de que o Bloco Democrático acabaria por sair vitorioso da batalha com os comunistas que levou Freitas do Amaral a conduzir o CDS a uma aliança com o PS de Mário Soares em finais de 1978, na sequência da queda do I Governo Constitucional.

O acordo entre os dois partidos foi proposto por Mário Soares, que, revela agora Freitas, queria incluir o PCP num «compromisso social de mera incidência parlamentar».

A ideia do fundador do PS só não foi para a frente devido à feroz oposição do CDS. «Nós não podemos aceitar qualquer compromisso vosso [dos socialistas] com o PCP. Já é difícil, para muitas bases do CDS, engolir um acordo com o PS; agora com o PS e com o PCP, é impossível», argumentou Freitas.

O Governo PS/CDS acabaria por cair no Verão de 1978, vítima das suas próprias contradições ideológicas, com Freitas do Amaral a queixar-se de que os socialistas «só concediam uma parcela mínima de partilha do Poder».

No livro, Freitas do Amaral conta pela primeira vez aquilo que considera ser «uma conversa extraordinária» que manteve com o presidente do PS, Almeida Santos, nos dias que antecederam a ruptura da coligação.

Na sua versão, Almeida Santos terá proposto que a coligação se prolongasse até 1980. «E, aí, o PS e o CDS, ambos no Governo, apoiariam conjuntamente a candidatura do Mário Soares à Presidência da República. Ele seria eleito com a maior facilidade; o Eanes talvez nem se recandidatasse. Com o Mário eleito, o Prof. Freitas do Amaral seria por ele nomeado Primeiro-Ministro e chefiaria por quatro anos, pelo menos, um governo baseado numa coligação formal PS-CDS».

Freitas do Amaral conta que rejeitou a proposta imediatamente. Mas 30 anos depois considera que se sentiu lisonjeado «e honrado» com a proposta de Almeida Santos, e que continua sem saber se terá feito bem «em recusar aquela proposta extraordinária».

A ruptura com os socialistas acabaria mesmo por acontecer, «empurrando» o CDS para uma coligação com o PSD de Francisco Sá Carneiro, a Aliança Democrática, que acabaria por triunfar nas eleições legislativas de Dezembro de 1979. Freitas do Amaral acabaria como vice-primeiro-ministro de Sá Carneiro, um homem que, considera, «ultrapassou-se a si próprio» quando foi chamado a governar o país.
 

Diário Digital / Lusa 2008-10-18

África do Sul: A Nível Provincial, Dissidentes do ANC Juntam-se à Oposição (Ano 2008)


Vinte e um militantes do Congresso Nacional Africano (ANC) que estão insatisfeitos com a forma como o partido no poder está a ser liderado juntaram-se ao maior partido da oposição (a Aliança Democrática, AD), na província do Limpopo.

O porta-voz da AD naquela província, Laban Malatii, revelou ontem que alguns dos dissidentes que decidiram se aliar à oposição ocupavam cargos de liderança na estrutura provincial do ANC, embora alguns sejam militantes de base do partido de Jacob Zuma.

“Posso anunciar que estamos em vias de abrir delegações da Aliança Democrática nos distritos de Thabazimbi e Waterberg em face do grande número de militantes do ANC que se estão a juntar a nós na província”, revelou Malatii.

Outras forças da oposição, como a Organização dos Povos da Azânia (AZAPO), o Congresso Pan-Africanista (PAC) e o Movimento Democrático Unido (UDM), anunciaram estar a acolher antigos militantes do ANC que estão a abandonar o movimento em consequência dos métodos empregues para demitir o ex-presidente Thabo Mbeki e da suspensão e afastamento voluntário de quadros superiores descontentes com a liderança, como o ex-ministro da Defesa Mosioua Lekota e o ex-“premier” de Gauteng, Mbamzima Shiloua.

Estes dois últimos anunciaram a realização, no próximo mês de Novembro, de uma “convenção nacional” destinada a formalizar a criação de uma nova força política composta à partida por dissidentes do ANC.

O ex-presidente Thabo Mbeki, que está neste momento no Zimbabwe a actuar como mediador, mandatado pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), entre a ZANU-FP e as duas facções do MDC na fase de formação do governo de unidade nacional daquele país, ainda não se pronunciou sobre o seu futuro político.

Enquanto vários quadros provinciais do ANC agora dissidentes, como Sydney Monyela, secretário da delegação de Lsholong, em Phalaborwa, Limpopo, garantem encabeçar um vasto contingente de militantes do ANC “fartos da forma pouco democrática como o partido está a ser gerido”, outros no seio do ANC desmentem que as cisões sejam profundas e que a situação está a ser empolada pelos partidos da oposição e pela comunicação social.

“A comunicação social está a cair na armadilha montada pela oposição, posso afirmar que ainda não recebi qualquer pedido de demissão na minha província”, garantiu ontem Ishmael Kgtjepe, porta-voz do ANC na província do Limpopo.

Maputo, Sábado, 18 de Outubro de 2008:: Notícias

5 de setembro de 2026

República de Moçambique: Acidente de Mbuzini - Paul Fauvet Contraria Hans Louw (Ano 2008)


Paul Fauvet contraria Hans Louw...
…e diz que Tupolev em que viajava Samora Machel era para ser abatido na Swazilândia

Hans Louw volta a ser contrariado, a respeito do acidente de aviação de Mbuzini em que perdeu a vida o Presidente Samora Machel. Mas desta vez Louw não tem pela frente os factos, mas antes uma afirmação a todos os títulos sensacionalista de que o Tupolev presidencial era para ser desviado para a Swazilândia onde seria abatido. Quem assim especula é Paul Fauvet, editor dos serviços de língua inglesa da AIM, agência de notícias de carácter oficioso, directamente dependente do Gabinete de Informação (GABINFO), que por seu turno depende directamente do Gabinete da Primeira-Ministra.

A edição de ontem do jornal swazi, «Times of Swaziland», refere que “Paul Fauvet, jornalista há muito a trabalhar para a Agência de Informação de Moçambique (AIM), recentemente defendeu a teoria de que o plano original dos assassinos de Machel era o de desviar o avião para a Suazilândia onde seria abatido por um míssil, e depois a responsabilidade atribuída à Renamo.”

Tanto Fauvet, há muito envolvido com a Frelimo, como Hans Louw assentam a sua teoria na existência de um VOR falso, algo que ficou demonstrado pelos peritos que investigaram o acidente de aviação como não tendo qualquer fundamento. O Tupolev transportando o Presidente Samora Machel colidiu contras os Montes Libombos em Mbuzini pelo facto dos pilotos terem desrespeitado instruções precisas dadas pela Torre de Controlo do Aeroporto Internacional de Maputo, descendo abaixo da altitude mínima de segurança que lhes havia sido atribuída, com o intuito de efectuarem uma aterragem visual à noite e com alguma nebulosidade mas sem terem contacto com o terreno, para além de haverem ignorado o aviso sonoro fornecido pelo Sistema de Aviso de Proximidade do Solo (GPWS) e que foi escutado no interior da cabine de comandos do Tupolev durante 32 segundos.

Por norma, ao ser accionado o GPWS, os pilotos devem de imediato abortar uma descida e, com os motores a trabalhar a uma potência idêntica à da descolagem, fazer o avião subir a uma altitude de segurança.

A nova teoria de Paul Fauvet vem juntar-se a uma outra desde sempre por ele defendida, segundo a qual os radares da Força Aérea Sul-Africana, instalados em Mariepskop, não alertaram a tripulação do Tupolev de que o avião estava a desviar-se da rota. De acordo com Fauvet, a estação de radar de Mariepskop poderia ter evitado o acidente, pois havia seguido o trajecto do Tupolev presidencial desde o Zimbabwe, mas não avisou a tripulação russa de que, ao entrar no espaço aéreo moçambicano, viria a alterar a rota em direcção a Mbuzini, em território sul-africano.

A teoria do editor do serviço de língua inglesa da AIM é igualmente infundada se se considerar que a estação de radar de Mariepskop tem a função de detectar violações do espaço aéreo. Martizkop não é uma estação de controlo de tráfego aéreo. De salientar que o voo em causa decorria dentro do espaço aéreo moçambicano em relação ao qual a referida estação não tinha qualquer jurisdição. Em princípio, caberia às estações de radar de controlo de tráfego aéreo moçambicanas alertar a tripulação do Tupolev, tanto mais que se tratava de uma aeronave que transportava o Chefe de Estado do país.

O procedimento a seguir pela estação de Mariepskop, uma vez detectada uma violação do espaço aéreo, é informar o comando da Força Aérea Sul-africana, a quem cabe a responsabilidade de ordenar a intercepção da aeronave ou aeronaves transgressoras.

Saliente-se o Tupolev presidencial apenas “violou” o espaço aéreo sul-africano numa distância de 150 metros e quando já voava a uma altitude que não era detectável pela estação de radar de Mariepskop.


(Redacção / Times of Swaziland / AIM)

2008-10-21 07:06:00

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República de Moçambique: Samora Terá Sido Assassinado - Crença de Graça Machel (Ano 2008)


A viúva do primeiro Presidente moçambicano, Graça Machel, diz que tem mais evidencias agora de que o seu marido terá sido assassinado, dado que, segundo ela, conseguiu falar já telefonicamente com alguém que diz ter estado em Mbuzini com a missão de “abater” o avião em que viajava Samora Moisés Machel, “caso falhasse o Plano A do assassinato”.
 
Samora Machel morreu num trágico acidente de aviação, ocorrido a 19 de Outubro de 1986, na localidade sul-africana de Mbuzini, junto à fronteira entre Moçambique e a África do Sul, quando regressava da Zâmbia numa missão de paz para a região. Na ocasião, outros 33 cidadãos, entre nacionais e estrangeiros, também perderam a vida.

Em declarações que fez à Televisão de Moçambique (TVM), por ocasião da passagem domingo do 22º aniversário da morte trágica de Samora Machel, Graça Machel disse que já há pessoas que sabem (das circunstâncias da morte de Machel), mas o que falta é elas aceitarem que sejam testemunhas em tribunal.

“Este é que é o problema, (porque) sem evidências não pode haver julgamento”, afirmou, acrescentando que “não é difícil ir ao fundo da verdade, (mas) o problema é encontrar alguém disposto a testemunhar em tribunal”.

Graça Machel voltou a reiterar que não vai descansar enquanto não forem esclarecidas as circunstâncias da morte de Samora Machel.

Como sempre quando fala da morte trágica do seu marido, Graça Machel vincou, uma vez mais com muita emoção, que “22 anos depois do assassinato, não se sabe o que aconteceu com ele”, acrescentando que “Samora tinha muito boa saúde”.

“Ele era rijo, com 53 anos”, vincou visivelmente amargurada, para depois acrescentar que “ainda hoje, quando nos sentamos à volta da mesa, falta aquela gargalhada”. “As pessoas não pensam nisso", referiu, insistindo que ao menos se a família soubesse o que aconteceu com o seu ente querido.

Em comunicado de Imprensa emitido por ocasião de 19 de Outubro, a Presidência da República reafirma a determinação do Estado Moçambicano em utilizar todos os meios necessários para o esclarecimento definitivo das circunstâncias em que ocorreu aquele sinistro.

“A descoberta da verdade sobre a morte do Presidente Samora Moisés Machel foi e continua a ser uma prioridade da Nação Moçambicana”, lê-se no comunicado.


SEGUIR SEUS IDEAIS É PROMOVER DESENVOLVIMENTO
 
 
O legado deixado por Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique independente, permite que o seu povo avance na promoção do desenvolvimento económico e social. Machel incutiu em cada moçambicano o espírito de unidade nacional e os nobres ideais de paz, segundo disse ontem, na Beira, António Máquina, Secretário Permanente da província de Sofala.

Falando na praça dos heróis moçambicanos, tal como outros dirigentes que desfilaram para falar da vida e obra de Samora Machel, o secretário permanente de Sofala destacou a educação que foi amplamente defendida pelo Marechal.

Para Máquina, um dos grandes desafios de Samora Machel foi libertar o povo e a pátria e, em seguida, defender a soberania. “Ele decidiu que se deve fazer da educação a base para o povo tomar o poder, e sabia que não se deve fazer o desenvolvimento sem a educação”, sublinhou Máquina.

O Secretário Permanente de Sofala, que anunciou um vasto leque de ensinamentos de Samora, disse ainda que o falecido estadista promoveu a alfabetização para permitir que as pessoas que não tiveram oportunidade de estudar devido à acção dos colonialistas o fizessem permitindo a sua participação no desenvolvimento do país.

Por seu turno, Cremilda Sabino, representante do Estado na cidade da Beira, também dissertou sobre os vários feitos de Samora Machel, os quais classificou de imensuráveis, para além de defender o seguimento do seu legado. Apelou à população no sentido de lutar para vencer os desafios do futuro, entre os quais a luta contra a pobreza, que inclui o combate às doenças endémicas.

Alexandre Vasco, representante do presidente do município da Beira, aproveitou a oportunidade para exigir ao Governo para acelerar a investigação com vista a apurarem-se as causas da morte do Presidente Samora Machel e indicar os mandantes do seu  assassinato. Disse que depois de se conhecerem os resultados desta investigação, os responsáveis devem ser levados ao Tribunal para serem severamente castigados de acordo com as leis existentes no país.


ERA INCORRUPTÍVEL
 
 
Samora Machel foi um líder bastante impermeável  para actos ilícitos. Segundo Eneas Comiche, membro da Comissão Política da Frelimo que dirigiu a homenagem ao primeiro Presidente da República moçambicano, Samora era incorruptível e todos erros ou irregularidades cometidos por agentes do Governo eram repreendidos publica e imediatamente, pois para ele não havia nada a esconder.

De acordo com aquele responsável do partido no poder, o primeiro presidente do Estado Moçambicano foi um  visionário cuja vitalidade e determinação eram atingir uma independência total e completa do país, não só das sequelas do colonialismo português, mas sobretudo  erguer-se do subdesenvolvimento.

“O combate à pobreza absoluta, tarefa que a Frelimo persegue, foi identificado pelos primeiros líderes do país. O Plano Prospectivo  Indicativo (PPI) foi desenhado para liquidar a pobreza”, esclareceu Comiche para quem todas acções em curso na implementação da estratégia da “revolução verde” bem como na política de atribuição de sete milhões de meticais para gestão a nível do distrito inserem-se no sonho da Frelimo cujos líderes sempre se preocuparam com o bem-estar de todos moçambicanos, havendo por isso necessidade de todos, principalmente jovens, se inspirarem nos ideais de Samora para a concretização dos seus objectivos.

Comiche elogiou a Imprensa  no papel que desempenha para o resgate da história do país, ao passar mensagens  dos acontecimentos que marcaram a construção do Estado Moçambicano situação que, segundo disse, contribui para a educação intelectual das novas gerações, bem como na  imortalização da história de um povo. Eneas Comiche, que é também presidente do Conselho Município da capital do país, trabalhou na província de Inhambane na qualidade de membro da Comissão Política da Frelimo e visitou  alguns locais na cidade de Inhambane. Aqui participou no concorrido comício popular orientado pelo Governador da província, Itae Meque, realizado junto à Praça dos Heróis.

Maputo, Terça-Feira, 21 de Outubro de 2008:: Notícias