20 de setembro de 2026

República de Moçambique: Em Maputo, Lula da Silva Rende Homenagem aos Heróis que Libertaram Moçambique da Colonização Portuguesa (Ano 2008)


O presidente brasileiro, Luís Inacio Lula da Silva, homenageou na tarde da quinta-feira, em Maputo, os heróis que libertaram Moçambique da colonização portuguesa, um acto que também serviu para ele manter contacto com a população.
 
Com efeito, Lula da Silva, depois de ter escalado a cripta da Praça dos Heróis moçambicanos, não resistiu ao calor da população que o aguardava, exibindo alguns números da cultura moçambicana.

É o caso do cântico executado ao mesmo tempo com a timbila, património mundial da humanidade, e batuques do grupo cultural do Conselho Municipal da Cidade de Maputo.

Lula da Silva, que chegou às primeiras horas da manhã de quinta-feira, a Maputo, não teve a recepção que geralmente é concedida aos mais altos dignitários mundiais no ponto da chegada.

Na Praça dos Heróis, o estadista brasileiro abraçou e conversou com a população que acorreu ao local.

“Que classe estudas?”, perguntava o Presidente brasileiro, cumprimentando os alunos que se deslocaram à praça para o receber.

“Todos vocês estão na sétima classe?”, interrogou Lula da Silva, pelo facto de a maioria dos estudantes terem assim respondido. Aparentemente, a maioria destes alunos vinha de uma escola próxima que lecciona o Ensino Primário do Primeiro e Segundo Graus.

Estes alunos demonstraram que acompanham um pouco das maravilhas que o Brasil proporciona ao mundo.

“Eu conheço Ronaldinho. Ele é um jogador cabeludo”, respondeu ao Presidente Lula da Silva um dos alunos que aparentava ter entre dez e doze anos.

Na Praça dos Heróis Lula fazia-se acompanhar pelo Ministro moçambicano da Saúde, Ivo Garrido, Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Maputo, Eneas Comiche, e pela governadora da cidade de Maputo, Rosa da Silva.


Maputo, Sábado, 18 de Outubro de 2008:: Notícias 

Portugal: Soares Tentou Levar os Comunistas Para a Coligação Entre PS e CDS (Ano 2008)


No segundo volume das suas memórias políticas - Transição para a Democracia é o título - que será colocado à venda amanhã, Freitas do Amaral revela que Mário Soares quis incluir o PCP no acordo que em 1978 levou ao CDS ao poder em coligação com os socialistas.

A ideia do fundador do PS só não foi para a frente devido à feroz oposição do CDS. "Nós não podemos aceitar qualquer compromisso vosso [dos socialistas] com o PCP. Já é difícil, para muitas bases do CDS, engolir um acordo com o PS; agora com o PS e com o PCP, é impossível", argumentou Freitas.

O Governo PS/CDS acabaria por cair no Verão de 1978, vítima das suas próprias contradições ideológicas, com Freitas do Amaral a queixar-se de que os socialistas "só concediam uma parcela mínima de partilha do Poder".

Nas suas memórias, o ex-líder do CDS afirma que a agitação comunista, que incluiu "uma lavagem ao cérebro dos portugueses" através dos órgãos de Comunicação Social, acabou por se virar contra o PCP, possibilitando a vitória daquilo que classifica como "o Bloco democrático", que incluía o PS, PSD, CDS, a Igreja Católica, a Confederação dos Agricultores Portugueses e os militares "adeptos de um regime democrático autêntico", nomeadamente o chamado "Grupo dos Nove", em que pontificava Melo Antunes.

"O sentimento anticomunista, em regra privativo da direita, penetrou até ao âmago do Partido Socialista, cuja ala mais à esquerda (Lopes Cardoso, Manuel Alegre e tantos outros) não poupou, então, críticas ao PCP, denunciando a sua tentativa de tomada do poder por via insurrecional", conta Freitas.

Foi a convicção de que o Bloco Democrático acabaria por sair vitorioso da batalha com os comunistas que levou Freitas a conduzir o CDS à aliança com o PS de Mário Soares em finais de 1978, na sequência da queda do I Governo Constitucional.
 
 
Diário de Notícias 2008-10-19 

Portugal: Álvaro Cunhal Fez Mais Anticomunistas em 1975 que Salazar em 40 Anos (Ano 2008)


Pela forma como actuou em 1975, o líder histórico do PCP Álvaro Cunhal «fez mais anticomunistas em Portugal num ano do que Salazar» em quatro décadas, afirma Freitas do Amaral, no segundo volume das suas memórias políticas.

«Os comunistas são de facto perigosíssimos. Quem os conhecia bem era o Salazar. Mas Álvaro Cunhal, pela forma como actuou em 1975, fez mais anticomunistas em Portugal num ano do que Salazar com a sua propaganda anticomunista em 40 anos», escreve o Professor de Direito e ex-ministro de Estado do Governo de José Sócrates, citando o antigo presidente do PS António Macedo.

No volume «Transição para a Democracia», que será colocado à venda na próxima segunda-feira, Freitas acusa o PCP de ter querido impor em Portugal um regime de «inspiração e modelo comunista», mas com muito folclore e anarquia pelo meio« e revela que Mário Soares quis incluir o PCP no acordo que em 1978 levou ao CDS ao poder em coligação com os socialistas.

O ex-líder do CDS considera que a agitação comunista, que incluiu »uma lavagem ao cérebro dos portugueses« através dos órgãos de Comunicação Social, acabou por se virar contra o PCP, possibilitando a vitória daquilo que classifica como »o Bloco democrático«, que incluía o PS, PSD, CDS, a Igreja Católica, a Confederação dos Agricultores Portugueses e os militares »adeptos de um regime democrático autêntico«, nomeadamente o chamado »Grupo dos Nove«, onde pontificava Melo Antunes.

«O sentimento anticomunista, em regra privativo da direita, penetrou até ao âmago do Partido Socialista, cuja ala mais à esquerda (Lopes Cardoso, Manuel Alegre e tantos outros) não poupou, então, críticas ao PCP, denunciando a sua tentativa de tomada do poder por via insurreccional», conta Freitas.

Foi a convicção de que o Bloco Democrático acabaria por sair vitorioso da batalha com os comunistas que levou Freitas do Amaral a conduzir o CDS a uma aliança com o PS de Mário Soares em finais de 1978, na sequência da queda do I Governo Constitucional.

O acordo entre os dois partidos foi proposto por Mário Soares, que, revela agora Freitas, queria incluir o PCP num «compromisso social de mera incidência parlamentar».

A ideia do fundador do PS só não foi para a frente devido à feroz oposição do CDS. «Nós não podemos aceitar qualquer compromisso vosso [dos socialistas] com o PCP. Já é difícil, para muitas bases do CDS, engolir um acordo com o PS; agora com o PS e com o PCP, é impossível», argumentou Freitas.

O Governo PS/CDS acabaria por cair no Verão de 1978, vítima das suas próprias contradições ideológicas, com Freitas do Amaral a queixar-se de que os socialistas «só concediam uma parcela mínima de partilha do Poder».

No livro, Freitas do Amaral conta pela primeira vez aquilo que considera ser «uma conversa extraordinária» que manteve com o presidente do PS, Almeida Santos, nos dias que antecederam a ruptura da coligação.

Na sua versão, Almeida Santos terá proposto que a coligação se prolongasse até 1980. «E, aí, o PS e o CDS, ambos no Governo, apoiariam conjuntamente a candidatura do Mário Soares à Presidência da República. Ele seria eleito com a maior facilidade; o Eanes talvez nem se recandidatasse. Com o Mário eleito, o Prof. Freitas do Amaral seria por ele nomeado Primeiro-Ministro e chefiaria por quatro anos, pelo menos, um governo baseado numa coligação formal PS-CDS».

Freitas do Amaral conta que rejeitou a proposta imediatamente. Mas 30 anos depois considera que se sentiu lisonjeado «e honrado» com a proposta de Almeida Santos, e que continua sem saber se terá feito bem «em recusar aquela proposta extraordinária».

A ruptura com os socialistas acabaria mesmo por acontecer, «empurrando» o CDS para uma coligação com o PSD de Francisco Sá Carneiro, a Aliança Democrática, que acabaria por triunfar nas eleições legislativas de Dezembro de 1979. Freitas do Amaral acabaria como vice-primeiro-ministro de Sá Carneiro, um homem que, considera, «ultrapassou-se a si próprio» quando foi chamado a governar o país.
 

Diário Digital / Lusa 2008-10-18

África do Sul: A Nível Provincial, Dissidentes do ANC Juntam-se à Oposição (Ano 2008)


Vinte e um militantes do Congresso Nacional Africano (ANC) que estão insatisfeitos com a forma como o partido no poder está a ser liderado juntaram-se ao maior partido da oposição (a Aliança Democrática, AD), na província do Limpopo.

O porta-voz da AD naquela província, Laban Malatii, revelou ontem que alguns dos dissidentes que decidiram se aliar à oposição ocupavam cargos de liderança na estrutura provincial do ANC, embora alguns sejam militantes de base do partido de Jacob Zuma.

“Posso anunciar que estamos em vias de abrir delegações da Aliança Democrática nos distritos de Thabazimbi e Waterberg em face do grande número de militantes do ANC que se estão a juntar a nós na província”, revelou Malatii.

Outras forças da oposição, como a Organização dos Povos da Azânia (AZAPO), o Congresso Pan-Africanista (PAC) e o Movimento Democrático Unido (UDM), anunciaram estar a acolher antigos militantes do ANC que estão a abandonar o movimento em consequência dos métodos empregues para demitir o ex-presidente Thabo Mbeki e da suspensão e afastamento voluntário de quadros superiores descontentes com a liderança, como o ex-ministro da Defesa Mosioua Lekota e o ex-“premier” de Gauteng, Mbamzima Shiloua.

Estes dois últimos anunciaram a realização, no próximo mês de Novembro, de uma “convenção nacional” destinada a formalizar a criação de uma nova força política composta à partida por dissidentes do ANC.

O ex-presidente Thabo Mbeki, que está neste momento no Zimbabwe a actuar como mediador, mandatado pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), entre a ZANU-FP e as duas facções do MDC na fase de formação do governo de unidade nacional daquele país, ainda não se pronunciou sobre o seu futuro político.

Enquanto vários quadros provinciais do ANC agora dissidentes, como Sydney Monyela, secretário da delegação de Lsholong, em Phalaborwa, Limpopo, garantem encabeçar um vasto contingente de militantes do ANC “fartos da forma pouco democrática como o partido está a ser gerido”, outros no seio do ANC desmentem que as cisões sejam profundas e que a situação está a ser empolada pelos partidos da oposição e pela comunicação social.

“A comunicação social está a cair na armadilha montada pela oposição, posso afirmar que ainda não recebi qualquer pedido de demissão na minha província”, garantiu ontem Ishmael Kgtjepe, porta-voz do ANC na província do Limpopo.

Maputo, Sábado, 18 de Outubro de 2008:: Notícias

5 de setembro de 2026

República de Moçambique: Acidente de Mbuzini - Paul Fauvet Contraria Hans Louw (Ano 2008)


Paul Fauvet contraria Hans Louw...
…e diz que Tupolev em que viajava Samora Machel era para ser abatido na Swazilândia

Hans Louw volta a ser contrariado, a respeito do acidente de aviação de Mbuzini em que perdeu a vida o Presidente Samora Machel. Mas desta vez Louw não tem pela frente os factos, mas antes uma afirmação a todos os títulos sensacionalista de que o Tupolev presidencial era para ser desviado para a Swazilândia onde seria abatido. Quem assim especula é Paul Fauvet, editor dos serviços de língua inglesa da AIM, agência de notícias de carácter oficioso, directamente dependente do Gabinete de Informação (GABINFO), que por seu turno depende directamente do Gabinete da Primeira-Ministra.

A edição de ontem do jornal swazi, «Times of Swaziland», refere que “Paul Fauvet, jornalista há muito a trabalhar para a Agência de Informação de Moçambique (AIM), recentemente defendeu a teoria de que o plano original dos assassinos de Machel era o de desviar o avião para a Suazilândia onde seria abatido por um míssil, e depois a responsabilidade atribuída à Renamo.”

Tanto Fauvet, há muito envolvido com a Frelimo, como Hans Louw assentam a sua teoria na existência de um VOR falso, algo que ficou demonstrado pelos peritos que investigaram o acidente de aviação como não tendo qualquer fundamento. O Tupolev transportando o Presidente Samora Machel colidiu contras os Montes Libombos em Mbuzini pelo facto dos pilotos terem desrespeitado instruções precisas dadas pela Torre de Controlo do Aeroporto Internacional de Maputo, descendo abaixo da altitude mínima de segurança que lhes havia sido atribuída, com o intuito de efectuarem uma aterragem visual à noite e com alguma nebulosidade mas sem terem contacto com o terreno, para além de haverem ignorado o aviso sonoro fornecido pelo Sistema de Aviso de Proximidade do Solo (GPWS) e que foi escutado no interior da cabine de comandos do Tupolev durante 32 segundos.

Por norma, ao ser accionado o GPWS, os pilotos devem de imediato abortar uma descida e, com os motores a trabalhar a uma potência idêntica à da descolagem, fazer o avião subir a uma altitude de segurança.

A nova teoria de Paul Fauvet vem juntar-se a uma outra desde sempre por ele defendida, segundo a qual os radares da Força Aérea Sul-Africana, instalados em Mariepskop, não alertaram a tripulação do Tupolev de que o avião estava a desviar-se da rota. De acordo com Fauvet, a estação de radar de Mariepskop poderia ter evitado o acidente, pois havia seguido o trajecto do Tupolev presidencial desde o Zimbabwe, mas não avisou a tripulação russa de que, ao entrar no espaço aéreo moçambicano, viria a alterar a rota em direcção a Mbuzini, em território sul-africano.

A teoria do editor do serviço de língua inglesa da AIM é igualmente infundada se se considerar que a estação de radar de Mariepskop tem a função de detectar violações do espaço aéreo. Martizkop não é uma estação de controlo de tráfego aéreo. De salientar que o voo em causa decorria dentro do espaço aéreo moçambicano em relação ao qual a referida estação não tinha qualquer jurisdição. Em princípio, caberia às estações de radar de controlo de tráfego aéreo moçambicanas alertar a tripulação do Tupolev, tanto mais que se tratava de uma aeronave que transportava o Chefe de Estado do país.

O procedimento a seguir pela estação de Mariepskop, uma vez detectada uma violação do espaço aéreo, é informar o comando da Força Aérea Sul-africana, a quem cabe a responsabilidade de ordenar a intercepção da aeronave ou aeronaves transgressoras.

Saliente-se o Tupolev presidencial apenas “violou” o espaço aéreo sul-africano numa distância de 150 metros e quando já voava a uma altitude que não era detectável pela estação de radar de Mariepskop.


(Redacção / Times of Swaziland / AIM)

2008-10-21 07:06:00

www.canalmoz.com

República de Moçambique: Samora Terá Sido Assassinado - Crença de Graça Machel (Ano 2008)


A viúva do primeiro Presidente moçambicano, Graça Machel, diz que tem mais evidencias agora de que o seu marido terá sido assassinado, dado que, segundo ela, conseguiu falar já telefonicamente com alguém que diz ter estado em Mbuzini com a missão de “abater” o avião em que viajava Samora Moisés Machel, “caso falhasse o Plano A do assassinato”.
 
Samora Machel morreu num trágico acidente de aviação, ocorrido a 19 de Outubro de 1986, na localidade sul-africana de Mbuzini, junto à fronteira entre Moçambique e a África do Sul, quando regressava da Zâmbia numa missão de paz para a região. Na ocasião, outros 33 cidadãos, entre nacionais e estrangeiros, também perderam a vida.

Em declarações que fez à Televisão de Moçambique (TVM), por ocasião da passagem domingo do 22º aniversário da morte trágica de Samora Machel, Graça Machel disse que já há pessoas que sabem (das circunstâncias da morte de Machel), mas o que falta é elas aceitarem que sejam testemunhas em tribunal.

“Este é que é o problema, (porque) sem evidências não pode haver julgamento”, afirmou, acrescentando que “não é difícil ir ao fundo da verdade, (mas) o problema é encontrar alguém disposto a testemunhar em tribunal”.

Graça Machel voltou a reiterar que não vai descansar enquanto não forem esclarecidas as circunstâncias da morte de Samora Machel.

Como sempre quando fala da morte trágica do seu marido, Graça Machel vincou, uma vez mais com muita emoção, que “22 anos depois do assassinato, não se sabe o que aconteceu com ele”, acrescentando que “Samora tinha muito boa saúde”.

“Ele era rijo, com 53 anos”, vincou visivelmente amargurada, para depois acrescentar que “ainda hoje, quando nos sentamos à volta da mesa, falta aquela gargalhada”. “As pessoas não pensam nisso", referiu, insistindo que ao menos se a família soubesse o que aconteceu com o seu ente querido.

Em comunicado de Imprensa emitido por ocasião de 19 de Outubro, a Presidência da República reafirma a determinação do Estado Moçambicano em utilizar todos os meios necessários para o esclarecimento definitivo das circunstâncias em que ocorreu aquele sinistro.

“A descoberta da verdade sobre a morte do Presidente Samora Moisés Machel foi e continua a ser uma prioridade da Nação Moçambicana”, lê-se no comunicado.


SEGUIR SEUS IDEAIS É PROMOVER DESENVOLVIMENTO
 
 
O legado deixado por Samora Machel, primeiro Presidente de Moçambique independente, permite que o seu povo avance na promoção do desenvolvimento económico e social. Machel incutiu em cada moçambicano o espírito de unidade nacional e os nobres ideais de paz, segundo disse ontem, na Beira, António Máquina, Secretário Permanente da província de Sofala.

Falando na praça dos heróis moçambicanos, tal como outros dirigentes que desfilaram para falar da vida e obra de Samora Machel, o secretário permanente de Sofala destacou a educação que foi amplamente defendida pelo Marechal.

Para Máquina, um dos grandes desafios de Samora Machel foi libertar o povo e a pátria e, em seguida, defender a soberania. “Ele decidiu que se deve fazer da educação a base para o povo tomar o poder, e sabia que não se deve fazer o desenvolvimento sem a educação”, sublinhou Máquina.

O Secretário Permanente de Sofala, que anunciou um vasto leque de ensinamentos de Samora, disse ainda que o falecido estadista promoveu a alfabetização para permitir que as pessoas que não tiveram oportunidade de estudar devido à acção dos colonialistas o fizessem permitindo a sua participação no desenvolvimento do país.

Por seu turno, Cremilda Sabino, representante do Estado na cidade da Beira, também dissertou sobre os vários feitos de Samora Machel, os quais classificou de imensuráveis, para além de defender o seguimento do seu legado. Apelou à população no sentido de lutar para vencer os desafios do futuro, entre os quais a luta contra a pobreza, que inclui o combate às doenças endémicas.

Alexandre Vasco, representante do presidente do município da Beira, aproveitou a oportunidade para exigir ao Governo para acelerar a investigação com vista a apurarem-se as causas da morte do Presidente Samora Machel e indicar os mandantes do seu  assassinato. Disse que depois de se conhecerem os resultados desta investigação, os responsáveis devem ser levados ao Tribunal para serem severamente castigados de acordo com as leis existentes no país.


ERA INCORRUPTÍVEL
 
 
Samora Machel foi um líder bastante impermeável  para actos ilícitos. Segundo Eneas Comiche, membro da Comissão Política da Frelimo que dirigiu a homenagem ao primeiro Presidente da República moçambicano, Samora era incorruptível e todos erros ou irregularidades cometidos por agentes do Governo eram repreendidos publica e imediatamente, pois para ele não havia nada a esconder.

De acordo com aquele responsável do partido no poder, o primeiro presidente do Estado Moçambicano foi um  visionário cuja vitalidade e determinação eram atingir uma independência total e completa do país, não só das sequelas do colonialismo português, mas sobretudo  erguer-se do subdesenvolvimento.

“O combate à pobreza absoluta, tarefa que a Frelimo persegue, foi identificado pelos primeiros líderes do país. O Plano Prospectivo  Indicativo (PPI) foi desenhado para liquidar a pobreza”, esclareceu Comiche para quem todas acções em curso na implementação da estratégia da “revolução verde” bem como na política de atribuição de sete milhões de meticais para gestão a nível do distrito inserem-se no sonho da Frelimo cujos líderes sempre se preocuparam com o bem-estar de todos moçambicanos, havendo por isso necessidade de todos, principalmente jovens, se inspirarem nos ideais de Samora para a concretização dos seus objectivos.

Comiche elogiou a Imprensa  no papel que desempenha para o resgate da história do país, ao passar mensagens  dos acontecimentos que marcaram a construção do Estado Moçambicano situação que, segundo disse, contribui para a educação intelectual das novas gerações, bem como na  imortalização da história de um povo. Eneas Comiche, que é também presidente do Conselho Município da capital do país, trabalhou na província de Inhambane na qualidade de membro da Comissão Política da Frelimo e visitou  alguns locais na cidade de Inhambane. Aqui participou no concorrido comício popular orientado pelo Governador da província, Itae Meque, realizado junto à Praça dos Heróis.

Maputo, Terça-Feira, 21 de Outubro de 2008:: Notícias

República de Moçambique: Afonso Dhlakama Acusado de Falsear História da Renamo (Ano 2008)


O líder da Renamo, Afonso Dhalakama, foi sexta-feira acusado de falsear a história do ex-movimento rebelde, particularmente no que respeita à sua fundação e direcção. 

Ivete Fernandes, viúva do antigo secretário-geral do Movimento Nacional de Resistência (MNR), Evo Fernandes, que mais tarde viria a dar lugar à Renamo, afirmou que André Matsangaíssa nunca foi presidente desta organização, mas sim um comandante militar.

“Senhor presidente, vamos tratar de assuntos sérios que o partido tem obrigação de tratar. O senhor sabe que André Matsangaíssa nunca foi presidente da Renamo. O primeiro presidente da Renamo foi Afonso Dhlakama, eleito no primeiro congresso, realizado em 1983, cuja organização esteve a cargo de Evo Fernandes”, disse, numa atitude que “gelou” por completo o ambiente festivo que assinalou o 29 aniversário da morte de André Matsangaíssa.

A viúva do antigo SG da “perdiz” apelou ainda para que Afonso Dhlakama deixe de “entreter os moçambicanos com pequenas histórias da luta pela democracia” para se debruçar sobre as grandes questões do país. Sem mencionar a que tipo de questões se referia, Ivete Fernandes acabaria por sugerir a necessidade de uma maior organização interna da Renamo, elaboração de políticas sérias para servir de alternativa de governação da Frelimo, a preparação condigna das eleições autárquicas de 19 de Novembro, assim como do sufrágio geral do próximo ano, entre outras.

Num outro desenvolvimento, Ivete Fernandes lamentou o facto da Renamo nunca ter se referido à obra e contribuição do seu marido ao movimento. “Nenhum renamista já homenageou Evo Fernandes, apesar de saberem a contribuição que ele deu para que o partido atingisse este estágio”, lamentou.

Reagindo a estas acusações, Afonso Dhlakama afirmou que o seu partido reconhece a dedicação e entrega de Evo Fernandes e que “um dia iremos prestar-lhe a devida homenagem”.

Sobre as acusações de falsear a verdade em torno da história da fundação e direcção do partido ele reconheceu que André Matsangaíssa nunca foi presidente do movimento rebelde, mas referiu que devido ao papel que ele desempenhava, o de comandante-geral, ele era tratado por presidente.

“Não ficaria bem que eu dissesse que Afonso Dhlakama é que foi o primeiro presidente da Renamo”.

Dhlakama prometeu que iria escrever a “verdadeira história da Renamo”, uma história que disse conhecer muito bem por ter tido  o privilégio de vivê-la, ao contrário de muitos que escreveram ou falam da Renamo.

“Aparecem pessoas a dizer e a escrever sobre a Renamo. Pessoas que não viveram, nem testemunharam as diferentes fases da Renamo. Eu tive esse privilégio e vou escrever. Eu queria escrever a história da Renamo depois de ser Presidente da República mas decidi começar agora”, frisou.

Maputo, Segunda-Feira, 20 de Outubro de 2008 - Notícias

28 de agosto de 2026

África do Sul : Dissidentes do ANC Lançam Novo Partido (Ano 2008)

A facção dissidente do Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder na África do Sul, vai lançar oficialmente um novo partido a 16 de Dezembro próximo, anunciou domingo o antigo ministro de Defesa sul-africano Mosiuoa Lekota.

Segundo Lekota, um dos mentores desta iniciativa e que também já desempenhou as funções de secretário-geral do ANC, o lançamento do novo partido terá lugar em Bloemfontein, província do Estado Livre.

Segundo o jornal sul-africano “The Star”, foi nesta cidade Bloemfontein que surgiram outros partidos, incluindo o próprio ANC, o Partido Nacional (arquitecto do antigo regime do apartheid), e o Partido Progressivo.

A data de 16 de Dezembro coincide com o Dia da Reconciliação, que também é feriado nacional na África do Sul. Esta data também marca o início da campanha militar do ANC contra o regime do “apartheid”, que teve lugar em 1961.

“Ninguém nos vai ameaçar. Não se trata de um indivíduo, trata-se de um ideal”, disse Lekota, que falava perante uma multidão calculada em cerca de duas mil pessoas em Bloemfontein.

Na ocasião, ele apelou aos presentes a regressarem às suas comunidades e escolherem “pessoas da sua confiança” para servirem de seus representantes durante a convenção nacional, que será realizada a 2 de Novembro próximo, durante a qual deverão ser debatidas estratégias para a nova formação política.

A cisão no ANC surge como consequência da demissão do antigo presidente sul-africano Thabo Mbeki.

A demissão de Mbeki foi o culminar de uma disputa com Jacob Zuma pela liderança do ANC. Zuma saiu vencedor na conferência anual do partido, realizada em Dezembro do ano passado em Polokwane.

Contudo, a eleição de Zuma acabou por precipitar o ANC para a pior crise desde a  fundação do partido, em 1912.

Na semana passada, o antigo governador da província de Gauteng, Mbhazima Shilowa, juntou-se a Lekota e a outros dissidentes do ANC que tencionam formar o novo partido político.

Maputo, Terça-Feira, 21 de Outubro de 2008:: Notícias

República do Botswana: Ex-Presidente do Botswana Recebe Prémio Mo Ibrahim - Cidadão Criou Galardão Para Reconhecer a Boa Governação (Ano 2008)


O ex-presidente do Botswana Festus Gontebanye Mogae, de 69 anos, foi ontem distinguido com o prémio Mo Ibrahim de boa governação. 

O prémio, no valor de 3,7 milhões de euros, foi ganho no ano passado pelo ex-presidente de Moçambique Joaquim Chissano.

O seu trabalho no combate à sida e no progresso económico do país foi elogiado pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que preside ao comité responsável pela escolha do vencedor do prémio. "O Botswana é um exemplo de como um país com recursos naturais pode promover desenvolvimento sustentável com boa governação, num continente onde muitas vezes a riqueza mineral se tornou numa praga", disse, numa conferência de imprensa em Londres.

Lançado pela Fundação Mo Ibrahim, que foi criada pelo empresário africano com o mesmo nome, o Prémio Mo Ibrahim para o Sucesso na Liderança Africana pretende reconhecer líderes africanos que tenham dado provas de excelência na liderança política.

O prémio, que teve a sua primeira edição em 2007, é entregue anualmente a um ex-chefe de Estado ou de Governo de países da África Austral que tenha sido democraticamente eleito e que tenha deixado de exercer funções nos últimos três anos. A escolha deste ano foi feita por um júri dirigido por Kofi Annan, e que incluiu Aïcha Diallo, ex-ministra da Educação da Guiné, Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda, Salim Ahmed Salim, ex-primeiro-ministro da Tanzânia, Martti Ahtisaari, ex-presidente da Finlândia - Prémio Nobel da Paz 2008 - e Mohamed ElBaradei, director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

O dinheiro do prémio, no valor total de cinco milhões de dólares, será distribuído durante dez anos em tranches de 500 mil dólares e é também visto como uma forma de oferecer segurança monetária a dirigentes africanos que abandonem o poder. Após os dez anos necessários para completar o pagamento do prémio, cada vencedor receberá depois uma renda anual de 200 mil dólares durante o resto da sua vida.

O prémio será oficialmente entregue a Festus Mogae, que foi eleito presidente em 1998 e deixou o poder em Abril último, numa cerimónia na cidade de Alexandria, a 15 de Novembro.

Fundador da empresa de telecomunicações africana Celtel International, Mo Ibrahim, nascido no Sudão em 1946, é considerado como um modelo do cidadão africano bem sucedido, que privilegiou uma gestão ética do negócio. Ibrahim vendeu a sua empresa em 2005, sete anos depois de a ter criado, a um operador do Kuwait por 3,4 mil milhões de dólares, fortuna que está a financiar a Fundação e o respectivo prémio.
 
Diário de Notícias 2008-10-21

República de Moçambique: Durante a V Conferência da Via Campesina, Guebuza Reconhece Valor da Agricultura (Ano 2008)


"A agricultura de pequena escala, apesar da crescente urbanização do meio rural, apresenta-se como o sector que emprega parte considerável da mão de obra e dá um contributo substancial no produto interno bruto” - reconheceu o chefe de Estado, Armando Guebuza.

A agricultura dos países pobres não se desenvolve rapidamente porque ainda prevalecem problemas estruturais como falta de crédito e acesso as tecnologias de produção, processamento e conservação da produção agrária, insuficiência de extensionistas e de insumos, deficiente rede de escoamento e comercialização da produção de entre outros pontos marcantes, reconheceu o chefe de Estado, Armando Guebuza.

Repisou ainda que devido à condição de pobreza que países pobres atravessam não conseguem explorar devidamente o seu potencial agrícola entrando assim num ciclo vicioso de colocar de parte a agricultura. “Ficam pobres por não conseguir explorar o seu potencial agrícola”.

Guebuza foi mais forte e disse perante uma plateia de mais de 600 representantes internacionais dos camponeses pelo mundo que “algumas das políticas práticas nos países desenvolvidos impedem que a agricultura de pequena escala não dê o salto para se colocar numa posição que lhe permita contribuir de forma mais substancial na luta pelo desenvolvimento”.

“Destas políticas e práticas temos os subsídios a agricultura, as barreiras não tarifárias e as barreiras técnicas ao comércio que incluem considerações sanitárias e fitossanitárias”, vincou.

Apelou ainda que devemos concluir a Ronda de Doha devido as implicações dos produtos nos mercados dos países desenvolvidos como subida galopante dos preços dos insumos agrícolas. "É nosso interesse que seja criado o ambiente internacional para colocar os nossos camponeses em melhores condições para explorar o nosso potencial agrário e para mais rapidamente transitar para agricultura comercial".

O estadista moçambicano não se fez de rogado durante a abertura da V Conferência da Via Campesina ao recordar que o país sofre os efeitos de mudanças climáticas, crise energética e de alimentos e muito recentemente a financeira que abala os principais mercados internacionais.

Ainda segundo ele "os membros do movimento de camponeses do mundo estão a participar para a formulação de soluções de possíveis crises".

Por outro lado Armando Guebuza aproveitou a ocasião para falar do vigésimo segundo aniversário do assassinato bárbaro de Samora Machel em Mbuzine.

"Reafirmamos a determinação de utilizar todos os meios para o definitivo esclarecimento das circunstâncias em que ele e os seus acompanhantes perderam a vida", disse Armando Guebuza.

Entretanto Ismael Ossemane, presidente da mesa da assembleia-geral da «UNC – União Nacional de Camponeses» diz que "mesmo com a política neoliberal, ou seja, uma nova forma de colonialismo a invadir a vida dos camponeses vamos lutar como forma de produzir alimentos. A agricultura deve servir o povo".

Segundo ele a produção de alimentos não tem e nem pode ter como enfoque o negócio e lucro por isso devemos trabalhar unidos para entrar para o mercado e distribuir produtos ao nível nacional.

"Transformar a agricultura e os alimentos em negócio enriquece as grandes cooperações, multinacionais que procuram mercados para os seus agrotóxicos e afirmam que estão a dar emprego. As famílias camponesas têm o seu emprego apenas precisam de políticas que contribuam para um desenvolvimento e produção agro-pecuária", concluiu Ismael Ossemane.

Conceição Vitorino

2008-10-22 06:27:00

www.canalmoz.com

República de Moçambique: Nova Operadora Ameaça "Monopolizar" Mercado de Internet (Ano 2008)


A IburstAfrica é uma nova empresa fornecedora de serviço de Internet banda larga que está a operar em Moçambique desde a semana passada, usado uma tecnologia internacional já reconhecida pela maior sociedade de especialistas internacionais desta área, o Instituto de Engenharia de Electricidade e Electrónica (IEEE).

Sedeada na África do Sul, a Iburst, que fornece Internet sem fio, está a expandir o seu negócio por todo o continente africano, sendo que no Ghana já conquistou mais de 40 mil clientes em menos de seis meses, dos quais 23 mil apenas na cidade de Acra, ocupando o segundo lugar. Em Moçambique espera liderar o mercando de Internet até finais do próximo ano, como diz que pretende fazer no resto do continente Africano.

Trata-se de uma empresa propriedade da Galela Telecommunications PTY Limitada, o maior operador Iburst a nível global. É, de resto, uma operadora cujos produtos apresentam características próprias: não usa o sistema de contractos e é pré-pago, facilitando a gestão do crédito por parte do utilizador, e entra para o mercado moçambicano com preços promocionais, atribuindo aos clientes créditos no valor de mil meticais até 6 de Novembro próximo. No entanto, os custos médios do pacote inicial rondam os 8 mil meticais, com a isenção total de taxas mensais, sendo por isso que acredita poder beneficiar todas as camadas sociais.

A Internet da Iburst é portátil e pode ser usada ao longo de uma larga área com uma simples base station. Os seus serviços baseiam-se numa tecnologia Intellicell da ArrayComm dos Estados Unidos da América, que através de avançados algoritmos ajusta os padrões de sinal de e para cada utilizador, criando uma espécie de celular pessoal com uma eficiente resposta no serviço de voz e dados e seguindo os movimentos do utilizador, o que reduz a interferência da rádio.

Tal como disse o respectivo presidente do Conselho de Administração, Mtshali, aquando do lançamento oficial dos serviços Iburst, em Maputo, a grande inovação que a IburstAfrica traz para Moçambique é o facto de esta operadora fornecer Internet a uma velocidade de 2.5MB/s.

A sua performance é comparável, como diz, ao DSL e Internet banda larga por cabo e é superior à das operadoras de telefonia móvel e outras tecnologias de banda larga actualmente existentes. Apresenta produtos específicos para as pequenas, médias e grandes empresas, mas também para os indivíduos.

Operando, nesta primeira fase, apenas na cidade de Maputo, a Iburst diz que vai cobrir toda a província da Maputo ainda este ano e nos tempos subsequentes pretende, “gradualmente” estender a sua actividade a outras províncias do país, porque alega “o objectivo é cobrir todo o território nacional no mais curto tempo possível”.

(Almeida Oliveira)
2008-10-22 06:35:00
www.canalmoz.com

15 de agosto de 2026

Portugal: O 25 de Abril de 1974 e as Independências Exemplares do Império Colonial Português


Quanto «às independências ditas exemplares pelos vendilhões da Pátria Portuguesa, pelos traidores e cobardes do 25 de Abril de 1974», o povo português que vivia na ex-colónia de Moçambique (de todas as raças e crenças), logo a seguir ao 25 de Abril, foi obrigado a entregar as armas que tinham em casa (os que as tinham), mediante a ameaça que Joaquim Chissano fez através da rádio, que se não as entregassem, imediatamente mandaria chacinar os portugueses pelos marginais.

Mesmo assim, depois de as armas serem entregues, os portugueses foram todos enganados e sem aviso prévio, sem nada o prever, ordenaram a sua perseguição, a sua crucificação, a sua chacina, a sua matança.

O povo português ficou desarmado, indefeso e à disposição das hordas de assassinos, de grupos de maltrapilhos e analfabetos que assolaram a capital, as vilas, as aldeias e as cidades dos arredores, aliás todo o território moçambicano foi invadido por estes criminosos, dizendo que estavam a cumprir ORDENS recebidas dos seus "SUPERIORES" (os de Moçambique e os de Lisboa).

Armados de catanas, metralhadoras, baionetas e outros materiais contundentes, perseguiram o povo português nas casas, nos empregos, nas escolas, nos templos religiosos, nos hospitais, nas machambas, nas ruas, em todo o lado onde estivesse para o chacinar.

Estupraram milhares de mulheres, crianças e idosas, perante a impotência dos homens da família, porque eram manietados, acorrentados, ameaçados com catanas e baionetas, eram obrigados a assistir a estas crueldades horrendas, para depois no fim serem todos chacinados e esquartejados, morrendo assim milhares num conflito hediondo de que o povo português foi a principal vítima.

Nos cemitérios vandalizaram jazigos, campas, caixões e os mortos foram profanados.

Os “superiores de Moçambique e os traidores, os cobardes de Abril, os vendilhões da Pátria – os de Lisboa”, ordenaram estas chacinas, para que o povo ficasse aterrorizado e fugisse imediatamente de Moçambique, para lhes serem confiscados todos os seus bens - os portugueses ficaram sem nada, ficaram despojados de todos os seus haveres.

“Os superiores de Moçambique” não queriam que os portugueses ficassem em Moçambique depois da Independência (obtendo a nacionalidade moçambicana e continuando a viver a sua vida no Moçambique Independente), e também “os traidores, os cobardes de Abril, os vendilhões da Pátria” – os de Lisboa, não queriam os portugueses, os retornados de Moçambique em Portugal.

Não foi o cobarde, o traidor de Portugal, o vendilhão da Pátria – Mário Soares - que disse para que atirassem os portugueses, os retornados de Moçambique, dos aviões para o mar para que fossem comidos pelos tubarões?!

Quando os Soldados Portugueses que ainda se encontravam em Lourenço Marques, a seguir ao 25 de Abril, mesmo que presenciassem violações, roubos e mortes e os portugueses lhes imploravam socorro, eles faziam chacota, palitavam os dentes, mascavam chuingas, fumavam e cuspiam para o chão, cruzavam e descruzavam os braços ou as pernas, viravam costas, ficavam indiferentes, em posição de descanso, quer vissem desmembrar crianças (como aconteceu na Ponte Pinto Teixeira), violar mulheres à frente de todos ou rebentar as portas das cantinas, das casas ou das flats, para matar os donos e roubar-lhes tudo, diziam: “São Ordens de Lisboa”.

E a procissão de veículos, carros, camiões, motorizadas e jeeps (Lourenço Marques/Matola) regados com gasolina a que deitavam fogo depois de trancar as portas com os seus ocupantes lá dentro, filas intermináveis de veículos a arder, tudo em labaredas gigantescas, fumos imensos negros e densos, cheirando a carne queimada por toda o lado, parecia que Lourenço Marques, as suas vilas, as aldeias e as cidades nos seus arredores, iam desaparecer do mapa, num inferno dantesco, um autêntico apocalipse.

As pessoas que eram apanhadas vivas, enfiavam-lhes pneus dos carros pelas cabeças abaixo, que lhes imobilizavam os braços, ficavam logo em asfixia, penduravam-nas nas árvores, regavam-nas com gasolina e deitavam-lhes fogo, uns autênticos archotes humanos. 

Foi um espetáculo horroroso e diabólico que preencheu os 250 quilómetros que medeiam entre Lourenço Marques e a cidade de João Belo.

Em Lourenço Marques e nos seus bairros limítrofes (Mahotas, Infulene, Aeroporto, Malhangalene, Mafalala, Benfica, Xipamanine, etc.), muitas casas foram incendiadas com as pessoas lá dentro, outras conseguiram fugir e andaram refugiadas no centro da cidade de Lourenço Marques, onde foram acolhidas em casa de familiares, ou em casa de pessoas conhecidas e outras foram acolhidas até por pessoas desconhecidas.

Porque estas hordas de assassinos, já estavam a fazer um cerco à cidade de Lourenço Marques para obrigar o povo, que estava cada vez mais encurralado, a fugir para a Baixa da cidade, em direção à sua Baía – não havia outra escapatória, morreriam chacinados, ou morreriam todos afogados - seria uma carnificina absoluta e inexorável.

Claro que perante estas chacinas levadas a cabo com uma selvajaria diabólica e não havendo sinais para que terminassem, deu-se a debandada geral dum povo que foi abandonado desde o início e de propósito pelos traidores e cobardes de Lisboa, crucificado, fragilizado, aterrorizado, horrorizado, traumatizado, que conseguiu sobreviver a tamanha matança, deixando para trás todos os seus familiares chacinados, os seus bens imóveis, móveis, veículos e pertences pessoais - tudo o que ainda não tinha sido saqueado, tudo o que ainda não tinha sido pilhado - saindo às pressas de Moçambique com uma mão à frente e outra atrás, com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.

O dinheiro que muitos portugueses tinham guardado nos bancos, as economias que muitos andaram a poupar ao longo dos anos com muito trabalho e sacrifício, com a intenção de terem uma velhice digna já que não havia reformas, sem aviso prévio ficaram sem as suas economias, ficaram sem nada, ficaram sem um tostão, porque as contas bancárias pessoais e das Empresas foram todas congeladas após o 25 de Abril, a mando dos “superiores de Moçambique e dos traidores, dos cobardes de Abril, dos vendilhões da Pátria – os de Lisboa”.

Os portugueses só conseguiam sair de Moçambique no Aeroporto de Lourenço Marques ou nas Fronteiras terrestres, saindo em direcção à África do Sul e outros países africanos, mediante a apresentação de um documento emitido pela Frelimo, onde era comprovado que tinham sido entregues as chaves de todas as habitações alugadas ou próprias (na mesma semana antes de saírem de Moçambique, a minha família que eram proprietários de automóveis deitaram as chaves para dentro da Baía do Espírito Santo / Baía de Lourenço Marques) e o Papel Azul emitido pelas Finanças em como os Impostos estavam todos pagos, caso contrário não podiam sair de lá.

Os massacres mais hediondos perpetrados contra o povo português (de todas as raças e de todas as crenças) e que estão na memória de quem “sobreviveu a eles” são o 7 de Setembro, o 21 de Outubro e o 17 de Dezembro de 1974.

Na altura destes massacres tinha surgido na cidade de Lourenço Marques “um grupo refratário, insignificante e asqueroso de portugueses de todas as raças e de todas as crenças”, que não aceitavam jamais que Moçambique fosse Independente, contribuindo eles também com este ignóbil, intolerável e inaceitável protesto, ao massacre dos seus compatriotas.

Passados tantos anos, “este grupo refratário”, cujos nomes constam de uma lista (eu sei o nome de algumas pessoas que ainda estão vivas), que está na posse do Governo de Moçambique desde essa data - continuam a estar proibidos de pisar “Terra Moçambicana”.

Ainda estão vivos alguns dos "Responsáveis" (moçambicanos e portugueses) pelos hediondos massacres perpetrados ao povo português, que lançaram milhares de corpos de portugueses nas águas da Baía, dos rios Limpopo, Incomáti, Umbeluzi, Matola, ou os transformaram em cinzas fumegantes na terra que se acreditava que pudesse ser de todos os que lá estavam e que queriam continuar a viver nela – portugueses de todas as raças e de todas as crenças.

Esta chacina foi compactuada com os de “Moçambique e com os traidores e os cobardes do 25 de Abril (os vendilhões da Pátria)” – que deram as independências às pressas.

Depois do 25 de Abril de 1974, todos os antigos combatentes da guerra colonial, quando chegaram a Lisboa, alguns com a vergonha que sentiram por terem abandonado os portugueses de Moçambique, emigraram para a Europa, América do Norte, América do Sul, Austrália. Todos os Soldados da Guerra Colonial foram  abandonados por Portugal, ao longo destes anos de "democracia".

Durante a guerra colonial e também no pós-25 de Abril, alguns dos ex-combatentes perpetraram por conta própria "Crimes de Alta Traição à Pátria Portuguesa e ao seu Povo" e que estão “gravados” nas páginas negras da História de Moçambique e da História de Portugal.

Um dos meus irmãos que cumpriu o serviço militar em Tete, numa das muitas emboscadas de que foi alvo, a sua companhia sofreu uma emboscada terrível em 1972, onde camaradas seus perderam a vida, outros ficaram gravemente feridos, foram evacuados para o Hospital Militar em Lourenço Marques e outros foram evacuados para a Metrópole/Alcoitão, muitos deles ficaram com braços e pernas amputados e muitos até sem os olhos, ficaram inválidos, mutilados, cegos e com traumas de guerra para toda a vida.

Ao fim de uns meses depois de ter recuperado e de estar novamente apto, esteve três meses em serviço no Quartel Geral sito no Bairro do Alto-Maé na cidade de Lourenço Marques.

A Baía de Lourenço Marques com uma largura de 36 quilómetros e 52 quilómetros de comprimento, forma o Estuário do Espírito Santo com 30 quilómetros quadrados.

Na Baía embocam, além de outros, os rios Maputo, Incomáti, Umbeluzi, Matola e Tembe.

A Xefina (constituída por 3 ilhas, Xefina Grande, Xefina Média e Xefina Pequena), fica dentro do Estuário do Espírito Santo, a uma distância de 5 quilómetros de Lourenço Marques, quase frente à Praia da Costa do Sol.

Na Xefina Grande existia na altura um Forte e uma Prisão Militar.

O seu serviço durante esses três meses consistiu no seguinte:

Ia todos os dias com os seus camaradas à Xefina num barco da Marinha para levarem géneros alimentícios, medicamentos, correspondência e outros, aos militares que ali se encontravam presos a cumprirem pena sentenciada pelo “Tribunal de Guerra” por terem cometido crimes contra o “Estado Português”.

Em seguida o meu irmão retornou a Tete para cumprir o tempo de serviço militar que ainda lhe faltava para passar à disponibilidade.

Falando em militares condenados pelo “Tribunal de Guerra” e presos na Xefina Grande, quem não se lembra de nos meados dos anos sessenta, um militar ter morto a tiro, três camaradas seus à porta da entrada do Quartel Geral (Alto-Maé) na cidade de Lourenço Marques?

Pois eu lembro-me desta tragédia, nunca o vou esquecer enquanto viver, porque um deles abatido. pertencia à nossa família e era filho único, sem irmãos, a casa onde morava ele e os pais ficava perto do Quartel onde foi morto, na Avenida 24 de Julho – Alto-Maé.

Os pais com o desgosto de ficarem sem o único filho, poucos meses duraram, ficaram todos sepultados no Jazigo de Família no Cemitério de S. José de Lhanguene.

Esta imensa vergonha que, com a Inquisição, constituem as mais negras páginas de uma História gloriosa – como foi a de Portugal – talvez para mostrar que mesmo um povo de heróis pode gerar traidores e fratricidas.

- Porque é que Portugal não pôs uma ponte aérea para os portugueses saírem de Moçambique como fez em Angola?

- Porque é que Portugal deu um prazo gigantesco, estranho e excessivo de 10 anos para entregarem Macau à China, e não fez o mesmo com as Províncias Ultramarinas, com todo o seu Império Colonial Português?!

Que o povo moçambicano tenha muita paz, muita saúde, que seja muito feliz e que viva com muita prosperidade.

10 de junho de 2026

República de Moçambique: Publicado o Programa das Exéquias de D. Osório Citora Afonso, Assassinado no Sábado (6 de Junho de 2026)


(RIBAUÉ, 6 MAIO DE 1971 - QUELIMANE 6 DE JUNHO DE 2026)

D. OSÓRIO CITORA AFONSO, BISPO DA DIOCESE DE QUELIMANE

D. OSÓRIO CITORA AFONSO, SECRETÁRIO-GERAL DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE

D. OSÓRIO CITORA AFONSO, ADMINISTRADOR APOSTÓLICO DA ARQUIDIOCESE DA BEIRA



As exéquias de D. Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane, barbaramente assassinado no sábado, 6 de Junho, terão lugar em Quelimane e Nampula, a 12 e 13 de junho respectivamente, informa a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) num Comunicado, assinado pelo Presidente, o arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre.


“Os Bispos da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), em comunhão com os Missionários da Consolata e a família AFONSO, cumprem o piedoso dever de anunciar que as exéquias de D. Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane, Secretário-Geral da Conferência Episcopal de Moçambique e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, barbaramente assassinado no dia 6 de Junho em curso, na residência episcopal da Diocese de Quelimane, serão realizadas com a observação de todas as prescrições canónico-litúrgicas para o bispo diocesano”, lê-se na nota episcopal.

Segundo o programa, na sexta-feira, 12 de junho, às 9h00, será celebraba, na Paróquia de Nossa Senhora do Livramento – Sé Catedral de Quelimane, a Missa de corpo presente, presidida pelo Núncio Apostólico em Moçambique, Dom Luís-Miguel Muñoz Cárdaba.

Em seguida, a urna contendo os restos mortais de Dom Osório será levada para a Arquidiocese de Nampula, onde decorrerá o funeral familiar e a sepultura do seu corpo, no Cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula.

“No sábado, às 10.00 horas, terá lugar, na Catedral de Nampula, a Missa de corpo presente, presidida por Dom Inácio Saúre, Arcebispo Metropolitano de Nampula, depois de que o corpo será sepultado no Cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula, junto ao Seminário Propedêutico Mater Apostolorum”, informa ainda o documento.

Neste momento de dor, unimo-nos à Igreja universal, e à moçambicana em particular, em oração e ação de graças a Deus pela vida e missão de D. Osório, e pela consolação das suas famílias de sangue e religiosa, conclui a nota da CEM convidando todos os fiéis e pessoas de boa vontade a viver este tempo com espírito de fé, esperança e comunhão, e confiando a alma de D. Osório ao Senhor da Vida, que nunca abandona os Seus servos fiéis.

Entretanto, numa mensagem aos Missionários da Consolata por ocasião da morte de Dom Osório Afonso, o Superior Geral, Padre James Bhola Lengarin, IMC, os convida a rezar e a permanecer unidos, esperando que “a verdade sobre o sucedido venha ao de cima plenamente”.

“Osório era um de nós. Um irmão simples e sorridente, capaz de caminhar entre o povo sem defesas, apenas com a força da Palavra de Deus, um missionário que nunca deixou de acreditar na bondade das pessoas, na paz, na reconciliação, um pastor consumido pelo serviço, até ao último dia”, enfatiza o Superior Geral.

Neste momento difícil, exorta o Padre Lengarin, rezai por D. Osório, pela sua diocese, pela Igreja de Moçambique, por aqueles que carregam medo e confusão nos seus corações, e que a verdade sobre o que aconteceu venha ao de cima por completo, pois a morte de um pastor não pode permanecer envolta em silêncio ou incerteza.

“Confio o nosso querido Osório à misericórdia do Senhor, certo de que o seu sorriso continua agora na luz do Ressuscitado. Reza por nós, querido irmão Bispo!", conclui o Superior Geral.

Padre Bernardo Suate – Vatican News
Fonte: https://www.vaticannews.va