15 de agosto de 2026

Portugal: O 25 de Abril de 1974 e as Independências Exemplares do Império Colonial Português


Quanto «às independências ditas exemplares pelos vendilhões da Pátria Portuguesa, pelos traidores e cobardes do 25 de Abril de 1974», o povo português que vivia na ex-colónia de Moçambique (de todas as raças e crenças), logo a seguir ao 25 de Abril, foi obrigado a entregar as armas que tinham em casa (os que as tinham), mediante a ameaça que Joaquim Chissano fez através da rádio, que se não as entregassem, imediatamente mandaria chacinar os portugueses pelos marginais.

Mesmo assim, depois de as armas serem entregues, os portugueses foram todos enganados e sem aviso prévio, sem nada o prever, ordenaram a sua perseguição, a sua crucificação, a sua chacina, a sua matança.

O povo português ficou desarmado, indefeso e à disposição das hordas de assassinos, de grupos de maltrapilhos e analfabetos que assolaram a capital, as vilas, as aldeias e as cidades dos arredores, aliás todo o território moçambicano foi invadido por estes criminosos, dizendo que estavam a cumprir ORDENS recebidas dos seus "SUPERIORES" (os de Moçambique e os de Lisboa).

Armados de catanas, metralhadoras, baionetas e outros materiais contundentes, perseguiram o povo português nas casas, nos empregos, nas escolas, nos templos religiosos, nos hospitais, nas machambas, nas ruas, em todo o lado onde estivesse para o chacinar.

Estupraram milhares de mulheres, crianças e idosas, perante a impotência dos homens da família, porque eram manietados, acorrentados, ameaçados com catanas e baionetas, eram obrigados a assistir a estas crueldades horrendas, para depois no fim serem todos chacinados e esquartejados, morrendo assim milhares num conflito hediondo de que o povo português foi a principal vítima.

Nos cemitérios vandalizaram jazigos, campas, caixões e os mortos foram profanados.

Os “superiores de Moçambique e os traidores, os cobardes de Abril, os vendilhões da Pátria – os de Lisboa”, ordenaram estas chacinas, para que o povo ficasse aterrorizado e fugisse imediatamente de Moçambique, para lhes serem confiscados todos os seus bens - os portugueses ficaram sem nada, ficaram despojados de todos os seus haveres.

“Os superiores de Moçambique” não queriam que os portugueses ficassem em Moçambique depois da Independência (obtendo a nacionalidade moçambicana e continuando a viver a sua vida no Moçambique Independente), e também “os traidores, os cobardes de Abril, os vendilhões da Pátria” – os de Lisboa, não queriam os portugueses, os retornados de Moçambique em Portugal.

Não foi o cobarde, o traidor de Portugal, o vendilhão da Pátria – Mário Soares - que disse para que atirassem os portugueses, os retornados de Moçambique, dos aviões para o mar para que fossem comidos pelos tubarões?!

Quando os Soldados Portugueses que ainda se encontravam em Lourenço Marques, a seguir ao 25 de Abril, mesmo que presenciassem violações, roubos e mortes e os portugueses lhes imploravam socorro, eles faziam chacota, palitavam os dentes, mascavam chuingas, fumavam e cuspiam para o chão, cruzavam e descruzavam os braços ou as pernas, viravam costas, ficavam indiferentes, em posição de descanso, quer vissem desmembrar crianças (como aconteceu na Ponte Pinto Teixeira), violar mulheres à frente de todos ou rebentar as portas das cantinas, das casas ou das flats, para matar os donos e roubar-lhes tudo, diziam: “São Ordens de Lisboa”.

E a procissão de veículos, carros, camiões, motorizadas e jeeps (Lourenço Marques/Matola) regados com gasolina a que deitavam fogo depois de trancar as portas com os seus ocupantes lá dentro, filas intermináveis de veículos a arder, tudo em labaredas gigantescas, fumos imensos negros e densos, cheirando a carne queimada por toda o lado, parecia que Lourenço Marques, as suas vilas, as aldeias e as cidades nos seus arredores, iam desaparecer do mapa, num inferno dantesco, um autêntico apocalipse.

As pessoas que eram apanhadas vivas, enfiavam-lhes pneus dos carros pelas cabeças abaixo, que lhes imobilizavam os braços, ficavam logo em asfixia, penduravam-nas nas árvores, regavam-nas com gasolina e deitavam-lhes fogo, uns autênticos archotes humanos. 

Foi um espetáculo horroroso e diabólico que preencheu os 250 quilómetros que medeiam entre Lourenço Marques e a cidade de João Belo.

Em Lourenço Marques e nos seus bairros limítrofes (Mahotas, Infulene, Aeroporto, Malhangalene, Mafalala, Benfica, Xipamanine, etc.), muitas casas foram incendiadas com as pessoas lá dentro, outras conseguiram fugir e andaram refugiadas no centro da cidade de Lourenço Marques, onde foram acolhidas em casa de familiares, ou em casa de pessoas conhecidas e outras foram acolhidas até por pessoas desconhecidas.

Porque estas hordas de assassinos, já estavam a fazer um cerco à cidade de Lourenço Marques para obrigar o povo, que estava cada vez mais encurralado, a fugir para a Baixa da cidade, em direção à sua Baía – não havia outra escapatória, morreriam chacinados, ou morreriam todos afogados - seria uma carnificina absoluta e inexorável.

Claro que perante estas chacinas levadas a cabo com uma selvajaria diabólica e não havendo sinais para que terminassem, deu-se a debandada geral dum povo que foi abandonado desde o início e de propósito pelos traidores e cobardes de Lisboa, crucificado, fragilizado, aterrorizado, horrorizado, traumatizado, que conseguiu sobreviver a tamanha matança, deixando para trás todos os seus familiares chacinados, os seus bens imóveis, móveis, veículos e pertences pessoais - tudo o que ainda não tinha sido saqueado, tudo o que ainda não tinha sido pilhado - saindo às pressas de Moçambique com uma mão à frente e outra atrás, com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.

O dinheiro que muitos portugueses tinham guardado nos bancos, as economias que muitos andaram a poupar ao longo dos anos com muito trabalho e sacrifício, com a intenção de terem uma velhice digna já que não havia reformas, sem aviso prévio ficaram sem as suas economias, ficaram sem nada, ficaram sem um tostão, porque as contas bancárias pessoais e das Empresas foram todas congeladas após o 25 de Abril, a mando dos “superiores de Moçambique e dos traidores, dos cobardes de Abril, dos vendilhões da Pátria – os de Lisboa”.

Os portugueses só conseguiam sair de Moçambique no Aeroporto de Lourenço Marques ou nas Fronteiras terrestres, saindo em direcção à África do Sul e outros países africanos, mediante a apresentação de um documento emitido pela Frelimo, onde era comprovado que tinham sido entregues as chaves de todas as habitações alugadas ou próprias (na mesma semana antes de saírem de Moçambique, a minha família que eram proprietários de automóveis deitaram as chaves para dentro da Baía do Espírito Santo / Baía de Lourenço Marques) e o Papel Azul emitido pelas Finanças em como os Impostos estavam todos pagos, caso contrário não podiam sair de lá.

Os massacres mais hediondos perpetrados contra o povo português (de todas as raças e de todas as crenças) e que estão na memória de quem “sobreviveu a eles” são o 7 de Setembro, o 21 de Outubro e o 17 de Dezembro de 1974.

Na altura destes massacres tinha surgido na cidade de Lourenço Marques “um grupo refratário, insignificante e asqueroso de portugueses de todas as raças e de todas as crenças”, que não aceitavam jamais que Moçambique fosse Independente, contribuindo eles também com este ignóbil, intolerável e inaceitável protesto, ao massacre dos seus compatriotas.

Passados tantos anos, “este grupo refratário”, cujos nomes constam de uma lista (eu sei o nome de algumas pessoas que ainda estão vivas), que está na posse do Governo de Moçambique desde essa data - continuam a estar proibidos de pisar “Terra Moçambicana”.

Ainda estão vivos alguns dos "Responsáveis" (moçambicanos e portugueses) pelos hediondos massacres perpetrados ao povo português, que lançaram milhares de corpos de portugueses nas águas da Baía, dos rios Limpopo, Incomáti, Umbeluzi, Matola, ou os transformaram em cinzas fumegantes na terra que se acreditava que pudesse ser de todos os que lá estavam e que queriam continuar a viver nela – portugueses de todas as raças e de todas as crenças.

Esta chacina foi compactuada com os de “Moçambique e com os traidores e os cobardes do 25 de Abril (os vendilhões da Pátria)” – que deram as independências às pressas.

Depois do 25 de Abril de 1974, todos os antigos combatentes da guerra colonial, quando chegaram a Lisboa, alguns com a vergonha que sentiram por terem abandonado os portugueses de Moçambique, emigraram para a Europa, América do Norte, América do Sul, Austrália. Todos os Soldados da Guerra Colonial foram  abandonados por Portugal, ao longo destes anos de "democracia".

Durante a guerra colonial e também no pós-25 de Abril, alguns dos ex-combatentes perpetraram por conta própria "Crimes de Alta Traição à Pátria Portuguesa e ao seu Povo" e que estão “gravados” nas páginas negras da História de Moçambique e da História de Portugal.

Um dos meus irmãos que cumpriu o serviço militar em Tete, numa das muitas emboscadas de que foi alvo, a sua companhia sofreu uma emboscada terrível em 1972, onde camaradas seus perderam a vida, outros ficaram gravemente feridos, foram evacuados para o Hospital Militar em Lourenço Marques e outros foram evacuados para a Metrópole/Alcoitão, muitos deles ficaram com braços e pernas amputados e muitos até sem os olhos, ficaram inválidos, mutilados, cegos e com traumas de guerra para toda a vida.

Ao fim de uns meses depois de ter recuperado e de estar novamente apto, esteve três meses em serviço no Quartel Geral sito no Bairro do Alto-Maé na cidade de Lourenço Marques.

A Baía de Lourenço Marques com uma largura de 36 quilómetros e 52 quilómetros de comprimento, forma o Estuário do Espírito Santo com 30 quilómetros quadrados.

Na Baía embocam, além de outros, os rios Maputo, Incomáti, Umbeluzi, Matola e Tembe.

A Xefina (constituída por 3 ilhas, Xefina Grande, Xefina Média e Xefina Pequena), fica dentro do Estuário do Espírito Santo, a uma distância de 5 quilómetros de Lourenço Marques, quase frente à Praia da Costa do Sol.

Na Xefina Grande existia na altura um Forte e uma Prisão Militar.

O seu serviço durante esses três meses consistiu no seguinte:

Ia todos os dias com os seus camaradas à Xefina num barco da Marinha para levarem géneros alimentícios, medicamentos, correspondência e outros, aos militares que ali se encontravam presos a cumprirem pena sentenciada pelo “Tribunal de Guerra” por terem cometido crimes contra o “Estado Português”.

Em seguida o meu irmão retornou a Tete para cumprir o tempo de serviço militar que ainda lhe faltava para passar à disponibilidade.

Falando em militares condenados pelo “Tribunal de Guerra” e presos na Xefina Grande, quem não se lembra de nos meados dos anos sessenta, um militar ter morto a tiro, três camaradas seus à porta da entrada do Quartel Geral (Alto-Maé) na cidade de Lourenço Marques?

Pois eu lembro-me desta tragédia, nunca o vou esquecer enquanto viver, porque um deles abatido. pertencia à nossa família e era filho único, sem irmãos, a casa onde morava ele e os pais ficava perto do Quartel onde foi morto, na Avenida 24 de Julho – Alto-Maé.

Os pais com o desgosto de ficarem sem o único filho, poucos meses duraram, ficaram todos sepultados no Jazigo de Família no Cemitério de S. José de Lhanguene.

Esta imensa vergonha que, com a Inquisição, constituem as mais negras páginas de uma História gloriosa – como foi a de Portugal – talvez para mostrar que mesmo um povo de heróis pode gerar traidores e fratricidas.

- Porque é que Portugal não pôs uma ponte aérea para os portugueses saírem de Moçambique como fez em Angola?

- Porque é que Portugal deu um prazo gigantesco, estranho e excessivo de 10 anos para entregarem Macau à China, e não fez o mesmo com as Províncias Ultramarinas, com todo o seu Império Colonial Português?!

Que o povo moçambicano tenha muita paz, muita saúde, que seja muito feliz e que viva com muita prosperidade.

10 de junho de 2026

República de Moçambique: Publicado o Programa das Exéquias de D. Osório Citora Afonso, Assassinado no Sábado (6 de Junho de 2026)


(RIBAUÉ, 6 MAIO DE 1971 - QUELIMANE 6 DE JUNHO DE 2026)

D. OSÓRIO CITORA AFONSO, BISPO DA DIOCESE DE QUELIMANE

D. OSÓRIO CITORA AFONSO, SECRETÁRIO-GERAL DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL DE MOÇAMBIQUE

D. OSÓRIO CITORA AFONSO, ADMINISTRADOR APOSTÓLICO DA ARQUIDIOCESE DA BEIRA



As exéquias de D. Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane, barbaramente assassinado no sábado, 6 de Junho, terão lugar em Quelimane e Nampula, a 12 e 13 de junho respectivamente, informa a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) num Comunicado, assinado pelo Presidente, o arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre.


“Os Bispos da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), em comunhão com os Missionários da Consolata e a família AFONSO, cumprem o piedoso dever de anunciar que as exéquias de D. Osório Citora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane, Secretário-Geral da Conferência Episcopal de Moçambique e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, barbaramente assassinado no dia 6 de Junho em curso, na residência episcopal da Diocese de Quelimane, serão realizadas com a observação de todas as prescrições canónico-litúrgicas para o bispo diocesano”, lê-se na nota episcopal.

Segundo o programa, na sexta-feira, 12 de junho, às 9h00, será celebraba, na Paróquia de Nossa Senhora do Livramento – Sé Catedral de Quelimane, a Missa de corpo presente, presidida pelo Núncio Apostólico em Moçambique, Dom Luís-Miguel Muñoz Cárdaba.

Em seguida, a urna contendo os restos mortais de Dom Osório será levada para a Arquidiocese de Nampula, onde decorrerá o funeral familiar e a sepultura do seu corpo, no Cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula.

“No sábado, às 10.00 horas, terá lugar, na Catedral de Nampula, a Missa de corpo presente, presidida por Dom Inácio Saúre, Arcebispo Metropolitano de Nampula, depois de que o corpo será sepultado no Cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula, junto ao Seminário Propedêutico Mater Apostolorum”, informa ainda o documento.

Neste momento de dor, unimo-nos à Igreja universal, e à moçambicana em particular, em oração e ação de graças a Deus pela vida e missão de D. Osório, e pela consolação das suas famílias de sangue e religiosa, conclui a nota da CEM convidando todos os fiéis e pessoas de boa vontade a viver este tempo com espírito de fé, esperança e comunhão, e confiando a alma de D. Osório ao Senhor da Vida, que nunca abandona os Seus servos fiéis.

Entretanto, numa mensagem aos Missionários da Consolata por ocasião da morte de Dom Osório Afonso, o Superior Geral, Padre James Bhola Lengarin, IMC, os convida a rezar e a permanecer unidos, esperando que “a verdade sobre o sucedido venha ao de cima plenamente”.

“Osório era um de nós. Um irmão simples e sorridente, capaz de caminhar entre o povo sem defesas, apenas com a força da Palavra de Deus, um missionário que nunca deixou de acreditar na bondade das pessoas, na paz, na reconciliação, um pastor consumido pelo serviço, até ao último dia”, enfatiza o Superior Geral.

Neste momento difícil, exorta o Padre Lengarin, rezai por D. Osório, pela sua diocese, pela Igreja de Moçambique, por aqueles que carregam medo e confusão nos seus corações, e que a verdade sobre o que aconteceu venha ao de cima por completo, pois a morte de um pastor não pode permanecer envolta em silêncio ou incerteza.

“Confio o nosso querido Osório à misericórdia do Senhor, certo de que o seu sorriso continua agora na luz do Ressuscitado. Reza por nós, querido irmão Bispo!", conclui o Superior Geral.

Padre Bernardo Suate – Vatican News
Fonte: https://www.vaticannews.va

8 de junho de 2026

República de Moçambique: Há 13 Milhões de Crianças a Viver em Situação de Pobreza em Moçambique (26 de Maio de 2025)


Das cerca de 16,4 milhões de crianças que vivem no país, 70,3% vivem em pobreza de consumo e 41,3% têm privações em várias dimensões “essenciais do seu bem-estar”

Cerca de 13 milhões de crianças moçambicanas, das mais de 16 milhões, vivem em situação de pobreza, indica um relatório do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) lançado esta segunda-feira, que aponta também para “desigualdades profundas”.

“Apesar dos progressos em algumas áreas, a pobreza infantil em Moçambique continua a afetar um número inaceitavelmente elevado de meninas e meninos. Cerca de 77% das crianças vivem em situação de pobreza, seja monetária, multidimensional ou ambas”, disse Yannick Brand, representante adjunto da agência das Nações Unidas em Moçambique, durante o lançamento, em Maputo, do relatório sobre pobreza infantil em Moçambique.

O responsável apontou para a existência de “desigualdades profundas” em Moçambique, entre territoriais e estruturais, o que leva a que algumas crianças continuem a viver em condições “significativamente mais desfavoráveis”, com a pobreza rural aproximadamente “três vezes maior que a pobreza urbana”.

“A pobreza infantil é mais do que a falta de recursos. Ela compromete o acesso à educação, à saúde, à nutrição adequada, à proteção e ao direito a uma infância plena e compromete, inevitavelmente, o desenvolvimento sustentável do país”, referiu Yannick Brand.

Segundo o representante da agência das Nações Unidas, das cerca de 16,4 milhões de crianças em Moçambique, 70,3% vivem em pobreza de consumo e 41,3% têm privações em várias dimensões “essenciais do seu bem-estar”, sendo que “uma em cada três crianças vive em pobreza simultânea”.

No relatório aponta-se que a crise provocada pelas dívidas ocultas, pandemia da covid-19, choques climáticos e os relacionados com conflitos como alguns dos fatores que contribuíram para o aumento da pobreza monetária infantil moçambicana.

Face às disparidades, Yannick Brand defende a promoção de respostas integradas que acompanhem a criança desde a primeira infância e até à adolescência, o fortalecimento dos mecanismos de proteção social e de resiliência aos choques e a consolidação da produção e uso de evidências como base para o planeamento, monitorização e avaliação de políticas públicas centradas na criança.

“Este relatório é, acima de tudo, uma chamada à responsabilidade coletiva. Que possa inspirar a elaboração de políticas mais inclusivas, reforçar o nosso compromisso com as crianças e servir como catalisador para ações concretas”, concluiu o responsável, reafirmando o compromisso da Unicef com o Governo moçambicano e com “cada criança”, visando “reduzir a pobreza infantil em todas as suas formas”.

Agência Lusa , MCC
26 de Maio de 2025

Portugal: Carta Aberta ao Primeiro-Ministro e Ministros da Economia e das Finanças (Manuela Cortes, 24 de Outubro de 2011)


CARTA ABERTA AO PRIMEIRO-MINISTRO E MINISTROS DA ECONOMIA E DAS FINANÇAS






Portugal: Agrava Distância Entre Ricos e Pobres (22 de Outubro de 2008)

 


Relatório da OCDE. Os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres.
 
A desigualdade continua a aumentar em Portugal, afirma a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, que atribuiu a 28.ª posição a Portugal. Pelo contrário, México, Grécia e Reino Unido diminuíram o fosso
 
Portugal apresenta um dos maiores índices de desigualdade na distribuição dos rendimentos da sua população, em valores reportados a 2005. O estudo é da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), que agrupa os 30 países mais industrializados do mundo.

No seu relatório "Crescimento e Desigualdade", ontem divulgado, a OCDE afirma que o fosso entre ricos e pobres aumentou em 23 dos seus 30 países membros (Espanha, França e Irlanda destacam-se entre as excepções), bem como a pobreza infantil. Em contrapartida, a faixa etária entre os 55 e os 75 anos "viu os seus rendimentos aumentar mais nos últimos 20 anos", sendo a pobreza entre os pensionistas inferior à média da população da OCDE. Neste lapso de tempo, as famílias ricas melhoraram muito a sua situação em relação aos pobres. Porém, alguns países registaram melhores resultados do que outros: desde 2000, por exemplo, o fosso entre ricos e pobres aumentou no Canadá, Alemanha, Noruega, EUA, Itália e Finlândia, mas diminuiu no México, Grécia, Austrália e Reino Unido. Nos países onde as diferenças sociais são mais importantes, o risco de pobreza é maior e a mobilidade social mais baixa, segundo a organização.

O nível de desigualdade é dado pelo coeficiente de Gini, tanto maior, quanto maior for essa desigualdade. A média dos 30 países da OCDE em 2005, situa-se em 0,311; os países mais igualitários são a Dinamarca (0,232) e a Suécia (0,234); os mais desiguais são o México (0,474) e a Turquia (0,430). Em 28.º lugar surge Portugal, com 0,385, logo a seguir aos EUA, com um coeficiente de Gini de 0,381. O valor de Portugal em meados da década actual representa um agravamento desde o ano 2000, que poderá estar ligado à crise da economia nacional e à recessão em 2003. Já quanto ao limiar da pobreza, Portugal ocupa a 20.ª posição entre os 30 países avançados. Ele corresponde a 60% do rendimento mediano no países, depois de impostos e transferências, isto é, depois da intervenção da política de redistribuição de rendimentos de cada Estado. O valor encontrado para Portugal é de 20,7% da população abaixo da linha de pobreza, que corresponde ao valor equivalente a 20 anos atrás, mas traduz uma tendência de melhoria desde 1995, altura na qual a população em risco de pobreza ascendia a 22,1%.

A taxa média de pobreza nos 30 países da OCDE situa-se nos 17,4%. Os países com menor número relativo de pobres são a República Checa (11,5%) e a Dinamarca (12,3%), enquanto as mais altas taxas se encontram no México (25,3%) e na Turquia (24,3%). A OCDE pediu aos países para "fazerem muito mais" na promoção de um emprego remunerado, capaz de fazer desse trabalho um meio para lutar contra a pobreza.
 
António Perez Metelo
Diário de Notícias 2008-10-22

21 de maio de 2026

Guerra Colonial: Memórias de Guerra - O Abraço dos Antigos Inimigos (8 de Março de 2008)



O presidente João Bernardo Vieira dispara uma rajada de boa disposição na direcção de Coutinho e Lima: “Devo dizer-lhe que bebi do seu uísque. Ainda me lembro da marca, Old Parr, era muito bom.” A sala do Hotel Palace Bissau irrompe numa gargalhada. Se há 35 anos o homem então conhecido como ‘Nino’ Vieira se tivesse deparado com o major Coutinho e Lima o mais certo seria um deles não sobreviver ao encontro.

Em 1973, ‘Nino’ liderou o ataque do PAIGC ao quartel de Guiledje, no Sul da Guiné. Ao fim de cinco dias de bombardeamentos, Coutinho e Lima decidiu retirar. Mais de 600 pessoas escaparam a pé, por um trilho de terra batida, conseguindo passar despercebidas ao PAIGC. A queda da guarnição significou o fim da ideia de que Portugal poderia evitar uma derrota militar na Guiné.

O Simpósio de Guiledje juntou na Guiné ex-combatentes guineenses, portugueses, cubanos e cabo-verdianos. Os antigos inimigos revisitaram os locais onde combateram e partilharam as várias versões de uma guerra – todos o admitem hoje – injusta e desnecessária.

O encontro trouxe algumas revelações surpreendentes. ‘Nino’ Vieira despiu a pele de presidente da República da Guiné-Bissau para contar a sua experiência como comandante do PAIGC na zona sul e responsável pelo ataque ao quartel português. Desde 1972 que as Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP) – a face armada do PAIGC – planeavam o ataque a Guiledje. Amílcar Cabral estudou a ofensiva ao pormenor, mas decidiu adiá-la. Assassinado em Janeiro de 1973, não assistiu à concretização do plano. ‘Nino’ lembra que a morte de Cabral levou o conselho de guerra do PAIGC a pôr em prática “uma grande operação militar que desse um sinal aos nossos combatentes e ao povo guineense de que estávamos com força e de que não iríamos desistir”. O ataque a Guiledje implicou um demorado estudo topo-gráfico: “Só tínhamos um mapa à escala 1/500.000 m, o que comprometia a eficácia da artilharia. Homens como Osvaldo Vieira ou o comandante cubano Raúl Diaz Arguelles palmilharam o terreno e conseguiram elaborar um mapa à escala 1/50.000”, lembra ‘Nino’ Vieira.

Havia ainda um outro ensaio por fazer. A 25 de Março, o comandante manda fazer um ataque simulado a Guiledje. “O objectivo era fazer o inimigo chamar os meios aéreos.” Em menos de cinco minuto, o Fiat a jacto aparece nos céus. Era uma oportunidade única de experimentar o ‘Strella’, um míssil terra-ar cedido pela União Soviética aos independentistas. O tiro sai certeiro. O avião é atingido e despenha-se: “Ficámos tão eufóricos que nem demos conta de que o piloto se tinha ejectado. Com o ‘Strella’ acabava-se a superioridade do Exército colonial. Já podíamos atacar de dia”, lembra ‘Nino’.

Estava previsto que o ataque a Guiledje ocorresse em simultâneo com o que teve lugar em Guidaje, no Norte da Guiné, liderado por Luís Cabral, irmão do malogrado líder do PAIGC. ‘Nino’ explica que “o facto de eles terem sido detectados levou-os a anteciparem o ataque”. Ainda assim, a ofensiva no Norte obrigou o general Spínola, comandante militar e civil da colónia, a fazer deslocar para o Norte quase todo o dispositivo disponível.

Coutinho e Lima, comandante de Guiledje e do COP5 (Comando Operacional 5, que compreendia a região sul, junto à fronteira com a Guiné-Conacri), está entregue apenas aos seus 150 homens quando, a 18 de Maio, três corpos do Exército das FARP iniciam a ofensiva. Os morteiros de 120 mm começam a chover sobre o quartel, obrigando militares e civis a meterem-se nos abrigos. Os pedidos de reforços são recusados. No dia 19, Coutinho e Lima parte para Bissau, onde expõe a Spínola a gravidade da situação. Pede reforços, mas o general não só lhe recusa ajuda como o manda de volta a Guiledje com a informação de que vai ser destituído do comando nos próximos dias.

No dia 21, o major chega ao quartel. Ao inteirar-se da situação, assume que só há duas opções: “Percebi que era impossível obter uma vitória militar. Ou ficávamos ali à espera do novo comandante – que não trazia reforços – e arriscávamo-nos a um grande número de baixas civis e militares – ou abandonávamos o quartel.” Sem água e condições sanitárias e com um armamento muito inferior ao do inimigo, Coutinho resolve sair. “Nunca me arrependi dessa decisão”, diz o homem que esteve um ano preso por causa dela. Três dias depois o PAIGC entra em Guiledje. O corredor do povo – a zona por onde o PAIGC fazia entrar homens e abastecimentos vindos das bases na Guiné-Conacri e que os portugueses apelidavam de corredor da morte – estava livre de perigo. Afastada a aviação e garantida uma logística eficaz, o PAIGC tinha tudo para ganhar a guerra, mas foi preciso chegar o 25 de Abril de 1974 para que as armas se calassem de vez.

Nos últimos dias o corredor mudou outra vez de nome. Tornou-se no corredor da paz.

Debaixo do fogão de Adão, a enorme árvore onde os militantes da guerrilha paravam para comer quando vinham da Guiné-Conacri, os velhos inimigos abraçaram-se. Coutinho e Lima recebeu do régulo de Guiledje um grand bubu, o traje branco tradicional usado pelos mais velhos e sábios.

Ali, onde a selva é mais densa, os velhos inimigos enterraram de vez o machado de guerra.

PALAVRAS DE CABRAL IMPRESSIONAM FIDEL

Decorria o ano de 1966 quando Amílcar Cabral se deslocou a Havana para intervir na conferência Tricontinental. As suas palavras causaram um impacto tão forte em Fidel Castro que desde logo o comandante se disponibilizou para apoiar a “luta de libertação nacional” do PAIGC. Ainda no mesmo ano, parte para África o primeiro contingente, de 25 elementos. Ulisses Estrada tinha 33 anos e a experiência de ter combatido no Congo ao lado de ‘Che’ Guevara. “Tínhamos consciência de que vínhamos combater o neocolonialismo, como uma das etapas da luta anticapitalista”, recorda o ex-gerrilheiro.

Ulisses combateu ao lado dos “irmãos guineenses”, mas a doença provocada pela mosca tsé tsé obrigou-o a voltar meses depois ao país natal.

O seu compatriota Óscar Oramas assumiu nesse tempo o posto de embaixador de Cuba na Guiné-Conacri. Intensificou-se, desde então, o uso deste país como localização das bases logísticas da guerrilha. De acordo com as estimativas do ex-embaixador, durante oito anos terão passado pela Guiné-Bissau “mais de 500 combatentes soldados cubanos”.

UMA AFINADA MÁQUINA DE GUERRA

O cabo-verdiano ‘Manecas’ Soares é desde sempre uma das figuras mais carismáticas da luta do PAIGC. Foi ele o primeiro a aprender a manobrar os poderosos mísseis ‘Strella’ SAM 7, a arma que neutralizou a aviação portuguesa. Manuel foi à União Soviética aprender a disparar os mísseis e os primeiros resultados apareceram em 1973. Mas o antigo comandante explica que o êxito da luta vai muito para além das armas: “Amílcar Cabral era um homem muito acima de qualquer um de nós, tanto a nível político como militar. Todas as unidades das FARP foram formadas por ele. Era um estratega brilhante”, lembra. Apesar da esmagadora inferioridade numérica em relação às tropas portuguesas – sete para 40 mil – os combatentes das FARP sabiam como usar os seus recursos de modo a criarem o maior número de estragos com poucas baixas. Desde 1964 que começaram a ter zonas libertadas. Com grande mobilidade e rigor táctico e um armamento mais moderno e eficaz do que o Exército colonial, a guerrilha tornou-se imbatível, sobretudo a partir de 1973. O PAIGC contava com mulheres nas fileiras e não só para tratar da logística. Também combatiam e dormiam no mato.

GUINÉ NO CAMINHO DE ABRIL

Se o 25 de Abril tivesse falhado em Portugal, nós estávamos preparados para fazer uma acção armada na Guiné.” O coronel Carlos Matos Gomes foi ao Simpósio de Guiledje explicar como a guerra ajudou à revolução dos cravos.

“Em 1973 os portugueses perceberam que a guerra chegara ao fim. Tivemos a noção de que era impossível manter a integridade física do dispositivo e evitar baixas tão significativas que virassem a opinião pública contra a guerra”, diz Matos Gomes, comandante dos Comandos durante a guerra colonial.

“Há uma ruptura entre os militares e os políticos portugueses. Em termos económicos a Guiné não valia uma guerra. Só valia para contrariar o efeito de dominó que alastrasse a Angola e Moçambique”, disse.

Em Setembro de 1973 o PAIGC declara unilateralmente a independência, acto que é reconhecido pela esmagadora maioria dos países da ONU. “A guerra passou a ser vista como um acto ilegal, o que é muito difícil de aceitar para um militar”, considera Matos Gomes.

Pedro Lauret, capitão-de-mar-e-guerra da Marinha também esteve na Guiné e participou nas primeiras reuniões que haveriam de fazer nascer o Movimento das Forças Armadas. Acabou por participar no 25 de Abril já em Lisboa, mas foi na Guiné que percebeu que “o problema da guerra colonial só se poderia resolver com uma mudança de regime”.

GOVERNADOR CIVIL DESTITUÍDO

A 26 de Abril de 1974 um grupo de oficiais, entre os quais se encontrava o então capitão Matos Gomes, destitui o governador civil e comandante militar, Bettencourt Rodrigues, e assumiu a revolução na colónia. A guerra só terminou em Agosto desse mesmo ano.

RECORDAR ATÉ ÀS LÁGRIMAS

Não foram poucas as vezes que as lágrimas apareceram durante os debates que tiveram lugar em Bissau. Afinal, para muitos dos participante no Simpósio de Guiledje esta era a primeira vez que encaravam os inimigos, agora feitos irmãos.

Ao longo de sete dias – incluindo dois de viagem aos lugares da guerra no Sul da Guiné – duas centenas de participantes debateram o passado e o futuro da guerra colonial. Organizado pela organização não governamental Acção para o Desenvolvimento (AD), com o apoio de vários parceiros, o Simpósio tinha por objectivo fazer luz sobre os factos de uma guerra que terminou há 35 anos.

Houve polémicas e desencontro de ideias, mas o cruzamentos dos factos levou, na maior parte dos casos, a um saber acrescentado sobre a guerra. No final do Simpósio, Iva Cabral, filha do líder histórico do PAIGC, Amílcar Cabral, homem a quem todos quiseram prestar homenagem, dizia-se “muito feliz”.

E não era certamente a única.

'NINO' VIEIRA PEDE AJUDA A PORTUGAL

Durante o Simpósio Internacional sobre Guiledje, que inaugurou, ‘Nino’ Vieira lançou um repto ao Governo português: “É preciso que Portugal olhe mais para a Guiné-Bissau.” O presidente guineense concretizou o sentido das suas palavras com um exemplo: “Veja-se o caso dos professores. Havendo tantos desempregados em Portugal, seria muito importante que eles viesse para a Guiné, ao abrigo dos acordos de cooperação.” As palavras de ‘Nino’ Vieira coincidiram com a presença no território de João Gomes Cravinho, secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, e Carlos Costa Pina, secretário de Estado do Tesouro e Finanças. Os dois governantes assinaram em Bissau vários protocolos de cooperação que vão levar milhões de euros ao país africano. A Educação é uma das prioridades.

CRONOLOGIA

1959 - MASSACRE DO PIDJIGUITI

Um protesto dos estivadores do porto de Bissau é reprimido com grande violência. O episódio convence Amílcar Cabral a optar pela luta armada.

1963 - ATAQUE AO QUARTEL DE TITE

Primeira acção armada do PAIGC dá início à guerra na Guiné-Bissau. Portugal é obrigado a um grande reforço do dispositivo militar.

1964

Congresso de Amílcar Cabral reorganiza o aparelho militar e político do PAIGC e cria as Forças Armadas Revolucionárias do Povo. A guerrilha ganha eficácia.

1968 - SPÍNOLA SUBSTITUI SHULZ A 2 DE MAIO

O general Spínola é nomeado comandante militar e governador civil da Guiné. Usa a política como arma de conquista das populações.

1970 - 'OPERAÇÃO MAR VERDE'

Estratégia de larga escala de tropas portuguesas na Guiné-Conacri. Resultou numa tentativa (falhada) de assassinar Amílcar Cabral.

1973 - MORTE DE AMÍLCAR CABRAL A 20 DE JANEIRO

O líder histórico do PAIGC é assassinado em Conacri, num crime cujos contornos não são ainda totalmente conhecidos.

1973 - O PRIMEIRO AVIÃO É ABATIDO A 25 DE MARÇO

Um jacto Fiat G91 é alvejado. Outros casos se seguem. A aviação deixa de bombardear o inimigo com tanta regularidade.

1973 - GRANDE OFENSIVA A 8 DE MAIO

Começa um grande ataque do PAIGC no Norte, com o quartel de Guidaje como alvo. Segue-se Guiledje, a 18 de Maio. Cai passados cinco dias.

1973

Comunicado unilateral do PAIGC declara unilateralmente a independência em Madina do Boé. O país é reconhecido pela esmagadora maioria dos países da ONU.

1974 - CESSAR-FOGO APÓS O 25 DE BARIL

Dá-se início a negociações. O cessar-fogo é acordado em Junho. A 26 de Agosto do mesmo ano Portugal reconhece a independência.

EXUMAÇÃO DOS CORPOS

A Liga dos Combatentes de Portugal vai proceder à exumação, ainda este mês, dos corpos de dez militares portugueses sepultados em 1973 em Guidaje.

PREPARATIVOS DO ASSALTO

‘Nino’ Vieira antes do assalto ao quartel de Guiledje, a 18 de Maio de 1973, na grande ofensiva do PAIGC. O aquartelamento caiu passados cinco dias.

370 ATAQUES EM NOVE MESES

No aquartelamento de Gandembel as tropas portuguesas sofreram 370 ataques em apenas nove meses. Foi abandonado em Janeiro de 1969.

OS HOMENS DA GUERRA

‘Nino’ Vieira era há 35 anos o chefe das forças guerrilheiras no Sul e comandou o ataque a Guiledje. Coutinho e Lima era o oficial que chefiava o quartel.

PAIGC NASCE EM SETEMBRO DE 1959

Criada a sede do PAIGC, nascido na Guiné-Bissau a 19 de Setembro de 1959 por Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Luís Cabral e Júlio de Almeida, entre outros.

148 MIL HOMENS NO FINAL DE 1973

A 31 de Dezembro de 1973, os efectivos militares nas três frentes de guerra totalizavam 148 mil homens. Angola 65 000, Moçambique 51 000 e Guiné 32000.

HOMENAGEM AOS COMBATENTES

Para homenagear os que combateram foi erguido no Forte do Bom Sucesso (Lisboa), em 1994, o Monumento Nacional aos Combatentes do Ultramar.

1240 MORRERAM EM COMBATE

A grande maioria dos militares que morreu caiu em combate: Moçambique (1481), Angola (1306) e Guiné (1240). De notar, contudo, as enormes diferenças nas dimensões territoriais. Angola tem 1 246 700 km2, Moçambique 799 380 km2 e Guiné 36 125 km2.

8290 é o número de mortes ocorridas durante os 13 anos de Guerra Colonial nas três frentes de combate: Angola 3250; Moçambique 2962 e Guiné 2070.
 
José Carlos Marques, enviado especial (Guiledje)
Correio da Manhã - 08 Março 2008

17 de maio de 2026

República de Moçambique: PRM Detém e PGR Solta, as Duas Instituições não se Entendem (Ano 2008)


Está instalado o conflito entre estes dois sectores de justiça na província de Manica

Chimoio (Canal de Moçambique) - Depois do instalado desentendimento entre a Procuradoria Geral da República na província de Manica e a PRM (Polícia da República de Moçambique) ao mesmo nível, o presidente da comissão da legalidade de Manica, Tomé Gabriel Matuca, acabou por há dias perante a imprensa, admitir que há este ambiente entre o Comando Provincial da PRM e da Procuradoria provincial. Ambas instituições, agora em rota de colisão na província que tem por capital a cidade de Chimoio, também compõem a referida comissão, e nos últimos dias sabe-se que o problema deriva de desavenças no que respeita a procedimentos operacionais. Uma detém outra solta.

O conflito surge na sequeência de “solturas ilegais” de vários indivíduos, feitas pela Procuradoria, que a PRM entende serem uma forma de desvalorização do “serviço árduo” que diz estar a fazer para extinguir o índice de criminalidade na província. Por outras palavras, não se entendem porque a PRM prende quem julga que cometeu algum crime, e a PGR solta porque entende não haver matéria.

Em contacto com Tomé Gabriel Matuca, presidente da comissão da legalidade em Manica, uma espécie de fórum em que intervém as duas instituições desavindas, este descreve os reboliços que se verificam entre a Polícia e a Procuradoria, como algo que leva a crer que de facto há graves anormalidades a acontecer entre estas duas instituições cuja missão é garantir a lei e ordem.

Questionado se a comissão tem promovido encontros visando analisar o desempenho das instituições, sobretudo, para apreciar se as regras estabelecidas estão ou não a ser observadas, Tomé Matuca respondeu que sim. Referiu que é mesmo porque o ambiente de fricção já está identificado que para além de outros já realizados consta da agenda, mais um encontro, tendo em vista a reformulação deste organismo criado para assegurar a observância de aspectos legais nas instituições de justiça e prisionais. Disse que esse novo encontro também será feito na sequência da chegada à província de um novo comandante provincial, que já se encontra a exercer as sua funções. Avançou que tal reunião será antecedida duma outra com a qual se pretende auscultar as duas partes ora em fase acusações mútuas, em dois casos que envolvem um jovem de nome Elvis César Juízo, tido como proxeneta e burlão.

JUIZ

Depois do conflito recentemente dado a conhecer pela imprensa em Manica, existente entre a PGR e a PRM na província, o juiz de instrução preparatória do caso, Dário Ossumane, recusou-se a legalizar a detenção de Elvis Juízo, embora fontes também ligadas ao assunto tenham confirmado à imprensa que já estava legalizada a sua detenção preventiva. O indivíduo em causa, é acusado de ter praticado dois crimes que no termos da lei se defende que são susceptíveis de admitir prisão. Um dos alegados crimes é de burla por defraudação, outro por alegadamente o indiciado ter aliciado uma rapariga menor a envolver-se com muitos homens, “maioritariamente estrangeiros”, sem no entanto lhe pagar pelos serviços prestados. Foi então, aparentemente a juiz que entendeu não haver razão para manter nos calabouços o tal indivíduo.

PROCURADOR E AMEAÇAS A JORNALISTAS

Depois de publicada a matéria que tinha a ver com o caso Elvis, o procurador chefe provincial, Tomas Zandamela, atirou farpas aos jornalistas desabafando toda a sua fúria: “todo o procurador tem o directo de soltar todos os individuos detidos ilegalmente e vejam se não pisam a linha porque todos nós estamos na mesma cidade e esta é pequena”, disse. Ficou registada a ameaça. Os jornalistas entendem que o assunto é notícia. Zandamela pelos vistos não é da mesma opinião. Preferir que se fizesse silêncio. Como as coisas não correram do seu agrado vai daí e toca de mandar recados ameaçadores aos jornalistas. Fica por resolver o essencial: o conflito aberto entre duas instituições da Justiça em Manica.

(José Jeco)
2008-10-28 05:31:00
www.canalmoz.com

República de Moçambique: Renamo Ameaça Jornalistas em Sofala (18 de Outubro de 2008)


O jornalista da Rádio Moçambique (RM) Moisés Saela foi quinta-feira apupado pelo chefe da bancada da Renamo-União Eleitoral (RUE) na Assembleia Municipal da Beira, José Cazonda, por alegadamente ter entrevistado o porta-voz da “perdiz” naquele órgão deliberativo, Moisés Machava, descrito como sendo apoiante da candidatura de Manuel Pereira.

Ainda na mesma data, os repórteres Francisco Raiva, da Soico Televisão (STV), e Edwin Honow, colaborador do semanário Zambeze, foram também ameaçados pelo ex-director  de Mercados e Feiras na edilidade, Arnaldo Tivane, sob alegação de estarem a favorecer a ala de Daviz Simango nos seus artigos jornalísticos.

No intervalo do último dia da XXIV Sessão Ordinária da Assembleia Municipal da Beira, o jornalista Moisés Saela entrevistou o porta-voz da bancada da Renamo-União Eleitoral, o brigadeiro Moisés Machava, para este se pronunciar sobre algumas posições contraditórias no seio da “perdiz”. Depois da conversa, surpreendentemente, o chefe daquela bancada, José Cazonda, insurgiu-se afirmando que Machava já não era porta-voz do grupo na Assembleia.

“Alô, o senhor entrevistou o Machava na qualidade de quem? O que ele disse? Por que o entrevistou? Alguma vez eu disse que Machava era porta-voz? São vocês que andam a arranjar confusão no seio da Renamo. Qual é o seu jornal mesmo? Digo-te desde  já: não entreviste mais esse Machava, chefe da bancada sou eu e mais ninguém” - disse, dirigindo-se num tom colérico, sob o olhar passivo  e bem atento tanto de Saela como de outros “homens da pena” que faziam a cobertura do evento.

Perante tais afirmações, o brigadeiro Moisés Machava disse aos jornalistas para desvalorizarem tais pronunciamentos, reiterando ser ele o porta-voz da bancada da Renamo.

“Não se preocupem meus senhores, eu continuo porta-voz da Renamo. Eu fui formado como porta-voz num encontro dirigido pelo senhor Fernando Mazanga, onde também esteve Geraldo Carvalho, pela delegação política da cidade, este  já cessou as funções, e Lucas Zabica, que é porta-voz da Renamo ao nível da província de Sofala. Digo mais uma vez, sou o porta-voz da bancada até que haja ordens contrárias do partido”.  

Enquanto isso, o jornalista da STV na Beira, Francisco Raiva, disse ao “Notícias” que está a sofrer ameaças verbais por parte do recém-destituído  director de Mercados e Feiras do Conselho Municipal, Arnaldo Tivane, que alega que a cobertura jornalística do visado está sendo tendenciosa, ou melhor, está a promover a imagem do senhor Daviz Simango.

“Foi um frente-a-frente com muitas palavras injuriosas. O senhor Tivane disse que a equipa da STV foi “comprada” pelo presidente Daviz Simango. Apesar de ser duro demais, nós não vamos nos deixar intimidar por isso, continuaremos a trabalhar normalmente, porque a nossa missão é informar ao povo, trazendo a verdade” - disse Raiva.

Já o jornalista e colaborador do semanário Zambeze Edwin Honou revelou que tem recebido ameaças telefónicas de Arnaldo Tivane, acusando-o, igualmente, de estar ao serviço de Daviz Simango”. Isto não é bom para a nossa liberdade de Imprensa” - reconheceu.

Maputo, Sábado, 18 de Outubro de 2008:: Notícias

13 de maio de 2026

Portugal: Canal História Estreia Série Sobre Lisboa Subterrânea (11 de Novembro de 2008)

 


O canal História vai assinalar o décimo aniversário em Novembro com uma renovação de imagem e a estreia de uma série de 12 episódios de produção própria – «Lisboa debaixo de terra» –, que vai para o ar no dia 10 de Novembro, pelas 21:00 horas, de acordo com o anunciado em conferência de imprensa esta terça-feira.

O programa, realizado por Inês Velho da Palma, vai mostrar os esconderijos, as criptas, as fortalezas e os mistérios que se escondem por baixo da capital, encerrando histórias da História.

«Este ano o canal História comemora 10 anos de emissão. Foram dez anos de compromisso, o que nos levou a aumentar a aposta na produção nacional», afirmou Mercedes Rico, directora de programação. «A História está viva, constrói-se dia a dia», acrescentou.

O presidente da Câmara de Lisboa manifestou a sua gratidão relativamente ao novo programa do canal. «É uma grande oportunidade quando uma instituição da envergadura do canal História, presente em vários países, dedica 12 episódios a histórias locais», declarou o presidente António Costa, que destacou o papel pedagógico do canal. «Só conhecendo aprendemos a respeitar e a conservar», comentou.

No primeiro episódio, o programa vai visitar o Pátio dos Quintalinhos, cuja entrada se situa na Rua das Escolas Gerais. Trata-se de um local de grande importância histórica, já que foi ali que D. Dinis fundou a primeira universidade de Lisboa – «Estúdio Geral» –, em 1290.

Posteriormente, o programa visitará outros lugares como o Refúgio da Patriarcal, as Ruínas do Teatro Romano, os Fornos de El-Rei, o Forte do Alto do Duque, o Antigo Convento de Corpus Christi, o Palacete Rústico de Meados do séc. XIX, o Bairro Estrela D´Ouro, o Padrão dos Távoras e as Galerias Romanas.

O canal História também assinala o seu aniversário com a reformulação da sua imagem, a partir de 4 de Novembro.

O logótipo vai ser alterado e a temática dos conteúdos vai ser mais abrangente, com a introdução de programas que vão abordar a arqueologia, a cultura pop, a astronomia, entre outros.

Aos sábados e domingos, o canal emitirá especiais de programação com os 15 documentários mais aplaudidos pelo público.

Em Novembro, o canal estreará ainda o programa «Luta no Jurássico», que pretende recriar, à luz de investigações e descobertas recentes, os duros combates que tiveram lugar neste período.

Pedro Resendes
Diário Digital 2008-10-21