22 de fevereiro de 2026

Moçambique: D. Manuel da Silva Vieira Pinto, Foi um Prelado Português e Bispo de Nampula


Manuel da Silva Vieira Pinto (Aboim, 8 de dezembro de 1923 – Porto, 30 de abril de 2020)
Foi um Prelado Português e Bispo de Nampula em Moçambique

Sacerdócio

Manuel da Silva Vieira Pinto nasceu em Aboim (Amarante), Portugal e estudou teologia no seminário diocesano do Porto e em 7 de agosto de 1949 foi ordenado sacerdote na catedral do Porto por Agostinho de Jesus e Sousa, Bispo do Porto. Ele trabalhou na pastoral e esteve envolvido na ação católica. Em 1955, tornou-se espiritual do seminário diocesano. Em 1958, devido à situação política em Portugal, ele teve que se exilar em Roma. Foi assistente do teólogo do Conselho Vítor Feitor Pinto nas últimas reuniões do Concílio Vaticano II.

O Papa Paulo VI nomeou-o Bispo de Nampula em 21 de abril de 1967. O Núncio Apostólico em Portugal, Maximilien de Fürstenberg, ordenou-o bispo em 29 de junho do mesmo ano; os co-consagradores eram Florentino de Andrade e Silva, Bispo Auxiliar no Porto, e Manuel Maria Ferreira da Silva, superior geral emérito da Sociedade Portuguesa das Missões Católicas Ultramarinas. Manuel Vieira Pinto esteve significativamente envolvido na reorganização da Igreja Católica em Moçambique. Em 1975, foi eleito Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM).

Em 4 de junho de 1984, foi nomeado arcebispo pelo Papa João Paulo II e em 12 de dezembro de 1992 foi nomeado administrador apostólico de Pemba. Ele renunciou ao cargo em 18 de janeiro de 1998. Em 16 de novembro de 2000, João Paulo II aceitou sua renúncia por idade da Arquidiocese de Nampula.

Faleceu na Casa Sacerdotal da Diocese do Porto em 30 de abril de 2020.

Ativismo

As condições políticas e anti-humanas em Moçambique na época do domínio colonial português foram criticadas publicamente por Vieira Pinto. Por isso, as autoridades o expulsaram do país na década de 1960. Ele foi um dos poucos críticos domésticos em seu círculo que se opuseram à repressão da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE). Durante a sua presidência da Conferência Episcopal de Moçambique (CEM), fez uma campanha ativa pelo fim da guerra entre a FRELIMO e a RENAMO, cujas atrocidades foram denunciadas publicamente.

Por causa da sua atitude antifascista em relação ao Estado Novo, foi convidado para o Conselho de Estado nos primeiros dias após a Revolução de 25 de Abril de 1974 por António de Spínola, Presidente da Junta de Salvação Nacional. Ele já havia sido preso pela PIDE e foi exilado pelo governo de Salazar. Em Roma, juntou-se ao movimento por um mundo melhor (Movimento per un mondo migliore), do jesuíta Riccardo Lombardi SJ.

Manuel Vieira Pinto foi considerado persona non grata pelo regime fascista português devido à sua campanha contra a guerra colonial.

A 27 de julho de 1992, foi condecorado pelo Presidente da República Portuguesa, Mário Soares, com o grau de Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, pelo seu trabalho em defesa dos valores da civilização em favor da dignidade humana. A 9 de junho de 2001, foi agraciado com o grau de Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

África do Sul: Orania, a cidade sul-africana só para brancos


Orania, a cidade sul-africana só para brancos

Fundada em 1991, a cidade de Orania, no deserto de Karoo, na África do Sul, é um regresso ao passado. Aqui, o espírito do apartheid ainda existe e, assim sendo, só há lugar para brancos e as visitas de “pessoas de fora” têm de ser autorizadas.
 
Pumza Fihlani e Stanley Kwenda, jornalistas da BBC foram autorizados a passar alguns dias em Orania, sendo os únicos negros numa comunidade com cerca de 1000 pessoas.
 
Aqui só os “afrikaner” são aceites, ou seja, os descendentes de franceses, alemães e holandeses que chegaram à África do sul no século XVII.
 
Carel Boshoff Jr., líder desta comunidade e filho de um dos fundadores da cidade, explicou à BBC que Orania “foi a solução encontrada para não dominar os outros e não ser dominado por outros”. A comunidade branca, explica, foi obrigada a repensar o seu futuro, em 1994, altura em que o primeiro governo negro foi eleito no país. Orania surgiu então como resposta aos descendentes de europeus que viviam na África do Sul e que, na sequência dos acontecimentos, se começaram a sentir estrangeiros na sua terra natal.
 
Boshoff insiste que Orania é mal compreendida: “Nós não somos contra os negros, somos a favor de nós mesmos”.

Esta cidade, que tem lojas, salões de beleza, uma biblioteca, um posto de correios, um hotel, escolas e várias igrejas, existe como um reduto no interior da África do Sul: tem uma bandeira e moeda própria.
 
É o medo da violência crescente no país, que regista uma das maiores taxas de homicídio no mundo, e o confronto com o passado recente que leva muitos a abdicar dos trabalhos bem pagos na cidade e a viver em Orania.
 
“Não conseguimos empregos. É como se estivéssemos a ser punidos pelo passado”, conta um cliente de um bar local.
 
"Os níveis de criminalidade na África do Sul incentivam as pessoas a vir para Orania. Muitas delas foram vítimas de crimes”, diz Boshoff Jr.
 
Esta cidade, que começou como sendo uma companhia registada pelo pai de Carel Boshoff Jr., está legalmente protegida pela Constituição da África do Sul, onde existe uma cláusula que assegura o direito à autodeterminação, explica o artigo da BBC.
 
O futuro de Orania, um reduto branco no continente africano, num mundo cada vez mais interligado, é uma questão que fica por responder, mas, segundo um residente da cidade: “Ser um afrikaner em Orania é algo que estamos dispostos a defender com as nossas próprias vidas”.
 
Orania não é consensual, é sobretudo uma parte do reflexo de um país que ainda luta com o seu passado e, ao mesmo tempo, trabalha para construir um futuro diferente.
 
Fonte: Sapo MZ, 07 de Outubro de 2014