7 de março de 2009

Maputo: Maçaroca assada - Lição de vida




Maçaroca assada - Lição de vida Com a venda de maçaroca assada, muitas famílias sobrevivem escapando, assim, da pobreza sendo que os praticantes deste negócio são maioritariamente mulheres. Não são raras as vezes em que a criatividade surge como consequência do aperto que a vida nos oferece. O homem tem de se adaptar a qualquer situação e no caso da pobreza, tenta contornála. É neste contexto que surge o negócio da maçaroca assada nas ruas, sendo Angelina Sabonete uma das suas protagonistas. Esta mãe de 5 filhos, de 49 anos de idade, vende maçaroca desde 1986 e defende que esta actividade não pode ser considerada um pequeno negócio porque é com base nela que educou os seus fi - lhos, construiu uma casa de um quarto e sala e garante o pão de cada dia. Sabonete é uma mulher casada que em 1983 partiu de Mocuba, sua terra natal, para morar com o seu marido na capital do país, no Bairro do Museu. O seu esposo trabalhava como cozinheiro na casa de um português. Quando o seu patrão rescindiu o contrato na empresa, onde trabalhava como chefe de armazém, deixou-o desempregado, embora tenha prestado serviços para ele durante 28 anos. Angelina não se deixou abater, tendo continuado a sustentar toda a família. “Comecei esta actividade no bairro da Polana onde eu e o meu marido morávamos, mas logo que nos mudámos para Magoanine também comecei a vender na avenida Vladimir Lenine, perto do Capuchinho (Mercado Janet).” Esta vendedora diz que o preço da maçaroca, vai de 4 a 7 meticais, dependendo principalmente do tamanho destas. No entanto, Sabonete lamenta o facto de a maçaroca ser muito cara nos últimos tempos, o que acaba criando transtornos na venda pois tem de ser assada e para isso o factor carvão não pode ser descartado. “Compro mensalmente um saco de carvão em Boane a 430 meticais e 10 a 20 quilos de maçaroca a 10 meticais o quilo e transporto para cá,” refere. Questionada sobre o lucro diário, Sabonete gagueja e dá a palavra ao marido: “Ela ganha cerca de 100 a 150 meticais. E o que compra acaba no próprio dia ou no dia seguinte porque ela já se tornou popular na praça. Por ser uma mulher de fi bra acabou aprendendo Ronga.” Após algum tempo em Maputo, o marido de Angeline empregou-se como guarda numa casa no Bairro Central, recebendo mil meticais/ mês. “Com o meu salário compramos produtos como arroz, óleo, açúcar, amendoim e com o dinheiro das vendas da minha esposa compramos caril e pão. Pelo menos, não morremos de fome”, garante. Respondendo à questão sobre as cobranças “ilícitas”dos polícias municipais, Angelina afi rma que nunca se aproximaram dela, talvez porque aos olhos deles este é mais um pequeno negócio sem lucros. “Eles passam por aqui, mas nada dizem e eu não fujo.” Sabonete afirma não saber quanto ganha por mês porque utiliza o dinheiro nas despesas de casa sempre que vende. Em jeito de conclusão, refere que do futuro não há muito a esperar porque tanto ela como o seu marido já se encontram às portas da velhice. “Só nos resta morrer. Mas sugerimos que muitos moçambicanos que se fazem passar por mendigos façam algum negócio. Por exemplo, este senhor que está aí deitado como um mendigo pode muito bem trabalhar em vez de viver de esmolas. Isso é viver à sombra da bananeira,” concluiu Sabonete. Sem receio, Olinda Matsinhe, de 45 anos, afi rma que nasceu praticamente com este negócio no sangue. Matsinhe é casada, possui oito fi lhos e vive no Bairro Central. Na conversa conta que todos os fi lhos foram criados e educados com o auxílio deste negócio, por isso não se deve menosprezar as coisas quando não as conhecemos profundamente. “Começei a vender maçaroca em 1979. Na altura, o quilo custava 2 centavos e em Mafuiane, onde eu comprava em grandes quantidades, havia grandes produtores (agricultores). Na época não tinham esta tendência de agravar os preços como acontece com os pequenos agricultores de hoje.” Actualmente, Matshinhe vende maçaroca entre os três e os cinco meticais cada, comprando o quilo a 12 meticais. Segundo esta mãe batalhadora, actualmente a maçaroca não é muito vendida, com o agravo de passados três dias perder o gosto, por isso quando isto acontece, Matshinhe utiliza-a para fazer xima para a família. “Para preparar a maçaroca, compro carvão em latinhas de 10 meticais cada.” Matsinhe confessa que se sente cansada e, aos poucos, gostaria de deixar a rua, começando a dedicar-se mais à família. “Não tenho escolha, continuarei neste negócio,” conclui. O gosto da maçaroca assada... Simão Nguluve, jovem que trabalha como “barman” num restaurante da Baixa da cidade, conta que actualmente é difícil comprar maçarocas por isso estas vendedeiras são bem-vindas. “Eu compro sempre a maçaroca para matar a sede que frequentemente sinto dela,” explica. Na opinião de Nguluve, a venda deste produto deveria crescer cada vez mais e em boas condições porque muitas vezes as maçarocas não são assadas no momento. Laura Sumbane, residente no Bairro da Machava, afi rma que gosta da maçaroca e compra sempre na rua. “As pessoas andam tão ocupadas que não têm tempo de assar por isso acabam por comprar na rua.” Concluindo, Sumbane sugere que se façam melhorias na comercialização deste produto, desde a produção até ao consumo fi nal, sobretudo no que diz respeito à higiene. Escrito por Rúben Severiano - Foto: Jerónimo Muianga @Verdade, Sábado, 22 Novembro 2008

Moçambique: Cobras matam em Manica

Cobras matam em Manica Segundo o jornal Noticias, na sua edição deste Sábado, presume-se que as cobras sejam mambas, espécie de serpentes altamente venenosas. Bernardo Chamboco, responsável daquele posto administrativo, citado pelo matutino, disse que entre as vítimas mortais e feridos graves figuram crianças e mulheres que foram atacadas nas florestas de Nhamassonge, região considerada ecologicamente favorável à multiplicação de serpentes e de outros répteis. O assunto foi também apresentado ao governador de Manica, Maurício Vieira, num comício que orientou na sede daquele posto administrativo, por ocasião da sua visita ao distrito de Guro, terminada Sexta-feira. DT (AIM), 07 de Março de 2009

6 de março de 2009

Moçambique: Nampula

Moçambique: Ponta Malangane

Arquipélago das Quirimbas: Tartaruga verde dá à luz em Vamizi







Vulcão desperta na Indonésia

Vulcão desperta na Indonésia O maior vulcão da ilha de Java, na Indonésia, entrou em erupção esta sexta-feira, expelindo nuvens de fumo e cobrindo de cinzas uma cidade próxima. O Monte Semeru, com 3.676 metros de altura, despertou pouco depois da meia-noite (hora local), mas segundo as autoridades não representa um perigro para os moradores. A chuva dos últimos dias impediu que as cinzas provocassem problemas respiratórios graves na população. O arquipélago indonésio fica no "Círculo de Fogo do Pacífico", ponto de encontro de várias placas continentais, e tem 130 vulcões activos. SAPO/AFP, 06 de Março de 2009

5 de março de 2009

Moçambique: "Rubi" explorado ilegalmente no Niassa

"Rubi" explorado ilegalmente no Niassa A proliferacao da actividade mineira ilegal preocupa as autoridades governamentais mocambicanas que se reuniram hoje, em Maputo, para analisar este e outros assuntos ligados aquele ramo de actividade. “Assistimos um pouco pelo país a proliferação da actividade mineira ilegal, nomeadamente a comercialização, exportação, posse e circulação ilegal de produtos minerais. Mas neste momento a mesma está a atingir contornos alarmantes em M’sawize (distrito de Mavago) com o Rubi', disse hoje, em Maputo, a Ministra dos Recursos Minerais, Esperança Bias. Ela falava a jornalistas a margem de uma reunião sobre a “Implementação da Legislação Mineira e Principais Constrangimentos”, organizado pelos Ministérios dos Recursos Minerais e do Interior, visando encontrar uma forma de actuação comum para garantir que a exploração dos recursos minerais seja benéfica para o país. A gema em questão é, em alguns casos, de boa qualidade mas, segundo Bias, esta a ser comercializada a “um preço bastante inferior” do que esta em vigor no mercado internacional. A Ásia é um dos principais mercados do “Rubi”, principalmente a Tailândia, segundo apurou a AIM. O Governo já despachou para aquela região do país uma equipe de técnicos da Direcção Nacional de Geologia para um levantamento geológico mais detalhado sobre se o jazigo é grande ou não. Neste momento, o Governo não tem uma ideia de quanto é que se esta a perder porque o minério esta a ser explorado e comercializado ilegalmente. “Há algumas quantidades que vem sendo apreendidas há sensivelmente dois meses mas que ainda não estão na posse do Ministério dos Recursos Minerais. Só depois do trabalho em curso se poderá fazer uma valorização e, com base nisso, se poderá extrapolar aquilo que tem saído”, indicou a Ministra. “Mas posso vos garantir, desde já, que estão a sair quantidades com um valor bastante elevado”, acrescentou Esperança Bias. Embora o Ministério dos Recursos Minerais seja a entidade que licencia a actividade mineira, o seu controlo deve ser efectuado por todos, principalmente pelas entidades que garantem a lei e ordem e o controlo das fronteiras. A reunião conta ainda com a participação de representantes da Autoridade Tributaria de Mocambique. 'Rubi' é uma pedra preciosa vermelha, uma variedade do mineral “corindon” (óxido de alumínio) cuja cor é causada principalmente pela presença de crômio. Os rubis naturais, caso dos explorados ilegalmente no Niassa, são excepcionalmente raros, mas produzem-se rubis artificialmente mas que são comparativamente baratos. (AIM) MZ/SN, 05 de Março de 2009

4 de março de 2009

Ilha de Moçambique (Teresa Cotrim)





Ilha de Moçambique Ao atravessar de carro a enorme e velha ponte da alfândega, que dá acesso à ilha de Moçambique, fica-se com a impressão de se estar a ver uma fotografia antiga; daquelas que eram a preto e branco e posteriormente a pedido dos interessados o fotógrafo coloria-a com cores pastel. Se olhar para o lado esquerdo verá as casas baixinhas todas alinhadas ao longo da praia. Parece que foram assim construídas para observaram as embarcações que chegam, partem ou ficam a dormir ao sabor das ondas. Parece um postal, é lindo. Mas o automóvel aproxima-se e esta imagem ganha uma forma diferente. A ilha está suja, cheira mal e deixa na alma um certo desalento. Sobrelotada, nela vivem 13 000 habitantes, dos quais 11 000 ficam na cidade de makuti (nome dado ao tipo de cobertura em telhas de coqueiro). A horas de expediente vê-se um amoantoado de pessoas nas ruas, principalmente jovens deitados no chão, na praia... A população vive essencialmente da pesca e as condições de vida são más: não há, por exemplo, aterros sanitários. O Governo Moçambicano está a resolver esta questão. Mas, apesar disto, a ilha tem um encanto. É bonita e nela poderá ler 500 anos de história em que Portugal aparece como um dos principais escritores. Vale a pena visitar. Na verdade como refere António Sopa, historiador moçambicano o interesse pela ilha vem do seu património edificado, que até bastante tarde se manteve bem conservado, já que ali esteve instalada a capital até 1898, passando depois para Lourenço Marques. O mesmo autor diz ainda que a ilha sobreviveu, por ser ali que residiam os altos funcionários, grandes negociantes, ricas casas com sucursais na Zambézia e estabelecimentos na Índia. Esta fixação secular permitiu a existência de um grupo étnico – o swahili – com caraterísticas culturais que lhe são próprias. Segundo António Sopa o povoamento da ilha está relatado na crónica de Quiloa, baseada na história recolhida pelos portugueses no século XVI. Assim, o xeicado de Moçambique teria sido fundado por Moussa e Hassan, ambos naturais de Kilwa, que se teriam inicialmente instalado no Zanzibar devido à instabilidade vivida na sua cidade natal. Será com a projecção de Kilwa, metrópole situada numa pequena ilha da costa sul da Tânzania, nos séculos XIV e XV, e do domínio político que se estabelecerá na costa moçambicana, visando o controlo das rotas comerciais que a ilha de Moçambique ganhará alguma notoriedade. Antes de a chegada de os portugueses, mais propriamente de Vasco de Gama, em 1498, já os portugueses sabiam da sua existência, pois a viagem do achamento do caminho marítimo para a Índia foi habilmente preparada pelo Infante D. Henrique, que desde 1460 mandava Diogo Gomes à Indía por mar. A realidade é que a chegada dos portugueses destabilizou o equílibrio comercial da região. Os xeicados da costa, sob a suserania do sultunato de Kilwa, concertaram posições com a finalidade de correrem com estes novos hospedeiros, que procuravam policiar os mercadores muçulmanos, ao mesmo tempo que começavam a construir as infra-estruturas necessárias à sua sobrevivência, actividade e protecção. Esta "incomodidade", por parte da comunidade muçulmana, levou à transferência do xeque e principais dignatários que residiam na ilha para Sancul, em 1507, e, mais tarde, os portugueses acabarão por destruir a povoação muçulmana, isto em 1570. O centro dessa povoação deveria ter-se localizado, segundo António Sopa, na actual cidade de pedra e cal, perto da ponte-cais. Era relativamente pobre, onde haviam apenas dois edifícios de pedra: a residência do xeque e a mesquita. Todo o resto seriam construções semelhantes às palhotas actuais. Os portugueses, pelo contrário, ergueram a sua povoação no lado ocidental, virada para a baía, mais abrigada dos ventos, ao redor da primitiva torre e feitoria, construída a partir de 1507. A fortaleza de São Sebastião estava já planificada desde 1545, mas no decorrer do cerco dos holandeses de 1607 ainda não estava concluída, tendo sido finalizada em 1620. Na primeira metade do Século XVII a ilha estava já dividida em duas povoações distintas: a zona de pedra e cal e a área de makuti. Ainda se mantém. A cidade de pedra e cal continua a expandir-se durante os séculos XVIII e XIX, com o dinheiro do tráfico de escravos e, a partir de 1870, o comércio das oleaginosas obrigou à construção de grandes armazéns. Até ao Século XIX a zona de cimento estendia-se até à igreja da Saúde e do hospital, começando a partir daí o bairro de Missanga, zonda de gente pobre. Entre 1878 e 1885, com a expansão da cidade, este é demolido, passando os seus habitantes a viver na Marangonha, local até aquele momento desabitado e onde se executavam publicamente os presos civis. Em 1878 nesse local foram construídos, o hospital, mercado e dois parques. Depois, a ilha entrou num processo rápido de decadência, após a passagem da capital para Lourenço Marques no fi nal do Século XIX e, posteriormente, após a mudança da sede do distrito para Nampula e a abertura da navegação do porto de Nacala, situado a cerca de 100 km da ilha de Moçambique, em 1951. Como refere António Sopa este último empreendimento virá a liquidar as aspirações da ilha, apesar da oposição tenaz dos naturais. A partir de 1975, após a independência a ilha é deixada ao abandono e foi por esta altura que a degradação dos edifícios colónias começou. O grande problema está na educação cívica. A maioria dos seus habitantes são refugiados, que após o fi m da guerra foram atraídos pela vida da cidade, encontrando abrigo nestas casas. São na sua maioria pessoas vindas dos campos, sem cultura urbana. Muitos contribuiram para a destruição pois aproveitaram as vigas, tiraram as arquitraves das portas e janelas para se aquecerem ou para restaurarem os barcos. Mas há outras razões para a sua deteorização. Uma delas relaciona-se com a falta de investimento, sendo que a entrada de capital estrangeiro para a sua recuperação está vetada e as empresas moçambicanas não têm encaixe financeiro para recuperar a velha ilha; outra explicação é de ordem natural: foi atacada pelo furação Nadia, que deteriou alguns edifícios. A isto junte as enormes plantas que com as suas raízes vão dissiminado muros e paredes das relíquias coloniais, abrindo rachas e deixando a porta aberta para as chuvas torrenciais. Em 1993 foi declarada Património Nacional da Humanidade, dez anos após ter sido inscrita no programa da Unesco. Mas, apesar disto, continua abandonada e poucos foram os esforços para lhe devolver a aura de outros tempos áureos. Texto e fotos: Teresa Cotrim

Moçambique: Ilha da Inhaca

Inhaca

Património biológico da humanidade a ilha de Inhaca pode também ser descrita pela amabilidade do seu povo. Situada a 32 km a leste da metrópole é mais um dos belos recantos que a natureza presenteou a Moçambique, sendo especialmente atractiva para os poetas, sonhadores e cientistas. Que desde 1911 a visitam para estudar as mais de 300 espécies raras de aves, incluindo o raro pica peixe dos mangais e borboletas. O seu nome é oriundo de um ancião que habitou em Maputo por volta do século XVI Tsonga Nhaca. Este ofereceu hospitalidade ao comerciante português Lourenço Marques e aos navegadores em dificuldades. A partir de 1550, os comerciantes portugueses estabeleceram uma base nesta ilha, de onde partiam para a Baía da Lagoa em busca de marfim. Em 1593, um navegador português é assassinado por um dos chefes rivais de Inhaca e o seu barco pilhado. Após 1621 os marinheiros da terra de Camões passam a pedir asilo à ilha de Xefina. Por volta de 1911, a atmosfera tropical de Inhaca e os seus bancos de coral fizeram com que uma comunidade de aficcionados da pesca, oriundos principalmente de África do Sul, criassem um pequeno hotel dando assim um novo dinamismo à ilha. A partir de 1960, as visitas não param de aumentar. A ilha de Inhaca passou a albergar várias famílias de pescadores, muitos regressados das minas de África do Sul, outros da guerra, que viviam sobretudo da pesca e da agricultura. Ainda hoje se mantém esta economia de subsistência. Mas o turismo começou a ter um peso importante no orçamento familiar deste povo. A praia de Santa Maria, situada na zona Sudeste, com os seus recifes e rochedos cobertos de conchas é ideal para a prática de snorkling – mergulho em apneia, permitindo vislumbrar dezenas de peixes multicolores. Caminhando para Este, chega à costa banhada pelo Oceano Índico, onde poderá observar dezenas de caranguejos, maiores do que a palma da mão, pululam o areal e escondem-se na areia quando sentem presença humana. Na zona Norte da ilha encontra a praia do farol, extensa e selvagem deve o seu nome ao sobranceiro Farol construído em 1894. Os recifes de Inhaca albergam mais de 160 espécies de corais, habitando à sua volta inúmeros peixes, por isso grandes áreas da ilha têm protecção biológica, que é feita através da Universidade Mondlane. Uma das atracções da ilha é precisamente o museu de Biologia Marinha desde 1951. Golfinhos e baleias são facilmente avistáveis, assim como tartarugas. Aliás, entre Fevereiro e Outubro as fêmeas ali vão desovar. A ilha tem 42 km com uma extensão de 12,5km que vai da ponta Mazonde, a Norte até Ponta Toreres, a Sul. Ali vivem cerca de 2500 pessoas. A Ilha da Inhaca é um modelo em miniatura da costa de Moçambique. Em Inhaca estão representados todos os habitats/ecossistemas/recursos marinhos que existem no país inteiro: * Mangais e estuários * Botânica marinha (macroalgas, ervas marinhas e fitoplancton) * Pesca e recursos pesqueiros * Praias arenosas e plataformas rochosas * Zona entre-marés * Zona sublitoral (da baía e do Oceano Índico) * Tartarugas marinhas * Mamíferos marinhos Texto: Teresa Cotrim

Moçambique: Ilha do Ibo

Iha do Ibo

 Esta pequena ilha, de 10 km de comprimento e cinco de largura, é uma réplica da de Moçambique. É uma das mais antigas relíquias coloniais. Pertence ao arquipélago das Quirimbas, situa-se no Oceano Indíco a cerca de 10 km da Costa e a 80 km a Norte da cidade de Porto Amélia, actual Pemba. Antes de a chegada dos portugueses no século XV foi habitada por árabes. A sua presença é reportada ao século VIII da era cristã, tendo deixado marcas bem visíveis na estrutura social, política e económica dos seus habitantes. Aliás, é uma das explicações para que a população seja mestiça e na sua maioria muçulmana. Os portugueses estabeleceram-se no Ibo a partir de 1522 com D. Pedro de Castro. Franceses e holandeses tentaram tirar a hegemonia lusa, devido à sua localização estratégica que permitia controlar o comércio arábe nesta região, mas em vão. Em 1765 o governador Baltazar Pereira do Lago, que ficou no poder durante 14 anos, começa a colonização. Apesar das várias tentativas para desenvolver a agricultura e o comércio nas ilhas das Quirimbas a verdade é que estas foram principalmente um meio de tráfico de escravos. Em 1752 foi integrada no governo de cabo Delgado e, por portaria régia de 9 de Maio de 176, a povoação do Ibo foi elevada a categoria de vila, pelo governador Pedro Saldanha de Albuquerque, sendo então já a capital de cabo Delgado. Por esta data, os portugueses controlavam-na a partir da sede do seu império do oriente: Goa. A alfândega foi criada em 1787. De 1808 a 1817 resistiu a vários ataques das gentes oriundas de Madagascar, os chamados "esclaves". Alguns monumentos foram destruídos e parte da população foi levada como escrava. Por volta de 1878, a ilha de Ibo é novamente atacada, deste vez pelos povos Zulus vindos do Niassa. Por esta data já estava em declíneo e, segundo um documento da época, em 1902, a sede de governo de cabo Delgado passaria para Porto Amélia, cuja confirmação como capital distrito sede efectuou em 1929, quando da reintegração dos territórios da companhia do Niassa na administração do Estado. Actualmente, a população vive da pesca e da agricultura de subsistência, sendo o café de origem silvestre, o chamado café ya Ibo um dos seus cartões de visita. Outro é a ourivesaria. Dá gosto ver os ourives a trabalhar, apesar de o fazerem a muito custo – os materiais são difíceis de encontrar, a prata por exemplo é obtida através de moedas antigas compradas no continente ou às gentes do campo e depois trabalhada de uma forma artesanal. Para nos mostrarem a sua arte tivémos de esperar uma manhã, pois não tinham carvão para acender o lume. Mas valeu a pena. A delicadeza com que fabricam os objectos de adorno é uma verdadeira delícia. Encantam qualquer espírito feminino. Poderá comprar colares, pulseiras e brincos de um rendilhado fino e delicado. As formas são de inspiração arábe e indiana. O preço é bastante acessível. Para ver os ourives a trabalhar dirija-se à Fortaleza de São João Baptista, pois esta é uma profissão com forte tradição no Ibo: no passado cabia aos maridos adquirirem vários objectos para os oferecer de presente às suas mulheres. Segundo o texto uma experiência de desenvolvimento comunitário na ilha do Ibo, a falta de cumprimento desta obrigação, culturalmente estabelecida, podia constituir um passo decisivo para a concretização do divórcio. Uma boa norma, não considera? Que tal aplicar esta tradição ao Ocidente? Uma das figuras mais emblemáticas da ilha é João Baptista de 82 anos. Pela sua mão passaram já 82 Governadores e de todos tem memória. Sobreviveu a quase tudo.
Dohws embarcação tipicamente arábica com que os homens saem para o mar. Peneirar os homens moem uma espécie de arroz e as mulheres peneiram. Ourives uma das mais antigas profissões do Ibo. Aqui os ourives derretem a prata que encontram nas moedas antigas mas neste momento está a escassear, por isso compram-na na África do Sul. Para visitar:
Igreja São João Baptista Fortaleza de São João Baptista Fortim de São José Fortim Sto. António Cemitério Hindu de 1905 a Norte da Ilha Alfândega Palácio do Governador Mesquita Central do Ibo Mercado Municipal José Vilela Texto: Teresa Cotrim

2 de março de 2009

28 de fevereiro de 2009

Moçambique: Imagens da Ilha de Moçambique

como era a ilha no tempo de Joaquim Alves

Vendedeiras moçambicanas na objectiva de Teresa Cotrim

Vendedeiras moçambicanas Tereza Cotrim

Colômbia: Rã arlequim do género Atelopus, nova espécie descoberta por cientistas

Rã arlequim do género Atelopus Foto@Marco Rada/Conservation International Colombia Uma rã arlequim do género Atelopus descoberta na expedição levada a cabo na Colômbia, durante a qual foram descobertas 10 novas espécies de anfíbios.

Moçambique - Barragem de Cahora Bassa

Barragem de Cahora Bassa Foto@Tereza Cotrim/Sapo Mz Situado no Rio Zambeze, na Província de Tete, em Moçambique, a barragem de Cahora Bassa é a maior em volume de betão construída no continente africano. É também o principal produtor de electricidade de Moçambique, com uma potência superior a 2000 Megawatts.

Moçambique : Dia-a-dia rural

Dia-a-dia rural Foto@Teresa Cotrim SapoMZ Embora seja dura a labuta, a mulher rural moçambicana ainda consegue esboçar um sorriso genuíno para a máquina fotográfica.