28 de outubro de 2013

O Cineasta, Escritor e Homem da Rádio, Courinha Ramos


 
Um homem de sete ofícios, sempre voltado para a rádio, cinema e escrita
António Jorge Courinha e Ramos

Tudo começou quando em 1949, comecei a aprender e a estudar para técnico de rádios. Um dia ao regressar a casa, passando junto á Fábrica de Cerveja DICCA, na Av. Paiva Manso, vejo na porta ao lado e pertencendo á mesma Organização, um homem que estava a reparar um aparelho receptor de rádio. Eram os agentes dos rádios MURPHY. Com aquela curiosidade dos meus quinze anos, comecei a falar com o indivíduo, e ali nasceu uma amizade que perdurou para sempre e que marcou a minha vida e digamos que moldou a minha vida para sempre.

Esse homem era o António Jorge COURINHA E RAMOS.

Homem de sete ofícios, sempre voltado para a rádio, cinema e escrita. E quando falo em rádio, já não falo só em rádio reparações, mas sim na RÁDIO.

Ao princípio, sob sua orientação, construí para ele, o primeiro Estúdio de Gravação, em Moçambique. Deu-lhe o nome de PRODUÇÕES ONDA.

Na altura tinha acabado de comprar uma máquina de filmar de 16 m/m, mas em 1952, já tinha uma máquina profissional de 35 m/m, uma Arriflex.

Foi nessa altura, que deixei os Caminhos de Ferro e fui trabalhar para a PHILIPS (Zuid) e para ele.

Este homem, que durante a minha estadia em Moçambique sempre foi como um irmão mais velho, e que até foi o meu padrinho de casamento, sempre foi o homem mais desleixado, sem pressas, e deixa para amanhã, que eu conheci. Capaz de estar no meio do fogo, á espera que alguém chamasse os bombeiros.

A esposa, Maria Cecília de Sabóia Delgado Malaquias de Lemos Courinha e Ramos, via-se doida com ele, pois se a máquina encravasse, ele logo se sentava, cruzava as pernas e vai de desmanchar, só que nunca reparava se o chão estava limpo ou sujo, podia ter água ou óleo, que o resultado era sempre o mesmo, ficava todo porco. Para ele tudo estava bem.

Após o 25 de Abril de 74, cada um teve que orientar a sua vida e cada um teve destino diferente, eu estou em Águeda e ele estava em Lisboa. Foi ele que me safou, quando eu em vésperas do Natal de 77, regressei de Milão e na Estação de Santa Apolónia, vi que me tinham gamado a carteira. Telefonei-lhe e ele lá foi levar-me 500$00, para o Foguete, até Aveiro.

Uma dúzia de anos mais tarde, veio aqui a Águeda, acompanhado do Beja, das Produções Beja, pois trabalharam os dois em conjunto. O próprio Ramos, tinha nessa altura, umas reportagens na RTP 1, sobre Municípios.

Em Março de 2002, depois de várias tentativas, consegui falar com a Ana e com a minha madrinha e fiquei a saber que ele morreu em Novembro de 2000. Como não podia deixar de ser, disseram-me, que não sofreu, pois que estava sentado e que se ficou. Posteriormente estive lá em casa na Parede.

Este homem era de fino trato, pois teve uma educação esmerada. Era o homem dos charutos e dos cachimbos. Tinha uma colecção fantástica de cachimbos. Foi estudante em Lisboa de Engenharia Electrotécnica, mas as farras e o Casino do Estoril, fizeram com que não terminasse a licenciatura. Foi soldado raso, pois chumbou nos cursos. Na altura, já fumador de charuto, o seu comandante de Batalhão, fumava mata-ratos. Isto era a sua piada. Além disso o motorista, ia levar à “porta de armas”, o almoço ao menino.

O pai tinha sido Comerciante de Ferragens em Lourenço Marques, e foi assassinado por um sócio. Uma vez fomos a essa firma buscar umas coisas e um sócio diz: andei muitas vezes consigo ao colo. A mãe era uma senhora de fino trato e de muita cultura. O padrasto, o Sr. Oliveira, era sócio-gerente da Fábrica de Cervejas Reunidas, de onde saía a célebre Laurentina. O Courinha teve lá diversos postos, pois foi até o responsável da publicidade.

Lembro-me quando em 06.06.53, lhe nasceram, as filhas gémeas. A Anabela e a Ana Maria, esta, Técnica de Montagem na RTP. Se aquele carro novo, um SKODA, descapotável, falasse. Aquele carro andava por cima de toda a folha.

Uma vez, fomos á Palmeira. Esta terra ficava pouco depois da Vila da Manhiça. Ele foi filmar, eu gravar. No regresso, ao jantar, comemos o tradicional bife com batatas fritas, só que ali no Castro da Manhiça, aquilo era descomunal. Quando dali saímos já era noite. Ainda não tínhamos andado dez quilómetros e parte-se a alavanca das mudanças, que eram no volante. Tivemos que vir até a Marracuene engatados em primeira, pois era a velocidade que estava engatada. Da Manhiça a Vila Luiza, eram 50 quilómetros, não havia asfalto, mas sim duas estreitas faixas de pavimento de cimento e lateralmente aquilo era areia solta. Tivemos muita sorte em não haver trânsito algum e de ter começado a chover, pois de vez em quando, tínhamos que pôr água no radiador. Só chegamos a Vila Luiza (Marracuene) já era dia.

Quando se fez ”O MACHIMBOMBO DAS OITO E MEIA“, começou no Teatro Varietá, onde se colocou um autocarro em tamanho natural, mas feito em madeira, emprestado pelos Caminhos de Ferro, e que estava guardado num armazém, pois tinha sido feito para um desfile alegórico, aquando da visita do Presidente da República, ÓSCAR CARMONA, em 1939.

Os artistas principais, foram durante muito tempo o JOSÉ BANDEIRA e a MILÚ DOS ANJOS. Cada espectáculo tinha sempre dezenas de artistas no seu elenco, pois era um género de Revista á Portuguesa, mas também tinha concursos. Todas as segundas-feiras, era lotação esgotada. Mais tarde passou para o Teatro Manuel Rodrigues, pois este tinha capacidade de 1.500 espectadores, mais do dobro do que o Varietá.

Não foi novidade nenhuma, quando a Rádio Clube de Moçambique, me foi buscar à Zuid- Afrikan Handershuis, em finais de 1953. Naquela altura o RCM, tinha acabado de sair do primeiro andar, onde se situava a Zuid. Se eu já não passava sem o Courinha, ou seria ele que já não passava sem mim? Maior passou a ser a nossa convivência, pois eu fazia parte da Central Técnica. Ele escrevia muitos textos para o “Teatro em sua Casa”, orientado pela Sara Pinto Coelho, mãe do antigo locutor da RTP, Pinto Coelho.

Entretanto, já tinha construído, no 5º. Andar do Prédio Paulino dos Santos Gil, para o Courinha Ramos, o novo Estúdio e que se passou a chamar “PRODUÇÕES SOMAR”, (Ramos, lido ao contrário). Ali já havia um bocado de técnica, pois os tempos já eram outros e já haviam mais recursos. Só agora rememoro, que a mesa foi construída pelo meu pai. Toda a parte técnica, foi totalmente feita por mim.

Lembro-me uma ocasião, em que o cantor de modinhas brasileiras, Horácio Reinaldo, deu uns espectáculos em L. Marques e o Courinha o contratou para fazer uma série de programas publicitários sobre o Leite Condensado “ BÉBÉ HOLANDÊS “, que ali era produzido. Então, fiquei até às seis da manhã a gravar este cantor, que apanhou uma grande esfrega, pois que interpretou umas dezenas de modinhas. Lembro-me de uma que dizia: e lá para as tantas da manhã - (dava umas palmadas no violão)... Pum – pum.

Quando, andávamos tesos, e lhe pedíamos dinheiro (andava permanentemente atrasado nos pagamentos), lá fazia sair uma nota de “VINTE” do bolso. Hoje quer-me parecer que ele deveria trazer sempre uma nota de “vinte” em cada bolso.

O seu aspecto, era do género Vasco Santana, um bocadinho, quase nada, mais magro, mas sempre dependurado do cachimbo ou do charuto. Usava óculos, de armação muito leve, como os actuais em voga. Bebidas, nada, a não ser uma dúzia de cafés por dia, e até aos anos 60, quando ainda se usava o açucareiro, aquilo só estavam doce, depois de o café estar todo no pires. Mas um dia começou a bebe-lo sem açúcar e nunca mais utilizou qualquer adoçante.

Quando chegava ao Café Manuel Rodrigues, que era o nosso preferido, e que foi o primeiro em Moçambique a ter uma máquina de tirar cafés “CIMBALINO”, dizia logo alto e em bom som: “onde está o meu café… que eu pedi á meia hora “. Um dia, (na brincadeira) lixaram-no. Quando chegou ao balcão, depois de á porta, ter pronunciado as palavras habituais, colocaram-lhe á sua frente, a chávena do café, só que este estava frio.

- “Então vocês., servem-me o café frio?”

- “Você já o pediu á meia hora.”

Foi gargalhada geral.

Aquele homem, se não tivesse nascido, teria que ser inventado, pois às vezes dizia: “Esta semana vou emagrecer cinco quilos, por isso, vou fazer dieta”. Muitas das vezes o vi pesar-se e passada uma semana, ou pouco mais, lá estava ele sem os tais cinco quilos. O mal dele é que era muito lambareiro.

Ainda eu estava no RCM, e a Somar, lança o PROGRAMA DA MANHÃ. Gravado nos estúdios privativos e transmitido pelo RCM das 9.00 às 10.00 da manhã. Todo o trabalho técnico era meu e a locução era do ANTÓNIO LUIS RAFAEL.

Ao longo de cerca de vinte anos, tive tempo suficiente para apreciar todas as nuances dele, tanto na Rádio como no Cinema, e até naquilo que escrevia, tanto a sério como em sátira como era o caso da GARGALHADA, revista humorística, semanal das Produções Somar.

Havia as grandes companhias de variedades, que periodicamente iam em digressão pelo Ultramar. Por exemplo lembro-me de mais do que uma ida da Companhia de Vasco Morgado.

Mas também haviam grupos menos numerosos, já não falando dos casos individuais. Por exemplo a Maria Adalgisa, fazia parte dum grupo onde também estavam o Jimmy (irmão do MAX), o Acordeonista, David Pantoja e mais alguns. Estes três ficaram por aquelas paragens durante muitos anos, e todos trabalharam com o Courinha.

Outro colaborador, que esteve muitos anos ligado ao Ramos, foi o António Luís Rafael (também era um faz tudo). Igualmente o Agostinho Caramelo. Já era escritor, pois aqui na Metrópole já tinha publicado uma Trilogia, MARIA. Lá entre outros escreveu O FOGO.

No Cinema, o Courinha, lá ia fazendo uns documentários publicitários e pouco mais. Todos os serviços de Laboratório, eram feitos em Joanesburgo, pois em Moçambique não havia nada. Depois de revelado e munido com uma cópia de montagem, numa mesa de montagem, por nós engendrada, lá se visionava, controlava quanto tempo tinha cada assunto, fazia-se a parte musical de fundo, e depois o Courinha lá se metia no carro ou no combóio, levando o Rafael e lá iam um dia para os Estúdios da African Films em Killarny – Johannesburg. Quando em 57, regressei aos CFM e comecei a ir semanalmente a Joanesburgo, passei eu a fazer esse serviço, pois passava lá o dia inteiro.

Também para ele trabalhou o operador Alfredo Moreira, que nos anos 40, foi o operador de câmara, de muitos filmes aqui em Portugal.

O Ramos como cada vez tivesse mais trabalhos, resolve criar a FILMLAB.

Desloca-se a Joanesburgo e consegue comprar uma máquina de revelação, que estava parada e de origem italiana e que até já revelava a cores.

Alugou uma moradia, na rua J.Serrão e fizemos um pequeno estúdio de projecção. Foi uma máquina que já estava na sucata, que nós recuperámos. De uns tantos carretos, arranjados no ferro velho, de outros mandados fazer, inventávamos uma máquina. Foi o que aconteceu com a máquina de copiar, ou o caso da máquina de gravação magnética, em fita perfurada. A sincronia do som com a imagem. A gravação de som óptico (em filme). Naqueles tempos tudo era difícil por dois lados. Primeiro não havia dinheiro, segundo os técnicos eram poucos, pois que praticamente fomos pioneiros no caso, por aquelas terras.

Mas foi assim, que quinzenalmente apareceu no cinema o “ VISOR MOÇAMBICANO”, que focava as principais actualidades, sob o patrocínio de certas empresas locais. Posteriormente também apareceu, e também quinzenalmente, mas desfasado, o “ VISOR DESPORTIVO “, este patrocinado integralmente pela cerveja 2 M, portanto todas as semanas havia um documentário de cerca de 10 minutos de duração.

Foi daqui, que também saiu o primeiro filme Moçambicano, O ZÉ DO BURRO, com esse grande (em tudo, menos em altura) artista JOSÉ BANDEIRA. Segui-se o EXPLICADOR DE MATEMÁTICA, com o Diniz, que na altura era o gerente do Cinema Avenida.

O último foi o DEIXEM-ME SUBIR Às PALMEIRAS, que já não foi exibido em Moçambique, porque a P.I.D.E. não o autorizou. Já se estava nos anos 70.

Só quem esteve por dentro disto, é que hoje, com todas as técnicas que há, olha para trás e diz: as nossas dificuldades foram de tal envergadura, que comparando, parece que andámos nas Naus das Descobertas e hoje andam nos Luxuosos Transatlânticos de Cruzeiros, tanto na rádio como no cinema.
Recardenense (Humberto Almeida)

in http://sol.sapo.pt/blogs/meiablue/default.aspx

Cartografia Geológica em Moçambique


A exploração das riquezas mineiras do território moçambicano remonta desde os tempos pré-coloniais do reino de Monomotapa. Mas só nos finais do séc. XIX surgem os primeiros trabalhos geológico-mineiros: são iniciativas particulares desenvolvidas principalmente (mas exclusivamente) nas áreas adjacentes ao Cratão Zimbabweano. A compilação destes trabalhos permite a elaboração dos primeiros esquemas geológico-mineiros de Moçambique, primeiro por A. Freire de Andrade (1908, 1917), depois por C. Freire de Andrade (1929); é justo não esquecer as sínteses regionais de A. Holmes (1912, 1918), E. Thiele (1923) e R. Walls (1923).

Em 1928 é criada a Repartição encarregada dos Serviços de Geologia e Minas de Moçambique; ela vai organizar, as duas décadas seguintes, o reconhecimento geológico-mineiro das areas consideradas mais favoráveis/potenciais. Os nomes de A. Borges e de A. Freitas merecem uma referência especial: a eles está ligada a publicação, respectivamente em 1949 e 1956, dos primeiros Esboços Geológicos de Moçambique na escala de 1:2.000.000.

Em 1948 é dado um novo impulso com a criação das Brigadas de Fomento Mineiro, orientadas para a inventariação de 1) minerais radioactivos, grafite, ouro, ferro, e bauxite nas Provincias de Tete e Manica, 2) carvão nas provincias de Tete, Niassa e Manica, 3) minerais não-metalicos nas Provincias de Sofala, Inhambane e Maputo.

No que respeita a actividade de empresas privadas destaca-se a Moçambique Gulf Oil Co que iniciou, em 1948, trabalhos de pesquisa de petróleo nas bacias sedimentares de Moçambique, e a E.J. Longyear Co. que procedeu em 1954-55, ao reconhecimento geológico das regiões de Tete e Alto Ligonha.

A síntese de todos resultados das actividades geológicas até então obtidos conduziu a publicação do "Esboço Geológico das Provincias de Moçambique na escala de 1:2.000.000 (Freitas, 1956 e 59), do "Esboço Tectónico da Provincia de Moçambique na escala de 1:3.000.000" (Dias 1956) e da "Carta Geológica da area pegmatitica do Alto Ligonga na escala de 1:250.000" (Nunes, 1958).

Em 1957 é criada a Missão de Fomento de Povoamento do Zambeze; a sua actividade culminaria com a publicação da "Geologia da Bacia do Rio Zambeze" (Real, 1966), que sintetiza os conhecimentos da época e inclui uma Carta dos Jazigos Minerais na escala de 1:100.000.

A partir de 1961, a geologia de Moçambique experimenta um avanço qualitative com a criação das Brigadas Geológicas do II Plano de Fomento, ou seja dos Serviços Geológico Nacional. Iniciam-se os levantamentos geológicos sistemáticos a escala de 1:250.000, realizadas por geologos portugueses (R. Afonso, J.R. Araujo, A. Barrocoso, B. Ferro, J. Gouveia, A. Moura, M.S. Pinto e J. Rebolo) e ainda W. Oberholzer, a que se juntarão a partir dos finais dos anos 60 o grupo frances da BRGM e os da Universidade de Moçambique. A síntese destes trabalhos conduz a uma importante cartografia 1:250.000, bem como à "Carta Geológica de Moçambique de 1:2.000.000" (Oberholzer, 1968); 2a edição em 1976, com noticia explicativa por R. Afonso) e a "Carta dos Jazigos e Ocorrências Minerais 1:2.000.000 (Goveia, 1974).

Com a proclamação da independência em 1975, os trabalhos de prospecção e pesquisa geológicas abrem-se à participação de geologos estrangeiros, nomeadamente do Brasil, Bulgaria, França, Itália, Portugal, Suécia, Hungria, reino unido e antigas Checoslovaquia, Jugoslavia, RDA e URSS.

Em 1982, o grupo ingles Hunting Geology and Geophysics, Ltd procede ao levantamento fotogeológico, com o apoio de campo, da parte occidental de Moçambique (adjacente ao cratão zimbabweano) às escalas de 1:100.000 e 1:250.000. A apartir de 1983, a DNg elabora, em colaboração de técnicos romenos, diversas cartas fotogeológicas à escala de 1:50.000 das formações recentes das provincias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala e Zambézia. Em 1980 a BRGM dá ao inicio de compilação da "Carta Geológica de Moçambique à escala de 1:1.000.000" (Pinna, 1984) e da "Carta Geológica da parte Norte de Moçambique à escala de 1:1.000.000" (Pinna et al, 1987).

A carta de jazigos e ocorrências minerais foi eleborada no periodo de 1986 –1989 por uma equipa soviética da empresa V/O Zarubechgeologia (Ministerio da Geologia da ex URSS). A cartografia metalogénica vai acompanhar vai resultar deste esforço. Primeiro com a elaboração, no periodo entre 1982-84, de uma "Carta Metalogénica de Moçambique na escala de 1:2.000.000" (Laechelt, 1984); tendo em conta o volume da informação disponível. Mais tarde, em 1986, os técnicos sovieticos da V/O Zarubechgeologia vão elaborar, para além da "Carta Cosmogeológica de Moçambique na escala de 1:1.000.000 (interpretação de imagens de satellite), a Carta de Jazigos e Ocorrência Minerais de Moçambique na escala 1:1.000.000, concluida em 1989.

Fonte: Arquivo Pessoal

25 de outubro de 2013

Lisboa; Drogaria e Perfumaria Oriental

António Calvário - Chorona

Quando Mário Soares Defendia o Plano do FMI



Em Agosto de 1983, o Governo do Bloco Central PS-PSD, assinou um memorando de entendimento com o Fundo Monetário Internacional. Os impostos subiram, os preços dispararam, a moeda desvalorizou, o crédito acabou, o desemprego e os salários em atraso tornaram-se numa chaga social e havia bolsas de fome por todo o país. O primeiro-ministro era Mário Soares. Veja como o homem que hoje quer rasgar o acordo com a troika defendia os sacrifícios pedidos aos portugueses:

“Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto”. - DN, 27 de Maio de 1984
“Não se fazem omeletas sem ovos. Evidentemente teremos de partir alguns”. - DN, 01 de Maio de 1984

“Quem vê, do estrangeiro, este esforço e a coragem com que estamos a aplicar as medidas impopulares aprecia e louva o esforço feito por este governo.” - JN, 28 de Abril de 1984

“Quando nos reunimos com os macroeconomistas, todos reconhecem com gradações subtis ou simples nuances que a política que está a ser seguida é a necessária para Portugal”. - Idem
“Fomos obrigados a fazer, sem contemplações, o diagnóstico dos nossos males colectivos e a indicar a terapêutica possível”. - RTP, 1 de Junho de 1984, Idem, ibidem

“A terapêutica de choque não é diferente, aliás, da que estão a aplicar outros países da Europa bem mais ricos do que nós”. - RTP, 1 de Junho de 1984

“Portugal habituara-se a viver, demasiado tempo, acima dos seus meios e recursos”. - Idem

“O importante é saber se invertemos ou não a corrida para o abismo em que nos instalámos irresponsavelmente”. - Idem, ibidem

“[O desemprego e os salário em atraso], isso é uma questão das empresas e não do Estado. Isso é uma questão que faz parte do livre jogo das empresas e dos trabalhadores (...). O Estado só deve garantir o subsídio de desemprego”. - JN, 28 de Abril de 1984

“O que sucede é que uma empresa quando entra em falência... deve pura e simplesmente falir. (...) Só uma concepção estatal e colectivista da sociedade é que atribui ao Estado essa responsabilidade." - Idem

“Anunciámos medidas de rigor e dissemos em que consistia a política de austeridade, dura mas necessária, para readquirirmos o controlo da situação financeira, reduzirmos os défices e nos pormos ao abrigo de humilhantes dependências exteriores, sem que o pais caminharia, necessariamente para a bancarrota e o desastre”. - RTP, 1 de Junho de 1984

“Pedi que com imaginação e capacidade criadora o Ministério das Finanças criasse um novo tipo de receitas, daí surgiram estes novos impostos”. - 1ª Página, 6 de Dezembro de 1983

“Posso garantir que não irá faltar aos portugueses nem trabalho nem salários”. - DN, 19 de Fevereiro de 1984

“A CGTP concentra-se em reivindicações políticas com menosprezo dos interesses dos trabalhadores que pretende representar”. - RTP, 1 de Junho de 1984

“A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à democracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem completamente falsa.” - Der Spiegel, 21 de Abril de 1984

“Basta circular pelo País e atentar nas inscrições nas paredes. Uma verdadeira agressão quotidiana que é intolerável que não seja punida na lei. Sê-lo-á”. - RTP, 31 de Maio de 1984

“A Associação 25 de Abril é qualquer coisa que não devia ser permitida a militares em serviço”. - La Republica, 28 de Abril de 1984

“As finanças públicas são como uma manta que, puxada para a cabeça deixa os pés de fora e, puxada para os pés deixa a cabeça descoberta”. - Correio da Manhã, 29 de Outubro de 1984

“Não foi, de facto, com alegria no coração que aceitei ser primeiro-ministro. Não é agradável para a imagem de um politico sê-lo nas condições actuais”. - JN, 28 de Abril de 1984

“Temos pronta a Lei das Rendas, já depois de submetida a discussão pública, devidamente corrigida”. - RTP, 1 de Junho de 1984

“Dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói”. - 6 de Junho de 1984

Recebido por email

Mário Soares desejou que os Portugueses do Ultramar fossem atirados aos Tubarões



Porém na memória de muitas pessoas, ainda vivas, o mal que lhes causou com a tal descolonização exemplar. Mário Soares e a "canalha" do Partido Socialista (que sempre lhe haja prestado vassalagem) contribuíram para o estado caótico em que Portugal se encontra.  

Ele o Mário Soares tomou Portugal como se a ele lhe pertencesse. É um "artista" de golpes que enriqueceu à conta de nós todos, portugueses, os contribuintes.

O destino encarregou-se, agora um velho inútil, de o julgar e prestar-lhe a justiça que merece.  

Os livros que foi escrevendo ao longo de seu percurso político, jamais servirão para se limpar das "cavaladas" que a história já o julgou, ainda vivo, como um traidor à Pátria e igual a outros envolvidos na fragmentação do espaço lusófono e a desgraça de centenas de milhares de seres humanos que de um momento para outro se viram desalojados da terra aonde, muitos, nascidos.

A descolonização a tal exemplar é a ovelha ranhosa da história de Portugal depois de 1500 e de quando se deu a era da expansão de Portugal no Mundo e a união de outros povos com a Europa.

Recbido por email

A DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA CONTADA POR MÁRIO SOARES


 
A DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA CONTADA POR MÁRIO SOARES

Ministro dos Negócios Estrangeiros logo após o 25 de Abril de 1974 (I, II e III Governos Provisórios), Mário Soares, em entrevista com Dominique Pouchin, apresenta a sua versão sobre o processo de descolonização.

Na medida em que nele foi parte activa, editamos aqui o que faz registar sobre o assunto.

Referência bibliográfica:

Mário Soares. Memória viva. Entrevista com Dominique Pouchin. Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições, 2003 (Biblioteca "Primeiras Pessoas"- vol. I).

A DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA

- A revolução nascera das guerras coloniais, e a primeira das urgências era pôr fim a essas guerras. Nessa altura o senhor começa a negociar com cada um dos movimentos nacionalistas. Começou, de certa forma, pelo mais fácil, pela Guiné, a seguir trabalhou em relação a Moçambique, e finalmente Angola. Como se passaram as coisas com os Guineenses?

É preciso começar por dizer que não existia uma visão política homogénea no seio do governo provisório. Na ausência de coordenação, cada um fazia mais ou menos aquilo que entendia. Quando aceitei a pasta dos Negócios Estrangeiros, tinha uma ideia para levar a bom termo a descolonização. Pretendia fazer assinar rapidamente um cessar-fogo nos territórios em guerra, para acabar com ela localmente. Mas tinha de respeitar o presidente Spínola, o qual possuía os seus próprios pontos de vista nessa matéria.

Ele desejava a constituição de um processo sob controlo armado, para chegar a uma espécie de "Commonwealth portuguesa". Numa altura em que a opinião pública apelava à manifestação nas ruas a favor das independências, da fraternidade e da paz, isso era claramente impossível.

A população reclamava o regresso dos seus soldados ao País. As tropas portuguesas estacionadas no Ultramar começavam, também elas, a confraternizar com os nacionalistas. A política de Spínola era, por conseguinte, irrealista.
Do lado oposto, havia a visão do Partido Comunista. Convém lembrar que, naquela época, nos aproximávamos do período da máxima expansão da União Soviética no Mundo. Os comunistas portugueses desejavam fazer entrar as antigas colónias portuguesas na esfera de influência soviética, uma vez que elas albergavam no seu seio movimentos de tendência comunista. Estávamos então em 1974.

Finalmente, uma terceira tendência era a que preconizava Melo Antunes, um tenente-coronel do Exército português e ao mesmo tempo um intelectual, que me sucedeu no ministério dos Negócios Estrangeiros. A sua ideia de descolonização negociada estava mais próxima da minha, sem ser exactamente a mesma. Ele era muito "terceiro-mundista". Então cada um começou a trabalhar para seu lado.

Encontrei-me com Agostinho Neto, dirigente do Movimento Popular de Libertação de Angola, no dia 2 de Maio de 1974, em Bruxelas, mas dois dias mais tarde, Spínola enviava um embaixador (...), para se encontrar com ele na Suiça. Quanto aos comunistas, esses avançavam com os seus negócios através de Moscovo.

Os dirigentes africanos compreenderam então que cada um de nós conduzia uma política própria, o que lhes abria possibilidades de negociação. Naquela altura, enquanto ministro, estabeleci os primeiros contactos com Aristides Pereira, o dirigente guineense que encontrara em Dakar, no Senegal, com quem consegui negociar um cessar-fogo.

No próprio dia do cessar-fogo a guerra estava terminada na Guiné, sem nada acordar em troca. Isso para nós foi um importante sucesso. Relativamente à minha proposta, a seguir encontrámo-nos em Londres, para pôr a funcionar as modalidades da transição do poder, porque naquela altura ainda não se falava de independência.

Mas, no momento em que chegámos a Londres, fomos informados das ordens estritas de Spínola, que não queria conceder a autodeterminação.

Ora ao proibir ao PAIGC que se exprimisse, não era possível manter o cessar-fogo. O ministro dos Territórios das antigas colónias, o meu amigo António de Almeida Santos, e eu estávamos francamente embaraçados, pois não dispúnhamos das menores condições para uma verdadeira negociação.

A seguir, estabeleci contactos com os Angolanos, eles próprios divididos em três movimentos nacionalistas diferentes. Precisávamos de negociar com os três, o MPLA pró-soviético, a UNITA de Jonas Savimbi, que naquela época estava muito próxima dos Chineses e a FNLA, o movimento de Holden Roberto, próximo do Congo e dos Americanos.

O xadrez tornou-se ainda mais complexo, quando foi igualmente necessário levar em conta Moçambique. Encontrei-me então com Samora Machel, presidente da FRELIMO, o movimento da independência, o qual veio a ser Presidente do seu país em 1975. Isso aconteceu na Zâmbia. (...). Encetámos então as negociações.

Mas estas vieram a verificar-se mais difíceis, porque Chissano, o número dois de Samora, e actual Presidente, avisara-nos que o cessar-fogo só seria respeitado uma vez obtidas as garantias solenes da nossa parte quanto ao reconhecimento da FRELIMO como representante legítimo do povo Moçambicano.

Houve um acordo verbal, abraços e novos aplausos, mas quando nos sentámos à mesa das negociações, eles recusaram-se a assinar. E os Guineenses regressaram com a mesma disposição.

- Portanto, a FRELIMO por um lado, o PAIGC por outro, tal como Angola, exigiam que Portugal os reconhecesse como representantes dos seus povos antes de qualquer cessar-fogo.

E isso, no preciso momento em que o cessar-fogo entrava espontaneamente em aplicação no terreno. (...)

- O caso mais difícil continua a ser, mesmo assim, o de Angola.

Angola foi sem dúvida o caso mais complexo, em virtude da realidade dos movimentos pró-independentistas. As outras colónias ainda não pensavam na descolonização. Nem Cabo Verde, nem São Tomé, nem Timor estavam em guerra, e os Indonésios, naquela altura, não queriam ouvir falar de descolonização. (...)

- O senhor assinou os acordos de descolonização em Alvor, no Algarve, em Janeiro de 1975?

Nessa altura, Spínola já estava afastado do poder. O Presidente da República era o general Costa Gomes, e eu ainda era ministro dos Negócios Estrangeiros. Os acordos de Alvor, com os três movimentos angolanos, que estabeleciam a independência de Angola, foram assinados em Janeiro de 1975, por Almeida Santos, Melo Antunes e por mim.

E, pela parte de Angola, por Jonas Savimbi, Agostinho Neto e Holden Roberto, os líderes dos três partidos nacionalistas: UNITA, MPLA, FNLA. Esses acordos de Alvor fixaram as modalidades de independência. O último soldado português deveria abandonar o território angolano antes de 11 de Novembro de 1975.

Em contrapartida, não assinei os acordos com Moçambique, mas apenas assisti, após os acordos, ao acto de independência de Moçambique, no Maputo, assim como também não negociei, uma vez que já não era ministro dos Negócios Estrangeiros, a independência de Cabo Verde e São Tomé. Em Março de 1975, tive de abandonar a minha pasta.

Após o 11 de Março de 1975- data do golpe militar atribuído ao general Spínola, que teve de fugir para o estrangeiro- tornei-me ministro sem pasta... e sem poder. (...)

- Que balanço faz dessa descolonização portuguesa, que representa o último império ocidental?

Com o distanciamento e a perspectiva histórica que hoje possuo, julgo que não havia outro caminho senão conceder a independência às colónias, o que fizemos num tempo recorde. Fomos forçados a isso pela pressão internacional e pelas condições internas portuguesas.

Disse-se, posteriormente, que a descolonização tinha representado um trauma para aqueles que viviam nas colónias. Não nego que alguns dos que acreditaram poder lá ficar tivessem depois tido de fugir e regressar a Portugal, sem trabalho, sem dinheiro, sem casa.

Isso é efectivamente traumatizante, mas todos os processos de descolonização passam por aí. Penso que, apesar de tudo, temos a nosso favor a rapidez com que concluímos o processo, e a generosidade que nos guiou nessa obra de descolonização. Foi isso que nos abriu o caminho do futuro!

- Mas deixaram em Angola uma guerra civil que nunca cessou depois disso.

Não se pode misturar guerra civil com descolonização. Quando a independência foi proclamada unilateralmente pelo MPLA, a UNITA contestou de maneira muito forte, e a isso seguiu-se uma guerra civil que durou até à morte de Savimbi.

Em Moçambique, a guerra civil foi posterior à independência. A FRELIMO era naquela época um partido marxista-leninista, e a guerra só aconteceu depois de ter aparecido um outro partido, a RENAMO, não marxista, apoiado pela África do Sul.

Ao princípio, todos os movimentos nacionalistas africanos de expressão portuguesa estavam próximos da União Soviética e pretendiam construir nos seus países regimes ditos democracias populares, de partido único. Ora isso não era possível em África, nomeadamente por causa do contexto europeu e da guerra fria.

Na perspectiva portuguesa, não poderíamos ter feito outra coisa: o 25 de Abril de 1974 era para nós sinónimo de liberdade, e não podíamos fazer outra coisa a não ser pôr fim às guerras coloniais. As condições sociológicas em que conduzíamos aquelas guerras condicionavam-nos completamente, e era-nos impossível continuar.

Os militares portugueses, cansados de uma guerra colonial sem saída, recusavam-se a combater. Já ninguém acreditava na guerra, e a paz só poderia desembocar num mundo novo e na independência. Por conseguinte, fomos forçados a conceder a independência, de acordo com as Nações Unidas, e fizemos bem.

Salazar e Caetano eram incapazes de dialogar, incapazes de perceber a realidade. Eram autistas, no sentido político do termo, e deixaram a situação apodrecer. Pela nossa parte, conseguimos descolonizar sem demasiados choques, e actualmente temos boas relações com as nossas antigas colónias. (...)

(p. 97-104)

Fonte: Arquivo Pessoal

19 de outubro de 2013

Insulto de Lisboa (Álvaro Domingos)


O Bloco de Esquerda em Portugal beneficia de indulgência e compreensão porque os seus mais importantes dirigentes ainda não sabem como devem apresentar-se ante a sociedade. Prometeram uma prática política diferente, sobretudo ao nível das lideranças. Mas em breve surgiu Francisco Louçã dizendo que o partido era ele, num arremedo de Rei Sol com tiques evidentes de Menino de Deus.

Os outros dirigentes sentados à mesa da liderança comeram e calaram. Mas o desastre eleitoral nas últimas legislativas ditou o afastamento do rei, que uma vez morto foi substituído por Catarina Martins, uma simpática bloquista bojuda, histriónica, politicamente assim-assim e sem a noção do que é ser líder de um partido com representação parlamentar. O cabotinismo é um adorno desaconselhável.

A humilhação que foi infringida ao Bloco de Esquerda pelos eleitores portugueses nas recentes eleições autárquicas deixaram o resto da “mesa” em fanicos e agora é o salve-se quem puder e o último a sair que enterre João Semedo, um verdadeiro erro de casting que merecia melhor sorte, dada a sua inegável qualidade política. Os ratos começaram a abandonar o navio logo no primeiro desaire eleitoral. Um deles assentou praça no “Expresso” e para compor a ração, dispara tiro instintivo contra Angola.
O bufão sobrevive rente ao chão, acotovelando vermes e minhocas, para ter algum espaço que lhe permita apodrecer. Um dos seus últimos bafos é altamente condenável. Chamou mercenários aos portugueses que labutam em Angola. Ainda que o biltre não mereça resposta nem responso, por uma questão de solidariedade temos de reprovar semelhante afronta.

Os portugueses que trabalham em Angola são gente boa e desempenham as suas tarefas com competência e profissionalismo. Estão sempre disponíveis. Respeitam os angolanos e muitos já constituíram cá família. Outros, depois do período de adaptação, trouxeram mulheres e filhos. Regra geral, os portugueses são os mais entusiastas e activos agentes da reconstrução nacional. Não merecem que um bloquista oportunista lhes chame mercenários.

Porque apesar de terem sido acolhidos em Angola fraternalmente, quase todos têm saudades da sua pátria e enviam todos os meses para Portugal as suas poupanças. As remessas dos emigrantes portugueses que trabalham em Angola estão em terceiro lugar, depois da França e da Suiça. Também por isso não merecem que um escriba desalmado lhes chame mercenários.

Mas sobretudo porque o Bloco de Esquerda tem grandes responsabilidades na situação em que Portugal hoje se encontra e que levou centenas de milhares de portugueses a deixaram a sua terra natal, as suas casas, as suas famílias e os seus amigos. A direita deu a Louçã e seus acólitos todo o espaço nas televisões, rádios e jornais. Eram as estrelas da companhia. Como resultado dessa exposição mediática, o Partido Comunista enfraqueceu.

Como a receita funcionou bem, a direita pôs Francisco Louçã e os seus papagaios a atacar o Governo do engenheiro José Sócrates, o melhor que Portugal teve depois do 25 de Abril. Num quadro de gravíssima crise internacional e particularmente na Zona Euro, o Bloco de Esquerda ajudou a direita a derrubar José Sócrates, escancarando as portas à Troika que desde então, confisca tudo quanto é dinheiro aos portugueses que vivem dos seus salários e das suas pensões e reformas.

Chamar mercenários aos portugueses que cá trabalham é uma indignidade revoltante. Se aqueles que são a voz oficial de Pinto Balsemão vivessem em Angola, se vissem os olhares tristes de muitos portugueses que deixaram tudo para trás para poderem sobreviver e manter as suas famílias, não se atreviam a semelhante monstruosidade.

Em Angola não há portugueses mercenários. São todos bons cidadãos, trabalhadores, educados e responsáveis. A direcção do Bloco de Esquerda só tem um caminho: desautorizar imediatamente o farsante que ousou insultar milhares e milhares de portugueses que além de estarem a governar as suas vidas e as dos seus familiares, ainda mandam remessas de dinheiro para que a garotada que tomou de assalto a política portuguesa se divirta à grande e à francesa. Para aqueles que são a voz oficial de Pinto Balsemão não há crise. Nadam todos em dinheiro. Por isso, a infâmia é ainda mais condenável.

Os mercenários portugueses estão todos em Lisboa e os mais desprezíveis pertencem ao império mediático de Pinto Balsemão.

Jornal de Angola, 19 de Outubro de 2013

Moçambique : Praia da Macaneta

 

Fonte: Sapo MZ

18 de outubro de 2013

Príncipe de Angola: "José Eduardo dos Santos não tem carisma"


 
Venâncio Lucungo considera que o governo do seu país está a ser precipitado e a desvalorizar a importância de Portugal.

Venâncio Filipe Ngondo Lucungo, que reclama ser príncipe de Angola, enquanto descendente de uma rainha que morreu há mais de quatro séculos, afirmou esta sexta-feira que está contra o fim da parceria estratégica entre Angola e Portugal e acusou o chefe de Estado angolano de não ter uma “atitude humilde”.

“A cooperação [entre Angola e Portugal] não pode morrer assim. Estamos a prejudicar o futuro dos nossos filhos. Angola não pode pensar que já é uma potência mundial”, disse o príncipe Venâncio ao CM.

As declarações daquele que afirma ser o herdeiro do trono de Angola surgem no seguimento do anúncio feito pelo presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, de terminar as parcerias estratégicas entre Luanda e Lisboa.

O executivo angolano não terá gostado do facto do primeiro-ministro português Pedro Passos Coelho, ter desvalorizado o pedido de desculpa do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, pelas investigações feitas pela Justiça portuguesa a altos responsáveis angolanos.

Descendente de Ngola Nzinga Mbandi, rainha de Ndongo (Angola), que viveu entre 1581 e 1663, Venâncio Lucungo considera que o governo do seu país está a ser precipitado e a desvalorizar a importância de Portugal. “Não devemos tratar assuntos de Estado apenas com emoção. Angola precisa de Portugal. É um país muito mais avançado que o nosso. Angola precisa de uns 800 anos para chegar ao nível de Portugal, para ter a influência e as ligações que Portugal tem a uma escala mundial”, justificou o príncipe angolano.

Quanto às críticas feitas ao Governo de Passos Coelho e à imprensa nacional nos editoriais do ‘Jornal de Angola’, Venâncio Lucungo afirma que são apenas “encomendas” do regime de Luanda e que o objetivo é “fazer chacota” de Portugal. “Eles acham que vocês [portugueses] precisam de Angola. Eu sinceramente acho que não. É um país muito mais desenvolvido e que tem relações de cooperação muito fortes com outras potências”, disse ao CM.

O príncipe é da opinião que o atual líder angolano tem de ser mais “humilde”. “José Eduardo dos Santos não tem carisma. As suas palavras não têm poder para pôr fim às relações que os nossos antepassados fomentaram. O que falta a Angola é paz e transparência”, garante Venâncio Lucungo.

Esperançado que os dois países voltem a ter uma parceria estratégica forte, o príncipe de Angola pede aos políticos portugueses para terem calma e para não se deixarem “ajoelhar aos pés” da antiga colónia.
Por: Joana Marques Alves

Correio da Manhã, 18 de Outubro de 2013

8 de outubro de 2013

Maputo (antiga Cidade de Lourenço Marques)

Moçambicque: Campanha contra a corrupção

Um caso grave de tortura em Portugal (José Goulão)


Os acontecimentos dos últimos dois anos demonstraram que o governo da República Portuguesa, tutelado pelo conluio de credores formado pela Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI, vulgo troika, é capaz de tudo para obrigar o povo a pagar a ganância dos agiotas internacionais.

As últimas notícias confirmam que quando se escreve “capaz de tudo” não é, neste caso, uma frase feita, uma muleta de retórica. É mesmo tudo, incluindo torturar o povo.

Torturar o povo? Não será exagero do escriba? Não é. Encontram outra interpretação para a intenção manifestada de cortar nas pensões de sobrevivência dos viúvos com a finalidade de financiar bancos, bolsas e especuladores que se alimentam da dívida portuguesa, jogando com ela a juros cruéis?

A expressão “pensão de sobrevivência” é eloquente: sobrevivência, um montículo de migalhas para acudir à montanha de custos e encargos que todos os dias se ergue no horizonte dos cidadãos mais desfavorecidos.

Pensões de sobrevivência são os rendimentos das viúvas e viúvos de Portugal, a quantia, na maior parte dos casos em formato de esmola, de que dispõe o cidadão que ao perder o cônjuge perde igualmente grande parte do rendimento familiar. A pensão é o resíduo que o sobrevivente recebe do que o companheiro descontou durante a sua vida de trabalho.

O governo de Portugal, no rescaldo de uma visita dos esbirros da troika, parece então disposto a assaltar as pensões de sobrevivência dos portugueses na sua estratégia de procurar “aqui e ali”, como ameaçou o Vice-Primeiro Ministro Paulo Portas, os milhares de milhões necessários para pagar uma dívida impossível de pagar e que não se deve, por certo, a desmandos cometidos pela maioria dos portugueses, mas sim pela elite que os assalta.

O que se poupa atacando as pensões de sobrevivência? Uns trocos inúteis (100 milhões de euros, só os juros do primeiro resgate são 38 mil milhões...) perante a imensidão de uma dívida que chega aos 130 por cento do PIB e que, por alturas do início da intervenção da troika, precisamente para pagar essa dívida, estava à beira dos 90 por cento do PIB. Nesse tempo, dizia o Presidente da República, tal dívida era “insustentável”. Hoje, 40 pontos percentuais acima desse nível, tornou-se “sustentável”, segundo o Presidente da República, que por sinal é o mesmo – Aníbal Cavaco Silva.

Uns trocos retirados a rendimentos reduzidos, em muitos casos insultuosamente miseráveis, que são inúteis contra a dívida mas que, para muitas e muitas vítimas, representam a fronteira entre a sobrevivência e a morte lenta, entre a saúde e a doença, entre um mínimo de dignidade e a humilhação. Trocos que, além disso, simbolizam a infâmia do comportamento que é confiscar os legados que os cidadãos mortos deixaram às famílias e ao país.

Diz o já citado Presidente da República que os portugueses, esmagados pelo regime de austeridade, são “masoquistas” por insistirem em dizer que não é possível pagar a dívida. Ora o assalto às pensões das viúvas e viúvos de Portugal, que não resolve problema algum na situação actual do país, é por isso um caso de punição gratuita e vingativa, com o requinte de ser uma tortura de aplicação lenta. Pelo que as elites que hoje governam a República Portuguesa atingiram o patamar supremo da desumanização, o da crueldade sádica.

Jornal de Angola, 8 de Outubro, 2013

1 de outubro de 2013

Maputo (antiga cidade de Lourenço Marques)

A broa dos velhos (Por Alberto Pinto Nogueira, Procurador-Geral Adjunto)


A República vive da mendicidade. É crónico. Alexandre de Gusmão, filósofo, diplomata e conselheiro de D. João V, acentuava que, depois de D. Manuel, o país era sustentado por estrangeiros.

Era o Séc. XVIII. A monarquia reinava com sumptuosidades, luxos e luxúrias.

A rondar o Séc. XX, Antero de Quental, poeta e filósofo, acordava em que Portugal se desmoronava desde o Séc. XVII. Era pedinte do exterior. A Corte, sempre a sacar os cofres públicos, ia metendo vales para nutrir nobrezas, caçadas, festanças e por aí fora.

Uma vez mais, entrou em bancarrota. Declarou falência em 1892.

A I República herdou uma terra falida. Incumbiu-se de se autodestruir. Com lutas fratricidas e partidárias. Em muito poucos anos, desbaratou os grandes princípios democráticos e republicanos que a inspiraram.

O período posterior, de autoritarismo, traduziu uma razia deletéria sobre a Nação. Geriu a coisa pública por e a favor de elites com um só pensamento: o Estado sou eu. Retrocedia-se ao poder absoluto. A pobreza e miséria dissimulavam-se no Fado, Futebol e Fátima.

As liberdades públicas foram extintas. O Pensamento foi abolido. Triturado. O Povo sofria a repressão e a guerra. O governo durou 40 anos! Com votos de vivos e de mortos.

A II República recuperou os princípios fundamentais de 1910, massacrados em 1928.

Superou muitos percalços, abusos e algumas atrocidades.

Acreditou-se em 1974, com o reforço constitucional de 1976, que se faria Justiça ao Povo.

Ingenuidade, logro e engano.

Os partidos políticos logo capturaram o Estado, as autarquias, as empresas públicas.

Nada aprenderam com a História. Ignoram-na. Desprezam-na.

Penhoraram a Nação. Com desvarios e desmandos. Obras faraónicas, estádios de futebol, auto-estradas pleonásticas, institutos públicos sobrepostos e inúteis, fundações público-privadas para gáudio de senadores, cartões de crédito de plafond ilimitado, etc. Delírio, esquizofrenia esbanjadora.

O país faliu de novo em 1983. Reincidiu em 2011.

O governo arrasa tudo. Governa para a troika e obscuros mercados. Sustenta bancos. Outros negócios escuros.

São o seu catecismo ideológico e político.

Ao seu Povo reservou a austeridade. Só impostos e rombos nas reformas.

As palavras “Povo” e “Cidadão” foram exterminadas do seu léxico.

Há direitos e contratos com bancos, swaps, parcerias. Sacrossantos.

Outros, (com trabalhadores e velhos) mais que estabelecidos há dezenas de anos, cobertos pela Constituição e pela Lei, se lhe não servem propósitos, o governo inconstitucionaliza aquela e ilegaliza esta. Leis vigentes são as que, a cada momento, acaricia. Hoje umas, amanhã outras sobre a mesma matéria. Revoga as primeiras, cozinha as segundas a seu agrado e bel- prazer.

É um fora de lei.

Renegava a Constituição da República que jurou cumprir. Em 2011, encomendou a um ex-banqueiro a sua revisão. Hoje, absolve-a mas condena os juízes que, sem senso, a não interpretam a seu jeito!!!

Os empregados da troika mandam serrar as reformas e pensões. O servo cumpre.

Mete a faca na broa dos velhos.

Hoje 10, amanhã 15, depois 20%.

Até à côdea. Velhos são velhos. Desossem-se. Já estão descarnados. Em 2014, de corte em corte (ou de facada em facada?), organizará e subsidiará, com o Orçamento do Estado, o seu funeral colectivo.

De que serviu aos velhos o governo? E seu memorando?

Fonte: Público, 4 de Setembro de 2013

O Arquipélago do Bazaruto (1965)


No litoral de Moçambique, quando da viagem de Inhambane para a Beira, entre o Cabo de S. Sebastião e a foz do Govuro, situa-se o arquipélago do Bazaruto que toma o nome da ilha de maior extensão e que é conhecido internacionalmente sob a legenda de «Paradise Islands», desde que se tornou um cartaz turístico de Moçambique.

A mais famosa é a pequena ilha de Santa Carolina, de cerca de uma milha de extensão e de 400 metros de largura, que parece um maciço de verdura à superfície das águas, dado que está apenas uns poucos metros acima do mar. Diversas lendas envolvem esta ilha que chegou ao nosso tempo com o nome de Xiguine (Ilha Pequena). O arquipélago já é citado no século XVI por Frei João dos Santos no seu livro a «Etiópia Oriental», sob o nome de Ilhas Bocicas.

Depois da chegada aos aeroportos de Vilanculos e de Inhassoro, no continente, os turistas, vindos na sua maioria da Rodésia e da África do Sul, partem à descoberta da velha Ilha de Santa Carolina, famosa pela sua paisagem e pelas espécies de peixe que abundam nas suas águas e em que se destaca o marlin. A viagem de barco leva uma hora do Inhassoro.

Em Santa Carolina, nos recantos formados pelos corais, os praticantes do «Gogle Fishing» encontram uma água transparente e calma. Mal amanhece, a enseada da pequena ilha enche-se dos rumores dos entusiastas da pesca desportiva. Estes desportistas, especialmente quando do campeonato internacional que ali se realiza anualmente, vêm de todo o Mundo, alguns da Nova Zelândia, da Austrália e do Canadá e procuram sobretudo o marlin que abunda nestas águas. Alguns até têm aqui os seus barcos de pesca.

Quando o dia começa a acabar, os turistas dirigem-se para a enseada. Há o atractivo de ver o que trouxeram os que no alto mar procuraram o combativo marlin. Finda o dia e o sol esconde-se no mar. É a hora de encantamento. O mar canta a eterna canção no rebentar das ondas junto do restaurante onde na algaraviada de várias línguas vão desaparecendo as garrafas de whisky e de vinho tinto…
Fonte: Arquivo Pessoal

Moçambique: Anúncios antigos de Lourenço Marques

O Ensino Agrícola em Portugal (Rui Godinho, 1965)

 
Fonte: Recebido por email

Os Marimbeiros de Zavala (1965)


Podem ser considerados com um nível de capacidade artística muito mais elevado que o da maioria dos músicos africanos na parte meridional do continente.

Os famosos «Marimbeiros» de Zavala pertencem ao povo chope, grupo étnico fixado no Sul do Save, entre Inhambane e João Belo e que foi o primeiro a tomar contacto com os portugueses vindos da Europa e o primeiro também a ser cristianizado. É, pois, secular a sua integração no conjunto de povos que forma a Nação Portuguesa.

A música das orquestras de timbilas dos chopes é sobejamente conhecida entre os maios que se dedicam ao estudo da vida musical africana. O musicólogo Hugh Tracey tem dedicado a ela especial atenção, sendo de opinião que «… a arte musical chope está longe de ser simples e primitiva. A notável fecundidade artística dos compositores e o elaborado dos bailados não permitem considerar estas manifestações da sua música na categoria de danças regionais. Colocam-nas, sim, num nível de capacidade artística muito mais elevado que o da maioria dos músicos africanos na parte meridional do Continente.

Estas actividades revelam carácter acentuadamente social, constituindo um factor de relevo para a manutenção da unidade tribal e para afirmação da comum lealdade dos seus membros ao respectivo chefe. As canções mostram desenvolvida intuição poética, quinda que a necessidade de combinar as letras com o acompanhamento musical e com os bailados ponha de parte a improvisação e a criação espontânea, características fundamentais e comuns da música folclórica africana. Por outro lado, os bailarinos necessitam de uma estrutura musical e vocal exacta para que possam sincronizar com ela os passos que acompanham por pancadas em perfeito uníssono dos escudos e das lanças ou machadinhas. Assim, necessita o verso de estrofes regulares e pré-estabelecidos, abolindo-se os caprichos dos executantes. Por todos estes motivos, torna-se indispensável a regência de um condutor que dê forma e que discipline o conjunto. O que não quer dizer que as letras, as músicas e a coreografia se petrifiquem.» Pelo contrário, Travey, após a sua viagem de estudo por grande parte do continente africano realizada em 1949-50, não deixou de frisar que, entre os chopes de Zavala, em todas essas facetas tinha havido renovação completa durante os quatro anos que mediaram entre as suas duas últimas visitas.

Esses poemas desempenham entre os chopes uma interessante missão de regularização e de condicionamento da conduta individual em conformidade com os respectivos valores culturais, missão em que só são igualados pelos aforismos. Reflectem as condições sociais, verberam as injustiças, criticam os que não cumprem os seus deveres ou os que abusam do seu poder, ridicularizam a vaidade, a preguiça e outros defeitos e comentam acontecimentos quotidianos.

Fonte: Arquivo Pessoal

27 de setembro de 2013

Um Postal para o Governo

Recebido por email