25 de novembro de 2013
17 de novembro de 2013
Maputo: Breadd, as novas sacolas de pão
Os maputenses tem agora uma nova maneira de transportar pão, Breadd. São sacolas de pão feitas de papel que permitem uma “temperatura” agradável para manter o pão sempre fresco.
Fonte: Sapo MZ
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Moçambique: Associação Comercial da Beira
Em 1952 foram dados os primeiros passos para a construção do atual edifício, em substituição de um outro erguido em 1923/24. O projeto, da autoria do arquiteto Paulo de Melo Sampaio, foi aprovado em Setembro de 1956, vindo a ser inaugurado em 1961.
Fonte: Arquivo Pessoal
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Moçambique: Almoxarifado da Beira
Foi o primeiro edifício de alvenaria (tijolo de betão) construído na cidade da Beira, em 1897, num local onde existiram algumas barracas de madeira e zinco, pertença do governo. O almoxarifado esteve ali instalado até 1903, passando depois à posse dos correios até 1929. Neste momento foi entregue à associação «Casa do Artista», para ali instalar a sua sede.
Fonte: Arquivo Pessoal
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Roteiro Histórico da Cidade da Beira
Moçambique: Aerogare da Beira
De autoria do arquiteto Cândido Palma de Melo, viria a ser inaugurada a 27 de Junho de 1968, tendo o seu custo orçado em 35 mil contos. A decoração interior é do arquiteto José Augusto Moreira, com painéis decorativos de José Pádua.
Fonte: Arquivo Pessoal
Fonte: Arquivo Pessoal
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6 de novembro de 2013
Lisboa: Transporte Turístico em Belém
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Nas Escadinhas da Costa do Castelo em Lisboa
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Graffiti nas Rua da Vila de Cascais
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Graffiti Nas Ruas da Vila de Cascais
3 de novembro de 2013
Mia Couto distinguido com prémio internacional de literatura Neustadt
O escritor moçambicano Mia Couto foi distinguido com o prémio internacional de literatura Neustadt, atribuído de dois em dois anos pela Universidade de Oklahoma, no valor de 50.000 dólares, disse hoje à Lusa fonte da sua editora.
O galardão é entregue desde 1970 e já distinguiu, entre outros, o brasileiro João Cabral de Melo Neto, Álvaro Mutis, Octávio Paz e Giuseppe Ungaretti.
Mia Couto é o pseudónimo de António Emílio Leite Couto, de 58 anos, autor que já recebeu os prémios Camões, Eduardo Lourenço e o da União Latina de Literaturas Românicas.
Além do cheque, o autor vai receber uma reprodução em prata de uma pena de águia.
"A Confissão da Leoa", editado o ano passado é o seu mais recente livro.
NL // PMC
Lusa/Fim, 02 de Novembro de 2013
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Poetas e Escritores de Moçambique
Forbes: Como roubar 3 biliões de dólares em Angola
Brasil - O referido título foi avançado pela edição brasileira da revista "Forbes Brasil" que dedica algumas páginas a Isabel dos Santos e ao caminho curto com que a mesma e sua família conseguiram acumular capital em Angola.
Com a devida vénia, segue em anexo o fac simile integral da referida reportagem.
Fonte: Fobes/Brasil, 26 de Outubro de 2013
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Angola - Actualidade
“O Ciclo do capital” - Nelo de Carvalho
Brasil - O Capitalismo é assim e as teorias de mercado em que ele se fundamenta para ser um regime que dá preferência ao Capital funcionam sem discriminar o que é bom e o que é mau : o acúmulo de lucro ou de capital pode vir de onde vier, não importa se seja na produção (trabalho de verdade que dignifica o ser humano); não importa se esse capital é especulativo (em que se vê o sacrifício do homem e/ou da natureza); o importante é gerar lucros.
O direito a propriedade privada tem como fundamento esse princípio: os lucros podem vir de onde for necessário, suas consequências é que serão tidas como um problema de externalidade a ser resolvido por todos: o chamado setor público. Desde que este não atrapalhe e não coíba aquele direito! Direito sagrado e sacrossanto, máxima de um tripé ( propriedade, família e tradição) defendido por uma burguesia neoliberal, mas com uma herança mais conservadora daqueles que derrubaram a monarquia francesa.
É preciso que se diga que família e tradição é só um moralismo para enquadrar a classe trabalhadora e reivindicadora no seu lugar, como bois que deveram dormir anestesiados. A anestesia é só para estender o que aqui estamos discursando, porque todos sabemos qual é. Porque de vez enquanto o produto anestésico precisa se adaptar, mas quando aquela massa de explorado conquista o espaço e adota como filosofia a verdadeira “religião” de uma sociedade, a anestesia aparece na forma mais reacionário a contradizer as massas e defendendo o que foi derrotado.
Em substituição ao anestésico, tido mais como uma droga que engana a todos nós, o sábio dizia: “Da mesma forma que a filosofia tem seu objetivo material no proletariado; o proletariado tem seu objetivo espiritual na filosofia”. É talvez um lema, corolário, teorema mais avançada de filosofia, muito além do nosso tempo, que eu ( pessoalmente) mais tenha lido em toda minha vida e meditado sobre a mesma. É fantástico só de pensar que é muito mais útil fazer filosofia e meditar fazendo filosofia do que perder tempo em rezar. Todas as perguntas sobre o universo, mesmo sem respostas, cabem e são mais justas, do que ficar repetitivamente lendo versículos de um livro que inibi a razão e o bom senso.
Falamos de consequências lá em cima em algum dos parágrafos anterior, diante destas: o interessante em tudo isso é que o sistema se regenera fazendo das consequências e de todo tipo de externalidades produtos de mercados entregue a este para fazer dos mesmos serviços ou bens que gerarão novos lucros. O ciclo pode ser infinito teoricamente, mas a natureza e a capacidade do homem em suportar as desgraças geradas por lucros gerados pelo capital têm limites e provocam exaustão a ambas entidades: homem e natureza.
O Capital gerado pelo capitalismo corrupto angolano não é tão diferente! É igual aquele que tantas guerras provocou à Europa; igual ao capital que tantas intervenções imperialistas ( vindo da Europa ou não) provocaram mundo a fora, promovendo guerras, extermínios e genocídios. Igual ao capital que tanta fome gera nesse mundo de 7 bilhões de habitantes e que, além disso, suas externalidades negativas produzem também problemas ambientais. O que intriga agora é que é deste Capital que se quer criar uma classe rica e poderosa em Angola. A pergunta que não cala é: a quem esta, agora, devera sacrificar?
Não seria melhor promover a construção de uma nação poderosa? Para isso é preciso promover o espirito social baseado num tripé( solidariedade, educação e distribuição de renda) diferente daquele que José Eduardo dos Santos, um excomunista ( se estou mentindo que me chamem de mentiroso), agora, quer nos convencer que é a melhor opção que levará ao poder a nação que se deseja construir. Nossa irritação, descontentamento e desacordo é que o discurso do Presidente em resposta à corrupção de que seu Governo é acusado por todos, interna e externamente, da carta branca a uma classe de capitalistas e burgueses, que além de privilegiados, são sabidamente corruptos, para que esses possam proceder e executar os instrumentos que cabem ao capital para que se explore e se marginalize ainda mais a grande massa de angolanos trabalhadores e pobres.
Ao Presidente temos a dizer que é preciso não se esquecer que a independência do país foi conquistado por estes e para estes. Em que um dia ele já fez parte! E com certeza chegou ao poder representando essa massa de trabalhadores, operários e camponeses angolanos. A gratidão também é virtude que deveria ser atributo de um homem ponderado e “clarividente” como JES.
Fonte: Club-k.net, 01 de Novembro de 2013
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Angola - Actualidade
Milionários em África vão quase duplicar até 2018
Lisboa - O número de milionários em África vai quase duplicar nos próximos cinco anos, um crescimento que será o segundo maior em todo o mundo até 2018, atrás da China apenas. Segundo um estudo do banco Crédit Suisse, o número de indivíduos com uma fortuna superior a um milhão de dólares no continente africano vai subir de 90 mil este ano para 163 mil em 2018, um aumento de 81%, muito acima do crescimento global de milionários, que irá aumentar 50%.
De acordo com o Global Wealth Report 2013, nos próximos cinco anos o continente africano irá produzir mais 73 mil novos milionários, à medida que a economia regista uma das maiores taxas de expansão em todo o mundo nos sectores das matérias-primas, infra-estruturas ou telecomunicações.
Até 2018, África será assim a segunda região com o ritmo mais elevado de crescimento de milionários, só ultrapassada pela China. O país asiático, que detém o maior mercado interno mundial, vai ver o número de milionários subir 88%, de 1,1 milhões para 2,1 milhões nos próximos cinco anos.
De acordo com o Crédit Suisse, serão as economias emergentes as ‘fábricas’ de grandes fortunas nos
próximos anos. O número de milionários vai disparar 72% na Ásia-Pacífico, 64% na América Latina e 66% na Índia. Os valores são bastante superiores aos previstos para as economias mais desenvolvidas: crescimento de 41% na América do Norte e de 47% na Europa.
O relatório do banco suíço aponta que, apesar do forte crescimento das grandes fortunas em África, o continente continua a acusar uma forte desigualdade entre a população. A região coloca várias individualidades no ranking mundial dos 100 mais ricos, mas mais de 90% da população está no escalão mais baixo de rendimento, os que vivem com menos de 10 mil dólares por ano.
Segundo a revista Forbes, Aliko Dangote é o homem mais rico em África e o 76.º em todo o mundo, com uma fortuna de 16 mil milhões de dólares feita no sector dos cimentos. Já Isabel dos Santos é a mulher com maior fortuna no continente, com dois mil milhões de dólares.
Fonte: Sol, 01 de Novembro de 2013
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Ler (José Craveirinha) uma belíssima poesia nossa irmã (Por Isabel Pires de Lima)
José Craveirinha, poeta moçambicano recentemente falecido, aos 80 anos, é uma das vozes fundadoras da literatura moçambicana. Xigubo(1964) foi o seu primeiro livro, logo apreendido pela PIDE, ao qual se seguiram muitos outros de que se destaca Karingana ua Karingana, Cela 1, Maria. Muito premiado nacional e internacionalmente (prémio Camões em 1991), foi um embaixador da literatura moçambicana no mundo.
A sua poesia canta a revolta, a raiva, o amor, a solidariedade e faz a denúncia frontal da injustiça social e racial, como testemunham estes versos do poema "Grito negro":
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha
Combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.
E canta um ideal de mestiçagem harmoniosa, que de resto o marca biologicamente, filho que foi de pai algarvio branco e de mãe ronga negra, mestiçagem cultural espelhada no poema, "A fraternidade das palavras", que termina assim :
E eis que num espasmo
de harmonia como todas as coisas
palavras rongas e algarvias ganguissam
neste satanhoco papel
e recombinam em poema.
Craveirinha foi um apaixonado pela língua portuguesa que cultivou com exaustivo trabalho e que aprendeu a amar pelos lábios desse pai algarvio, colono pobre, cuja voz grave relembra "recitando Guerra Junqueiro ou Antero", a quem ele dedicou um extraordinário poema intitulado "Ao meu belo pai ex-emigrante", no qual garante:
(...) não esqueço
meu antigo português puro
que me geraste no ventre de uma tombasana
eu mais um novo moçambicano
semiclaro para não ser igual a um branco
qualquer
e seminegro para jamais renegar
um glóbulo que seja dos Zambezes do
meu sangue.
Perdemos, moçambicanos e portugueses, um grande poeta de língua portuguesa. Sugiro a leitura da sua poesia, que está publicada entre nós pela Editorial Caminho, e garanto que terão a confirmação dos seguintes versos seus:
Amigos:
as palavras mesmo estranhas
se têm música verdadeira
só precisam de quem as toque
ao mesmo ritmo para serem
irmãs.
Descobrirão ou redescobrirão, os que já o leram, uma belíssima poesia nossa irmã.
Acção Socialista - 9/4/2003
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Poetas e Escritores de Moçambique
PCP foi "tragédia" no processo de descolonização (Pacheco Pereira)
O historiador português José Pacheco Pereira considera que a intervenção do PCP em Portugal e junto dos movimentos independentistas nas ex-colónias portuguesas em África foi "trágica" para a história recente desses países.
Pacheco Pereira considera que "a herança, quer do colonialismo, quer do PCP, enquanto partido comunista nas colónias portuguesas, é de facto trágica".
Numa palestra subordinada ao tema "As relações dos movimentos de libertação com a oposição portuguesa", Pacheco Pereira defendeu ainda que um debate desapaixonado sobre a história recente pressupõe a emergência de uma "nova geração" e a abertura dos arquivos do PCP e de partidos como a FRELIMO (Moçambique) e MPLA (Angola).
"Se o PCP não tivesse o papel que teve em Portugal o caso de Angola, por exemplo, teria sido muito diferente porque o acordo inicial em Angola é assinado com três movimentos e a independência é feita por um, com tropas cubanas", disse Pacheco Preiera, acrescentando: "Em Moçambique, a FRELIMO comportou-se como um partido único realizando toda uma série de violências que criaram o caldo de cultura para o conflito civil que houve mais tarde com a RENAMO e praticamente destruiu Moçambique".
Para Pacheco Pereira, "a herança, quer do colonialismo, quer do PCP enquanto partido comunista nas colónias portuguesas é de facto trágica".
"Como aconteceu em muitos sítios, em África destruiu infra-estruturas, fez com quem em muitos desses países as pessoas ficassem mais pobres do que eram no tempo do colonialismo", disse o historiador.
Para Pacheco Pereira, autor de uma biografia em vários volumes do falecido dirigente comunista Álvaro Cunhal, a acção do PCP no pós-independência, designadamente enquanto instrumento da extinta União Soviética, influenciou ainda as guerras civis que posteriormente assolaram e arruinaram as ex-colónias africanas de Portugal.
"Uma das heranças que o PCP e a União Soviética deixaram, em muitos aspectos trágica, foram partidos e regimes comunistas. Basta olhar para a bandeira de Angola, para a bandeira de Moçambique para ver a simbologia comunista, uma versão da foice e do martelo", sublinhou.
Pacheco Pereira considerou não ser ainda possível "tirar uma conclusão" sobre a acção do PCP em Portugal no período que se seguiu ao 25 de Abril - se a simples tomada do poder para instauração de um regime do tipo comunista, se a criação de agitação que acelerasse, em condições favoráveis para Moscovo, a entrega das possessões ultramarinas, se ambas.
"Não se pode ainda tirar uma conclusão, mas penso que alguns quadros do PCP objectivamente quiseram tomar o poder em Portugal. Não estou a dizer que fosse essa a orientação da União Soviética", observou Pacheco Pereira, referindo que o PCP teve "enorme importância na génese dos movimentos de libertação", embora essa importância não tenha sido "a mesma para Angola, Guiné ou Moçambique".
Por outro lado, acrescentou, em 1953, os estudantes africanos ligados ao PCP, que mais tarde protagonizaram as lutas pela independência dos respectivos países, fizeram um "movimento de ruptura" recusando ser "apenas uma parte de um movimento português".
Fonte: Lusa
Autor: África Today/CB
Data: 02 / 10 / 2008
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Portugal - 25 de Abril de 1974
28 de outubro de 2013
O que é a corrupção institucionalizada (Nelo de Carvalho)
Brasil - Num regime democrático sério é função do governo e do Estado combaterem a corrupção, e entre os grandes objetivos de um Estadista está em provar à sociedade que ele é parte do exército que combate este mal.
Não foi o que nos pareceu com o Presidente José Eduardo dos Santos no seu discurso de mensagem a nação. Ele agora se empenha em defender a existência de uma elite rica e poderosa, mas o presidente esqueceu-se que está deveria emergir num ambiente ético, legal, transparente em que as regras do jogo devem nivelar a todos os cidadãos, para que estes se encontrem na mesma arena em que a vitória e o êxito de cada um deles dependessem simplesmente do mérito de cada um. São procedimentos cinicamente ignorados por quem fez o discurso, pelo governo que aí está e o partido no poder.
Outra coisa isso não poderia ser que não seja corrupção institucionalizada. Ou seja, é também a violação de certos princípios básicos que evitariam que a distribuição de riqueza e poder num país não esteja acumulada deforma clientelista e patrimonialista em que, sempre, e só os mais próximos ao poder são beneficiados.
Corrupção institucional é desordem social que surge como resultado do caos em que o próprio Estado é usado; caos provocado pelos trinta e oito anos de governação; este caos que o próprio governo e o presidente da república nunca se reconhecem como culpados; caos que não vê no mérito e na competência um instrumento de reciclagem que a máquina do Estado tanto precisa e em que sua formalização se faz seguindo as regras da democracia.
A institucionalização da corrupção em Angola funciona da seguinte forma:
a) Com um Presidente que quando não faz vistas grossas ao fenômeno que nos assusta a todos, sai descaradamente em defesa da mesma com uma teoria africanista e do complexo do oprimido em que acusação é sempre a ingerência imperialista ou ocidental ( este que vive usando oposições políticas para derrubar governos que não os favoreces);
b) Funciona com a perseguição e a diabolização aos críticos do governo e do estado, esquecendo- se, o próprio presidente, que a crítica que deveria ter espaço nos meios públicos de comunicação é um instrumento de mensuração aos atos administrativo para se quantificar e qualificar o grau de eficiência, quando este existe;
c) A própria institucionalização da corrupção está na manifestação na manifestação do ódio de classe e política protagonizada pelos assessores, parentes e familiares, a turma dos privilegiados mais próximos ao Presidente da República, quando todos estes sem o menor constrangimento possível, sentenciam diante da opinião pública que os críticos do regime “morrem de inveja”, ou que são simplesmente “invejosos e mal intencionados”. Uma forma arrogante e deverás prepotente de agir que se torna uma piada de mau gosto para uma sociedade traumatizada com a miséria. E assim se descobre que estamos diante de um Estado reacionário, que não defende simplesmente uma classe social, mas uma quadrilha de delinquentes;
d) A institucionalização da corrupção está na maneira evasiva que o próprio Presidente, sem jeito ( e a impressão que dá é a do sujeito sem caráter) protagoniza ao não saber encarar tal fato em todos os seus discursos e entrevistas, já que a corrupção é hoje o maior problema do Estado Angolano.
Assim o discurso em defesa de uma elite rica não tem nada de patriótico ou de africanista preservando uma cultura autentica (divida para com os nossos antepassados); é uma mera prosa, que poderia caber ao homem de nível intelectual baixo e iletrado, para justificar o que aí está: a proteção de um ninho composto de filhos, sobrinhos e genros.
O discurso é na verdade uma pretensão de continuar a manter o país uma mina de privilégios para poucos, e em que esses poucos são sempre os mesmos: aqueles que mais se esforçam em aplaudir o Presidente da República.
Definitivamente, isso não é democracia!
Fonte: NeloDeCarvalho/FACEBOOK - 24 de Outubro de 2013
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O ABC do poder angolano
Lisboa - Os angolanos são os investidores estrangeiros com maior peso no PSI-20. O conjunto das suas posições vale cerca de 2,8 mil milhões de euros, valor que oscila em função da volatilidade das acções. A sua influência, contudo, está longe de se esgotar na bolsa. O poder angolano tece-se em várias teias
A
António Mosquito e Álvaro Sobrinho. O primeiro tornou-se mediático em Portugal por ser dado como putativo comprador da Controlinveste, empresa que detém, entre outros, o "DN", a "TSF" e o "JN" e "O Jogo". Enquanto esta operação se mantém num impasse, Mosquito vai concretizar a compra de 66,7% do capital da Soares da Costa por 70 milhões de euros. O empresário tem 12% do Banco Caixa Geral Totta e em Angola está em áreas como o imobiliário, o automóvel e o petróleo. Representa as marcas Audi e VW e um dos seus maiores clientes é o Estado angolano. Em Angola há quem o elogie e quem o questione, dizendo que não se lhe conhecesse um negócio que funcione. Já Álvaro Sobrinho, o rosto da família Madaleno (directa ou indirectamente através da Newshold), é dono do jornal "Sol", tem um contrato de gestão do "I", 15% da Cofina (proprietária do Negócios), 1% da Impresa ("Expresso e SIC) e 23,5% da SAD do Sporting. A Newshold comprou também 80% da Cofaco, uma empresa conserveira que tem marcas como o Bom Petisco. Sobrinho foi presidente executivo e não executivo do Banco Espírito Santo da Angola, de onde saiu em conflito nunca assumido publicamente com o BES.
B
Banca. Os angolanos têm interesses fortes na banca nacional. Assim, Isabel dos Santos controla 19,5 % do capital do BPI e 25% do BIC Português e BIC Angola, dois bancos que têm uma estrutura accionista similar. O BIC Português é liderado por Mira Amaral, o BIC Angola por Fernando Teles. Américo Amorim também tem 25% destes dois bancos. O BIC comprou o BPN ao Estado português no final de 2011 por 40 milhões de euros. Já o general Manuel Hélder Vieira Dias (Kopelipa) detém 10,19% do banco BIG. O maior destaque vai para o BCP, onda a Sonangol é a maior accionista (19,5%) e outra empresa angolana, a Interoceânico, possui 2,6% do capital, alinhando posições com os brasileiros da Camargo Côrrea.
C
Carlos Silva. É o rosto da Interoceânico e presidente do angolano Banco Privado Atlântico (BPA). É também vice-presidente do BCP e tido como próximo de Manuel Vicente, actual vice-presidente da República de Angola. Está também ligado à Mota-Engil Angola, através de duas empresas, a Globalpactum e a Finicapital (empresas associadas da Sonangol e do BPA) Quanto foi apresentada em Portugal, em Fevereiro de 2011, a Interoceânico anunciou ter 75 milhões de euros para investir em sectores como o financeiro, agro-indústria e a energia. A Interoceânico, através da Finicapital, teve uma parceria com a Impresa em Angola através da qual nasceu a revista "Rumo". A publicação fechou em Janeiro de 2013, numa altura em que o semanário "Expresso" vinha noticiando investigações da justiça portuguesa a altura figuras de Angola.
D
Daniel Proença de Carvalho. O advogado é presidente não executivo da Zon, cujo maior accionista é Isabel dos Santos. Proença de Carvalho foi também um dos advogados que tratou da restituição de 150 milhões de dólares que Angola havia transferido para um advogado para comprar 49% do Banif. O caso iniciou-se em 1994, mas o Estado angolano só se considerou ressarcido em 2010. É um também um dos accionistas da Interoceânico. O advogado é igualmente presidente não executivo da Cimpor, dominada pela Camargo Corrêa, aliada da Interoceânico no BCP.
E
Escom. Empresa que o Grupo Espírito Santo acordou vender à Sonangol. O desfecho desta operação, acordada em 2010, tem-se arrastado. Pelo caminho a empresa viu-se sob investigação do DCIAP por causa do dinheiro envolvido na transacção. Entretanto, três gestores terão também sido constituídos arguidos no chamado caso dos submarinos. A polémica em torno da Escom faz também parte de uma "guerra" entre duas facções do poder angolano.
F
Filipe Vilaça Barreiros. É uma figura discreta que representa o general Kopelipa nos muitos negócios que este tem em Portugal, da banca aos vinhos, através da empresa World Wide Capital. É um apaixonado pelo desporto automóvel e costuma disputar provas ao volante de um Ferrari.
G
Galp. Tem dados bons dividendos mas é uma pedra no sapato dos investidores angolanos, Sonangol e Isabel dos Santos, que detêm indirectamente 15% da petrolífera portuguesa, a partir da posição de 45% que possuem na Amorim Energia. Esta 'holding', controlada a 55% por Américo Amorim, tem uma posição de 33,34% da Galp. Os angolanos sempre quiseram ter uma participação mais activa na gestão da Galp, mas Amorim tem-se constituído como um obstáculo a esta pretensão. Este é um dos motivos do seu mau relacionamento com Isabel dos Santos.
H
Higino Carneiro. Discreto, influente e muito rico. São-lhe atribuídos investimentos em Portugal nas áreas da hotelaria e restauração. Já foi ministro das Obras Públicas de Angola. É actualmente governador da província do Kuando Kubango. Terá perdido influência política.
I
Isabel dos Santos. É a empresa com investimentos mais elevados e notórios em Portugal. Concretizou agora a fusão da Zon com a Optimus, é accionista do BPI, do BIC e da Galp e a "Forbes" classificou-a como a primeira multimilionária africana. Além do casamento com a Optimus tem um acordo com a Sonae para implantar a cadeia de hipermercados Continente em Angola. O facto de ser filha do presidente da República, José Eduardo dos Santos, coloca-o sob constante escrutínio. Os seus defensores realçam os seus méritos como empresária e as suas apostas acertadas. Os seus críticos dizem que só chegou a este nível por ser filha de quem é.
J
José Eduardo dos Santos. É presidente de Angola desde 1979 e esta sua longevidade na liderança, a maior em África, diz praticamente tudo sobre o seu poder. Tem conhecimento, directo ou indirecto, de todos os investimentos em Portugal e tem sido, no interior do MPLA, um dos defensores da aproximação entre os dois países. O relacionamento a nível governativo melhorou significativamente a partir da chegada de José Sócrates a primeiro-ministro. O grande receio reside em saber se após a saída de Eduardo dos Santos, Angola conseguirá manter a sua estabilidade social e política.
K
Kopelipa. Nome pelo qual é conhecido o general Manuel Hélder Vieira Dias. Ministro de Estado e chefe da Casa Militar de José Eduardo dos Santos. A seguir ao presidente, será provavelmente a segunda figura mais poderosa em Angola. Em Portugal tem investimentos pessoais em imobiliário, avaliados em mais de 10 milhões de euros, quintas no Douro, e uma participação de 10,19% no banco BIG. Kopelipa é o homem em que José Eduardo dos Santos tem total confiança. E isto basta para ilustrar a sua influência.
L
Lopo do Nascimento. Foi primeiro-ministro, ministro e secretário-geral do comité central do MPLA. No início da primeira década do século XXI houve quem olhasse para ele como um figura credível que poderia congregar as elites descontentes com o Governo do país. Hoje é deputado eleito pelo MPLA. Em 2010 integrou um consórcio que adquiriu 49% da Coba, uma empresa portuguesa de consultoria em engenharia civil e ambiental. É actualmente presidente do conselho geral e de supervisão desta empresa.
M
Mário Leite da Silva. Discreto. O economista que Isabel dos Santos foi resgatar aos quadros de Américo Amorim é o número dois da empresária angolana e uma pessoa da sua máxima confiança. Está, por exemplo, nas administrações da Zon, BPI e De Grisogono, uma empresa suíça de jóias e relógios que Isabel dos Santos comprou.
N
Noé Baltazar. Ex-presidente da Endiama e que manteve negócios no sector dos diamantes. É muito próximo de José Eduardo dos Santos e um dos muitos ilustres angolanos que comprou um apartamento no Estoril Sol Residence. A "Maka Angola" baptizou-o de "prédio dos angolanos". Lá têm casa, entre outros, José Pedro Morais (ex-ministro das Finanças), António Domingos Pitra Neto (actual ministro da Administração Pública), Álvaro Sobrinho (Newshold) e Teresa Giovetty, mulher do general Kopelipa.
O
Oloeoga. Empresa que se dedica à produção de azeite e que tem como accionista Monteiro Pinto Kapunga, deputado do MPLA eleito pelo círculo de Malanje. Em 2008 juntou-se ao elvense João Garção e investiram dois milhões de euros num lagar de azeite.
P
Paulo Azevedo. O seu pai, Belmiro de Azevedo, tinha dúvidas em relação a Angola. Paulo, se as tem, não as mostra. Aliou-se a Isabel dos Santos para fundir a sua empresa de telecomunicações, a Optimus, com a Zon, e também acordou com a empresária a instalação de hipermercados Continente em Angola. Isabel dos Santos criou a empresa Condis que terá uma participação de 51% neste projecto, ficando a Sonae com uma posição minoritária.
Q
Quintas. Quinta da Marinha, Quinta do Lago ou Quinta da Beloura. São três exemplos de empreendimentos imobiliários de luxo onde a elite angolana tem casa. Estes investimentos revelam o seu poder financeiro, mas são também um porto seguro caso a situação social e política em Angola se deteriore, em resultado do processo de sucessão de José Eduardo dos Santos.
R
Rafael Marques de Morais. O jornalista e líder do site Maka Angola é porventura o crítico do regime com maior notoriedade. Recentemente foi co-autor de um artigo publicado pela "Forbes" que atribui o enriquecimento de Isabel dos Santos a favores do pai. É autor do livro "Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola" e alvo de processos movidos por generais angolanos. A sua exposição mediática irrita solenemente a nomenclatura angolana.
S
Sindika Dokolo. Marido de Isabel dos Santos. É membro da administração da Amorim Energia. Possui a mais importante colecção de arte africana contemporânea, com cerca de três mil obras. É cada vez mais influente no círculo restrito de José Eduardo dos Santos.
T
Tobis. A empresa portuguesa produtora de cinema foi comprada por investidores angolanos em 2012, os quais pagaram ao Estado português sete milhões de euros. A Tobis foi adquirida pela Filmdrehtsich , detida a 100% por uma sociedade com sede em Angola, a Berkeley Gestão e Serviços, cujos accionistas se desconhecem. Em 2007, Pepetela, um dos mais aclamados escritores angolanos, havia publicado um livro intitulado "O Terrorista de Berkeley, Califórnia". A participação da Berkely foi posteriormente comprada pela Elokuva, também angolana. A Filmdrehtsich tem como gerente Maria Pereira Vinagre.
U
Unitel. É a principal empresa de telecomunicações de Angola. Isabel dos Santos é accionista de referência e a PT tem uma participação de 25%. Com a fusão Zon/Optimus esta aliança será certamente reavaliada. O processo de separação terá tanto de natural como de demorado.
V
Viauto. Empresa de comércio automóvel que Manuel Hélder Vieira Dias "Júnior", filho de Kopelipa, comprou em 2012 à Santogal, do Grupo Espírito Santo. Representa em Portugal as marcas de luxo Ferrari e Maserati.
W
Welwitschia. Nome de baptismo de Tchizé dos Santos, filha de José Eduardo dos Santos. Em 2012 comprou 30% da Central de Frutas do Painho, através da empresa Goodness Country. Esta empresa é uma organização de produtores de pêra rocha do Cadaval, região de onde é originário o seu marido, Hugo Pêgo.
X
xadrez. A maior parte dos investimentos angolanos são feitos através de várias empresas que partilham accionistas. Um autêntico jogo.
Y
YUAN. Moeda simboliza as relações fortes entre a China e Angola, dois países que têm um peso determinante no PSI-20: a China através da EDP, Angola com posições diversas.
Z
Zon. Isabel dos Santos tornou-se accionista maioritária da empresa e depois lançou-se no processo de fusão da empresa com a Optimus. A Zon é uma das estrelas cintilantes na constelação dos seus interesses no sector das telecomunicações.
Fonte: Jornal de Negocios, 28 de Outubro de 2013
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