Decorre desde princípios deste mês a operação de dragagem do canal principal de acesso ao Porto da Beira, actualmente assoreado, visando retirar parte dos sete milhões de toneladas de sedimentos que se estima existirem. Foi aberto um canal alternativo, mas este tem levado ao encalhe de muitos navios devido ao assoreamento, principalmente na chamada curva de Macúti, onde se concentram grandes quantidades de sedimentos arrastados pelas águas dos rios Búzi e Púnguè.
Alberto Ezequiel Bila, comandante da draga “Alcântara Santos”, propriedade da Empresa Moçambicana de Dragagens (EMODRAGA), explicou que as duas dragas envolvidas na operação removem diariamente uma média de 13 mil metros cúbicos de sedimentos.
Segundo Bila, os trabalhos de dragagem do canal principal começaram no passado dia 1 de Outubro, entre as bóias 5A e 6A. O que se pretende, segundo ele, é minorar as dificuldades que os navios encontram para entrar no porto, pois o actual canal alternativo possui muitas curvas, originando muitos bancos de areia, o que tem levado a encalhes.
Sabe-se, entretanto, que estão já assegurados 90 milhões de dólares pelos parceiros da empresa CFM para a aquisição de duas dragas de emergência para atender aos trabalhos, uma das quais ficará baseada na Beira.
Tayob Adamo, presidente do Conselho de Administração da EMODRAGA, disse, a propósito, que a solução definitiva só será encontrada dentro dos próximos dois anos, com a chegada de uma nova e robusta draga encomendada do Japão. Enquanto isso, disse, vão sendo efectuados trabalhos de emergência ao longo do canal, com recurso às duas dragas existentes, mas, devido à grande sedimentação provocada pela confluência dos rios Búzi e Púnguè, a situação continua crítica.
“A curva de Macúti é a zona mais crítica que temos estado a atacar diariamente para permitir que os navios possam navegar sem grandes problemas, mas, mesmo assim, não tem sido fácil pois temos tido encalhes. A reabertura do canal principal será a única solução”, disse.
Na última sexta-feira, um grupo de utilizadores do Porto da Beira provenientes da Zâmbia, Zimbabwe, Malawi, África do Sul e alguns países da Europa visitou o canal, para se aperceber do trabalho que vem sendo desenvolvido com vista a melhorar as condições de acesso. A visita enquadrava-se nas comemorações do 10º aniversário da concessionária daquele porto, a Cornelder de Moçambique.
Maputo, Terça-Feira, 21 de Outubro de 2008:: Notícias
