20 de setembro de 2026

África do Sul: A Nível Provincial, Dissidentes do ANC Juntam-se à Oposição (Ano 2008)


Vinte e um militantes do Congresso Nacional Africano (ANC) que estão insatisfeitos com a forma como o partido no poder está a ser liderado juntaram-se ao maior partido da oposição (a Aliança Democrática, AD), na província do Limpopo.

O porta-voz da AD naquela província, Laban Malatii, revelou ontem que alguns dos dissidentes que decidiram se aliar à oposição ocupavam cargos de liderança na estrutura provincial do ANC, embora alguns sejam militantes de base do partido de Jacob Zuma.

“Posso anunciar que estamos em vias de abrir delegações da Aliança Democrática nos distritos de Thabazimbi e Waterberg em face do grande número de militantes do ANC que se estão a juntar a nós na província”, revelou Malatii.

Outras forças da oposição, como a Organização dos Povos da Azânia (AZAPO), o Congresso Pan-Africanista (PAC) e o Movimento Democrático Unido (UDM), anunciaram estar a acolher antigos militantes do ANC que estão a abandonar o movimento em consequência dos métodos empregues para demitir o ex-presidente Thabo Mbeki e da suspensão e afastamento voluntário de quadros superiores descontentes com a liderança, como o ex-ministro da Defesa Mosioua Lekota e o ex-“premier” de Gauteng, Mbamzima Shiloua.

Estes dois últimos anunciaram a realização, no próximo mês de Novembro, de uma “convenção nacional” destinada a formalizar a criação de uma nova força política composta à partida por dissidentes do ANC.

O ex-presidente Thabo Mbeki, que está neste momento no Zimbabwe a actuar como mediador, mandatado pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), entre a ZANU-FP e as duas facções do MDC na fase de formação do governo de unidade nacional daquele país, ainda não se pronunciou sobre o seu futuro político.

Enquanto vários quadros provinciais do ANC agora dissidentes, como Sydney Monyela, secretário da delegação de Lsholong, em Phalaborwa, Limpopo, garantem encabeçar um vasto contingente de militantes do ANC “fartos da forma pouco democrática como o partido está a ser gerido”, outros no seio do ANC desmentem que as cisões sejam profundas e que a situação está a ser empolada pelos partidos da oposição e pela comunicação social.

“A comunicação social está a cair na armadilha montada pela oposição, posso afirmar que ainda não recebi qualquer pedido de demissão na minha província”, garantiu ontem Ishmael Kgtjepe, porta-voz do ANC na província do Limpopo.

Maputo, Sábado, 18 de Outubro de 2008:: Notícias