5 de Outubro de 2014

José Forjaz: “A nossa sociedade não tem consciência ambiental”


José Forjaz é céptico em relação à consciência ambientalista dos moçambicanos. Para si, na prática, ela não existe. Também reprova a ideia prevalecente – até no seio das (nossas) administrações políticas – segundo a qual a modernidade de uma cidade tem a ver com a edificação de prédios muito altos. O reputado arquitecto tem ideias claras sobre uma urbe moderna: “É aquela em que se garante a manutenção da dignidade humana”. Entre um misto de atropelos ambientais, que nesta urbe se cometem, em relação aos espaços verdes, Forjaz lamenta o que chama “especulação do solo urbano cujo objectivo primário, único e último é render muito dinheiro em pouco tempo”. A par disso – e os efeitos do chamado aquecimento global já se manifestam – esta personalidade moçambicana vê a criação contínua e desenfreada de uma dívida onerosa para as gerações futuras. Com a intenção de explorar os seus conhecimentos sobre os tópicos aqui arrolados, há dias, visitámos-lhe na sua casa, onde mais ouvimos do que falámos. Em resultado disso, mas sobretudo da grande relevância do escutado, foi-nos difícil recortar a conversa. Portanto, estimado leitor, apresentámos-lhe o texto na íntegra, na esperança de que – amante do saber que é – o absorverá por completo. Boa leitura…
 
@Verdade: Tendo em conta a situação das praia da Costa do Sol e da Katembe, em Maputo, pode-se falar de algum crime ambiental?
 
José Forjaz: O crime ambiental é um conceito lato e, portanto, difícil de definir. É evidente que há uma sucessão de infracções ambientais praticadas, que continuam a ocorrer na cidade, muitas vezes, até, contra planos aprovados pelo Governo. Por exemplo, já nos anos 1960, quando aquela região pertencia à Administração de Marracuene, permitiu-se a destruição do mangal com a construção do bairro do Triunfo. Na altura, a Administração de Lourenço Marques tinha-se recusado a autorizar a realização de construções nesse espaço. Entretanto, por desvios administrativos, as pessoas foram edificar o Triunfo no terreno que pertencia às autoridades de Marracuene.
 
Este foi o primeiro erro, porque se violou o princípio da proteção das terras baixas e dos mangais. Tratou-se de uma falha que se foi agravando de tal maneira que se gerou uma posição tacitamente aceite por todas as pessoas, e sobretudo pelas autoridades responsáveis, como natural. O Plano de Estrutura do Maputo definiu algumas restrições em relação à exploração desse território, mas, da forma como o caso está a ser tratado, compreende-se que está a ser autorizada a destruição progressiva e intensiva do mangal.
 
Portanto, este é um dos vários crimes ambientais que se podem apontar. Muitas vezes, estes crimes não são praticados por instintos criminosos, mas por causa de uma ignorância básica em relação às condições do equilíbrio ecológico de uma região e de uma cidade. É evidente que uma cidade que tivesse uma população mais esclarecida (e para isso era necessário que todo o povo moçambicano tivesse outro nível cultural que ainda não atingimos) haveria uma reacção popular mais forte. E, talvez, poder-se-ia lutar contra este tipo de desvios urbanísticos que se estão a praticar.
 
Em relação a outros crimes ambientais, é difícil ser-se objectivo. De todos os modos, algumas indicações podem ser dadas. Eu preferia até não ir muito por essa direcção, a fim de olhar para situações muito simples como, por exemplo, a destruição progressiva das zonas verdes de Maputo que continua a acontecer de várias maneiras. Podemos começar por aquele jardim na Avenida 24 de Julho que está a ser diminuído com a implantação de um edifício. Está-se, na verdade, a retirar mais uma área verde, indispensável, à urbe. Vemos várias intenções na destruição do Parque dos Continuadores com a autorização da construção de mais um edifício em que irá funcionar uma instituição bancária.
 
Enfim, tudo isto ocorre devido à ignorância das nossas autoridades administrativas e políticas que julgam que todos estes pequenos favores que fazem aos seus correligionários políticos não têm impactos ambientais. A verdade é que têm impactos ambientais muito graves. As gerações futuras vão pagar um preço muito alto pelo que está a acontecer na actualidade. Há outros crimes, talvez não de natureza ambiental, mas que prefiguram a dimensão mais dura na medida em que afectam a vida humana, a componente importante do ambiente, em estado permanente de abandono, sempre justificado mas nunca justificável.
 
Refiro-me à urgência de um tratamento sério das necessidades da população marginal em relação ao centro do Maputo. É um crime ambiental – quanto a mim, grave – porque as pessoas continuam sem infra-estruturas, apesar de se tentar começar tarde e a más horas, a desenvolver algumas acções de reabilitação e reordenamento dos bairros espontâneos ou informais. O facto é que não se está a fazer praticamente nada. A cidade continua a crescer impossivelmente sem condições aceitáveis de transporte e as que estão a ser imaginadas são megalómanas e, provavelmente, impossíveis de se manter dado os preços que se vão praticar.
 
Outro crime ambiental de que, infelizmente, não se fala bastante – cuja prevenção é determinante para a saúde das populações – é o que está a acontecer às águas da baía: o progressivo inquinamento, pelo não tratamento dos esgotos e a não restrição à má qualidade dos afluentes industriais descarregados na baía, cria uma situação sanitariamente perigosa, sobretudo, quando as praias são muito usadas, como acontece no Verão. A inquinação gera um perigo iminente e profundo para centenas de milhares de pessoas.
 
Não se está a falar disso, não se previnem os banhistas, pese embora, já nos anos antes da proclamação da independência nacional, metade da frente marítima de Maputo fosse proibida aos utentes, porque se sabia do agravamento do inquinamento que – neste momento, em meu entender – abrange toda a praia da Costa do Sol. Nenhum programa de prevenção, para as populações, está a ser desenvolvido pelas nossas autoridades sanitárias. Trata-se de um problema que tem a ver com os altos níveis de ignorância por parte das nossas autoridades administrativas. Não quero acreditar que estão a agir de má-fé. Existe uma impotência política para prevenir as pessoas. Em resultado disso, há escolhas erradas sobre aquilo que é prioritário fazer na cidade.
 
@Verdade: Há um conceito, até das nossas autoridades administrativas, segundo o qual os grandes edifícios que se erguem em Maputo revelam a tendência de modernização da cidade. Até que ponto essa modernização é, ambientalmente, sustentável?
 
José Forjaz: Essa ideia de que ser moderno é ter edifícios altos é primária e falsa. As cidades mais modernas do mundo continuam com edifícios, em geral, com menos de quatro andares. Na verdade, o que está a acontecer não é nenhuma modernização urbana. É uma especulação desenfreada do solo urbano, para benefício de entidades privadas e administrativas, cujo objectivo primário, único e último, é render muito dinheiro em pouco tempo. Pretende-se fazer o menos possível para ganhar o mais possível em pouco tempo. Isso só pode ser controlado se houver autoridades competentes e actuantes nesse sentido.
 
Para mim, a modernização urbana seria a possibilidade de se dar mais esgotos, passeios bem tratados, energia eléctrica às pessoas, incluindo todas as condições infra-estruturais suficientes para se manter a dignidade humana. A modernidade seria não permitir, por exemplo, que edifícios com 14, 18 ou 20 andares não tenham elevadores a funcionar. Enquanto a lei preconiza que qualquer edifício de mais de três andares deve ter um elevador a funcionar, a maioria dos elevadores dos edifícios altos da cidade está num estado de manutenção lamentável e perigoso.
 
Se a situação não estiver de acordo com a lei, deve haver uma intervenção por parte das autoridades. O problema é que os próprios ministérios funcionam em edifícios com 14 a 20 andares, há mais de 20 anos sem elevadores e ninguém fiscaliza isso. A situação é preocupante e revela o nosso atraso em relação à modernidade. De qualquer modo, tudo é uma questão de opção. Ou se opta por uma liberalização completa e uma protecção absoluta ao especulador, ou se opta por uma progressiva moralização da actividade de exploração fundiária da cidade e, por fim, deve optar-se também por menos banquetes e mais limpezas dos esgotos e das sarjetas da urbe.
 
É entre estas as possibilidades que se deve escolher o que fazer em Maputo. De facto, eu já ouvi as autoridades administrativas a afirmarem que uma cidade moderna é a que tem prédios altos. Há pouco tempo fizemos o projecto de um edifício importante na cidade e as autoridades administrativas ficaram tristes com o facto de esse prédio ter menos de 20 andares, contrariamente ao que esperavam. Confunde-se a modernização urbana com a existência de prédios muito altos. É uma estupidez profunda pensar-se que uma cidade moderna é a que tem edifícios enormes.
 
Infelizmente, a maioria dos nossos citadinos pensa que são válidos e louváveis os exemplos de supostas cidades modernas tão insustentáveis como Dubai. Se forem estes os exemplos que temos como válidos, então, estamos mal, porque Dubai é uma selvageria absoluta. E embora, agora esteja coberta com as balelas da existência de edifícios ecologicamente sustentáveis – outra aldrabice patente – aquela urbe é contra a modernidade. Como é que um deserto, que é um espaço naturalmente condicionado e artificialmente habitado pode ser ecologicamente sustentável? Penso que 99,9 porcento dos nossos concidadãos não têm a noção clara do que é um território ecologicamente sustentável. Neste número incluo as autoridades administrativas, em geral.
 
@Verdade: Até que ponto Maputo está em condições de receber novos edifícios, tendo em conta que alguns são erguidos em locais onde outros foram removidos?
 
José Forjaz: Isso não tem uma resposta absoluta e completa, porque há edifícios que atingiram a sua idade de vetustez e têm de ser demolidos. Há outros que poderiam ser construídos dentro da escala anterior. O que acontece é que o prédio que está ultrapassado na sua idade não é rentável para ninguém. Por isso, a sua substituição é natural – acontece em qualquer lugar. Infelizmente, no mundo, por razões de vária ordem – sociológica, económica e técnica – os edifícios, actualmente, duram pouco. A vida útil de um edifício estima-se entre 30 e 50 anos.
 
Ou seja, há prédios que nem duram a vida de uma pessoa, contrariamente ao que acontecia antigamente em que os edifícios eram feitos de pedra e de tijolo, o que lhes conferia uma grande longevidade. Por exemplo, na Europa, em África e na Ásia há edifícios com entre 300 e dois mil anos que cumprem, perfeitamente, o propósito da sua criação. O Panteão, em Roma, foi construído no ano 100 da nossa era e ainda existe. É uma igreja que funciona impecavelmente. O betão que se fabrica actualmente, contrariamente ao que as pessoas pensam, é um material que dura muito menos tempo do que a pedra e o tijolo. Portanto, os edifícios têm que ser repostos. Nos sítios já demarcados para o efeito, não vejo nenhum problema em que se construam prédios. Pelo contrário, quanto mais denso ficar o centro da urbe melhor.
 
O importante é resolvermos os problemas que se levantam com a densificação. Os edifícios mais antigos podem e, em muitos casos, devem ser substituídos. O problema é como esse processo é feito. Mas também o que está a acontecer é que nós estamos a permitir que se construam prédios substanciais em termos de quantidade de pessoas que se vão alojar neles e não estamos a desenvolver as infra-estruturas para acompanhar essa transformação. Esse é um problema que vai rebentar daqui a pouco tempo, quando repararmos que já não temos água, esgotos, e muito menos energia eléctrica.
 
@Verdade: Quais é que são os prováveis impactos dessa situação?
 
José Forjaz: As coisas vão funcionar cada vez pior do que estão. Como acontece em Luanda, cada edifício precisará de ter uma central eléctrica própria; teremos de ir buscar água com carros de tanques para alimentá-los; os esgotos passarão a funcionar numa pequena rede que, em resultado disso, deverá ser ampliada; e, portanto, há coisas que vão ter que se paralisar, sem pensar nas complicações de saúde mental das pessoas. A ansiedade será grande.
 
@Verdade: A baía de Maputo, sobretudo a avenida Marginal, tornou-se um ponto que atrai o surgimento de novas infra-estruturas como, por exemplo, os supermercados. O problema é que esta urbanização implicou a consequente remoção de espécies vegetais muitas das quais não estão a ser repostas ou que não sobreviveriam em geografias diferentes daquela. Quer comentar?
 
José Forjaz: Referiu-se a uma coisa que, antes de ser criminosa, é ridícula. Como é que se permite construir um supermercado na frente marítima? Há alguma coisa que melhora o funcionamento de um estabelecimento comercial por estar localizado numa frente marítima? Que valor se acrescenta à cidade a vender-se farinha em frente ao mar? Há uma estupidez maior do que colocar um centro comercial na frente marítima? As coisas começam por aí. Vivemos uma situação tão permissiva em que facilmente se permite um crime desta natureza, de tal sorte que as pessoas pensam que está tudo bem.
 
Sobre a questão da retirada das espécies já nos referimos quando falámos do mangal que é insubstituível, porque as condições da sua existência implicam a entrada e a saída das águas do mar. As espécies vegetais que podem ser repostas nas zonas do mar são um problema menor, mas seria muito melhor se fossem nativas. De qualquer modo, tudo isso é difícil discutir em poucas palavras porque são conceitos que além de científicos são estéticos e de outra ordem. Repare que a maior parte das nossas espécies de fruta é importada de outros ecossistemas: a papaia, a manga e o caju, por exemplo, não são espécies nativas de Moçambique.
 
Portanto, põe-se em discussão se realmente essa pureza de que não se pode trazer nada para cá, porque, se se procedesse assim, não teríamos, por exemplo, o milho, o arroz e uma série de produtos indispensáveis à nossa dieta. Eu não estou a defender que se tragam espécies de outros países para plantar na nossa frente marítima. O que estou a dizer é que é preciso ter cuidado com certas visões limitativas em relação a este fenómeno.
 
@Verdade: Há um fenómeno interessante concernente a esta relação homem-terra-mar em que, vezes sem conta, avaliando o movimento das águas, ficamos com a impressão de que o mar se aproximou mais da terra, e, em sentido contrário, percebe-se que a terra, através das construções edificadas na costa é que se aproximou do mar. O que é que está a acontecer ao certo aqui?
 
José Forjaz: Não posso dar uma resposta simples e directa a esta pergunta, por várias razões. Primeiro, porque não sou um especialista da dinâmica marinha. Segundo, porque os casos são diferentes uns dos outros. O que está a acontecer na baía de Maputo, como no lado da Katembe, é resultado de fenómenos de dinâmica marinha que ainda não são perfeitamente conhecidos. Não se tem a noção exacta do que está a acontecer.
 
São fenómenos imprevisíveis, mesmo para os mais altos níveis de conhecimento científico, porque são globais. Não são inerentes exclusivamente à costa moçambicana. Há muitos locais no mundo onde a praia está a ser ‘comida’ e outros onde ela está a ser aumentada. Quando pequeno, eu gostava de ir tomar banho na praia da Figueira da Foz, em Portugal, que era uma prainha de 50 metros. Agora possui 500. Mas há outra praia, no sul de Lisboa, que está a desaparecer. Portanto, estamos diante de fenómenos muito complexos que não podem ser atribuídos a uma má gestão urbana das zonas ribeirinhas.
 
Entretanto, vezes há em que intervenções humanas agravam a situação, enquanto outras melhoram-na durante algum tempo, porque contra o mar não há forças humanas possíveis de salvaguardar um status quo permanente. No meio de tudo isto, há um problema pontual para o qual nós temos de criar defesas psicológicas: O facto de a nossa população estar a ser recentemente urbanizada tem a ver com o desconhecimento de como se vive na cidade. A sua geração começa a saber, mas a minha e a dos seus avós é uma geração que, de uma forma geral, vivia nas zonas rurais, onde mantinha correcta e naturalmente um equilíbrio com o meio ambiente.
 
Na aldeia não há lixo, primeiro, porque as pessoas não produzem tanto e sabem ver-se livre dele. Ainda hoje, qualquer aldeia rural moçambicana é um modelo de organização. Mas quando as pessoas vêm para a cidade – e deixa de haver o controlo social em relação à coesão e a integração das forças locais – sempre se incumbe a responsabilidade ao outro e à administração. Por exemplo, nos estádios onde estiveram a ver o seu país a jogar, os espectadores japoneses que foram ao Brasil, no âmbito da Copa do Mundo de 2014, antes de saírem tinham um saquinho, com a bandeira do Japão, onde meteram todo o lixo que produziram.
 
Os alemães fizeram o mesmo. Em resultado disso, o local onde estavam sentados, quando saíram, estava impecável. Em contra-senso, os brasileiros, porque tinham perdido, foram partir a cidade. Aqui há um aspecto fundamental que tem a ver com a cultura urbana e humana que os brasileiros ainda não atingiram. Nós os moçambicanos também ainda não a atingimos, porque se formos à praia deitamos garrafas em qualquer lugar, como tem estado a acontecer, e no dia seguinte a praia é impraticável.
 
Ora, você acha que alguém dos 100 porcento de pessoas que vão à praia se preocupa em fazer alguma limpeza? Há uma questão de cultura urbana que ainda não foi atingida. Ela vai ser alcançada, devagarinho, mas nós temos de ser claros acerca disso. Não devemos esconder e, em jeito de paternalismo, dizer que somos pobres. Aos japoneses ninguém ofereceu os sacos de lixo. Portanto, é uma questão de atitude. Eu vejo, na cidade, quando estou a conduzir, pessoas a deitar latas de cerveja pelas janelas do carro, sem qualquer espécie de pensamento de que esse comportamento, além de ilegal, é contra a saúde pública.
 
@Verdade: Não estaremos diante de um caso que precisa de uma espécie de educação cívica mais actuante?
 
José Forjaz: A educação começa em casa e na escola. O problema é que quando é o professor quem faz isto, como muitas vezes acontece, o aluno não aprende. A outra dificuldade tem a ver com o facto de se não explicar, às pessoas, as razões de se ter de mudar de atitude. Não é simplesmente pela necessidade de se ter um espaço mais limpinho. É que ficar limpo corresponde aos mais altos níveis de saúde e reduz os investimentos públicos nesse aspecto.
 
@Verdade: O que se pode fazer?
 
José Forjaz: Pode-se educar as pessoas. Agora, não se educa muito pois aquilo que se transmite às gerações é quanto mais rico se for e mais de pressa, mais valor se tem ou mais respeitada é a pessoa. E, realmente, a única coisa que temos estado a transmitir, com uma insistência perigosa, é: ‘enriquece, meu filho’. E é claro que o choque surge porque, no lugar de enriquecer, a maioria das pessoas está a empobrecer cada vez mais.
 
Escrito por Inocêncio Albino
 
Fonte: @verdade, 18 de Setembro de 2014

Maputo, Cidade criminosa! (Inocêncio Albino)


Para se sentir cidadão, o homem contemporâneo precisa de dispor de infra-estruturas sociais que lhe garantam a dignidade, devendo, ao mesmo tempo, assegurar o equilíbrio no sistema ecológico. Estimado leitor, compreenda, a seguir, os sintomas que tornam a capital moçambicana, Maputo, numa cidade criminosa.
 
Em 2007, segundo as estatísticas oficiais, a cidade de Maputo possuía 1.094.315 de habitantes, sob a direcção do presidente do Conselho Municipal Eneas Comiche. De forma clara e pública, o sociólogo moçambicano, Carlos Serra, fez a seguinte denúncia: “O aquecimento global de que tanto se fala fez aumentar, na última década, alguns centímetros ao nível do mar”. E argumentou: “Há anos, antes de existir a barragem dos Pequenos Libombos, todas as semanas, a draga da capitania dragava o canal do porto de Maputo.
 
A barragem terá sido construída sem uma eventual análise do impacto no ambiente. Desde a sua edificação que não há dragagem, logo não há reposição das areias de aluvião do rio na baía.
 
Devido às suas correntes, o mar retira areias, quer da baía quer das margens que são a marginal”. Embora a sua carta-denúncia, emitida ao governante e por extensão ao Governo, tenha sido profundamente fundamentada, a sua mensagem – como, provavelmente, acontecerá com esta matéria – não foi acatada.
 
Mais do que expressão de algum tipo de nostalgia ou de saudosismo, constatar que, antigamente, “atrás da marginal existia um pântano de mangal costeiro onde, na maré cheia, o mar se espraiava” – e chamar a atenção para o problema que, devido à sua degradação, surgiria –, revela uma consciência ambientalista de que a maior parte dos moçambicanos ainda carece.
 
Entretanto, em contra-senso, ignorando-se que “o peso dos edifícios impede o lençol freático de trabalhar segundo as suas próprias regras, esse mangal/pântano foi ocupado, roubado ao mar” para dar lugar à criação de prédios. Porque “a duna costeira – formada por um ecossistema equilibrado de areias, plantas que a suportavam e árvores – rapidamente foi destruída pela intervenção humana”, naturalmente, como consequência, “deixa de haver ponto de quebra da força do mar”, gerando-se uma “incapacidade de infiltração da água na duna costeira”.
 
Primeira atrocidade ecológica
 
Embora o crime ambiental seja um conceito lato e, por isso, de difícil definição, muitas vezes, torna-se complicado ignorar uma sucessão de atrocidades ecológicas que (desde o tempo colonial até aos dias actuais) continuam a ocorrer no centro de Maputo, quase sempre, contra planos aprovados pelo Governo.
 
O primeiro acto que tornou Maputo nesta cidade criminosa, como testemunha o célebre arquitecto moçambicano, José Forjaz, sucedeu ao longo da década de 1960, “quando naquela região que pertencia à Administração de Marracuene, se permitiu a destruição do mangal com a construção do bairro do Triunfo.
 
Na altura, a Administração de Lourenço Marques, o antigo topónimo desta urbe, tinha negado autorizar a realização de construções naquele espaço”. Esse foi o primeiro erro ecológico (diga-se, grave), porque se violou o princípio da proteção das terras baixas e dos mangais.
 
No entanto, os homens não se redimiram da sua falha. Os seus desvios agravaram-se com o curso do tempo de tal sorte que, diz o arquitecto, “se gerou uma posição tacitamente aceite por todas as pessoas, sobretudo pelas autoridades administrativas, como natural”.
 
É que da forma como o assunto está a ser tratado, edificando-se empreendimentos económicos na frente marítima – muitas vezes sem se acautelar dos seus impactos ambientais – compreende-se que está a ser autorizada a destruição progressiva e intensiva do mangal. Embora haja, na referida região, um aglomerado de residências que historicamente se chamam Triunfo, tal bairro não existe.
 
“Esse nome tem a ver com o triunfo sobre a natureza. Pensa-se que nós triunfamos porque conseguimos colocar um assentamento humano numa área completamente inóspita, que é o mangal que ali há”, esclarece o jurista-ambientalista moçambicano, Carlos Serra, reiterando que o bairro chama-se Costa do Sol. Portanto, aquelas casas foram erguidas à custa de assentamentos de areia e da primeira perda da cobertura do mangal que exercia um papel muito importante no equilíbrio ecológico. Um crime ambiental.
 
A própria construção da Avenida Marginal demasiado próxima à linha praia-mar foi um erro, porque a circulação constante na praia produziu uma degradação imediata da vegetação que ali se tinha. “A perda da vegetação nativa – que ocorre desde o período colonial – conduziu à degradação das dunas, o que acelerou a erosão costeira, porque a vegetação autóctone exclui qualquer tipo de árvores que se possam recolocar”. Já naquela época, para corrigir os erros cometidos, plantou-se ao longo da marginal um conjunto de eucaliptos e casuarinas. O problema é que – de acordo com estudos especializados – essas espécies aceleram a erosão costeira.
 
Desta experiência, a praia da Costa do Sol, cujas terras estão completamente erodidas, é uma prova. Presentemente, decorre em Maputo o projecto da recuperação da orla marítima, uma iniciativa espectacular, que seria muito melhor se, desde logo, se reconstituíssem as dunas e, com elas, se introduzisse a vegetação nativa para retê-las.
 
O problema é que, com a edificação do Mercado do Peixe, parece que se vai cometer um novo erro. O ambientalista explica que “ainda que digam que o fizeram, nenhum estudo de impacto ambiental poderia concluir que existe viabilidade para se implantar um mercado na última zona dunar de que dispomos em Maputo”.
 
Maputo está doente
 
Embora se dissemine que Maputo é uma cidade próspera, bela, limpa, segura e solidária – discurso constructo que faz com que os (demais) moçambicanos visualizem nesta uma espécie de Meca para a qual devem peregrinar todos os seus problemas – a verdade é que a nossa urbe-mãe padece de inúmeros problemas.
 
No ano 2007, tínhamos o já referido índice demográfico e um parque automóvel constituído por 240 mil carros. Segundo o Instituto Nacional de Transportes Terrestres, esse número duplicou. No final de 2013, em Maputo havia 408,618 viaturas que – como aconteceu em 2007 – nunca conseguem satisfazer as necessidades de transporte dos munícipes. Se por um lado, a densidade populacional tenha evoluído, por outro, a capacidade de resposta às suas demandas sociais regrediu.
 
No mesmo intervalo de tempo, também há um 5 de Fevereiro de 2008 em que populares se manifestaram contra a crise de transportes, na verdade, uma espécie de pretexto para se contestar o custo de vida que, há bastante tempo, se fazia sentir.
 
Pelos mesmos motivos, porém, desta vez, com impactos catastróficos – houve roubos, sabotagem e destruição de infra-estruturas sociais, incluindo o ferimento e mortes de civis vítimas de balas perdidas – fenómeno similar replicou-se entre 1 e 2 de Setembro de 2010. Em 2011, a Empresa dos Transportes Públicos de Maputo anunciou que, para fazer face ao problema dos transportes, precisava de adquirir mais 180 autocarros para adicioná-los à frota de 198 de que dispunha.
 
Por sua vez, a Federação Moçambicana dos Transportes Rodoviários necessitava de 1.500 autocarros com uma capacidade superior a 30 lugares para estancar o drama. Falou-se e escreveu-se bastante acerca desta realidade, mas nada foi resolvido. Muito recentemente, em 2013, mais uma crise – resultante do custo de vida e de alguma injustiça social – rebentou no seio de quem tem a missão de salvaguardar a vida humana.
 
Durante cerca de um mês, os médicos protagonizaram uma greve nacional cujo epicentro se verificou em Maputo. Eles reivindicavam a melhoria da situação salarial e das condições laborais, entre outros problemas. Acabaram por abortar a sua contestação.
 
Em resultado desta situação, neste segundo decénio do século XXI – em jeito de desafogo, afirma certo peão – “continuamos a ser uma cidade capital completamente desprovida de um sistema de transportes. Em consequência disso, a grande maioria dos cidadãos maputenses circula em condições desumanas”.
 
Todos estes tópicos de que, de forma esparsa, nos lembramos aqui, provavelmente, não são crimes ambientais no sentido jurídico da palavra, mas configuram a dimensão mais dura da realidade porque os seus efeitos se fazem sentir no homem, componente essencial do/no sistema ecológico.
 
Situação revoltante
 
No bairro suburbano de Hulene, onde se encontra a maior urna da imundície urbana, há moçambicanos que coabitam com o lixo em montão. Mas o problema da sujidade não é exclusivo das zonas suburbanas.
 
Como atesta uma pesquisa recente, realizada pela Associação Internacional de Voluntários Leigos, diariamente, a cidade de Maputo produz 1.100 toneladas de resíduos sólidos, 900 das quais são depositadas na lixeira de Hulene. Três mil toneladas de resíduos, produzidos anualmente, são compostas por material plástico. A má gestão desse tipo de lixo é um atentado grosseiro ao sistema ecológico, incluindo a vida humana.
 
O arquitecto José Forjaz é mais incisivo na sua análise à situação. Diz ele que “99,9 porcento dos nossos concidadãos não têm a noção clara do que é um território ecologicamente sustentável. Neste número incluo as autoridades administrativas, em geral”.
 
Por sua vez, Carlos Serra, o jurista-ambientalista, corrobora com essa sentença e argumenta que a inconsciência ambiental é generalizada e tem a ver com a dominante insensibilidade da nossa população em assuntos ecológicos.
 
Estas situações reforçam a crença de que, muitas vezes, estes crimes não se devem a algum tipo de instinto criminoso. Eles têm a ver com a ignorância existente em relação à cultura ecologista. É evidente que uma urbe que possuísse uma população mais esclarecida – e para isso era necessário que todo o povo moçambicano tivesse outro nível cultural que ainda não atingimos – haveria uma reacção popular mais forte. Talvez, poder-se-ia lutar contra estes desvios urbanísticos.
 
Por exemplo, a recente autorização para a construção de um banco no Parque dos Continuadores e a destruição parcial de um jardim, na Avenida 24 de Julho, para dar lugar à implantação de um edifício, não só atestam uma série de atentados contra os espaços verdes de Maputo, como também revelam a profunda ignorância de quem está na posição de tomada de decisão em relação à relevância de se manter o equilíbrio ecológico.
 
“Julgam que todos estes pequenos favores que fazem aos seus correligionários políticos não geram impactos ambientais. A verdade é que produzem consequências ecológicas muito graves. As gerações futuras vão pagar um preço muito alto pelo que está a acontecer agora”, alerta Forjaz.
 
Por isso, o que nós precisamos – com alguma urgência a nível do município – é de uma forte abordagem ambiental para a cidade. Ou seja, é importante que a componente ecológica seja considerada uma prioridade no desenvolvimento urbano. “O problema é que os políticos não entendem que quem defende o ambiente, automaticamente, oferece uma vida melhor à humanidade”.
 
Todos os dias, em Maputo, indivíduos de todas as idades disputam um assento nos “my love”, como se chamam as carrinhas de caixa aberta em que, neste Moçambique contemporâneo, agindo contra a própria vontade, forçados pela realidade, eles atentam contra a própria integridade física a fim de se deslocarem de e para qualquer ponto da cidade.
 
A mendicidade e a abundância de meninos de rua, além de homens e mulheres que – dado o custo de vida com que se debatem – se prostituem para garantirem a sua própria sobrevivência, são alguns fenómenos revoltantes que chocam com o nosso olhar socialmente indiferente. Toda esta loucura social, e mais alguma coisa, vista a olho nu, manifesta-se perante uma gritante incapacidade de resposta para controlar o trauma diário que causa à maioria dos (seus) habitantes em condição miserável.
 
Maputo não está a conseguir fazer jus ao discurso constructo com o qual as nossas administrações a vendem aos turistas, afinal – na verdade, como comenta o jornalista Alexandre Chaúque – a cidade era bela quando “não havia tantos carros a quererem passar todos de uma só vez. (…) Outra vergonha são os ‘chapas’ que circulam… sem obedecerem à conduta estabelecida pelo código de estrada”. E desabafa: “Fico com a impressão de que os ‘chapeiros’ mandam mais que o Presidente da República”. “Como compreender, por exemplo, que um semáforo activado não cumpra a sua função porque o cidadão não respeita o sinal, ou o desmantelamento do comércio na via pública sob o pretexto de saneamento, se tal comércio informal proporciona boa percentagem das receitas fiscais urbanas?”
 
Esta é a questão de Rafael Bernardo Mouzinho que, em Maputo, vê uma espécie de “praga de pessoas como de viaturas”. Diante de tudo isto, o antigo Primeiro-Ministro moçambicano, Aires Ali, rebela-se e defende que a cidade de Maputo “não se quer fora do verde que vivifica, não se quer longe da geografia do seu nascimento. Ela quer ser limpa, elegante, bela e cosmopolita”.
 
Paradoxos e incertezas
 
Conforme o discurso oficial, Maputo está a observar um processo de modernização. Os constantes edifícios que se erguem, diz-se, atestam essa transformação. Mas enquanto proliferam as iniciativas de criação de habitações – como, por exemplo, os projectos Intaka, Casa Jovem e a Vila Olímpica –, a capacidade socioeconómica para os jovens adquiri-los contrai-se. Por essa razão, a maior parte de nós os jovens tem sérias dificuldades para obter uma habitação digna.
 
O consultor Inácio Noa enfatiza que para a camada juvenil o problema de habitação é sentido duma forma clara e é explicado pela dificuldade no acesso à terra e pela falta de condições financeiras para construir moradias.
 
O crescimento demográfico (estima-se que em 2025 seremos 33.2 milhões de habitantes, 34.9 porcento dos quais viverão nas cidades) é também um assunto ecológico porque, além de implicar um aumento da pressão quanto ao emprego, à segurança alimentar e ao crescimento urbano acelerado, contribui para a degradação do ambiente e no crescimento do sector informal.
 
De todos os modos, é animador saber que o aumento da população urbana, como explica o economista moçambicano Prakash Ratilal, acrescenta novos desafios e oportunidades na criação de emprego, de transportes públicos, habitação, saneamento, salubridade, na produção e consumo de alimentos e na segurança dos cidadãos.
 
Outro factor tranquilizador ainda é que, se estas oportunidades se concretizarem, haverá impactos directos no crescimento económico. No entanto, em sentido contrário, a situação será desoladora: “A taxa aliada de crescimento da população poderá assim tornar-se uma séria ameaça de estabilidade social, económica e também política”.
 
Por essa razão, se construir edifícios novos é modernizar o país, esse pressuposto deve perpassar esta simples especulação desenfreada do solo urbano, para benefício de entidades privadas e administrativas, cujo objectivo primário, único e último é render muito dinheiro em pouco tempo, em prejuízo da ecologia.
 
A nossa experiência citadina mostra-nos que a disfunção do sistema de esgotos e saneamento do meio, os passeios diariamente maltratados e nunca repostos em ordem, atentando contra a circulação de qualquer mortal, a falta de um sistema de transportes públicos adequados, a invasão das viaturas – em resultado da insuficiência de parques de estacionamento – ao espaço do peão, a não disponibilização da energia eléctrica em quantidade e qualidade suficientes, a superprodução e a má gestão do lixo poluindo o ar, entre outras ocorrências com que todos nós nos confrontamos, nesta Maputo contemporânea, são factos que nos recusam o estatuto de capital de um país e de uma cidade moderna.
 
Precisamos de compreender que a modernidade tem a ver com a habilidade de se garantir a disponibilização e o funcionamento de todas as condições infra-estruturais suficientes para se manter a dignidade humana. A densificação da nossa cidade deve ser acompanhada de uma capacidade proporcional de infra-estruturas sociais.
 
Inundamos a praia com lixo
 
No porto com o mesmo topónimo da cidade, nas proximidades da Fortaleza de Maputo, na Avenida 10 de Novembro, o impacto económico do mar é imediatamente exibido pela feira de mariscos ali estabelecida. Vendem-se produtos diversificados como, por exemplo, peixe na sua variada forma e tipo, camarão, lulas, caranguejos e ameijoas.Moçambicanos e moçambicanas de idades diferentes protagonizam esta actividade comercial a partir da qual não só se garante a subsistência diária das famílias, como também a estabilidade económica e a formação, em termos de ensino, dos seus filhos.
 
Um pouco depois do Shopping de Maputo, o maior centro comercial do país, sobretudo nas noites de Verão, ocorre uma feira gastronómica complementada com diversas bebidas alcoólicas.
 
Por se encontrar na referida avenida, os jovens, os seus principais utentes, chamam-na “Na 10”. Ali, mais uma vez, homens e mulheres de negócio instalam pequenos stands comerciais (móveis e imóveis) e preparam refeições para comerciar.
 
A  Avenida 10 de Novembro é um verdadeiro espaço de diversão e lazer nocturno a céu aberto. Parqueiam-se viaturas, toca-se música a um volume ensurdecedor, diverte-se, durante toda a noite, criando-se uma espécie de submundo na cidade de todos nós em que quase tudo – incluindo actos que atentam contra o pudor e a postura municipal como, por exemplo, cenas de sexo – acontece ao relento.
 
Alcoolizados, alguns quase inconscientes, os utentes daquela zona de diversão desferem duros golpes e ofensas ambientais no mar, transformando-o numa espécie de urna em que depositam garrafas de cerveja e preservativos recém-utilizados. Vale a pena recordar-se de que, em 2013, o Governo moçambicano criou um regulamento que disciplina os moçambicanos em relação à absorção do álcool.
 
No entanto, apesar dos 2.5 milhões de pessoas que morrem por ano em sinistros originados por excesso do consumo de álcool, a constatar pela realidade, a boa intenção da regra soou mal aos ouvidos dos visados. Entretanto, se, como ilustram as fotografias, o lixo que se deposita na praia da Katembe – para onde vamos, a partir do centro da cidade – é naturalmente expelido na costa, pouco se pode dizer dos impactos que causa na saúde do mar e dos seres aquáticos.
 
O jurista-ambientalista Carlos Serra, a par dos seus colegas, também teve uma experiência lamentável na Avenida 10 de Novembro. Recorda-se ele de que, “muito recentemente, a fazer filmagens na cidade, encontrámos pessoas – as mesmas que cozinham e vendem refeições – que haviam pernoitado ali. Algumas estavam deitadas, junto das suas panelas e comidas, num lugar com um odor nauseabundo de vómitos, urina e lixo”.
 
Nas primeiras horas do dia, antes de os zeladores da limpeza fazerem a recolha da imundície resultante da diversão, sempre voluptuosa da noite anterior, é possível ver-se na estrada um monte de lixo constituído por garrafas partidas, restos de comida, material plástico como, por exemplo, copos e pratos descartáveis ao longo do troço onde se encontra o edifício em que, semanalmente, o Governo se reúne em Conselho de Ministros. Aqui não há respeito pelas autoridades.
 
O mar está a ‘comer’ a terra
 
Vista daqui, praia da Katembe, a cidade de Maputo está a densificar-se com um monte de pedra e betão – em forma de edifícios. É como se na capital moçambicana, onde a quantidade de viaturas (quase) supera a de pessoas, não existisse nenhuma forma de vida. Mas aqui, onde nos encontramos, fica-se com a impressão de que reagindo aos crimes ambientais, o mar está a ‘comer’ a terra, ao mesmo tempo que, em sentido contrário, a terra, através das residências que se edificam na frente marítima estivesse a aproximar-se mais do mar.
 
O fenómeno é intrigante. Conforme afirmámos nos primeiros parágrafos desta matéria, por várias razões – mas definitivamente, por não existir uma tipificação penal, o que implicaria uma sanção e uma pena para o infractor – sob o ponto de vista jurídico, em Moçambique não existe nenhum tipo de crime ambiental.
 
E aqui, vale a pena, a explicação do jurista Carlos Serra: “Embora tenhamos todas estas infracções a acontecerem, juridicamente, neste momento não podemos falar de crimes ambientais porque um desvio só se torna criminoso quando uma lei penal o tipifica como tal, o que se considera uma ofensa grave em termos jurídicos, e estabelece-se uma pena”.
 
Em 2006, o Conselho de Ministros aprovou um regulamento – referente à proteção do ambiente marinho e costeiro – que, entre muitos aspectos, “os torna dignos de proteção especial, porque prevê uma proibição de se poluírem as praias, definindo, nesse sentido, uma infração e uma sanção”.
 
A postura municipal de Maputo antevê que, quando infringida, o ofensor incorre numa sanção de multa de 100 meticais. No entanto, se essa mesma infração for cometida na praia, a sanção agrava-se para 2 mil meticais.
 
O drama é que nada funciona, porque não existe nenhuma fiscalização. Além do mais, de uma forma geral, o nosso sistema de educação – formal e informal – nunca considerou as questões ambientais uma prioridade. “A educação ambiental está a ser considerada um apêndice, um complemento, e não algo prioritário que devia fazer parte do plano curricular”, lamenta Carlos Serra.
 
Relativamente à questão de a distância entre o mar e a terra-firme estar a tornar-se ínfima – o que significa que a praia pode estar a desaparecer – o arquitecto moçambicano, José Forjaz, atribui a responsabilidade às dinâmicas marinhas, um fenómeno global cujas causas, para si, ainda são desconhecidas.
 
“Não se tem a noção exacta do que está a acontecer. Trata-se de fenómenos imprevisíveis, mesmo para os mais altos níveis de conhecimento científico, porque são universais. Não são inerentes exclusivamente à costa moçambicana”. E não lhe faltam argumentos: “Há muitos locais no mundo onde a praia está a ser ‘comida’ e outros onde ela está a ser aumentada. Quando pequeno, eu costumava ir tomar banho na praia da Figueira da Foz, em Portugal, que era uma prainha de 50 metros. Agora possui 500. Mas há outra praia, no sul de Lisboa, que está a desaparecer. Portanto, estamos diante de fenómenos muito complexos que não podem ser atribuídos a uma má gestão urbana das zonas ribeirinhas”.
 
Carlos Serra generaliza a situação. Para si, em toda a faixa moçambicana está-se a verificar uma redução significativa da componente territorial, por causa da deslocação da linha praia-mar para o continente. Dada a grande familiaridade com que nos relacionamos como o local, em Maputo, a situação é assustadora.
 
“Tenho memórias desses fenómenos ao longo dos últimos 40 anos. Por exemplo, na Ilha da Xefina fala-se de um intervalo dentre 800 metros no mínimo até um quilómetro que perdemos na contracosta”. Em tudo isto, conforme José Forjaz, vezes há em que intervenções humanas agravam a situação, enquanto outras melhoram-na durante algum tempo, “porque contra o mar não há forças artificiais capazes de salvaguardar um status quo permanente”.
 
De uma ou de outra forma, em relação à Katembe, Carlos Serra assegura que “é possível, a não ser que coloquemos areia, ficarmos sem a praia. Portanto, estamos diante de um problema que só não vê quem não quer”.
 
Muito Lixo e perigo à espreita
 
Entre os restos de barcos que, há anos, se encontram nas águas da Katembe encardindo-as, o lixo que se deita a partir da Avenida 10 de Novembro e que é, naturalmente, expelido para a praia e os resíduos que cada cidadão, indelicadamente, deposita no mar, ficamos sem saber o que é menos grave.
 
A verdade é que a praia da Katembe está a ficar imunda. Por outro lado, os resíduos que se produzem a partir da Avenida 10 de Novembro são deslocados para um lugar inimaginável, a costa do Língamo. Naquele mangal existem toneladas de lixo plástico que chegam lá seguindo o efeito das marés e infiltram-se acumulando-se com tempo.
 
Neste momento é difícil definir, entre todos estes, o principal perigo grande e real, porque a praia da Costa do Sol, por exemplo, se debate com o problema da inquinação desde o tempo colonial. O progressivo inquinamento, por falta de tratamento dos esgotos e por não se restringir o descarregamento de afluentes nocivos industriais na baía, cria uma situação sanitariamente grave, sobretudo, quando as praias são muito usadas, como acontece no Verão.
 
José Forjaz classifica a inquinação marinha como um crime ambiental muito grave e preocupante, porque gera um “perigo iminente e profundo para centenas de milhares de banhistas”. Nesse sentido, refuta o facto de não haver nenhum programa – da parte do Governo – para consciencializar e prevenir as pessoas, pese embora se conheça a situação.
 
Enfim, até o músico e escritor moçambicano, Hortêncio Langa – que na década de 1990 criou a mais célebre ode à cidade de Maputo – tem imensas dificuldades em reconhecer a beleza da urbe. “Eu não visito nenhuma praia em Maputo, porque todas são superlotadas de banhistas e têm o problema do lixo e das águas sujas. As pessoas compram comidas e bebidas e – depois de consumi-las – atiram a sujidade ao mar. Não há nenhum trabalho de educação cívica. Por isso, a situação em que nos encontramos é terrível”.
 
Fonte: @verdade, 31 de Julho de 2014

Divagando um pouco


Nasci e vivi a minha infância no Centro de Moçambique, assim como todos os meus irmãos e outros familiares, a família mudou-se para a Beira e depois para Lourenço Marques.

Os meus três irmãos mais velhos, andaram ambos na Guerra Colonial em Moçambique, em zonas 100% operacionais como Tete, Niassa e Cabo Delgado, uns a seguir aos outros, sem intervalos.

Os mancebos residentes em Moçambique e que eram recrutados, assentavam praça no Quartel de Boane onde ficavam 3 meses na recruta. Boane fica situada a 50 quilómetros a Sul da capital de Lourenço Marques, hoje Maputo.

Ao fim de três meses de recruta, eram então enviados para os vários Quartéis espalhados pelo Território, para tirarem a especialização de combate e defesa com os "instrutores" e só depois é que estavam atos para irem para a guerra, tanto poderiam ficar a combater em Moçambique, como irem para Angola, Guiné ou Timor, onde ficavam mais de três anos a defender o território e o povo português (de várias raças e crenças) até cumprirem o serviço militar obrigatório.

Em seguida passavam à disponibilidade e ainda ficavam na "reserva até aos 35 anos de idade", se houvesse falta de homens, seriam novamente convocados para servirem a “Pátria”.

Depois da Independência de Moçambique a 25 de Junho de 1975, Vila Pery como se sabe passou a chamar-se Chimoio, onde há uma "fronteira oficial" com o Zimbabwe (antiga Rodésia do Sul, ex-colónia britânica), de passagem e de entrada de pessoas, bens e mercadorias.

Os militares enviados para Vila Pery (onde ficava o Quartel de Artilharia), especializavam-se em radiotelegrafistas, condutores de panhards, apontadores-atiradores, etc. (salvo erro e omissão).

O Quartel de Artilharia no Chimoio, ainda existe dentro das condições possíveis, mas já não é o Quartel que era há quarenta anos.

Chimoio está muito diferente devido à debandada geral do povo português a seguir ao 25 de Abril e depois também devido à guerra civil que alastrou no país durante 16 anos, ficando anos a fio sem vivalma e à mercê da invasão dos estrangeiros, dos seus vizinhos, que nela se foram instalando porque não havia qualquer controlo.

Depois disso nada foi feito ou reconstruído, há esgotos a céu aberto, ruas ou caminhos de terra batida, e está transformada em mercados informais de rua, este cenário existe em todo o país.

Na cidade da Beira a situação é igual, o mercado informal instalou-se por todo o lado, a degradação do património do tempo colonial (igrejas, escolas, liceus, edifícios, vivendas, chalés) é impressionante, é um horror de contemplar, mas os nomes das artérias (toponímia) tirando meia dúzia que foram alteradas, mantém-se como no passado.

A Infantaria, a Cavalaria, a Marinha e a Força Aérea, para além dos quartéis gerais funcionarem em Lourenço Marques, depois de tantos anos que se passaram não me recordo onde ficavam estrategicamente instalados por todo o território de Moçambique.

Depois de ter começado a Guerra Colonial (talvez em meados dos anos sessenta), foi construído no Dondo, uma vila que fica no interior a 12 quilómetros de distância da cidade da Beira, um Quartel com dois Aeródromos para ensino, aprendizagem e treino de paraquedismo militar.

A seguir ao 25 de Abril, o Dondo foi bombardeado, o quartel, as pistas, as fábricas, as indústrias e as próprias habitações dos civis foi tudo destruído, a população que sobreviveu teve que fugir para a cidade da Beira.

A Independência de Moçambique, como é do conhecimento de todos, foi entregue à Frelimo (numa salva de prata), sem consulta prévia popular, sem estabelecer um prazo para o fazer, até para haver um consenso político e popular.

Em 1976 como a Renamo não concordou, começou uma guerra civil entre estes dois partidos (Frelimo e Renamo), e andaram dezasseis anos a guerrear-se por questões políticas, matando o seu próprio povo, destruindo todo o seu próprio país, chacinando milhares de gerações.

Por causa da guerra civil entre a Frelimo e a Renamo o Parque Nacional da Gorongosa atualmente está uma penúria, devido à debandada geral do povo que vivia no Centro de Moçambique, que foi obrigado a fugir aos milhares, procurando refúgio nas aldeias, vilas e nas cidades costeiras, para salvarem as suas vidas, para escaparem a tamanha matança.

E esse povo nunca mais regressou às suas origens, aos seus povoados, às suas aldeias ou vilas onde nasceu e onde viveram com todos os seus antepassados, porque esses povoados foram bombardeados durante 16 anos e deixaram de existir, desapareceram, já não existem, esfumaram-se do mapa.

Por causa desta guerra quase todos os animais selvagens foram mortos e muitos deles foram totalmente extintos.

As florestas e matas foram destruídas pelos incêndios, pelos bombardeamentos e devastadas à catanada.

Finalmente, em Outubro de 1992, foi assinado em Roma o "Acordo Geral de Paz" que pôs termo a esta matança.

Mas este Acordo de Paz nunca foi respeitado até aos dias de hoje.

Alguns anos depois, com a colaboração do Parque Nacional do Krugger da África do Sul, foram reintroduzidas no Parque Nacional da Gorongosa muitas espécies de animais selvagens (elefantes, hipopótamos, zebras, javalis, antílopes, búfalos, bois-cavalos, girafas, leões, impalas), procedendo-se também à sua reflorestação (vegetação, arbustos, acácias, árvores de frutas, e de madeiras exóticas).

O Parque Nacional da Gorongosa num esforço gigantesco parecia que ia renascer das suas próprias cinzas.

Uma tarefa inglória porque atualmente Moçambique é o palco mundial de extermínio da vida selvagem, das matas e das florestas.

O Parque Nacional da Gorongosa era naquele tempo o mais famoso e o mais povoado de toda a África tinha quatro reservas de caça, hoje, não tem nada a ver com o passado colonial português.

As independências vergonhosas das colónias portuguesas, dadas às pressas em 1975, pelos covardes e traidores, pelos vendilhões da Pátria, pela corja de bandidos e criminosos do 25 da abrilada de 1974, só deram mau resultado para todos.

Porque o povo português de todas as raças e crenças, foi abandonado à sua sorte, pelos traidores, pelos corruptos e pelos miseráveis de Lisboa, que tomaram de assalto “Portugal e o poder político” e nunca mais o largou até aos dias de hoje.

Moçambique já não é o mesmo território para quem lá nasceu ou viveu antes da vergonhosa independência.

Fonte: Arquivo Pessoal

12 de Agosto de 2014

Moçambique 40 anos depois



Em modo de resumo, hoje há o Moçambique do turista, o Moçambique dos políticos, dos senhores do dinheiro, dos esclavagistas e também há o Moçambique dos moçambicanos.

Por exemplo, o Cemitério de S. Francisco Xavier na cidade de Maputo foi votado completamente ao abandono.

Os portugueses que vão a Moçambique estão proibidos pelo Governo de Moçambique de se aproximarem dele (por questões políticas), por causa dos talhões dos “soldados portugueses mortos em Moçambique em combate na Grande Guerra e na Guerra Colonial e que ali foram sepultados”.
 
Só existem os muros (o tal quarteirão) e o portão de ferro da entrada, empenado e enferrujado mas ainda é o mesmo, mais ou menos frente à Messe dos Oficiais na antiga Av. Manuel de Arriaga.
 
A seguir ao 25 de Abril este cemitério foi totalmente pilhado e profanado e nem vestígios há de nada.

Dentro daqueles muros só existe uma “mata alta e densa de vegetação - capim”.
 
Qualquer dia os senhores do dinheiro, mandam construir neste quarteirão (que é ou era sagrado) outras Torres Vermelhas como as da Polana.
 
Na Baixa de Maputo, as ruas da sua zona histórica, estão todas esburacadas, autênticas crateras, já não têm alcatrão, não há passeios, não há marcações rodoviárias, os semáforos que ainda há na cidade são os de antigamente, nada foi conservado, melhorado ou modernizado, os edifícios mais emblemáticos vão caindo uns atrás dos outros um pouco por todo o lado e ali ficam os seus destroços ao abandono, ou levados por alguém para fazer dinheiro.
 
As lojas de comércio como havia antigamente, por toda a cidade, para venda de bens de consumo não existem, as que eram dos portugueses como se sabe foram todas destruídas e pilhadas no pós-25 de Abril.

O comércio que existe é o informal que está espalhado no chão pelas ruas da cidade.
 
O mercado do Xipamanine já chegou ao Alto Maé, já está encostado à Cervejaria Berlengas.
 
Há alguns restaurantes, pastelarias, cervejarias, mas tudo muito caro, o custo de vida em Moçambique é exorbitante.
 
Quanto a farmácias, eu só vi uma em toda a cidade e com “segurança armada” (disseram-me que os donos são portugueses).
 
O hospital está velhinho, não há outro, aliás os “senhores do dinheiro” quando adoecem vão curar as suas doenças ao estrangeiro.
 
Mas existe acesso à internet e às redes de telemóveis em todo o país, mais valia investir na saúde, na higiene e sanidade, na educação, na habitação e no bem-estar dos cidadãos, penso eu.
 
O que existe muito em Moçambique sobretudo em Maputo e na Beira, são muitas casas de câmbio que estão nas mãos dos monhés e com “segurança armada”.
 
Os monhés e os indianos aprenderam ou já sabiam, a lição que os portugueses não sabiam e que nem tiveram tempo de aprender no pós-25 de Abril.
 
Os monhés e os indianos que saíram de Moçambique depois do 25 de Abril (há os que ficaram, não se deixaram intimidar, nada os demoveu), quando regressaram organizaram-se e recuperaram tudo o que tinham no tempo colonial, e foram enriquecendo ao longo dos anos, não fossem eles hábeis, uns abutres e astutos para os negócios, eles são os donos de tudo, a economia moçambicana está nas mãos deles, vivem todos muito bem, são todos muito unidos e só há convívio entre famílias.
 
Tratam dos seus negócios, e aprenderam a acautelar-se ao longo dos anos, zelando pelas suas fortunas colossais e as suas contas bancárias faraónicas, que estão muito longe de Moçambique, não vá o diabo tece-las.
 
Achei curioso como a Farmácia Mendes, que ficava na Baixa, no términus da Av. Manuel de Arriaga com a Rua Consiglieri Pedroso, mesmo ao lado da DETA e esta ao lado do Banco Nacional Ultramarino, ainda tem a armação enferrujada do toldo por cima da entrada da porta, com um resto do pano que era vermelho e com as palavras Farmácia Mendes, ficou ali enrolado e esquecido junto à fachada do prédio, muito esbatido com o passar dos anos e das intempéries, mas deu para ver que era naquele local que ficava esta Farmácia.

Muitos edifícios foram votados ao abandonado, estão entaipados ou sem portas e sem janelas, servindo assim de guarida aos bandidos ou aos sem-abrigo.
 
Em 1976 o 1º Governo de Moçambique expropriou ilegalmente todos os bens dos portugueses (de todas as raças e de todas as crenças), que viviam ou não em Moçambique naquele tempo.
 
Legitimamente ainda continuam a ser propriedade dos portugueses, porque os portugueses tinham que receber uma indemnização por parte de Moçambique ou de Portugal e nunca receberam nada, foram todos roubados – FOI UM ROUBO FARAÓNICO E HISTÓRICO.
 
As flats, as moradias ou vivendas, todas as janelas, escotilhas e portas estão totalmente gradeadas e com muitos cadeados, as pessoas têm medo por causa dos assaltos e dos criminosos.
 
Também é nas flats que se cozinha em fogareiros a carvão, se houver um incêndio e que não seja combatido a tempo, será uma tragédia pois não há por onde fugir.
 
Todos os prédios que tinham elevadores já não têm, no lugar deles as pessoas despejam todo o tipo de lixo e os acessos aos seus andares, às suas flats, faz-se pelas escadarias da parte da frente do prédio, pelos degraus que são imensos e que já estão em muito mau estado (nas traseiras dos edifícios já não há escadas de salvação) não há iluminação, não há eletricidade), quando não se vê nada ou que já está a anoitecer, vai uma pessoa à frente com uma lanterna na mão para iluminar o caminho, as escadarias, os seus degraus, estão sempre com um cheiro nauseabundo porque é onde as pessoas fazem as suas “necessidades".
 
A água canalizada não chega a todos, e quando corre é só uma vez por dia, há que encher todas as panelas, tachos e outros recipientes, que leva ao desperdício de um bem precioso, sem água e oxigénio não há vida na Terra.
 
Os edifícios na cidade onde habitam as pessoas, onde vivem todos enjaulados, estão todos negros e sujos, tanto por fora como por dentro e estão inundados de baratas, melgas, moscas e ratazanas.
 
Os senhores do dinheiro mandaram construir moradias onde não deviam, nas barreiras, no caracol, em cima das dunas, por isso é que a Marginal, a sua orla costeira, está a desaparecer devido à erosão, pois foi ficando desprotegida por causa da construção de habitações.
 
A estrada da Baixa-Costa do Sol - A MARGINAL - está esburacada, faltando-lhe o alcatrão, está reduzida a um caminho de terra coberta por camadas grandes de areia, é só areia por todo o lado, faltam-lhe as dunas, toda a sua vegetação nativa, todos os seus mangais, a orla costeira está a desaparecer devido à erosão, porque ficou indefesa devido à construção de casas naquela zona, um atentado completo e vergonhoso ao sistema ecológico e ambiental da orla costeira da capital moçambicana que está destruída e em erosão veloz.
 
As acácias e as buganvílias escasseiam
Não há gás canalizado
Só de botija para quem pode pagar
É só artérias de terra batida e esburacadas
Nem todos têm água
Nem todos têm eletricidade
Nem todos têm saneamento
Nem todos têm acesso à educação
Não há saúde nem medicamentos
Há esgotos a céu aberto por todo o lado
Não há higiene e sanidade
 
É evidente que todas as infraestruturas subterrâneas feitas pelos portugueses (nomeadamente saneamento, água canalizada, eletricidade, comunicações, esgotos) sem a devida e imprescindível manutenção diária ou periódica, ficaram inoperacionais há quarenta anos.
 
O mesmo aconteceu com os “elevadores de todos os prédios”, deixaram de funcionar por falta de assistência, então há que arrancar-lhes as portas e aproveitar aqueles buracos, andar a andar, para despejar o lixo onde acaba por apodrecer, dando origem a cheiros nauseabundos, resta saber se alguém já caiu dentro de algum buraco.

Depois do 25 de Abril só se preocuparam em chacinar os portugueses para que fugissem e deixassem os seus bens à disposição de todos, não pensaram nas consequências, que sem alicerces, sem manutenção, sem organização e sem trabalho árduo, qualquer sistema vai pelo cano abaixo.
 
Na cidade não há caixotes para recolha do lixo (se houver são muito poucos, eu ainda não vi nenhum), as pessoas deitam o lixo para a via pública, a cidade está imunda, e depois são só doenças.
 
As pessoas cozinham e vendem comida nas ruas rodeadas de lixo por todo o lado, um atentado à saúde pública.
 
Toda a cidade está imunda, há lixo espalhado por todo o lado, as pessoas fazem as suas "necessidades" em qualquer lugar.

O antigo Jardim Vasco da Gama, que tinha imensas coleções botânicas, para ninguém chorar ou duvidar de mim, é melhor nem dizer como está.

Mal começa a anoitecer as pessoas recolhem às suas casas e trancam-se bem trancadas.
 
A cidade de Maputo é muito mal iluminada, tem pouca iluminação, ninguém se atreve a sair de noite das suas casas para dar um passeio, ir até à marginal ou Costa do Sol para tomar ar.
 
As famílias vão para as suas casas à tardinha, e ninguém sai de casa sem ser de dia, ninguém sai porque é uma regra, visto não haver segurança em lado nenhum.
 
Muitos dos maputenses nem a Malhanga conhecem, para irem a pé têm medo de lá ir, para irem de carro os acessos já não existem ou estão obstruídos.
 
O Bairro da Malhangalene está irreconhecível, parece que foi bombardeado por uma Guerra Mundial qualquer, só a Rua do Porto, que começa no “Cordeiro” e termina no Largo do Alentejo, está mais ou menos remendada com alcatrão, o resto das artérias do Bairro são de terra batida, a avenida de Lisboa já não existe - no Bairro da Malhangalene as ruas são autênticas crateras, esburacadas, com águas estagnadas, com esgotos a céu aberto, um perigo para a saúde pública.

Por isso é que a malária (o paludismo), depois das "independências", o mosquito da malária ressuscitou no Continente Africano, provocando já milhões de mortos.
 
Dizem que o colonialismo português, é que explorou, escravizou, maltratou os moçambicanos, e que era racista, vão a Moçambique e vejam com os vossos próprios olhos o que se passa lá hoje entre eles.

Os moçambicanos da classe baixa (os pobres), que trabalham como empregados domésticos, ou nalgumas lojas como animais de carga, são todos escravizados, todos explorados e mal tratados pelos seus próprios compatriotas da classe média, pelos senhores do dinheiro, pelos políticos e pelos monhés, são todos tratados abaixo de cão, nunca na minha vida vi tão grande racismo, tanto ódio e desprezo entre eles todos.

Os portugueses que vão a Moçambique mal conseguem fotografar ou filmar seja o que for, porque aparece logo a polícia que lhes confisca tudo.
 
A cidade de Maputo não tem nada a ver com o esplendor da antiga cidade de Lourenço Marques, onde as pessoas confraternizavam umas com as outras, vivia-se em paz e segurança quer de dia quer de noite.
 
Fonte: Arquivo Pessoal

Portugal e os Ali Babá portugueses


Em Portugal, passados que são quarenta anos depois da abrilada, os abutres, os traidores, os mafiosos, os corruptos, os covardes, os vendilhões da Pátria, os infames, os que ainda não morreram, mesmo velhos que estejam, ainda continuam todos no poder, circulando de tacho em tacho, levando a Pátria Portuguesa à bancarrota e o povo português à miséria total.

Hoje, a maior parte dos portugueses está na miséria e a passar fome porque ficaram sem o emprego, ficaram sem o seu sustento, ficaram sem habitação que estavam a pagar ao banco, os seus filhos foram privados da alimentação básica (leite e frutas) e em caso de doença não podem comprar medicamentos para se tratarem porque não têm dinheiro para nada, muitos casais, marido e mulher, vivem na rua de dia e de noite, tornaram-se sem-abrigo.

É nas cantinas das escolas apoiadas pelas Câmaras Municipais (contra a vontade dos politiqueiros que querem encerrar as escolas públicas e desmantelar todos os serviços públicos), que os seus filhos em idade escolar se alimentam ao pequeno-almoço, almoço e lanche.

Muitos professores das escolas já alertaram várias vezes nas televisões, que há alunos que passam muita fome e que não podem ter sucesso na aprendizagem.

Os adultos vão às organizações de solidariedade social, pedir alimentos e outros bens de primeira necessidade para sobreviverem, quando são entrevistados pelos canais de televisão, são filmados de costas e com as vozes distorcidas, para não serem reconhecidos, porque se sentem envergonhados.

Vergonhas deviam ter os politiqueiros e os corruptos que puseram Portugal e o povo na miséria, deviam morrer todos para se acabar com esta seita de bandidos.

Os portugueses vivem oprimidos, amargurados, envergonhados, tristes e deprimidos.

O povo português não é livre, não há democracia em Portugal nem nunca houve, há uma ditadura que ainda é pior do que a que existia no passado, cuidado com esta corja de politiqueiros que são ignorantes, arrogantes, vaidosos, raivosos e vingativos.

Nunca se sabe o que esta rapaziada ainda pode atentar mais contra a Pátria e o Povo, são mentes perversas que não descansam enquanto não desmantelarem todos os Organismos do Estado Português.

Há muita censura no que se fala, no que se escreve, no que se manifesta, é preciso ter muito cuidado com todas as pessoas, porque há sistemas de videovigilância por todo o lado, as telecomunicações estão sob escuta e depois ainda há os bufos que fazem tudo para subir na vida.

Antigamente os funcionários públicos eram respeitados, hoje vivem todos amordaçados, estão proibidos de se manifestarem, quem não está contente que se mude, são despedidos dos seus empregos como já tem acontecido a muitos desde 2011.

As Classificações de Serviço periódicas, primeiro eram atribuídas anualmente, agora são de dois em dois anos, são dadas pelos chefes hierárquicos de cada organismo aos seus funcionários, e como são atribuídas por cotas, não são justas, transparentes ou isentas, são dadas conforme as caras e as luvas que receberam.

Para que servem as Classificações de Serviço?

- Servem para promoverem aqueles a quem devem favores, para que subam na carreira o mais depressa possível e sem mérito próprio.

- Servem para amordaçar os que ficam prejudicados injustamente e se reclamarem são despedidos, isto é, são obrigados a “assinar o tal pedido de demissão” que lhes põem à frente dos olhos, ou então abrem-lhes processos disciplinares que vai dar ao mesmo.

A corja de bandidos que está no poder, quando dizem que este fulano, sicrano ou beltrano pediu a demissão ou a exoneração de qualquer cargo na função pública, não é verdade, eles obrigam os funcionários a assinarem a “demissão ou exoneração”, traduzindo pura e simplesmente são despedidos, perdem todos os anos que trabalharam e todos os descontos que fizeram, os politiqueiros mentem descaradamente, são uns mentirosos compulsivos.

Ora, na função pública não se toma posse de um cargo ou categoria, para depois se pedir a demissão ou exoneração, a não ser que seja para se subir de cargo ou de categoria, “assina-se então em primeiro lugar o pedido da nova categoria ou cargo” e depois é que se “assina a demissão ou exoneração da categoria antiga”, ambas no momento da ação e já publicadas previamente no Diário da República.

São as tais “tomadas de posse” que antigamente se revestiam de solenidade em todos os organismos públicos, hoje já ninguém presta “juramento” está fora de uso, e o que se vê no Parlamento nas tomadas de posse, é tudo uma palhaçada, uma hipocrisia, uma falsidade.

Não há empregos nem subsídios para ninguém, os jovens, os da meia-idade, os velhos, os reformados, os aposentados, os doentes, são todos considerados como um fardo para estes miseráveis e desprezíveis politiqueiros.

Os subsídios só são dados a troco de luvas (a máfia está instalada por todo o lado) aos malandros, aos parasitas que nunca trabalharam na vida, aos vagabundos que vieram das Américas, da Europa de Leste e das Ásias (têm direito ao SRI, alimentação, habitação social, água e eletricidade grátis, etc.) e mesmo assim ainda andam nas ruas de Lisboa e de outras cidades a pedir dinheiro às pessoas, incomodando tudo e todos, roubando, assaltando tudo o que podem e até já mataram portugueses para os roubar.

Muitos estrangeiros que com a lavagem dos seus dinheiros, branqueamento de capitais, tráfego humano e escravatura, etc., em conluio com os corruptos e as máfias que abundam no país, já tomaram conta da capital, são eles os “novos donos” de Lisboa sobretudo da Baixa Histórica.

Qualquer dia os portugueses terão que lhes apresentar um “passaporte” para entrarem em Lisboa, irem até ao Rossio, à Praça da Figueira, ao Castelo, ao Martim Moniz, à Rua Augusta, à Rua da Prata, à Rua do Ouro, à Praça do Comércio, ao Chiado, ao Bairro Alto, à Mouraria, ao Saldanha, ao Chile, às Amoreiras, etc.

Não é Lisboa que é a Cidade da Tolerância?

Está gravado nas paredes e no chão no Largo de S. Domingos, na Zona Histórica da Baixa de Lisboa.

Não tenho nada contra, mas a meu ver, em primeiro lugar tinham que melhorar e não piorar a vida dos portugueses, já que diziam que antes da abrilada passavam muita fome, que não tinham acesso à educação, à saúde e ao trabalho remunerado, que havia muita censura e que viviam todos na miséria.

Não foi para isso que os traidores e os covardes fizeram a palhaçada do golpe militar da abrilada?

Não, foi para se beneficiarem a si próprios, muitos deles de simples soldados que só tinham a quarta classe antiga, meia dúzia de anos depois já eram todos sargentos, tenentes, capitães, coronéis, generais, brigadeiros, foi esta a intenção do golpe militar perpetrado por traidores, promoverem-se a eles próprios, o povo é que não percebeu.

Quando aconteceu a abrilada, o povo analfabeto e ignorante que vivia na Metrópole rejubilou de alegria: já temos liberdade, já não precisamos de trabalhar mais na vida, que trabalhem os patrões, nós já não precisamos do trabalho, as propriedades deles são todas nossas, vamos aterrorizar e expulsar os seus donos, porque é tudo nosso, é tudo nosso, agora já pudemos fazer tudo o que queremos, já não precisamos de trabalhar mais, viva a liberdade, viva a liberdade, viva a liberdade.

Sem comentários porque já todos sabemos o que aconteceu depois desse dia sinistro, trágico, terrível e malfadado acontecimento.

Ao longo destes anos, esta corja de politiqueiros já desmantelou a Educação, a Saúde, o Emprego, o Serviço Social, a Economia, querem acabar com o que resta dos Serviços Públicos em defesa dos Serviços Privados.

Porque a corrupção, uma autêntica máfia, um polvo de tentáculos gigantescos, são roubos sistemáticos, instalou-se de geração em geração, alastrou-se e perpetuou-se.

São milhares os ladrões de Ali Babá portugueses (ao contrário do que reza a história que este roubava os ricos para dar aos pobres), estes Ali Babá roubam aos pobres dos trabalhadores e aos reformados, para se enriquecerem a si próprios e aos outros corruptos que fazem parte desta seita de bandidos, são todos uns crápulas, uns corruptos que vivem sedentos de dinheiro.

Desde vereadores e presidentes de Câmara (Município) em conluio com os patos bravos que destruíram o território, a negócios mais sofisticados nos ministérios, com concessões, privatizações, parcerias, contratos milionários com fornecedores a troco de luvas generosas. Uma autêntica indústria de interesses que prosperou à custa do empobrecimento do País.

A Pátria ou o Povo Português não lhes interessa para nada, só a corja de bandidos, os novos-ricos, os mafiosos, os corruptos, os crápulas e os lambe-botas é que vivem bem em Portugal e estão todos acima da Lei.

Para os Ali Babá portugueses, o Povo não é tido para nada, é considerado como analfabeto, ignorante e preguiçoso, não tem qualquer significado na Nação Portuguesa, são um número indesejável que eles queriam que não existissem, para eles serem donos de tudo, os únicos a viverem em Portugal.

Desde a abrilada, quem beneficiou e quem continua a beneficiar, são os traidores e os covardes dos militares do 25 de Abril, os outros militares que se seguiram a eles e todos os que continuam no ativo, são todos um bando de covardes que se deixam (e deixaram) subornar por promoções, nomeações, louvores, condecorações, só lhes interessa as patentes, os ordenados chorudos e as reformas milionárias, por isso é que eles se mantiveram calados desde a abrilada até hoje, nunca ninguém os ouviu manifestar-se a favor do povo, é ver todos os dias as publicações no Diário da República Eletrónico.

Desde o golpe militar de 25 de Abril de 1974, a maior traição das páginas negras da História de Portugal, que o povo foi sempre enganado e tido como lorpa.

Os banqueiros, a corja de politiqueiros, os ladrões Ali Babá portugueses, para mim são os maiores corruptos do Mundo.

Fonte; Arquivo Pessoal

27 de Julho de 2014

A importância da Guiné Equatorial (Artur Queiroz)


 
A entrada da Guiné Equatorial na CPLP provocou em Portugal um terramoto de disparates, desvarios de alta intensidade, atitudes de grande cinismo e, como habitualmente, quantidades exageradas de ignorância.

Como se esta mistura explosiva não bastasse, os desvairados opositores à adesão ainda acrescentaram o habitual racismo encapotado e comportaram-se como soldados  invencíveis da democracia.
 
Pelo meio, os mais ressabiados ainda aproveitaram para atacar Angola, por ter sido o país patrocinador da adesão da Guiné Equatorial à CPLP. Li coisas espantosas e que ainda me custa acreditar que foram escritas. Ouvi barbaridades delirantes que me põem a duvidar da minha audição. Vi torcionários da democracia em Portugal a clamarem indignadamente contra a falta dela no novo país da comunidade dos países que falam português. Confesso que já esperava tanto dislate, porque sei quanto podem e valem em Portugal  figuras que no passado silenciaram as fogueiras da Jamba a troco de diamantes de sangue, marfim e drogas.

Mas também sou forçado a admitir que João Soares, Ana Gomes, António José Seguro ou aquela chusma de comentadores que nas rádios, televisões e jornais ganham chorudas maquias para dizer o que vem à cabeça dos donos, ultrapassaram todas as marcas e todos os limites.
 
A gritaria teve dois sentidos. A Guiné Equatorial tem a pena de morte e naquele país não se fala a língua portuguesa. Mas o Presidente Obiang assinou um decreto que suspende a pena de morte até ser aprovada a lei que vai abolir essa prática.
 
Nesse aspecto a Guiné Equatorial já foi mais longe do que os EUA e a Inglaterra. Ainda agora um condenado à morte num Estado norte-americano ficou quase duas horas a estrebuchar porque a injecção letal não fez o “serviço" em dez minutos. Estou à espera do alarido em Lisboa para exigir de Washington que acabe com a barbárie. Se o Presidente Barack Obama não obedecer, os comentadores políticos em Portugal e o núcleo duro que apoia António José Seguro vão expulsar os EUA da OTAN. E mandam encerrar a embaixada em Lisboa.
 
Vamos à língua portuguesa. Li um artigo interessante de um grande intelectual português de esquerda onde ele escreve que a adesão  da Guiné Equatorial à CPLP  é o requiem da organização. Mas que exagero! Nesse texto ele escreve Malaysia Ais Lines em vez de escrever Linhas Aéreas da Malásia. Uma distracção imperdoável para quem aparentemente defende com unhas e dentes o português.
 
Em Portugal os idosos são espoliados das suas reformas e morrem à míngua de alimentos e medicamentos. As crianças morrem à fome. Mais de um milhão de portuguesas e portugueses em idade activa estão no desemprego. A grande maioria nem sequer tem protecção social. Mas que ninguém se atreva a rezar  a missa pela morte daquele país, que é parte importante da CPLP. Os outros Estados membros  nunca consentirão esse insulto. Todos juntos havemos de fazer regressar à Pátria de Camões, Padre António Vieira, Cavaleiro de Oliveira, Aquilino, Pessoa, Agustina, Sophia ou Ramos Rosa, o espírito do 25 de Abril que fundou o Estado Social e a democracia portuguesa, depois de séculos de colonialismo e décadas de ditadura.
 
A CPLP nasceu também para promover a língua portuguesa. Quantos mais países aderirem à comunidade, mais forte ela fica. Eu defendo que é mais importante a adesão de Estados que nem sequer falam a Língua Portuguesa. Porque esses vão assumir o compromisso de promover e difundir o português. Não é o caso da Guiné Equatorial. Parte substancial do seu território já pertenceu à Coroa Portuguesa. E na ilha de Ano Bom, vizinha de São Tomé, a população fala crioulo que tem por base o português arcaico. Quanto mais não seja para valorizar e preservar essa jóia, foi importante a adesão daquele país à CPLP.
 
Estou curioso para saber o que vão dizer e escrever os enraivecidos portugueses de hoje, quando o Japão, a União Indiana, a República Popular da China, Marrocos ou a Geórgia aderirem à CPLP. Espero que nessa altura já lhes tenha passado a fúria racista e a apetência perigosa para o apartheid. Por muito que me custe e lhes custe a eles, o que se passa em Lisboa é mesmo uma onda descontrolada de racismo, perfumada com as flatulências do apartheid.
 
Os portugueses não têm culpa nenhuma que os seus intelectuais façam figura de ignorantes e políticos do “arco do governo" ainda pensem que “Angola é nossa" e em África ainda há colónias a saque.
 
Fonte: Jornal de Angola, 26 de Julho de 2014

Cortador de profissão...


Téquinfim…

 
 
No pátio da penitenciária em Luanda, a diretora pega num megafone e anuncia:

- "Tenção cambadivagabundu, chega di moleza!!!  Quero ocês tudo devassora na mão, limpandesse chiquero, que ocês mora!!! Quero tudim tudim limpim!!! Modi qui, amanhã nóis vamo recebê os Presidente Eduardo Santus, os Cavacos Silva e os Ministro Passos Coelho."

 Um preso comenta então para o colega ao lado:
 
- Téquinfim, prendero os fidaputa!!!
 
 
Fonte: Recebido por email

Assembleia da Repúbica...

 
 
Estava eu a passar pela porta da Assembleia da República e oiço um fulano a dizer:

- Filho da p---, ladrão, vigarista, assassino, traficante, mentiroso, pedófilo, vagabundo, sem vergonha, trafulha, preguiçoso de m-----, bandido, vampiro, oportunista, assaltante do povo...

Assustado, perguntei ao segurança:

- Estão chateados ou quê?

Responde o segurança:

- Não, não... estão a fazer a chamada para ver se falta algum deputado...
 
Fonte: Recebido por email