12 de janeiro de 2015

Moçambique: Paz é inseparável da independência - visão de Samora Machel

 
 
Paz é inseparável da independência - visão de Samora Machel que se estivesse vivo completaria hoje 75 anos de idade (2008)

A PAZ é inseparável da independência – visão de Samora Moisés Machel, primeiro Presidente de Moçambique, figura carismática que, se estivesse vivo, completaria hoje 75 anos de idade. Peça incontornável na história da luta armada de libertação nacional, Samora Machel mostrou esta sua visão à delegação colonial portuguesa, liderada pelo então Ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Soares,  quando em Lusaka foi proposto à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) um cessar-fogo e consequente realização de referendo para decidir se os moçambicanos queriam ou não a independência. Samora recusou a proposta e expandiu as operações militares, facto muito propalado pela Imprensa,  levando Lisboa a mudar de atitude até assinar em 7 de Setembro de 1974 os Acordos de Lusaka.

Lisboa salvaguarda vestígios da nau portuguesa do século XVI descoberta ao largo da Namíbia



Lisboa, 01 Out (Lusa) - Lisboa garantiu hoje o seu interesse "fundamental" na protecção dos vestígios de uma nau portuguesa do Séc XVI descoberta na costa da Namíbia, reagindo a notícias que davam conta de ela poder em breve ficar submersa.
 
Num esclarecimento à Comunicação social, o Ministério da Cultura reage "ás notícias tornadas públicas nos últimos dias", lembrando que já no início de Setembro ficou "claro que o interesse fundamental do Governo português era o de assegurar a integral salvaguarda dos vestígios em questão".
 
Foi também em Setembro que os Ministérios da Cultura e dos Negócios Estrangeiros decidiram enviar ao local - a interface costeira de Oranjemund - dois técnicos portugueses do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (os arqueólogos Francisco Alves e Miguel Aleluia), salienta a nota.
 
A Agência France Presse noticiou no sábado que os destroços da nau portuguesa descoberta em Abril ao largo da Namíbia "serão devolvidos proximamente ao oceano sem ter podido revelar todos os seus tesouros devido aos elevados custos para serem retirados das areias subaquáticas".
 
O Jornal Público puxou o assunto para a sua capa na edição de segunda-feira com o titulo "Caravela com 500 anos em risco de ser submersa na costa da Namíbia", citando no artigo a notícia avançada pela France Presse.
 
"Mais de 2.300 peças de ouro pesando cerca de 21 quilogramas e 1,5 quilogramas de moedas de prata foram encontradas a bordo, num valor de mais de 100 milhões de dólares", explicava numa recente visita ao local o arqueólogo Francisco Alves, maravilhado com o valor cultural desta descoberta, "sem preço", citado pela France Presse.
 
O sítio dos achados está a céu aberto graças a um cordão dunar criado artificialmente - uma baía com cerca de 90 m2 a seis metros abaixo do nível do mar.
 
Por influência das alterações atmosféricas, normais nesta época do ano, no Atlântico Sul, ficou acordado que os trabalhos deveriam ficar concluídos a 2 de Outubro. Neste momento, com novas previsões meteorológicas é possível alargar o prazo dos trabalhos até 10 de Outubro, refere o Ministério da Cultura.
 
A equipa de arqueólogos portugueses acompanhará assim "a remoção dos achados até à sua conclusão", assegura a nota.
 
Devido à sua "reconhecida capacidade técnica e científica", os dois técnicos participarão também na investigação, valorização e divulgação dos achados.
 
Lisboa lembra que o governo namibiano convidou o Estado português a participar nos trabalhos de salvamento da nau portuguesa e que esse clima de "total cooperação e empenho" foi reiterado num encontro recente à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, entre os representantes das diplomacias dos dois países.
 
Deste encontro resultou a deslocação a Portugal do ministro dos Negócios Estrangeiros da Namíbia, em data a agendar, adianta o comunicado.
 
TM.
Lusa/Fim, 01 de Outubro de 2008

9 de janeiro de 2015

Conto de Natal: -u-cão de fogo (Altino Serrano, Cidade da Praia)



Jacinto era uma criança feliz de sete anos, que vivia em Chã das Caldeiras, na Ilha do Fogo, em Cabo verde. Nasceu a 25 de dezembro, dia em que celebrava o Natal e o aniversário. A sua terra era um paraíso de frutas e alegria: em casa, entre pais e irmãos, na escola, com os companheiros e no campo, com os animais e, especialmente, Bobi, o cão do qual nunca se separava.

Mas houve um ano em que não teve festa de Natal nem de aniversário. É que o vulcão da sua ilha zangou-se, começou a descer o monte, ameaçando a felicidade de Jacinto. Em poucos dias, tudo engoliu o vulcão: a casa, a igreja, a escola, os campos… Chã das Caldeiras, arrasada, desapareceu engolida pelo fogo e levada para o ventre da Terra como Jonas para o da baleia!

A maior dor de Jacinto foi não ter salvado Bobi, o cão, trancado no quarto, pela lava que entrou casa adentro!

Os pais ficaram sem nada. A família foi deslocada para outra parte da ilha. Mas nada aí encontrava do seu paraíso perdido… Ao fim de uns meses, como outros foguenses ao longo da história, a família partia para os Estados Unidos, a “terra prometida” de muitos cabo-verdianos. E, numa manhã, raiada de luz, desembarcam em Ellis Island, em Nova Iorque, recebidos pela estátua da liberdade.

São levados para as margens do lago Erie, onde Jacinto, no início, parecia imaginar a sua ilha, feliz, e reencontrar o monte do vulcão, a água do mar, a verdura do campo, os animais… Apenas Bobi lhe não saia da cabeça e nada lho fazia esquecer.

Jacinto cresceu, estudou e especializou-se em geologia: queria conhecer o interior da Terra, seus segredos e mistérios…

Era agora um homem maduro e, aos sábados, de verão e de inverno, o seu passatempo era pescar no grande lago e ver o seu filho, Roby, brincar na relva e andar de bicicleta… Aí tinha a impressão de estar na sua ilha. Por vezes, vinham-lhe à mente ecos da verdade cabo-verdiana, ouvida sempre, “não há partida sem regresso…”.

Nessa altura, houve um inverno com tanta neve e frio que não puderam dar o passeio durante três sábados. Foi na véspera de Natal que voltaram ao lago. Havia blocos de gelo por toda a parte. Roby passou a tarde a brincar com eles. Mas gostou especialmente de um, muito transparente, que parecia uma casa e, no meio, era muito vermelho. Parecia que tinha fogo. Pegou nele enquanto o pai pescava e, sem que ele visse, zás… meteu-o no saco térmico do pescado.

De regresso a casa, foi a ceia de Natal com a família alargada, os tios, os primos, que cheaeram de outras regiões… Roby e os primos ouviram histórias de Cabo Verde, da Ilha do Fogo, da vinda dos mais velhos, depois do vulcão do grande Novembro. Cansados, já tarde, todos foram deitar-se.

Era a hora de Jacinto ir pôr as prendas na árvore de Natal, no salão. Ao entrar, dá de caras com um vermelhão num ramo. Uma prenda, que já lá estava… Era um cão de fogo que, em suave melodia da sua infância, lhe canta e conta:

– Atravessei o ventre da Terra, dentro da tua casa, o fogo, a água e o gelo do lago, onde Roby me tomou. E sem ele ver, plantei-me aqui: sou um presente do mistério da vida, da terra e da poesia… para ti!

Sem palavras, Jacinto limpa duas lágrimas furtivas, que não contém.

Altino Serrano

Cidade da Praia, Cabo Verde

Recebido por email pelo autor. Altino Serrano é pseudónimo.
 

Madjangula Ya Lembe Le'Djimpsha (Engº Pimentel dos Santos, 1974)

 
 
Fonte: Arquivo Pessoal
 

Maputo: Bairro da Malhangalene

 
 
Fonte: Arquivo Pessoal

15 de dezembro de 2014

Desporto no Trabalho: Campeonato Provincial do Maputo de Futebol de Cinco

 
 
Fonte: Arquivo Pessoal

O choque cultural do "retorno": A vida em Moçambique e a vida em Portugal



O choque cultural do "retorno": A vida em Moçambique e a vida em Portugal, uma narrativa na 1ª pessoa (Sérgio Guimarães)
 
Introdução
 
Este trabalho centra-se na história verídica do seu autor, narrada na primeira pessoa, e onde se irão encontrar alguns relatos que encontram equivalência em algumas das situações expressas no texto que à frente transcrevo, e que é nota introdutória do livro de Rita Garcia. A narrativa vai incidir sobre a cultura e modos de vida em Lourenço Marques (Moçambique) nos anos pré 25 de Abril de 1974, e posteriormente vai situar-se numa pequena vila do norte de Portugal, de nome Caldas de Vizela, local de onde era oriundo o pai do autor e onde residia grande parte da família deste, sendo também o local para onde o autor foi residir após a saída de Lourenço Marques. A principal intenção deste trabalho é dar a conhecer a cultura da classe média residente em Lourenço Marques nos inícios da década de 70 e que na sua quase totalidade era constituída por pessoas de raça branca, dando algumas notas sobre a construção nacional da identidade neste país. Tenho também como segunda intenção e ambição de desmistificar um pouco o conceito que existe na sociedade portuguesa, e que considero pouco correcto, de que os “retornados” eram “colonialistas exploradores dos povos africanos”, correndo o risco de estar errado, considero ser um conceito formado pela construção duma entidade social nacional pós 25 de Abril em que havia a necessidade extrema de condenar tudo o que estava relacionado com o antigo regime, sendo os “retornados” catalogados como colaboradores desse mesmo regime. Não tenho qualquer intenção de transmitir aqui um discurso ou mensagem politica ou partidária, apenas pretendo transmitir um pouco da cultura onde nasci e dar a conhecer uma realidade que foi de alguma maneira desconhecida pela maioria dos portugueses residentes em Portugal.
 
Após o 25 de Abril de 1974, a maioria dos Portugueses residentes nas ex-colónias, consideradas até à data como províncias de Portugal, foram forçados a abandonar os territórios onde viviam e tiveram que ir viver para outros países, sendo que a maioria veio para Portugal, alguns como retornados e outros como o autor, os que haviam nascido nas ex-colónias, vieram conhecer pela primeira vez a “Metrópole”, como era apelidada. A título de introdução ao trabalho, transcrevo a nota introdutória do livro de Rita Garcia “Os que vieram de Africa”, onde é referenciado o drama pelo qual passaram muitos dos residentes nas ex-colónias que vieram viver para Portugal.

Ricardo Araújo Pereira escreve ao primeiro-ministro

 
 
Caro Sr. primeiro-ministro,
 
O conjunto de medidas que me enviou para apreciação parece-me extraordinário. Confiscar as pensões dos idosos é muito inteligente. Em 2015, ano das próximas eleições legislativas, muitos velhotes já não estarão cá para votar. Tem-se observado que uma coisa que os idosos fazem muito é falecer. É uma espécie de passatempo, competindo em popularidade com o dominó. E, se lhes cortarmos na pensão, essa tendência agrava-se bastante. Ora, gente defunta não penaliza o governo nas urnas. Essa tem sido uma vantagem da democracia bastante descurada por vários governos, mas não pelo seu. Por outro lado, mesmo que cheguem vivos às eleições, há uma probabilidade forte de os velhotes não se lembrarem de quem lhes cortou o dinheiro da reforma.
 
O grande problema das sociedades modernas são os velhos. Trabalham pouco e gastam demais. Entregam-se a um consumismo desenfreado, sobretudo no que toca a drogas. São compradas na farmácia, mas não deixam de ser drogas. A culpa é da medicina, que lhes prolonga a vida muito para além da data da reforma. Chegam a passar dois e três anos repimpados a desfrutar das suas pensões. A esperança de vida destrói a nossa esperança numa boa vida, uma vez que o dinheiro gasto em pensões poderia estar a se aplicado onde realmente interessa, como os swaps, as PPP e o BPN.
Se me permite, gostaria de acrescentar algumas ideias para ajudar a minimizar o efeito negativo dos velhos na sociedade portuguesa:
 
1. Aumento da idade da reforma para os 85 anos. Os contestatários do costume dirão que se trata de uma barbaridade, e que acrescentar 20 anos à idade da reforma é muito. Perguntem aos próprios velhos. Estão sempre a queixar-se de que a vida passa a correr e que vinte anos não são nada. É verdade: 20 anos não são nada. Respeitemos a opinião dos idosos, pois é neles que está a sabedoria.
 
2. Exportação de velhos. O velho português é típico e pitoresco. Bem promovido, pode ter grande aceitação lá fora, quer para fazer pequenos trabalhos, quer apenas para enfeitar um alpendre, ou um jardim.
 
3. Convencer a artista Joana Vasconcelos a assinar 2.500 velhos e pô-los em exposição no MoMA, em Nova Iorque.
 
Creio que são propostas valiosas para o melhoramento da sociedade portuguesa, mantendo o espírito humanista que tem norteado as suas políticas.

Cordialmente,
 
Nicolau Maquiavel
 

O presépio


15 de novembro de 2014

Portugal: A mulher vai ganhar a "guerra" das calças

 
 
Recorte de um velho Diário Popular
 
 
Isto é que eram (outros) tempos…
 
À porta da faculdade de letras de Lisboa....

(em Setúbal também houve esta ”guerra”! Mais acirrada na Escola Técnica do que no Liceu…)

Corria o maravilhoso ano de 1969. A questão era saber se era legal as mulheres usarem calças. É ler porque se trata de um artigo muito interessante para perceber como era a sociedade portuguesa há 41 anos.

No liceu Rainha Santa, no Porto, em 1970, continuava a ser “proibido” às alunas usar calças…
 
 
Recebido por email

Advogado não mente



Um Advogado tinha 12 filhos e precisava sair da casa onde morava e alugar outra, mas não conseguia por causa do monte de crianças.

Quando ele dizia que tinha 12 filhos, ninguém queria alugar porque sabiam que a criançada iria destruir a casa.

Ele não podia dizer que não tinha filhos, não podia mentir, afinal os ADVOGADOS não podem mentir.

Ele estava ficando desesperado, o prazo para se mudar estava se esgotando.

Daí teve uma ideia: mandou a mulher ir passear no cemitério com 11 filhos.

Pegou o filho que sobrou e foi ver casas junto com o agente da imobiliária.

Gostou de uma e o agente lhe perguntou quantos filhos ele tinha.

Ele respondeu que tinha 12.

Daí o agente perguntou: onde estão os outros?!

E ele respondeu, com um ar muito triste: “Estão no cemitério, junto com a mãe deles”.

E foi assim que ele conseguiu alugar uma casa sem mentir...


Não é necessário mentir, basta escolher as palavras certas.


Recebido por email

26 de outubro de 2014

@Verdade EDITORIAL: Eleições ou grande embuste?



Realizaram-se, no passado dia 15 de Outubro, as quintas eleições gerais no país e, como sempre, a Comissão Nacional das Eleições (CNE) e o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) perderam, mais uma vez, a oportunidade de mostrar a todos os moçambicanos, e não só, que são organismos estatais que merecem a credibilidade e a confiança do povo.
 
Mas, pelo que sucedeu no dia da votação e as situações deprimentes a que se continua a assistir durante a apuração dos resultados, ficou provado que aquelas duas instituições andam a reboque do partido no poder. O rosário de irregularidades – desde o enchimento de urnas com votos assinalados a favor do partido no poder e do seu candidato à Presidência da República, passando pela viciação dos resultados, até à abertura tardia dos postos de votação – detectado no último pleito eleitoral é sintomático de que as eleições em Moçambique são uma trapaça, um embuste de proporções imensuráveis.
 
Não há dúvidas que a CNE e o STAE têm estado a prestar um mau serviço à nossa jovem Democracia moçambicana ao permitirem que as situações relacionadas com a fraude eleitoral continuem impunes e a ganhar terreno e forma a cada novo escrutínio.
 
Testemunhámos, recentemente, nas últimas eleições autárquicas, que, quando há uma fiscalização cerrada, a possibilidade da trapaça é praticamente nula, não obstante o partido no poder fazer uso indevido da força e dos bens do Estado. No entanto, continuarmos a chamar “livres, justas e transparentes” às últimas eleições é cinismo crasso. É, na verdade, um acto de hipocrisia e é passar um atestado de estupidez ao povo moçambicano que, de cinco em cinco anos, deposita confiança nos órgãos eleitorais do país.
 
As últimas eleições mostraram-nos como são obtidas as famosas “vitórias retumbantes, esmagadoras e convincentes”. O caso de um edital da Escola de Tunduru na Matola, no qual o candidato da Frelimo aparece com mais de 900 votos numa mesa onde apenas votaram 500 pessoas dos 800 eleitores escritos, é paradigmático do que temos estado a falar.
 
Pejar os órgãos eleitorais de indivíduos que nutrem simpatia pelo partido no poder é uma forma que o regime mercantilista da Frelimo encontrou para limpar as mãos à parede de modo a continuar em funções e usufruir dos respectivos privilégios.
 
Portanto, a forma como é conduzido o processo eleitoral em Moçambique é, intrinsecamente, uma trapaça, não obstante a famigerada paridade na CNE, uma vez que não se vislumbra o pleno exercício da cidadania e da democracia.
 
Nenhum país pode avançar enquanto os órgãos eleitorais continuarem a reboque do partido no poder e os bens do Estado a serem abusados e usados para fins partidários.
 
 
Fonte: Verdade, 23 de Outubro de 2014

25 de outubro de 2014

A aritmética de um país corrompido


 
Somem os administradores não executivos das centenas de empresas do universo do GES ligados à política, os múltiplos favores desde o emprego para o filho do alto dirigente do Estado, do senhor magistrado ou do governante, o crédito facilitado à filha do político, a bolsa para o filho promissor do deputado e muitos outros grandes, médios e pequenos favores.
 
Somem os mesmos favores concedidos pela generalidade dos bancos, das empresas petrolíferas, das empresas do negócio da eletricidade e gás natural, das cimenteiras, das empresas de telecomunicações, das empresas proprietárias de escolas de ensino privado, do universo de empresas que precisam de favores do Estado, favores que envolvem fixação de preços, concessão de subsídios, exigências ambientais, avaliações de qualidade, etc., etc..
 
Somem as despesas com fundações muito bem intencionadas que organizam seminários, que pagam a autores para escreverem livros, que organizam viagens, que pagam bolsas a filhos de amigos.
 
Somem os altos patrocínios dados pelas empresas atrás referidas a eventos organizados por instituições como os sindicatos de magistrados.
 
Somem os orçamentos publicitários geradores de receitas para as empresas de comunicação social que pela pena dos seus articulistas podem influenciar a opinião pública, acrescentem as viagens pagas, os cabazes de Natal, as prendas dadas a diversos títulos.

Somem o orçamento das grandes empresas para prendas de Natal, prendas de aniversário, oferta de viagens e de obras de arte.
 
Agora verifiquem entre as personalidades públicas que influenciam a opinião pública como comentadores, que detêm altos cargos da Administração Pública, que exercem cargos nas magistraturas ou como políticos e excluam os que nada receberam.
 
Quantas das personalidades que diariamente nos aparecem nos ecrãs das televisões não beneficiam deste imenso bolo de corrupção? Quantos podem dizer que nunca receberam nada a título de favor da imensidão de empresas que se alimentam das facilidades dadas pelo Estado? Quantos podem dizer que nunca foram comprados?
 
Quanto do luxo dos nosso políticos, quantas das viagens de férias ao Brasil, quanto dos carros de alta cilindrada que vemos em Lisboa, quantas das vivendas e apartamentos de férias, quanta da boa vida não é paga e facilitada por esta imensa pirâmide de corrupção que envolve uma boa parte da elite do país que ao longo de décadas foi instalando um imenso esquema de corrupção, de compadrios e cumplicidades e de favores?
  
Ai se o Ricardo Salgado falasse! Enfim, o Ricardo Salgado, o Jardim Gonçalves, o Oliveira e Costa e muitos outros. Talvez os portugueses percebessem o que impede o país de se desenvolver e ficariam a saber o grande logro que tem sido uma austeridade que apenas visa criar um balão de oxigénio para que este esquema sobreviva durante mais alguns anos.


Fonte: O Jumento, 24 de Outubro de 2014