3 de maio de 2015

Lisboa - Praça da Figueira

"Portugal na Hora da Verdade - Como Vencer a Crise Nacional" (Álvaro Santos Pereira)



Esta é a página nº 511 do livro “Portugal na Hora da Verdade – Como Vencer a Crise Nacional” (editora Gradiva), escrito por Álvaro Santos Pereira, agora Ministro da Economia e do Emprego.
 
Transcrição da página 511:

“POLÍTICAS PARA RETOMAR O SUCESSO

…Claro que não. Como sublinhei ao longo deste livro, há fortes indícios de que o nosso Estado está a matar a economia nacional. No entanto, isto não quer dizer que os funcionários públicos sejam os responsáveis por esta situação. Com efeito, nada poderia estar mais errado. Uma verdadeira reforma do Estado que torne as nossas contas públicas saudáveis e sustentáveis não deve ser feita contra os funcionários públicos ou contra o serviço público. Muito pelo contrário. Uma verdadeira reforma da administração pública terá de melhorar o serviço público, não piorá-lo. Uma verdadeira reforma da função pública terá de aumentar o prestígio do emprego público, não diminuí-lo. Uma verdadeira reforma do Estado terá de  incentivar a auto-estima dos funcionários públicos e fazer com que sejam eles próprios e estimular a mudança de que a nossa administração pública necessita. Finalmente, uma verdadeira e duradoura reforma do nosso Estado não poderá encarar a necessária dieta da administração pública como uma mera poupança de euros e de despesa pública, mas assim como uma oportunidade única para melhorar a eficiência do Estado e, assim, simplificar e auxiliar a vida dos portugueses. É neste sentido que uma reforma da administração pública tem de ser feita com os funcionários públicos e não contra eles. Porquê? Porque toda e qualquer reforma que seja contra os funcionários públicos está condenada ao fracasso. E porque, como já disse, não são eles os responsáveis pela situação actual, mas sim os nossos governantes.

É verdade que os funcionários públicos têm, em média, remunerações e benefícios sociais um pouco acima dos auferidos no sector privado. No entanto, não só esta situação é comum a quase todos os países mais avançados, como também não podemos fazer dos funcionários públicos os bodes expiatórios desta crise. Não são. A culpa do descalabro das finanças públicas nacionais não é dos funcionários públicos, é dos governos.” Fim de transcrição.

_________
Nota:

Será que o Sr. Ministro pode mostrar esta folha ao seu chefe Passos Coelho e ao seu colega das Finanças?

Ou será caso para dizer: “Façam o que eu digo (escrevo) e não façam o que eu faço”?


Fonte: Recebido por e-mail

Moçambique: "Búfalo" é neto bastardo do rei D. Carlos I


 
Em Moçambique, onde nasceu e espera viver sempre, é conhecido por "Búfalo". Resultado de uma "coincidência amorosa" mantém ainda viva a chama da monarquia de que descende.

"Búfalo" vive em África e é "rei" na selva e fora dela: o seu nome verdadeiro é Alberto Sousa Araújo, reside na Beira, segunda cidade de Moçambique, e assume-se como neto bastardo do penúltimo monarca português, o rei D. Carlos I.

Alberto Filipe dos Santos Sousa Araújo - conhecido em Moçambique como "Búfalo" - nasceu "no meio do mato e sem parteira" na selva da Gorongosa, no centro do país, e descende do fruto de uma "coincidência amorosa" do antigo rei português com uma dama da corte, que lhe haveria de traçar o destino.

"O meu avô de sangue, o rei Dom Carlos, teve uma coincidência amorosa e engravidou a dona Carlota, que era dama da corte muito chegada à rainha dona Amélia. A dona Carlota e o coronel Sousa Araújo, os meus avós de nome, vieram então para Moçambique em 1899", relata.

29 de abril de 2015

"O 25 de Abril e a História" (António José Saraiva)



«Se alguém quisesse acusar os portugueses de cobardes, destituídos de dignidade ou de qualquer forma de brio, de inconscientes e de rufias, encontraria um bom argumento nos acontecimentos desencadeados pelo 25 de Abril.

Na perspectiva de então havia dois problemas principais a resolver com urgência. Eram eles a descolonização e a liquidação do antigo regime.

Quanto à descolonização havia trunfos para a realizar em boa ordem e com a vantagem para ambas as partes: o Exército Português não fora batido em campo de batalha; não havia ódio generalizado das populações nativas contra os colonos; os chefes dos movimentos de guerrilha eram em grande parte homens de cultura portuguesa; havia uma doutrina, a exposta no livro Portugal e o Futuro do general Spínola, que tivera a aceitação nacional e poderia servir de ponto de partida para uma base maleável de negociações. As possibilidades eram ou um acordo entre as duas partes, ou, no caso de este não se concretizar, uma retirada em boa ordem, isto é, escalonada e honrosa.

Todavia, o acordo não se realizou e retirada não houve mas sim uma debandada em pânico, um salve-se-quem-puder. Os militares portugueses, sem nenhum motivo para isso, fugiram como pardais, largando armas e calçado, abandonando os portugueses e africanos que confiavam neles. Foi a maior vergonha de que há memória desde Alcácer Quibir.

Turismo em Moçambique

Fotografias Premiadas da National Geographic

Lisboa - Jardim e Miradouro de São Pedro de Alcântara


27 de abril de 2015

Profecias Exatas

 

Apelo a Santo António



Ó meu rico Santo António
Meu santinho Milagreiro
Vê se levas o Passos Coelho
Para junto do Sá Carneiro

Se puderes faz um esforço
Porque o caminho é penoso
Aproveita a viagem
E leva o Durão Barroso

Em Angola, até ver, é assim...!!!

 
 
Fonte: Recebido por email

Contos Moçambicanos - Volume I (Março 1978 - Maputo)

Lisboa - Praça da Figueira e Praça D. Pedro IV


Cacilhas na Margem Sul do Rio Tejo


25 de Abril: Cavaco impressionado com ignorância dos jovens



O Presidente da República, Cavaco Silva, mostrou-se hoje «impressionado» com a ignorância de muitos jovens sobre o 25 de Abril e o seu significado e denunciou uma «notória insatisfação» dos portugueses com o funcionamento da democracia.
 
No seu discurso na sessão comemorativa do 25 de Abril, no Parlamento, Cavaco Silva divulgou extractos de um estudo que mandou realizar sobre o alheamento da juventude face à política, e atribuiu parte da responsabilidade aos partidos políticos.
 
O Presidente considerou «não ser justo» para aqueles que se bateram pela liberdade, tantas vezes arriscando a própria vida, que a geração responsável por manter viva a memória de Abril persista em esquecer que a revolução foi um projecto de futuro.
 
«Os mais novos, sobretudo, quando interrogados sobre o que sucedeu em 25 de Abril de 1974 produzem afirmações que surpreendem pela ignorância de quem foram os principais protagonistas, pelo total alheamento relativamente ao que era viver num regime autoritário», declarou o Chefe de Estado perante o hemiciclo.

Otelo Saraiva de Carvalho: precisamos de um homem honesto como Salazar



Otelo Saraiva de Carvalho acredita que Portugal precisa "de um homem com inteligência e a honestidade do ponto de vista do Salazar" para resolver a crise que atravessa.

Em entrevista ao "Jornal de Negócios", o "capitão de Abril" sublinhou que "precisávamos de um homem com inteligência e a honestidade do ponto de vista do Salazar, mas que não tivesse a perspectiva que impôs, de um fascismo à italiana (...) Alguém que fosse um bom gestor de finanças, que tivesse a perspectiva de, no campo social, beneficiar o povo, mesmo e sobretudo em detrimento das grandes fortunas".

Otelo Saraiva de Carvalho elogia o que se fez a seguir à revolução "ao nível da educação, da saúde".
"Houve um rápido crescimento do nível económico das populações a seguir ao 25 de Abril à custa das reservas de ouro que o forreta do Salazar tinha amealhado no Banco de Portugal, mas depois, esgotada essa possibilidade, a coisa começou a entrar em dificuldades", salientou.

Fonte: Diário de Notícias, 21 de Abril de 2011

França: Otelo Saraiva de Carvalho "conta" o 25 de Abril à comunidade portuguesa de Lyon



Lyon, 28 Abr (Lusa) - Durante mais de duas horas, de pé, dando mostras de uma vitalidade extraordinária, Otelo Saraiva de Carvalho falou a uma plateia de 50 pessoas em Feyzin, França, sobre a história da ditadura portuguesa e as motivações dos capitães que realizaram o 25 de Abril.
 
O ex-dirigente do MFA voltou a sublinhar que até ao 25 de Abril nunca tinha "ouvido falar de Álvaro Cunhal" e que os civis (os partidos políticos), não foram envolvidos no derrube da ditadura para não comprometer as hipóteses de sucesso da acção militar.
 
Do descontentamento dos oficiais em relação à guerra em África, ao papel da CIA no 25 de Novembro, o antigo dirigente do MFA transmitiu ao público, com entusiasmo e minúcia, a orquestração do golpe militar e os momentos-chave da revolução de Abril, sem esquecer o papel dos emigrantes na história da ditadura portuguesa.
 
"Salazar fechava os olhos à saída das pessoas para os Estados Unidos, o Canadá, a Suíça, a Alemanha e a França porque precisava das remessas dos emigrantes para a guerra", disse
 
A mesa-redonda decorreu no Centro Leonard de Vinci, em Feyzin (Lyon, França).
 
Otelo Saraiva de Carvalho deslocou-se ao local a convite da Associação Cultural dos Portugueses de Feyzin, em parceria com o Instituto Camões, o Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra e o Instituto de Língua e Cultura Portuguesa (Lyon).
 
Na mesma sala, foram inauguradas três exposições sobre o 25 de Abril trazidas pelo Instituto Camões e pelo Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra.
 
Fonte: Expresso, 27 de Abril de 2008

30 de março de 2015

Ler (José Craveirinha) uma belíssima poesia nossa irmã (Isabel Pires de Lima)



José Craveirinha, poeta moçambicano recentemente falecido, aos 80 anos, é uma das vozes fundadoras da literatura moçambicana. Xigubo(1964) foi o seu primeiro livro, logo apreendido pela PIDE, ao qual se seguiram muitos outros de que se destaca Karingana ua Karingana, Cela 1, Maria. Muito premiado nacional e internacionalmente (prémio Camões em 1991), foi um embaixador da literatura moçambicana no mundo.
 
A sua poesia canta a revolta, a raiva, o amor, a solidariedade e faz a denúncia frontal da injustiça social e racial, como testemunham estes versos do poema "Grito negro":
 
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha
Combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.

PCP foi "tragédia" no processo de descolonização - Pacheco Pereira



O historiador português José Pacheco Pereira considera que a intervenção do PCP em Portugal e junto dos movimentos independentistas nas ex-colónias portuguesas em África foi "trágica" para a história recente desses países.
 
Pacheco Pereira considera que "a herança, quer do colonialismo, quer do PCP, enquanto partido comunista nas colónias portuguesas, é de facto trágica".
 
Numa palestra subordinada ao tema "As relações dos movimentos de libertação com a oposição portuguesa", Pacheco Pereira defendeu ainda que um debate desapaixonado sobre a história recente pressupõe a emergência de uma "nova geração" e a abertura dos arquivos do PCP e de partidos como a FRELIMO (Moçambique) e MPLA (Angola).

Um pedaço de terra prometida em Cabo Delgado - A Mina do Pai Tomás



Escrito por Carnício Fijamo colaboração da Unidade de Jornalismo Investigativo (em formação).

Poeira, poluição sonora, álcool, suruma, prostitutas, uma babilónia de línguas fazem de Namanhumbir um local único em Moçambique. O comércio funciona sem parar, o garimpo do rubi traz os jovens de olhar incandescente e muita força nas pernas para fugir às balas da polícia. A internet celebra as gemas vermelhas de Montepuez e diz que elas vão destronar rapidamente as pedras asiáticas.

Em circunstâncias normais,  Nanhupo seria apenas uma curva no alcatrão impecável que liga Montepuez a Pemba, na nortenha província de Cabo Delgado. Porém, a “febre do rubi” transformou este bocado de estrada num dos postos comerciais mais exuberantes do país.

Os moçambicanos vêm de todo o lado. Mas há também forasteiros. Da Tanzânia, sobretudo, mas também da Guiné, do Senegal, do Mali, dos Grandes Lagos. Em cada barraca explodem os decíbeis da aparelhagem, chamariz da clientela. Há televisão por satélite, para ver os jogos do Mundial de futebol. Quem quer sentar paga cinco meticais. Há peixe seco, peixe frito, nipa de cana, galinha, roupa xicalamidade, suruma e haxixe.

Nas Águas do Tempo (Mia Couto)



Meu avô, nesses dias, me levava rio abaixo, enfilado em seu pequeno concho. Ele remava, devagaroso, somente raspando o remo na correnteza. O barquito cabecinhava, onda cá, onda lá, parecendo ir mais sozinho que um tronco desabandonado.
 
- Mas vocês vão aonde?
 
Era a aflição de minha mãe. O velho sorria. Os dentes, nele, eram um artigo indefinido. Vovô era dos que se calam por saber e conversam mesmo sem nada falarem...
 
- Voltamos antes de um agorinha, respondia.
 
Nem eu sabia o que ele perseguia. Peixe não era. Porque a rede fica amolecendo o assento. Garantido era que, chegada a incerta hora, o dia já crepusculando, ele me segurava a mão e me puxava para a margem. A maneira como me apertava era a de um cego desbengalado. No entanto, era ele quem me conduzia, um passo à frente de mim. Eu me admirava da sua magreza direita, todo ele musculíneo. O avô era um homem em flagrante infância, sempre arrebatado pela novidade de viver.