22 de setembro de 2013

Moçambique: Descobertas importantes pinturas rupestres em Nampula


Duas novas pinturas rupestres acabam de ser descobertas em locais diferentes do interior do distrito de Mecubúri, província de Nampula, norte de Moçambique.

O jornal Notícias, que reporta a descoberta, refere que as referidas pinturas foram achadas graças à colaboração das comunidades locais, sendo que as mesmas reflectem essencialmente o valor que o Homem da sociedade primitiva reservava à gastronomia baseada em produtos agrícolas locais.

Àqueles achados foram dados os nomes de Tchahulo e Namulempwa, locais que distam da vila-sede distrital cerca de sete e 48 quilómetros, respectivamente. Há cerca de uma década tinham sido descobertas as pinturas de Chakota.

O matuto Noticias cita Manuel Pedro, chefe da Repartição Cultural e Desporto no Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia no distrito de Mecubúri, a dizer que a leitura que se faz ainda a respeito das pinturas ora descobertas naquela região interior de Nampula conclui que o Homem primitivo vinha desenvolvendo desde a sua existência esforços próprios para produzir os seus instrumentos agrícolas.

Esta reflexão baseia-se no facto de terem sido encontrados metais e pedra de um tipo que reúne características de serem resistentes, os quais foram usados para produzir instrumentos que possam ajudar a trabalhar a terra sem danos físicos, sobretudo membros superiores do homem.

“Confirma, de acordo com estudos preliminares realizados por técnicos do sector da cultura, entre outros, que a agricultura foi uma das primeiras actividades desenvolvidas pelo Homem visando garantir a sua sobrevivência num distrito iminentemente agrário, tendência que até nos dias de hoje prevalece no seio das comunidades, o que o torna um dos maiores produtores da província e nacional, sobretudo, na cultura do algodão”, referiu Manuel Pedro àquele jornal.

Figuras de produtos agrícolas alimentares como o cogumelo, mandioca, entre outros tubérculos, incluindo cereais, estão patentes nas pinturas rupestres de Tchahulo e Namulempwa.

Estão igualmente reflectidas naqueles locais pinturas de peles de animais ainda por descortinar, um facto que dá conta que a caça vinha sendo praticada com o intuito de o Homem se alimentar da sua carne e usar a pele dos animais que abatia para vestir.

Reforça essa convicção o facto de estarem expostas nas grutas instrumentos de caça e defesa em caso de guerra entre os homens, quer com animais considerados ferozes, flechas e azagaias, incluindo outros cuja utilidade está ainda por estudar.

Mecubúri, importa lembrar, é o distrito onde se localiza a maior reserva florestal e faunística do país. Confirma-se a existência até ao momento naquele local de animais como leões, leopardos, elefantes, além de gazelas, changos, macacos, cuja caça é feita de forma ilegal.

As pinturas rupestres ora descobertas permitem apurar que os primitivos já sentiam a necessidade de identificar instrumentos para avaliar monetariamente os produtos agrícolas, entre outros bens valiosos destinados à comercialização, porque nas cavernas foram identificadas pinturas nas paredes que reflectem números aritméticos.

Como forma de tirar proveito da sensibilidade que as comunidades demonstram com os locais históricos culturais que o distrito possui, as entidades distritais da Educação, Juventude e Tecnologia de Mecubúri mobilizam os jovens a desenvolver trabalhos que se traduzem na preservação das pinturas rupestres, sendo de destacar a abertura e manutenção das vias de acesso.

Para o efeito, foram criados núcleos que contam com jovens de ambos os sexos, os quais são dirigidos por anciãos e líderes tradicionais que assumem o papel de explicar aos estudantes universitários assim como aos turistas que escalam a região com o propósito de tomar conhecimento da realidade histórica ali patente, sobre a descoberta das pinturas rupestres sobre as quais fazem algumas interpretações empíricas.

Fonte: RM, 20 de Setembro de 2013