8 de março de 2026

República Popular de Moçambique: Durante o “Apartheid” John McCain Apoiou a Renamo (28 de Outubro de 2008)

 



O candidato republicano à  presidência dos Estados Unidos, John McCain, foi defensor da Renamo, apoiado pelo regime do “apartheid”, na década de 1980, numa altura em que mesmo a administração republicana de Ronald Reagan recusou-se a ter qualquer ligação com a Renamo, devido ao seu comportamento terrorista.
 
O prestigiado "site" americano, “The Huffington Post” trouxe à superfície os registos da votação de McCain durante a década de 1980, revelando que este candidato foi um dos senadores que se juntou ao notório racista da Carolina do Norte, Jesse Helms, na tentativa de bloquear a nomeação de um novo embaixador para Moçambique e exigindo que a administração norte-americana mantivesse conversações incondicionais com a Renamo.

Apesar da sua tentativa de derrubar os governos de Esquerda em Angola, Nicarágua e Afeganistão, a administração de Ronald Reagan não seguiu a mesma política em relação a Moçambique, em parte porque o comportamento sanguinário da Renamo era bastante conhecido nos Estados Unidos.

A pior atrocidade da guerra, quando a Renamo massacrou 424 civis na vila de Homoine, sul do país, em 18 de Julho de 1987, foi testemunhada por um missionário Mennonita norte-americano, Mark van Koevering. Os seus relatos de como combatentes da Renamo “mataram doentes hospitalizados e entoavam slogans políticos enquanto matavam crianças”, foram amplamente divulgados nos media norte-americanos.

No ano seguinte, não foi um marxista revolucionário mas um funcionário do Departamento do Estado norte-americano, Roy A. Stacey, na época sub-secretário de Estado adjunto para os Assuntos Africanos, que considerou a Renamo culpada de “um dos mais brutais holocaustos contra os seres humanos desde II Guerra Mundial. Esta linguagem era extremamente forte, dado que no discurso político americano o termo “holocausto”' é geralmente reservado para descrever o genocídio nazi contra judeus europeus.

Então, uma administração republicana, altamente conservadora, decidiu que havia limites para o anti-comunismo, e que não iria apertar mãos tão cheias de sangue como as dos dirigentes da Renamo. Mas havia uma minoria republicana no Senado que queria que Reagan apoiasse a Renamo - e o “Huffington Post” indicou que John McCain foi um deles.

Jesse Helms liderava os apoiantes da Renamo no Senado, e eles viram uma oportunidade em 1986, quando o posto de embaixador norte-americano em Moçambique estava vago. A administração Reagan propôs para o cargo a diplomata de carreira Melissa Wells. Mas ela apoiou a política da administração de manter boas relações com o Governo da Frelimo e de não reconhecimento da Renamo.

O cargo de embaixador tem de ser aprovado pelo Senado, mas Jesse Helms arranjou uma forma eficiente de obstruir a confirmação no Senado e adiar por um ano que Melissa Wells apresentasse as suas cartas credenciais em Maputo. Ela foi nomeada em Outubro de 1986, mas só a 10 de Setembro de 1987 é que o Senado, finalmente, confirmou a sua nomeação.

Nessa altura, o massacre de Homoine tinha sido amplamente divulgado, e a maioria dos senadores não queria saber da Renamo. Eles não aceitaram as alegações absurdas de que o massacre tinha sido cometido por zimbabweanos ou que foi uma invenção da Frelimo. Vinte e quatro senadores opuseram-se à  nomeação de Melissa Wells - e John McCain foi um deles. Ele votou contra o encerramento do debate sobre a nomeação de Melissa Wells e contra a confirmação desta como embaixadora.

Um mês depois, Jesse Helms introduzia uma emenda à uma lei da autorização do Departamento do Estado que teria forçado o Secretário de Estado (George Schultz) a se encontrar com a Renamo sem quaisquer pré-condições. Outros republicanos consideraram isso um absurdo, e o senador John Danforth moveu com sucesso uma moção para eliminar a emenda de Jesse Helms. 

Entre os que votaram contra a moção do senador John Danforth consta John McCain.

Algumas pessoas podem argumentar que isto tudo ocorreu há muito tempo e a Renamo já não é uma organização terrorista, mas um partido político respeitável com 90 assentos no parlamento moçambicano. É verdade - mas são John McCain e Sarah Palin, parceira de corrida eleitoral, que fizeram do lidar com terroristas um assunto da campanha eleitoral americana.

O autor do artigo do “Huffington Post”, Jacob Alperin-Sherif, assinalou que “o apoio de McCain à Renamo contradiz directamente os seus ataques ao adversário Barack Obama por ter “trabalhado em estreita colaboração com o terrorista Bill Ayers” e por se ter “comprometido a reunir-se, sem condições prévias, com os líderes do Irão, Síria, Venezuela, Cuba e Coreia do Norte.”

Bill Ayers foi um membro da “Weather Underground”, um pequeno grupo terrorista que esteve activo nos Estados Unidos entre 1969 e 1973, quando Barack Obama era criança. Décadas depois, quando Bill Ayers já não era activo na política radical e tornou-se professor de educação, ele e Barack Obama trabalharam no conselho de administração de um grupo anti-pobreza, em Chicago.

Enquanto John McCain votou a favor da Renamo no Senado, em nenhum momento Barack Obama votou a favor da “Weathermen” ou nas suas tácticas.

Barack Obama foi certamente criticado por propor encontros incondicionais com governos considerados apoiantes do terrorismo, tais como os regimes sírio e norte-coreano. Mas Barack Obama também afirmou claramente que ele não favorece encontros com organizações terroristas não-governamentais, tais como o Hamas, da Palestina. Ele foi bastante específico – o Governo dos Estados Unidos não deveria falar com o Hamas 'até que renuncie ao terrorismo'.

Então, Barack Obama não irá dirigir o Governo dos Estados Unidos a uma reunião com o Hamas, mas John McCain queria a administração Ronald Reagan mantendo conversações incondicionais com a Renamo.

Qual dos candidatos realmente "lida com terroristas"?

República de Moçambique: Finalmente Estátua de Samora Moisés Machel Será Erguida, em Sofala na Cidade da Beira (31 de Outubro de 2008)


A  Estátua  de Samora Machel, primeiro presidente de Moçambique independente, perecido há 22 anos num acidente aéreo em Mbuzini, na África do Sul, será finalmente erguida dentro em breve na capital de Sofala, Beira, garantiram ao nosso Jornal as autoridades governamentais da província. António Máquina, secretário permanente daquele ponto do país, disse que todo o processo referente à edificação do memorial está a ser encaminhado, indicando que até ao fim deste ano termine a primeira fase, ficando a conclusão das obras prevista para o próximo ano.

A necessidade da imortalização daquele herói nacional através duma estátua na Beira criou nos finais do ano passado um fervoroso debate político naquela urbe, com a Renamo, o partido que governa aquela autarquia, a desvalorizar a intenção do Governo e a Frelimo a defender que se criasse um espaço nobre para a sua edificação. 

A Frelimo, partido que se encontra na oposição na autarquia da Beira, defendia que a projectada estátua fosse colocada ao longo da entrada do centro da cidade, concretamente no bairro Vaz. A alegação assentava no facto daquele lugar permitir que qualquer cidadão que fosse a entrar no centro da urbe pudesse visualizar o busto e aí despertar mais curiosidade sobre esta figura.

Por seu turno, a Renamo, que nem sequer queria que a estátua de Samora Machel  fosse erguida na Beira, mais tarde atrelou-se à decisão do presidente do município, Daviz Simango, ao designar a Praça de Independência, no bairro da Ponta-Gêa, para acolher o busto do primeiro presidente de Moçambique, cujas obras, como dissemos, estão para breve.

António Máquina desvalorizou a intenção daqueles que se opunham à construção da estátua de Samora Machel, porque, segundo afirmou, a paz, a independência que se vive no nosso país tiveram como percursor  Samora Machel.

“Samora vive e estará sempre connosco aqui. O projecto da construção da estátua em sua memória está a decorrer sem sobressaltos”, garantiu o secretário permanente de Sofala. 

Lourenço Bulha, primeiro secretário da Frelimo e candidato à presidência Município da Beira, disse num breve contacto com o nosso Jornal que o seu partido está a desencadear todo o esforço para que se concretizem as obras da estátua de Samora Machel. Falou da importância de imortalizar a figura de importante personalidade que fez a História do nosso país.

“Samora Machel deve ser imortalizado  para que as crianças de hoje e de amanhã se inspirem nos seus ideais e ensinamentos.

7 de março de 2026

República de Moçambique: Karts Moçambicanos pela 1ª vez num “Mundial” (31 de Ouutubro de 2008)


Um facto histórico! Pilotos nacionais vão pela primeira vez participar num Campeonato Mundial de Karts, que se realizará de 8 a 9 de Novembro próximo, em Alcaniz, na Espanha.

A participação moçambicana é fruto do convite da IAME, uma companhia fabricante de motores de karts filiada à Comissão Internacional da modalidade na Federação Internacional de Automobilismo (FIA-CIK) e baseada em Itália, e que promove anualmente o “Mundial” em Espanha.

O convite foi dirigido ao Automóvel Touring Clube de Moçambique (ATCM) em Julho último e também ao Motor Sport da África do Sul. São igualmente seis pilotos sul-africanos que participarão no evento, que têm como patrono o piloto espanhol da Fórmula 1 Fernando Alonso.

A selecção, a ser dividida por duas equipas, é composta por seis pilotos, dos quais se destacam Mauro Costa, da classe dos 125 Max Challenge, que é o mais cotado nesta prática. Para além de Mauro Costa, merece especial atenção a presença de Rui Vilela, também dos 125 Max Challenge e que actualmente está em Portugal a estudar. Mauro Costa e Rui Vilela conquistaram a 6ª e 7ª Provas Internacionais de Karts, envolvendo pilotos nacionais e sul-africanos, em Abril e Julho último, respectivamente.

Rui Vilela vai se juntar à selecção na capital espanhola, Barcelona, saído de Lisboa. Na companhia de Rui Vilela estará o piloto Pedro Perino, também dos 125 Max Challenge, que deixa Maputo amanhã em direcção a Lisboa. 

Os outros componentes da lista são Bruno Campos, Cláudio Ferreira, todos dos 125 Max Challenge, e Gitanila de Matos, única feminina e que entrará nas competições dos 125 Max Júnior. Estes juntar-se-ão à delegação sul-africana em Joanesburgo, onde farão a ligação para Barcelona.

A selecção já se prepara individualmente há sensivelmente três meses. Aliás, a confirmação da participação moçambicana só foi possível graças ao apoio concedido pelo Governo, através do Fundo de Promoção Desportiva (FPD), e parceiros. O FPD assegurou passagens para a selecção. Porém, isso não foi suficiente, pois os pilotos tiveram que individualmente encontrar parceiros para suportar as despesas de  alojamento, alimentação e inscrição.

República de Moçambique: Cultura Moçambicana no Brasil (31 de Outubro de 2008)



A cidade de Brasília, capital brasileira, vai acolher de 6 a 9 de Novembro próximo a semana cultural de Moçambique, uma acção promovida pela embaixada moçambicana naquele país da América Latina, em parceria com a Cine-Vídeo e a Soico.

Ao Brasil desloca-se a artista plástica Chica Sales, que vai levar para expor doze quadros de óleo sobre tela, dois feitos em tinta de china sobre papel, quatro aguarelas e dois lápis. No campo musical e da dança tradicional e moderna conta-se com a participação do conceituado saxofonista moçambicano Moreira Chonguiça e do agrupamento de canto e dança Milorho.

Haverá, por outro lado, a exposição de capulanas como forma de mostrar a sua influência cultural em Moçambique e no resto do mundo. Neste campo, a artista Suzeth Honwana irá exibir as suas bonecas produzidas à base da capulana.

No que diz respeito à literatura, o escritor Calane da Silva, que é curador do evento, vai lançar o seu último livro, intitulado “Nhembêti ou a Cor da Lágrima”, estando prevista a projecção de filmes documentários produzidos por cineastas moçambicanos, e far-se-á uma exposição gastronómica moçambicana, destacando-se os pratos tradicionais.

Ao realizar-se este evento pretende-se promover a cultura moçambicana no Brasil, reforçando os laços de amizade e de cooperação, fazendo das artes e cultura um pretexto para a exaltação da cultura, cimentando ainda mais a ideia de que ela não tem fronteiras.

Num outro prisma, a ideia é aproximar os povos moçambicano e brasileiro, mostrando o que há de bom, ao mesmo tempo que se vai promover as diferenças e as semelhanças, trocando experiências sobre vários aspectos da vida sócio-cultural e massificando a História de Moçambique e do Brasil.

República de Moçambique: Mia Couto e Lizha James felicitados pelo Ministério da Educação e Cultura (28 de Outubro de 2008)



O escritor Mia Couto e a jovem cantora Lizha James foram felicitados pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC), em virtude dos galardões recebidos no estrangeiro.

Mia Couto foi galardoado em Espanha com o prémio de notoriedade internacional Rosália de Castro, atribuído pelo Pen Clube de Galiza. O romancista e poeta moçambicano é o primeiro africano a ser distinguido com este prémio.

A jovem cantora Lizha James foi distinguida pela terceira vez consecutiva com o prémio de melhor voz feminina no Chanel Music Video Awards 2008, com o clip da música “Nita Mukuma Kwin”.

No comunicado de saudação a estes artistas, o MEC diz que endereça as suas felicitações, ao mesmo tempo que os reconhece como grandes fazedores e promotores da cultura moçambicana.

Diz ainda que aquela instituição governamental reconhece o incontestável papel de artistas de diferentes expressões artísticas, que, com a sua criação e talento, difundem mensagens de reconstrução social, contribuindo na divulgação do património cultural imaterial moçambicano, dentro e fora do país e em diferentes cenários e épocas.

Afirma que o reconhecimento internacional dos nossos fazedores de arte valoriza e engrandece a arte e cultura moçambicanas, “orgulho de todos os moçambicanos”, lê-se.

“As artes contribuem na promoção da expressão da identidade do povo moçambicano e na projecção da imagem do país no exterior, bem como no reforço do amor pátrio e do espírito de solidariedade”, afirma no documento o ministério.

Num outro ponto descreve que o artista, individual ou colectivamente, desempenha um papel de extrema importância na educação das comunidades, na mobilização dos cidadãos para as tarefas de reconstrução e desenvolvimento nacional, e, sobretudo, na criação de um ambiente de cultura de paz, concórdia, harmonia social, democracia e respeito pelos direitos humanos, bem como na divulgação da diversidade cultural.

“A criação e a interpretação artísticas são um meio privilegiado para promover e melhorar a comunicação e o diálogo permanente entre os vários estratos da nossa sociedade”, escreve o Ministério da Educação e Cultura.