13 de fevereiro de 2012

Moçambique: Portugueses tentam saída para a crise num "país de oportunidades"

 

Todos os meses chegam mais portugueses a Moçambique, tentando num país em grande crescimento a saída para a crise na Europa. Segundo a cônsul-geral de Portugal em Maputo, Graça Gonçalves Pereira, actualmente "há mais chegadas de portugueses a Moçambique, mas é um movimento que não começou agora, já se verifica desde 2010".

Maputo, 13 fev (Lusa) - Filipa Botelho veio "por muita sorte", em 2010, realizar um estágio em Moçambique e, em apenas um ano, criou a sua empresa, resultado da experiência profissional colhida em Portugal, onde "as coisas estão más" devido à crise.

Todos os meses chegam mais portugueses a Moçambique, tentando num país em grande crescimento a saída para a crise na Europa. Segundo a cônsul-geral de Portugal em Maputo, Graça Gonçalves Pereira, atualmente "há mais chegadas de portugueses a Moçambique, mas é um movimento que não começou agora, já se verifica desde 2010".

Desde há dois anos, o ritmo de entradas no país duplicou, refere a cônsul, ilustrando a afirmação com os cerca de 120 a 140 registos por mês no consulado, contra as 60 a 80 inscrições que se verificavam anteriormente aquele ano. "Podemos dizer que atualmente chegam pessoas com todos os perfis e para todos os tipos de atividade", que se instalam não só em Maputo, disse à Lusa Graça Gonçalves Pereira. De acordo com diversas estimativas, 25 mil portugueses vivem Moçambique, a maioria na capital do país.

Filipa Botelho, 28 anos, formada em Design Gráfico chegou à capital moçambicana, Maputo, no âmbito do INOV-Art, um programa de estágio no estrangeiro, promovido pelo extinto Ministério da Cultura português.

Quando concorreu ao programa não teve opção de escolher nem o país, nem a empresa onde iria estagiar, mas "por muita sorte" foi parar a Moçambique.

"Olhando para a minha experiência profissional em Portugal, sinto-me mais realizada profissional e pessoalmente em Moçambique", afirma.

"Confesso que nunca pensei ter uma empresa nesta idade. Oficialmente abri a minha empresa em dezembro", aliás, "foi a minha prenda de Natal a mim mesmo, quando recebi o alvará", conta, sorridente.

Fonte económica local disse à Lusa que o número empresas portuguesas "tem vindo a aumentar" no país.

"A grande afluência tem sido as empresas de construção civil, metalomecânica, imobiliária e hidráulica, ramos de atividades muito ligados aos investimentos necessários para o desenvolvimento de Moçambique", disse a mesma fonte.

A situação de crise em Portugal está, no entanto, a forçar milhares de portugueses a saírem do país em busca de novas oportunidades, uma recomendação do próprio governo português.

A crise não é, no entanto, a única razão para se emigrar, como foi o caso de Filipa Pais de Sousa, de 32 anos, formada em publicidade e marketing.

"Sempre quis morar fora de Portugal", porque é um país "com pouca visão, abertura de pensamento, pequenez nalgumas coisas, pouca ambição em determinados projetos, ações e ideias", diz Filipa Pais de Sousa.

Porém, a jovem portuguesa não sabe dizer se Moçambique é o tal lugar "melhor ou pior", porque está no país apenas há um mês.

"Comparativamente, Portugal está parado. A sensação que tenho é essa. Moçambique não, está em movimento. E se está em movimento, as pessoas entram num barco, ou numa carruagem, ou no que for que imprime este movimento e seguem com ele. Se não estamos satisfeitos com o que temos, devemos mudar", diz.
O português Eduardo Lemos Rodrigues, por exemplo, abraçou o ramo hoteleiro, há oito anos, em Chimoio, a capital de Manica, no centro de Moçambique, na perspetiva do negócio ser viável pela estabilidade económica do corredor da Beira, mas o cenário viria a inverter-se com a crise económica do Zimbabué, que influenciou a redução do negócio.

Mas, agora, a presença de alguns portugueses, que também chegam à capital de Manica, tornou mais movimentado o Paraíso Tropical o seu restaurante e bar

"O número de clientes tem recuperado", garante o empresário português Eduardo Lemos Rodrigues.

MMT
Lusa/Fim, 13 de Fevereiro de 2012