4 de agosto de 2012

Os Políticos-Jota (Pires Cabral)



Falar de qualquer coisa jota lembra irresistivelmente os famigerados vagões-jota, que noutros tempos – os tempos em que tínhamos comboios a circular nas nossas linhas – transportavam mercadorias e, se preciso fosse, gente também (coisa que ei cheguei a ver, com estes dois que a terra há-de comer), e que inspiraram o título do (talvez) último romance neo-realista de Vergílio Ferreira.

Mas não é de vagões-jota que quero falar agora, nem de qualquer outra coisa com rodas; é de uma coisa com pernas: políticos. (Se bem que estes, em matéria de rapidez, ultrapassem de longe os ronceiros e saudosos vagões-jota, como se tem visto e demonstrado todos os dias.)

Quem como eu já escreveu bem para cima de um milheiro de crónicas provavelmente já teve ocasião de falar de tudo e mais alguma coisa.

Este caso da licenciatura de Miguel Relvas – que cheira tão mal ou pior do que a de José Sócrates – já andava prefigurado numa crónica minha de há mais de vinte anos atrás, de que já perdi o rasto, mas me lembra que fazia uma previsão sombria sobre o comportamento dos futuros homens de estado e de partido. Dizia eu então que a qualidade humana e ética dos políticos vinha decrescendo a olhos vistos. Em vez de uma cultura de serviço público instalava-se insidiosamente uma cultura de carreirismo. Pessoal. E concluía qualquer coisa como isto: quando chegar a altura de essa rapaziada das jotas tomar o poder, passarão a reinar o oportunismo, o cambalacho, as promiscuidades duvidosas, os golpes palacianos, o arranjismo, o erigir das ambições pessoais em fim último da política.

Era pouco mais ou menos isto que eu dizia, por outras palavras, bem entendido.

De facto as jotas, aconchegadas aos partidos de que mamaram ma ronha, foram – com excepções, evidentemente – uma escola de políticos talvez competentes (no sentido de capazes de atingirem os seus fins, que todavia não eram, como deixo dito, de uma brancura angélica), mas seguramente dúbios humana e eticamente.

Pois bem: as minhas previsões estão a mostrar-se certeiras. A hora da rapaziada das jotas chegou. Há por aí a circular uma geração de políticos oriundos das jotas que não me deixa mentir. Cumprido o rito de passagem, ei-los a ocupar os mais variados lugares da administração pública, onde deixam demasiadas vezes impressa a dedada do pecado original da sua formação partidária e da sua concepção da política, em cujo topo estão a busca da eficiência e de resultados a todo o custo – e quando se diz ‘ a todo o custo’ tem-se em mente toda uma série de manigâncias, cumplicidades, compadrios, golpes baixos, em suma.

Não sei se José Sócrates e Miguel Relvas pertenceram às jotas respectivas (por acaso até me está lembrar que julgo ter lido algures que Sócrates debutou na JSD, mas não tenho à mão meios de o confirmar). Mas de alguma forma eles constituem o tipo do jovem político-jota. São eficientes, disso não restam dúvidas. Mas a sua eficiência deixa um rasto de situações equívocas, rabos-de-palha, irregularidades, vícios de carácter que se vão somando até que o cidadão comum, que ainda acredita que a política pode ser construída segundo outros padrões e sobre outros alicerces, sente uma náusea pior do que a sentia Sartre quando se interrogava sobre o sentido da existência.

Pires Cabral

Repórterdomarão, 22 de Julho de 2012
Nota: Este texto foi escrito com deliberada inobservância do Acordo (?) Ortográfico.

Imaginem se Portugal tivesse mar (José Mena Gomes)



Os dados mais recentes do Instituo Nacional de Estatística (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo/Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores portugueses. Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco. Uma ONU do ultracongelado. Eu explico. Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia, sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji, abrótea do Haiti? Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico.Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz. E é desagradável constatar que o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos fazer durante todo o ano. Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir polvo marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: “tem polvo marroquino?”, sem olhar à volta e ver se vem lá polícia. “Queria quinhentos de polvo marroquino” – tem de ser dito em voz mais baixa e rouca. Acabei por optar por robalo de Chernobyl para o almoço. Não há nada como umas coxinhas de robalo de Chernobyl.Eu, às vezes penso: o que não poupávamos se Portugal tivesse mar…

José Mena Gomes
O Crime, 12 de Julho de 2012

A Constituição suspensa (Luis Menezes Leitão)

O corte de salários e pensões é inconstitucional, não apenas pela discriminação que envolve, mas sobretudo porque a Constituição não admite o confisco. Aos funcionários e pensionistasforam confiscados créditos sobre o Estado, com a agravante de tal ter sido feito por não fazerem parte da base eleitoral do governo. Não houve lei mais injusta na história da democracia portuguesa.

Mas, na jurisprudência vaga que habitualmente pratica, que lhe permite defender tudo e o seu contrário, o Tribunal Constitucional, depois de ter inicialmente legitimado esses cortes, veio agora a proibi-los, com a originalidade de o fazer apenas para o ano. Temos assim que, perante uma lei inconstitucional, o Tribunal Constitucional prefere deixá- -la em vigor um ano e suspender antes a Constituição. Que centenas de milhares de cidadãos sejam privados inconstitucionalmente dos seus direitos em 2012 é algo que pelos vistos não interessa ao Tribunal Constitucional.

Mas é capaz de interessar aos verdadeiros tribunais deste país. O art. 15º da Lei 67/2007responsabiliza o Estado, obrigando-o a indemnizar os lesados em caso de aprovação de leis contrárias à Constituição. Com esta declaração de inconstitucionalidade, ficou assimconstituído o Estado em responsabilidade civil. Esperemos que os nossos tribunais tirem daí as devidas consequências e sejam eles a proteger a Constituição.

Luís Menezes Leitão
ionline, 10-07-2012

Lusófona: Relvas e Damásio são irmãos na Maçonaria


O ministro e o administrador da universidade pertencem à mesma obediência maçónica, o grande Oriente Lusitano

Miguel Relvas e Manuel Damásio, presidente do Conselho de Administração da Universidade Lusófona, pertencem ao Grande Oriente Lusitano (GOL). No momento em que o então deputado do PSD entrou na universidade já faziam ambos parte da maior obediência maçónica portuguesa. Miguel Relvas frequentava a loja Universalis, a que ainda hoje pertence. Manuel Damásio estava numa loja em que se encontravam também outros elementos da Universidade Lusófona.

Essa loja sofreu entretanto uma cisão interna, tendo dado origem a outras de dimensão mais reduzida. É numa delas que se encontra Manuel Damásio, juntamente com alguns professores daquela instituição de ensino superior. Em resposta a uma pergunta da SÁBADO, Miguel Relvas diz apenas que nunca se encontrou com Manuel Damásio em eventos maçónicos, mas não nega a pertença à organização. A loja Universalis é considerada a mais poderosa do GOL. Nos seus quadros estão empresários e políticos de todos os quadrantes. A Universalis tem relações privilegiadas com a influente loja Mozart, da Grande Loja Legal de Portugal (a outra obediência existente em Portugal), a que pertencem, entre outros, o ex-espião Jorge Silva Carvalho, Nuno Vasconcellos, presidente da Ongoing, Luís Montenegro, líder parlamentar do PSD, e vários elementos dos serviços secretos. As duas lojas chegaram a reunir regularmente em jantares no restaurante Vela Latina, em Lisboa, no sentido de concertarem esforços de aproximação das duas maçonarias.

A SÁBADO apurou que vários membros da loja Mozart são professores na Universidade Lusófona. Fontes ligadas à instituição garantiram à SÁBADO que esta “é uma universidade maçónica”, que acolhe numerosos membros das duas maiores obediências nacionais. Esse facto provoca incómodo junto de uma parte do corpo docente, que neste momento não esconde a sua insatisfação com a forma como esta polémica tem exposto os métodos de atribuição de equivalências praticados na universidade.

Fernando Esteves, Nuno Tiago Pinto e Vítor Matos
Sábado, 12-07-2012

23 de julho de 2012

Porto: Painel de Malangatana no Hospital de São João


O pintor moçambicano fez em 2006 uma pintura para decorar o Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental da instituição

O Hospital de São João, no Porto, vai passar a ter uma nova obra de arte nas suas instalações, a acrescentar às muitas que já aí se encontram. Trata-se de um painel do pintor moçambicano já desaparecido Malangatana (1936-2011), que doi desenhado expressamente para decorar uma parede do Serviço de Psiquiatria do hospital, num gesto de agradecimento pela formação dos jovens médicos e psiquiatras daquele país africano.

Itália: Mona Lisa está a ser procurada em Florença



Três novas tumbas com vários esqueletos foram postas a descoberto no Convento de Sant'Orsola, em Florença, Itália, após vários meses de interrupção de trabalhos.

Os arqueólogos no local acreditam que podem estar ali os restos mortais de Lisa Gherardini (1479-1542), a mulher de um mercador de sedas também conhecida colo Lisa del Giocondo, que terá servido de modelo para a famosa tela A Gioconda, de Leonardo da Vinci.

Público, 19 de Julho de 2012

Não ao Desacordo Ortográfico, «néscio e grosseiro»!



DESACORDO ORTOGRÁFICO

Já não é só o Centro Cultural de Belém - instituição de direito privado, sem tutela pública. Ou Serralves. Ou a Casa da Música. Já não são só a generalidade dos jornais que o ignoram - Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, i, Diário Económicoe Jornal de Negócios, além da revista Sábado.

Já não só os angolanos que se demarcam, ou os moçambicanos. Ou até os macaenses. Sem excluir os próprios brasileiros.

Por cá também já se perdeu de vez o respeitinho pelo Acordo Ortográfico. Todos os dias surge a confirmação de que não existe o consenso social mínimo em torno deste assunto.

Moçambique: Central eléctrica a gás em Ressano Garcia



Foi inaugurada a nova central eléctrica a gás de Ressano Garcia. A inauguração contou com a presença do chefe do Estado Armando Guebuza, que fez questão de assinalar a importância desta central para as necessidades da população, como também do sector empresarial.

Sapo MZ

17 de julho de 2012

Material para polícia é oferecido pela Índia



Índia oferece equipamento policial a Moçambique no âmbito de cooperação entre os dois países.

Sapo MZ

Primeiro-ministro da Coreia do Sul chega a Maputo



Primeiro-ministro da Coreia do Sul Kim Hwang chegou ontem a a Moçambique, e foi recebido pelo seu homólogo, o Primeiro-Ministro, Aires Ali.

Sapo MZ

Obras de reabilitação da Barragem de Nacala, em Nampula



Durante a presidência aberta do Armando Guebuza, o presidente visitou a Barragem de Nacala na província de Nampula que está em obras de reabilitação. A obra está avaliada em 29 milhões de meticais, é financiada pelo MCA, abrangendo os projectos de abastecimento de água bem como a própria reabilitação da barragem.

Sapo MZ

Moçambique: Em Nampula, população local produz álcool tradicional


Produção de Aguardente de Caju vulgo "thonthonto'' em Luluto no distrito de Mogovolas na província de Nampula.

Sapo MZ

Entrega de aeronaves e material de salvamento marítimo de Portugal para Moçambique



O ministro da Defesa Filipe Nyusi brinda à cooperação entre os dois países com o seu homólogo português, José Aguiar Branco, em Maputo, Moçambique, 04 de Julho de 2012. O ministro português faz uma visita oficial de quatro dias a Moçambique, tendo previstos vários encontros com governantes e a entrega de uma aeronave CESSNA e material de salvamento marítimo.

Sapo MZ

História da Carochinha (Fernanda Cachão)



O chamado ‘caso Relvas’ - não esse, o outro, o da questão das habilitações literárias – trouxe a um convívio noticioso mais estreito a figura de Duarte Marques. Nascido em Maio de 1981, licenciado em Relações Internacionais e mestrado incompleto em Relações Internacionais/Assuntos Europeus, Duarte Marques é consultor e é, sobretudo, deputado e líder da JSD.

Através de Duarte Marques ficámos a saber que Miguel Relvas sempre foi transparente acerca das suas habilitações literárias e até "chateia a cabeça às pessoas com alguma veemência para não cometerem o erro que ele cometeu". Ou seja e convém explicar – o de amarem primeiro a política sobre todas as coisas, nomeadamente os estudos.

Através do jovem deputado ficámos também a saber que a culpa deste caso é do ex-ministro Mariano Gago, pois "é preciso pedir explicações a quem aprovou esta lei [de equivalências]". O dirigente da JSD interroga-se até sobre os reais objectivos da lei e por que não foram previstos casos como o do actual ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares.

Isto é o que se chama contar a história da Carochinha pela perspectiva do caldeirão.

Correio da Manhã, 17 de Julho de 2012

Anedotas (João Pereira Coutinho)



Nos últimos dias, é impossível frequentar a internet: a quantidade de anedotas sobre a ‘licenciatura’ de Miguel Relvas é tão elevada que uma pessoa nem consegue trabalhar com o riso.

Só por isto o ministro Relvas merecia uma medalha: por animar um país em depressão com a sua ‘procura do conhecimento permanente e da verdade.’ Claro que, para lá das pilhérias (‘Dá licença?’ ‘Está licenciado.’), existe um problema político sério. Não para Relvas, que obviamente não vê problema algum; mas para o primeiro-ministro.

Por razões que a razão desconhece, Passos Coelho até pode ‘segurar’ o nosso doutor. Mas Relvas será, até ao fim, a anedota permanente deste governo e, pior, a lembrança viva de que a conversa dos ‘sacrifícios’ é um insulto aos portugueses. Sobretudo quando o governo tem na equipa um ministro que pairou acima de qualquer sacrifício para sacar uma reles licenciatura. Para ‘segurar’ Relvas, Passos arrisca-se a perder definitivamente o país.

Correio da Manhã, 15 de Julho de 2012

Por um canudo (João Pereira Coutinho)



Uma pessoa consulta alguns cursos e fica abismada. Animação Turística? Publicidade e Marketing? Restauração e Catering? Longe de mim duvidar da qualidade dos produtos.

Mas se estas coisas existem, por que não um canudo em Carreirismo Partidário, destinado a premiar os anos em que o político nativo rasteja pelas ‘jotas’, ascende aos órgãos directivos e chega a deputado/secretário/ministro? Por acaso os portugueses pensam que isto não dá trabalho?

Uma licenciatura em Carreirismo Partidário seria composta por disciplinas como: Técnicas de Colagem de Cartazes; Introdução ao Megafone; Oratória em Congressos; Jantares de Desagravo; e ‘Uma Lembrancinha para o Sr. Dr.’: Teoria e Prática. Num país decente, nenhum político carreirista teria que andar a mendigar licenciaturas fora da sua área de interesse. Por exemplos presentes e passados, uma universidade só para a espécie devia ser prioridade do dr. Crato.

Correio da Manhã, 13 de Julho de 2012

24 de junho de 2012

Portugal: "Processo, Progresso, Regresso, Retrocesso"




"As Câmaras Municipais estão a colocar as aldeias às escuras, à noite, desligando as luzes para não gastarem energia. Há cinquenta/sessenta anos atrás, as aldeias também não tinham electricidade, nem de noite nem de dia.

Leio nos jornais que a moda deste ano vai ser o espartilho e os "soutiens” feitos de materiais duros, como a corticite. Há cinquenta/sessenta anos atrás, as mulheres usavam espartilho.

Os responsáveis pela Segurança Rodoviária querem instituir a velocidade máxima de 30 km/h. Era o que acontecia há cinquenta/sessenta anos atrás, quando em vez de automóveis havia carroças nas ruas.

Palavras de Salazar em 1932

Mondlane concorreu a presidência da FRELIMO com cartão da UDENAMO



Matola – O combatente da Luta de Libertação Nacional, Lopes Tembe, disse que Eduardo Mondlane, quando se juntou aos combates, teve que concorrer a eleição para a presidência da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) como membro da União Democrática Nacional de Moçambique (UDENAMO).

Falando no simpósio por ocasião dos 50 anos da Frelimo que decorre na cidade da Matola, província de Maputo, Tembe explicou que Mondlane, quando veio a Moçambique, não tinha partido, ou seja, não pertencia a nenhum dos movimentos que existiam e, por essa razão não podia concorrer para a presidência.

Conselho Municipal de Maputo destrói parcialmente uma casa


Conselho Municipal de Maputo destrói parcialmente uma casa na rua Marcelino dos Santos

O caso já leva algum tempo entre a família Dimande e a edilidade, mas os homens de David Simango, decidiram partir para acção e demolir uma parte da casa, para dar lugar a reabilitação da rua Marcelino dos Santos.

Segundo Roberto Dimande, a família ainda aguardava pela visita do vereador para a área de infra-estruturas, para solucionar o problema.