27 de abril de 2015

Em Angola, até ver, é assim...!!!

 
 
Fonte: Recebido por email

Contos Moçambicanos - Volume I (Março 1978 - Maputo)

Lisboa - Praça da Figueira e Praça D. Pedro IV


Portugal: Cacilhas


25 de Abril: Cavaco impressionado com ignorância dos jovens



O Presidente da República, Cavaco Silva, mostrou-se hoje «impressionado» com a ignorância de muitos jovens sobre o 25 de Abril e o seu significado e denunciou uma «notória insatisfação» dos portugueses com o funcionamento da democracia.
No seu discurso na sessão comemorativa do 25 de Abril, no Parlamento, Cavaco Silva divulgou extractos de um estudo que mandou realizar sobre o alheamento da juventude face à política, e atribuiu parte da responsabilidade aos partidos políticos.
O Presidente considerou «não ser justo» para aqueles que se bateram pela liberdade, tantas vezes arriscando a própria vida, que a geração responsável por manter viva a memória de Abril persista em esquecer que a revolução foi um projecto de futuro.
«Os mais novos, sobretudo, quando interrogados sobre o que sucedeu em 25 de Abril de 1974 produzem afirmações que surpreendem pela ignorância de quem foram os principais protagonistas, pelo total alheamento relativamente ao que era viver num regime autoritário», declarou o Chefe de Estado perante o hemiciclo.

Otelo Saraiva de Carvalho: precisamos de um homem honesto como Salazar



Otelo Saraiva de Carvalho acredita que Portugal precisa "de um homem com inteligência e a honestidade do ponto de vista do Salazar" para resolver a crise que atravessa.

Em entrevista ao "Jornal de Negócios", o "capitão de Abril" sublinhou que "precisávamos de um homem com inteligência e a honestidade do ponto de vista do Salazar, mas que não tivesse a perspectiva que impôs, de um fascismo à italiana (...) Alguém que fosse um bom gestor de finanças, que tivesse a perspectiva de, no campo social, beneficiar o povo, mesmo e sobretudo em detrimento das grandes fortunas".

Otelo Saraiva de Carvalho elogia o que se fez a seguir à revolução "ao nível da educação, da saúde".
"Houve um rápido crescimento do nível económico das populações a seguir ao 25 de Abril à custa das reservas de ouro que o forreta do Salazar tinha amealhado no Banco de Portugal, mas depois, esgotada essa possibilidade, a coisa começou a entrar em dificuldades", salientou.

Fonte: Diário de Notícias, 21 de Abril de 2011

França: Otelo Saraiva de Carvalho "conta" o 25 de Abril à comunidade portuguesa de Lyon



Lyon, 28 Abr (Lusa) - Durante mais de duas horas, de pé, dando mostras de uma vitalidade extraordinária, Otelo Saraiva de Carvalho falou a uma plateia de 50 pessoas em Feyzin, França, sobre a história da ditadura portuguesa e as motivações dos capitães que realizaram o 25 de Abril.
O ex-dirigente do MFA voltou a sublinhar que até ao 25 de Abril nunca tinha "ouvido falar de Álvaro Cunhal" e que os civis (os partidos políticos), não foram envolvidos no derrube da ditadura para não comprometer as hipóteses de sucesso da acção militar.
Do descontentamento dos oficiais em relação à guerra em África, ao papel da CIA no 25 de Novembro, o antigo dirigente do MFA transmitiu ao público, com entusiasmo e minúcia, a orquestração do golpe militar e os momentos-chave da revolução de Abril, sem esquecer o papel dos emigrantes na história da ditadura portuguesa.
"Salazar fechava os olhos à saída das pessoas para os Estados Unidos, o Canadá, a Suíça, a Alemanha e a França porque precisava das remessas dos emigrantes para a guerra", disse
A mesa-redonda decorreu no Centro Leonard de Vinci, em Feyzin (Lyon, França).
Otelo Saraiva de Carvalho deslocou-se ao local a convite da Associação Cultural dos Portugueses de Feyzin, em parceria com o Instituto Camões, o Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra e o Instituto de Língua e Cultura Portuguesa (Lyon).
Na mesma sala, foram inauguradas três exposições sobre o 25 de Abril trazidas pelo Instituto Camões e pelo Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra.
Fonte: Expresso, 27 de Abril de 2008

30 de março de 2015

Ler (José Craveirinha) uma belíssima poesia nossa irmã (Isabel Pires de Lima)



José Craveirinha, poeta moçambicano recentemente falecido, aos 80 anos, é uma das vozes fundadoras da literatura moçambicana. Xigubo(1964) foi o seu primeiro livro, logo apreendido pela PIDE, ao qual se seguiram muitos outros de que se destaca Karingana ua Karingana, Cela 1, Maria. Muito premiado nacional e internacionalmente (prémio Camões em 1991), foi um embaixador da literatura moçambicana no mundo.
 
A sua poesia canta a revolta, a raiva, o amor, a solidariedade e faz a denúncia frontal da injustiça social e racial, como testemunham estes versos do poema "Grito negro":
 
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha
Combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.

PCP foi "tragédia" no processo de descolonização - Pacheco Pereira



O historiador português José Pacheco Pereira considera que a intervenção do PCP em Portugal e junto dos movimentos independentistas nas ex-colónias portuguesas em África foi "trágica" para a história recente desses países.
Pacheco Pereira considera que "a herança, quer do colonialismo, quer do PCP, enquanto partido comunista nas colónias portuguesas, é de facto trágica".
Numa palestra subordinada ao tema "As relações dos movimentos de libertação com a oposição portuguesa", Pacheco Pereira defendeu ainda que um debate desapaixonado sobre a história recente pressupõe a emergência de uma "nova geração" e a abertura dos arquivos do PCP e de partidos como a FRELIMO (Moçambique) e MPLA (Angola).

Nas Águas do Tempo (Mia Couto)



Meu avô, nesses dias, me levava rio abaixo, enfilado em seu pequeno concho. Ele remava, devagaroso, somente raspando o remo na correnteza. O barquito cabecinhava, onda cá, onda lá, parecendo ir mais sozinho que um tronco desabandonado.
- Mas vocês vão aonde?
Era a aflição de minha mãe. O velho sorria. Os dentes, nele, eram um artigo indefinido. Vovô era dos que se calam por saber e conversam mesmo sem nada falarem...
- Voltamos antes de um agorinha, respondia.
Nem eu sabia o que ele perseguia. Peixe não era. Porque a rede fica amolecendo o assento. Garantido era que, chegada a incerta hora, o dia já crepusculando, ele me segurava a mão e me puxava para a margem. A maneira como me apertava era a de um cego desbengalado. No entanto, era ele quem me conduzia, um passo à frente de mim. Eu me admirava da sua magreza direita, todo ele musculíneo. O avô era um homem em flagrante infância, sempre arrebatado pela novidade de viver.

Cervejas de Moçambique

O 25 de Abril de 1974 em Cartoons

28 de fevereiro de 2015

Moçambique: Catálogo de Turismo Para o Ano de 2015


"Se Necessário o Exército Atirará Sobre os Colonos Brancos"

Entrevista a Mário Soares, Ministro dos Negócios Estrangeiros
O Ministro dos Negócios Estrangeiros português Mário Soares sobre a descolonização em África
SP – Sr. Ministro, o Governo Provisório está em vias de conceder a independência às colónias da Guiné-Bissau, Angola e Moçambique. Há portugueses que se interrogam se este Governo de Transição, que não foi eleito pelo povo, mas empossado por um golpe militar, tem legitimidade para tomar uma decisão tão histórica.

MS – Isso nos perguntámos logo a seguir à revolução de 25 de Abril. Ponderamos se a descolonização se deveria fazer apenas após eleições regulares. Mas verificou-se que o problema era candente, que dificuldades e demoras surgiam no processo. E assim convencemo-nos que precisávamos de nos apressar.
SP – Há portugueses que julgam que o Sr. se tenha apressado demais – como em tempos os belgas ao se retirarem do Congo.
MS – Estamos há 3 meses no governo, e entretanto fizemos contactos e progressos, mas não creio que tenhamos sido demasiado apressados. Pelo contrário. A situação em Angola, que nos últimos tempos se tornou explosiva, prova que talvez não tivéssemos andado suficientemente depressa.
SP – Sobre as condições de independência o Sr. negoceia exclusivamente com os movimentos de libertação africanos. Na sua opinião eles são os únicos legítimos representantes das populações nas colónias?
MS – Bem, se quisermos fazer a paz – e nós queremos sem demora a paz – temos que falar com os que nos combatem. Isto não implica uma avaliação política ou ética dos movimentos de libertação, mas resulta da apreciação pragmática de determinada situação. E quem nos combate na Guiné? O PAIGC. Assim temos de falar com o PAIGC. Quem nos combate em Moçambique? A Frelimo. Assim temos de falar com a Frelimo.

A Descolonização Portuguesa Contada Por Mário Soares

Ministro dos Negócios Estrangeiros logo após o 25 de Abril de 1974 (I, II e III Governos Provisórios), Mário Soares, em entrevista com Dominique Pouchin, apresenta a sua versão sobre o processo de descolonização.

Na medida em que nele foi parte activa, editamos aqui o que faz registar sobre o assunto.
Referência bibliográfica:
Mário Soares. Memória viva. Entrevista com Dominique Pouchin. Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições, 2003 (Biblioteca "Primeiras Pessoas"- vol. I).
A DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA
- A revolução nascera das guerras coloniais, e a primeira das urgências era pôr fim a essas guerras. Nessa altura o senhor começa a negociar com cada um dos movimentos nacionalistas. Começou, de certa forma, pelo mais fácil, pela Guiné, a seguir trabalhou em relação a Moçambique, e finalmente Angola. Como se passaram as coisas com os Guineenses?
É preciso começar por dizer que não existia uma visão política homogénea no seio do governo provisório. Na ausência de coordenação, cada um fazia mais ou menos aquilo que entendia. Quando aceitei a pasta dos Negócios Estrangeiros, tinha uma ideia para levar a bom termo a descolonização. Pretendia fazer assinar rapidamente um cessar-fogo nos territórios em guerra, para acabar com ela localmente. Mas tinha de respeitar o presidente Spínola, o qual possuía os seus próprios pontos de vista nessa matéria. Ele desejava a constituição de um processo sob controlo armado, para chegar a uma espécie de "Commonwealth portuguesa". Numa altura em que a opinião pública apelava à manifestação nas ruas a favor das independências, da fraternidade e da paz, isso era claramente impossível. A população reclamava o regresso dos seus soldados ao País. As tropas portuguesas estacionadas no Ultramar começavam, também elas, a confraternizar com os nacionalistas. A política de Spínola era, por conseguinte, irrealista. Do lado oposto, havia a visão do Partido Comunista. Convém lembrar que, naquela época, nos aproximávamos do período da máxima expansão da União Soviética no Mundo. Os comunistas portugueses desejavam fazer entrar as antigas colónias portuguesas na esfera de influência soviética, uma vez que elas albergavam no seu seio movimentos de tendência comunista. Estávamos então em 1974. Finalmente, uma terceira tendência era a que preconizava Melo Antunes, um tenente-coronel do Exército português e ao mesmo tempo um intelectual, que me sucedeu no ministério dos Negócios Estrangeiros. A sua ideia de descolonização negociada estava mais próxima da minha, sem ser exactamente a mesma. Ele era muito "terceiro-mundista". Então cada um começou a trabalhar para seu lado.

Criatividade

Moçambique: Conjunto Musical Os Inflexos



Hoje falamos de um grupo que já se havia afirmado na cena musical moçambicana desde 1966 e continuaria a estar em evidência até 1971.

O seu grande obreiro foi Carlos Alberto Melo, nascido a 2 de Junho de 1939 em Lisboa, com quem conversámos recentemente e que nos deu vários detalhes, fotos, músicas e videos de Os INFLEXOS, que hoje publicamos neste "Destaque da Semana".

Carlos foi para Moçambique ainda criança e aí foi crescendo sempre com o bichinho da música e de vir a tornar-se cantor.

A sua primeira aparição em público acontece em 1958 no Clube Naval de Lourenço Marques, numa festa de estudantes.

Carlos sonhava um dia formar o seu grupo musical, para o qual até ja tinha escolhido um nome.

Sonhos adiados, porque acabados os estudos no Liceu foi para Lisboa estudar Direito.

A greve e crise estudantil de 62 leva-o a perder o ano e é convocado para prestar serviço  militar.

Em 1961 havia rebentado a guerra em Angola e o Governo envia um grande número de militares para a colónia. Foi uma razia nas Faculdades, de tal forma que os Reitores se insurgiram e conseguiram que em 63 saísse legislação para proteger os estudantes, com uma fórmula que adiava a incorporação permitindo a finalização dos cursos até uma determinada idade.

12 de janeiro de 2015

Moçambique: Paz é inseparável da independência - visão de Samora Machel


 
 
Paz é inseparável da independência - visão de Samora Machel que se vivo completaria hoje 75 anos de idade (2008)

A PAZ da independência separável da visão de Samora Moisés Machel, Presidente de Moçambique, se primeiro in vivo, completaria hoje 75 anos de idade. Peça incontornável da luta arma de libertação nacional, Sa Machel mostrou esta sua visão proposta à morada colonial portuguesa, Mário Soares quando o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mário Soares foi à história Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) um cessar- fogo e consequente realização de referendo para decidir se os moçambicanos ou não a independência. Acordo de Lisboa a proposta e expansão como operações, facto muito propalado pela militares, Imprensa levando a mudança de atitude até assinado em 7 de Setembro de 1974 de Lusaka

Lisboa salvaguarda vestígios da nau portuguesa do século XVI descoberta ao largo da Namíbia



Lisboa, 01 Out (Lusa) - Lisboa garantiu hoje o seu interesse "fundamental" na protecção dos vestígios de uma nau portuguesa do Séc XVI descoberta na costa da Namíbia, reagindo a notícias que davam conta de ela poder em breve ficar submersa.
Num esclarecimento à Comunicação social, o Ministério da Cultura reage "ás notícias tornadas públicas nos últimos dias", lembrando que já no início de Setembro ficou "claro que o interesse fundamental do Governo português era o de assegurar a integral salvaguarda dos vestígios em questão".
Foi também em Setembro que os Ministérios da Cultura e dos Negócios Estrangeiros decidiram enviar ao local - a interface costeira de Oranjemund - dois técnicos portugueses do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (os arqueólogos Francisco Alves e Miguel Aleluia), salienta a nota.
A Agência France Presse noticiou no sábado que os destroços da nau portuguesa descoberta em Abril ao largo da Namíbia "serão devolvidos proximamente ao oceano sem ter podido revelar todos os seus tesouros devido aos elevados custos para serem retirados das areias subaquáticas".
O Jornal Público puxou o assunto para a sua capa na edição de segunda-feira com o titulo "Caravela com 500 anos em risco de ser submersa na costa da Namíbia", citando no artigo a notícia avançada pela France Presse.
"Mais de 2.300 peças de ouro pesando cerca de 21 quilogramas e 1,5 quilogramas de moedas de prata foram encontradas a bordo, num valor de mais de 100 milhões de dólares", explicava numa recente visita ao local o arqueólogo Francisco Alves, maravilhado com o valor cultural desta descoberta, "sem preço", citado pela France Presse.
O sítio dos achados está a céu aberto graças a um cordão dunar criado artificialmente - uma baía com cerca de 90 m2 a seis metros abaixo do nível do mar.
Por influência das alterações atmosféricas, normais nesta época do ano, no Atlântico Sul, ficou acordado que os trabalhos deveriam ficar concluídos a 2 de Outubro. Neste momento, com novas previsões meteorológicas é possível alargar o prazo dos trabalhos até 10 de Outubro, refere o Ministério da Cultura.
A equipa de arqueólogos portugueses acompanhará assim "a remoção dos achados até à sua conclusão", assegura a nota.
Devido à sua "reconhecida capacidade técnica e científica", os dois técnicos participarão também na investigação, valorização e divulgação dos achados.
Lisboa lembra que o governo namibiano convidou o Estado português a participar nos trabalhos de salvamento da nau portuguesa e que esse clima de "total cooperação e empenho" foi reiterado num encontro recente à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, entre os representantes das diplomacias dos dois países.
Deste encontro resultou a deslocação a Portugal do ministro dos Negócios Estrangeiros da Namíbia, em data a agendar, adianta o comunicado.
TM.
Lusa/Fim, 01 de Outubro de 2008